sábado, 26 de dezembro de 2009

A cama, o tremor, o aquecedor. Erasmus.

O meu post sobre os veados e os seus hábitos sexuais nesta época do ano pode ter suscitado alguma curiosidade. Eventualmente: O que faz com que um tio, com uma vida atribulada qb, esteja a ouvir televisão, enquanto faz a barba?

A curiosidade, neste caso, não matou o gato, mas a razão de ter ligado a televisão e de lhe ter posto o som mais alto que o normal é relativamente simples...

A história tina começado no dia anterior, com o tremor de terra, lá para os meus lados. Entrevistaram uma série de algarvios que brilhantemente se pronunciaram sobre a dita manifestação telúrica e, nessa ansiedade de encontrar respostas estapafúrdias, entrevistaram uma estudante britânica da UAlg.

Então a menina lá disse que tinha acordado quando sentiu a cama a tremer... Viu o aquecedor a mexer e ficou muito assustada. Saiu de casa e teve medo de voltar a entrar. Oh querida, vê-se que é uma inocente...Então a cama treme e o aquecedor fica parado? Será um bicho papão que está debaixo da cama? Lá para as minhas bandas, o que faz mexer a cama é o aquecedor...Até faz tremer a terra e não o contrário...Ficou muito assustada? Ainda está cá há pouco tempo. Para a próxima agarre-se bem ao aquecedor e trema com ele! Vai ver que assim custa menos a passar o tempo do Erasmus e ainda leva uma experiência que pode ser útil pela vida fora...

E hoje é Natal. Será que tem o aquecedor ligado? Há lareira? À lareira...Assim é melhor...

A língua portuguesa é muito traiçoeira.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Natal...

A demagogia que corre nos discursos dos nossos políticos, fielmente transmitida pelos meios de comunicação social, transborda até ao limite do exagero, nestas quadras...
Levado pelo espírito do Natal (o antigo, antes do consumismo exacerbado), tento passar estes dias em sossego, aproveitando para descansar da correria de sempre...

Tranquilidade. Que bom seria, se pudesse...E este ano estive quase. À última hora, o que parecia um Natal calmo e tranquilo, vai acabar por juntar uma série de gente que andava dispersa....

Uns porque iam passar essa Noite a casa de outros e não deu, outros porque não tinham mesmo qualsquer planos, outros ainda que bastava que fosse fora de casa...E assim se transforma uma noite simples num evento de última hora, espontâneo, autêntico e inesperado.

Talvez seja este afinal, o espírito do Natal! Com meia dúzia de tábuas se faz uma casinha e, como sempre digo, o importante são as pessoas!

Feliz Natal para todos, com algo de inesperado, muito de espontâneo e tudo de autêntico!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Brama Sutra

Regresso ao jardim à beira mar plantado, depois de uns dias num quase paraíso não fiscal e ao acordar e procurar saber o que se passa no mundo português sou acordado com um programa sobre veados na RTP N. Habitualmente não vejo esse canal, desconheço a qualidade das notícias do mesmo, mas hoje entre desenhos animados, informações que talvez interessem ao Menino Jesus ou ao Pai Natal sobre o trânsito (nesta época), deparo com uma história de cornos que quase me provoca um corte, a fazer a barba (e não me lixem com essa história do “desfazer” a barba!).

Então parece que em Portugal há 700 veados, e mesmo antes da legalização do casamento gay, não estão em vias de extinção, ou seja, não é uma espécie ameaçada! Nunca pensei que fosse, a avaliar pela frequência com que me deparo com este animais. Imaginava até, na minha ignorância sobre o tema, que seriam muitos mais...

Este tipo de cervídeo, quiçá um eufemismo para designar esse grupo de animais com cornos e que comem erva, tem esses adornos tão característicos, na sua dimensão máxima no Verão (desconheço a importância da ida para férias, neste processo, mas acredito que não há fumo sem fogo). Depois do climax, o declínio e os cornos não são excepção. Caem e voltam a nascer, de acordo com a informação da nossa bendita televisão pública. Nesta altura do ano, têm vontade de acasalar, talvez influenciados por toda a publicidade sobre o tema, ou talvez por outro tipo de estímulos, não sei. Para atrair as fêmeas emitem determinados sons com frequência. Bramem... Este tipo de actividades estará profusamente documentado, numa obra, didáctica, com o sugestivo título deste post...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Sozinho em Centro Comercial

Por muito que nos esforcemos a preparar percursos, o que não é o caso, há sempre algum imprevisto. Desta vez foi o encontrar-me, de repente, sem que nada o fizesse prever, sozinho. É evidente que este “sozinho” tem pouco a ver com solidão, como algum eventual leitor, recém-chegado, pudesse deduzir da carga simbólica da palavra. Viver sozinho, mesmo em part-time, é um exercício que gosto. O receio da habituação, viciante, egoísta, é que podia ser caso de reflexão mais aprofundada, leia-se deitar-me numa diva (divagar deitado, não confundir com nadar nalgum mar de devassidão). Mas o tema era uma sobre uma ida ao chopingue (acordo hertográfico).

Aconteceu que, com muito gosto e a pedido de um colega, fui dar uma aulinha, no Porto. Aproveitei para matar saudades e, como sempre, tentei por a assistência a participar, interagindo com o suposto “palestrante/orador”. Acho que consegui e o período de perguntas, depois da explanação (esta é forte), estendeu-se com gosto de ambas as partes por uma hora. Fiquei satisfeito e quase vaidoso quando dois colegas que assistiram me disseram que estava em forma...É fácil quando nos pedem para falar dos temas que gostamos.

Este preâmbulo serve apenas para justificar o porquê de, num Sábado à uma da tarde, em dia de chuva torrencial, o tio estar a entrar para o carro sem saber para onde ir... Um imprevisto, outro erro de cálculo, e a hora era imprópria para conversinhas do tipo: Olha já não te falo há mais de um ano. O tempo passa depressa. Já estás a almoçar? Ou pior ainda: Estou aqui no Porto, já não venho cá há séculos e lembrei-me de te cair na sopa...Tempos houve que adoraria fazer uma conversa destas, mas não me apetecia naquele dia. O portão eléctrico deixou-me sair e enquanto esperava que algum simpático automobilista me deixasse entrar na fila (há coisas que não deixam saudades no Porto e o trânsito é uma delas), lembrei-me de fazer um post sobre o Sábado livre de trabalho. Alguém simpático lá me deixou entrar, à boa maneira do Porto fiz-lhe adeus (e até era gira a senhora) e segui.

O problema do para onde ir foi-se acentuando enquanto pensava na quantidade de gente que não trabalha ao Sábado, ou então trabalha no carro a deambular pela cidade, sem rumo...E eis que cheguei à velhinha Rotunda, conhecida por poucos como a Praça Mousinho de Albuquerque, e quando o monumento da Guerra Peninsular me arranca um sorriso (o de Lisboa deveria ser igual...), pensei que tinha encontrado a solução do problema: Sítio com Internet, onde pudesse comer qualquer coisinha (refiro-me ao almoço e não ao resultado de qualquer actividade cinegética ou piscatória). O Cidade do Porto, aka Bom Sucesso era a solução. Lembrava-me dele como um sítio sossegado, com pouca gente, e ainda de um cibercafé em frente à Valentim de Carvalho (bons tempos...) onde ia, às vezes, no auge do hotmail e onde uma vez, enquanto procurava o cartão de utilizador assisti a uma entrada triunfal da polícia. Não era a ASAE, senão teriam máscaras.

Enquanto estas recordações esparsas me iam chegando à consciência, dei por mim à procura de lugar no dito cujo (ah lión, carago), e já no piso -3. Lá arranjei lugar par o barco (sim com a chuva que caía já se tinha transformado em barco), agarro no Toshas e vou para os elevadores. As recordações foram-se tornando mais claras no que diz respeito aos elevadores deste Centro Comercial e do tempo de espera (também tinha que ter algum defeito, não?). Estou naquela ante-câmera tão simpática e começo a sintetizar informação. As memórias varreram-se e começo a processar informação, qual robot do conhecimento.

Um marido e pai gentil pára junto à porta, deixa a família e vai procurar estacionamento. Um casal de meia-idade chega também ao local. Uma senhora sozinha (não, não aconteceu o que estão a pensar) e casal de namorados adolescentes, muito agarrados para ocuparem menos espaço também chegam ao hall dos elevadores. São os primeiros a desistir e vão pelas escadas. Os restante ficam e o elevador finalmente chega, e é o mais perto de mim. Meto o braço para ver se não fecha e deixo entrar toda a gente. Era o grande e ainda sobrou espaço. Foram saindo os passageiros do autocarro vertical, nas várias paragens ao longo do percurso excepto a senhora com os miúdos cujo marido tinha ido estacionar o carro. Deixo-os sair e saio também...

Nunca poderia imaginar que aquele local tinha tanta gente. Senti que se tinham passado uns anos desde que lá tinha entrado pela última vez e que também não estava habituado aos centros comerciais ao Sábado. As lojas já não eram as mesmas, não tinha ideia de tantas sapatarias, mas consegui encontrar um sítio para almoçar com alguma tranquilidade. Nem sequer me atrevi a tirar o Toshas da pasta e por isso o post ficou na imaginação. Mas vai sair...Eu também saí com alguma pressa antes que chegasse a hora dos cinemas!

Sábado, enquanto me lembrar deste episódio, não saio de casa sem roteiro e programa. É a moral desta história…

sábado, 5 de dezembro de 2009

Mariage Frères, a diferença

Quem diria que num restaurante simples e despretencioso de S. Pedro, onde almoço de vez em quando, iria encontrar uma pessoa simpática e especialista na matéria? Mas, reflectindo melhor, para conhecer estes pequenos luxos, teria que ter bom gosto ou ser uma profunda conhecedora do tema. Confirmei com uma simples e inocente pergunta que ambas as possibilidades eram verdadeiras. Quando lhe disse que o meu aroma preferido era o Earl Grey, o seu sorriso, quase cúmplice respondeu-me logo: É por causa da bergamota! Mas prove Mariage Frères. Vai sentir a diferença...

Assim que possível escrevo qualquer coisinha sobre o prazer do chá. Como tudo depende da companhia... Quem não conhece, leu o post e ficou com alguma curiosidade, pode saber mais clicando aqui.

Boas taças, em boa companhia, num ambiente tranquilo!

Corrompíadas 2009

A modalidade rainha das corrompíadas, já está encontrada, é o “Assalto à vara”. As inscrições de atletas nesta modalidade podem ser feitas para o call center, criado especialmente para o efeito ao abrigo do programa Roubex.

Cada chamada tem o preço simbólico de 10.000 euros.

Num perca as novas apertunidades! Há uns que sobem a pulso, outros a abraços e outroas ainda que o fazem a salto (à vara). Assumpçem-se, sem bergonha!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Prazer e Dever. O prazer é devido...

Estes últimos títulos despertaram-me a vontade de publicar uns textos sobre as minhas viagens a Vénus. Há séculos que não escrevo sobre o tema, mas ainda não é hoje o dia....

Vamos ao desafio endiabrado:

Eu já tive... mais fé nalgumas pessoas, mas menos noutras...
Eu já tive...mais tempo
Eu já tive... menos tempo

Eu nunca...disse nunca!

Eu sei...Que devia dedicar-me mais às pessoas que gosto
Eu sei... que nada se repete.
Eu sei...que muita coisa se repete, mas de outra forma...

Eu quero...mesmo dedicar-me mais às pessoas que gosto!

Eu sonho...menos do que devia, mas...
Eu sonho...às vezes, mais do que devia...

Pronto! Espero que as tuas expectativas tenham sido atingidas!!! Gostei de responder...

Dois Numa?

O título pode sugerir uma coisa diferente, mas não é...

Dois prémios numa semana! Será coincidência o Tio ter-se despedido da idade que tinha, muito recentemente? Apesar de comprovinciano e admirador da obra do grande João de Deus Ramos, não resistiu a fazer aninhos... Vê-se logo que não é de muito juízo, mas enfim...Lá foi.

E eis que acabo de sugerir uma comenda para a JS, no post anterior, e já tenho de pensar noutra para atribuir à Maria Teresa, que me ofereceu este simpático selinho...




Tento fazer muitas coisas pelo ambiente e, sempre que posso, repito que a Reciclagem vem a seguir à Redução do consumo e à Reutilização. Mesmo antes do Marketing nos ter chamado a atenção para as tendências ecológicas...

Não uso sacos de plástico, sempre que possível recuso embalagens ( e não percebo porque é que em Portugal os Hiper e outras catedrais de consumo não têm mesas para se abrir as caixas de cartão e plástico das embalagens, que permitam deixá-las lá), minimizo o consumo de água, há séculos que tenho lâmpadas económicas em casa (do tempo em que ainda eram caríssimas), nos locais de trabalho procedo de igual forma com o consumo de electricidade e água. Redutores de consumo nas torneiras, pois claro...

Bem basicamente está tudo dito... Gostava de nomear todos os meus seguidores para este desafio e oferecer à Maria Teresa a Ordem do Espírito Jovem! Fica também comendadora, com os meus agradecimentos pela lembrança...

O selo é lindo! Mas têm que o tirar daqui...

Desafio e Prémio? Prémio!


Juro que eu não era assim...Lembro-me de me dizerem: Estuda, faz os trabalhos de casa (no Norte chamam-lhe os deveres) e depois vais brincar. Mais tarde foi a questão do dever (antes do endividamento, que também conheci, mas sem grande intimidade) e do prazer. Primeiro o dever!

E, em rigor devo dizer que também tento transmitir ou pouco essa filosofia, na maior parte das vezes. Outras não! Se o prazer não for um dever (ai, ai, ai...), então que esteja antes de muita coisa. E com frequência acima de muitas coisas... E por isso hoje, apesar do dever estar em falta, de não ter ainda respondido ao desafio da diabinhos, mesmo sem cumprir qualquer outra promessa, ou compromisso, ou de sofrer algum castigo (na tradição judaico-cristã, entenda-se...) tenho um prémio, que ostento com orgulho!

Assim, por este andar, com esta falta de assiduidade (não consigo ainda compatibilizar o word, no Vista, com o blog...), com a falta de trabalho bloguístico, falta de reposta, falta de visitas e com prémios, ainda vou acabar em gestogger público.
Muito Obrigado JS! Fica já uma comenda prometida, mesmo antes da nomeação. Ministra da Blogosfera? Embaixadora do Saber Estar? Alta Comissária para os Assuntos Blogosféricos?
Beijinhos do Tio.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Das sinergias às sanguessugas, a evolução dos grupos.

Mandem-me calar ou parar de escrever! Está a dar-me imenso para estes temas e fico com pouco tempo para os outros que me dão muito mais prazer. A casinha nova, neste ritmo, nunca mais passa da fase de projecto...

Mas, enfim é preciso continuar e teorizar sobre estes assuntos. Criei uma etiqueta nova, para agrupar os “posts” sobre este assunto, e agora sou quase compelido a escrever sobre o tema.
Este título pretende sintetizar um novo efeito de alguns grupos empresariais. Baptizei (não me falem no acordo ortográfico) este efeito com um nome apelativo, mas tenho que contextualizar um pouco sobre o tema antes de formalizar a teoria.

Há alguns anos pensava-se num grupo de empresas e imaginava-se as sinergias que poderiam advir do controlo de várias empresas pela mesma entidade. E partia-se para o grupo, falando-se repetidamente do TODO, do GRUPO, referindo-se até à exaustão que o todo era maior que a soma das partes. Sinergia era a palavra forte.

Mais tarde, a facturação entre as empresas do grupo passou a ter um peso quase tão grande como os “terceiros”, situação perigosa e que, diagnosticada a tempo, foi resolvida por muito boa gente, verdadeiramente bem-intencionada, que ultrapassou essa fase autofágica dos grupos.
Modernamente o conceito evoluiu para a sanguessuga. Este princípio consiste em sangrar as participadas até às portas da morte, com o pretexto de as aligeirar, de lhe retirar a gordura, de deixar apenas o músculo, numa fase inicial. A palavra-chave é aligeirar. A ênfase está na redução dos custos. Depois desta fase, da primeira dentada, suave e nada dolorosa, como a mordidela da sanguessuga, começa a verdadeira sangria.

Há verdadeiros especialistas nesta arte, que em meia dúzia de meses deixam as empresas às portas do “céu”, completamente aligeiradas e ágeis, eufemismo usado para descrever esse estado exangue, antes da morte, neste caso a venda a outro qualquer grupo iludido com a leveza desse fantasma ou a liquidação com venda de algum eventual activo que ainda exista. Sucata, por exemplo. Quem se lembraria de um activo desse género?

O que é pior é que estas sanguessugas pululam por todos os lados, deitando os dentes a várias empresas geridas por pessoas com muitas debilidades. Debilientes, outro neologismo, que quer dizer debilidade resistente...

Por respeito aos meus leitores e por absoluto desconhecimento da forma de reprodução dos artrópodes, não uso o nome de um conhecido ectoparasita hematófago, às vezes presente nestes casos.

As sanguessugas são tão limpinhas! E até já foram usadas para tratamentos...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Desculpas esfarrapadas

Quem nunca deu uma desculpa absolutamente inacreditável para alguma situação eventualmente inocente mas, de tão estúpida que foi, que é justificada com uma desculpa ainda mais palerma, que me atire a primeira pedra. Neste caso a primeira tecla...

Os motivos mais habituais das minhas, quando as dava (já me deixei disso há muito) são as avarias. Dos carros, dos comboios, os atrasos dos aviões, das ligações entre os voos, etc. Entre as mais credíveis também está o trânsito, as reuniões que não acabam, etc. O telemóvel que fica sem bateria e não dá para avisar ou a falta de rede, são justificações em que, julgo, já ninguém acredita, mas enfim, talvez possam ser utilizadas.

Longe vai o tempo em que os furos serviam de desculpa. Hoje julgo que já não se utilizam, mesmo aqueles que ainda dão desculpas, evitam essa. Há dias, porém, aconteceu um fenómeno aparentemente inacreditável e merecedor de entrar nessa listagem de desculpas esfarrapadas, com entrada directa nos TOPs.

Foi preciso mudar uma roda... Ao avião? Não acredito! Tem paciência. Estás na tanga...
O telemóvel não tinha ficado sem bateria (uff), e uma grande parede de vidro permitiu fotografar, apesar de não precisar de prova...

Aqui ficam as fotos. Se forem úteis a algum dos meus leitores, ou leitoras, não hesitem. O aeroporto nunca é importante. A companhia sim...




quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Contabilidade não analítica

Um comentário a um post, num dia de PEC (Pagamento Especial por Conta) e eis que surge a ideia.

Balanço, Contabilidade. Contabilizar será classificar, atribuir classes. E quantas vezes contabilizamos coisas, aspectos da nossa vida, arrumando-os em compartimentos que depois voltamos a abrir e, quando os olhamos de novo, factos ou sonhos, tão bem arrumadinhos que estavam... e nos parece que nos enganámos a classificar? Apressamo-nos a tirá-los dessa gaveta e a colocar noutra. Será que o processo se repete? Certamente que sim...

Recordo-me de me dizerem que a contabilidade é uma sucessão de fotografias dos factos. Dispostas em sucessão, permitem-nos ver um filme dos acontecimentos. E é assim e não o contrario. Os factos não acontecem para se adaptarem às nossas gavetas. Não inventamos ou provocamos situações porque temos uma gaveta, vazia, com uma etiqueta escrita numa letra toda bonita e temos que arrumar lá dentro alguma coisa. Bem, talvez na adolescência assim acontecesse...

Não quero dizer que não procuro acontecimentos. Naturalmente que procuro e até provoco acontecimentos. Preciso de procurar e de encontrar, mas procuro com a intenção de sentir e não com a preocupação de arrumar...

Balanço e Demonstração de Resultados. Duas peças que todos os anos nos preocupam... Vamos ao longo do ano colocando etiquetas em papéis que representam acontecimentos, as rubricas vão sendo somadas e passado um ano, numa espécie de festim, analisamos os saldos e tiramos conclusões, esquecendo tudo o que fizemos, ou não fizemos, para os obter...

Não. Eu vivo, sem querer contabilizar. Quero acção. Quero descansar sem ter que pensar na situação líquida...Sem ter que mostrar resultados num relatório onde explico porque não pude chegar onde pensava, ficando acima ou abaixo do que se esperava... Prefiro ficar ao lado. De quem quer estar comigo!

E quem quiser que contabilize, cuskotize, ou como lhe queiram chamar a essa ciência de contabilizar a vida dos outros ou a nossa, com o detalhe de um plano de contas. Não posso perder tempo com essa disciplina...E este mês não é de balanço!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O complexo de Tíaaa na Gestão

Encorajado pelos “feedback” das minhas teorias sobre a gestão moderna, julgo ter identificado um novo tique, nesta clique (quem faz rimas sem querer é giro a valer) de novos G'Tores.
Ainda não o registei, mas fica publicado, para posterior registo. Este tique tem a sua origem na total falta de prioridades nos projectos, como se, antes da construção de um hotel, enquanto se analisam as possibilidades de classificação, número de quartos e tipologias, se marquem reuniões para decidir os bordados das toalhas dos quartos, que vão ficar muito bem...

Este tipo de situação, em que as prioridades e as oportunidades são perfeitamente ignoradas e escamoteadas, passou, para mim, a simbolizar uma atitude que identifico como o “Complexo de Tíaaa na Gestão”.

É evidente que nesse caso, como noutros, os accionistas não têm que se preocupar com prioridades de “fundo” como engenharia financeira, legalização dos empreendimentos, cumprimento de normas legais, contratos de trabalho, como também não deviam preocupar-se com questões do dia-a-dia. Naturalmente que, não se interessando pela vertente estratégica, pode parecer estranho que se interessem pelas questões tácticas do dia-a-dia... O que não significa que não possam e devam contribuir com todas as sugestões que entendam e que muitas vezes enriquecem os projectos, em qualquer um dos níveis mencionados.

Este complexo de Tíaa aplicado à medicina, teria também a sua graça. Imagino o paciente em paragem cardio-respiratória, a precisar de cuidados urgentes, e o médico a dizer que o moribundo não tem a barba feita, ou que a moribunda não tem as unhas arranjadas...Imagino a situação na ambulância. Será por atrasos provocados por este tipo de complexos que estão a nascer tantas crianças nas ambulâncias? Os atrasos dever-se-ão à necessidade de se vestirem as parturientes a rigor, antes da chegada da ambulância?

No planeta Emp-Reza o complexo manifesta-se quando os gestores têm este tipo de atitudes de Tíaaa. E isso é que é complicado gerir. Os saltos constantes entre planos que deveriam estar relativamente compartimentados, se não no espaço, pelo menos no tempo. Imagino a situação da empresa a quem foi cortado o crédito e a gestão preocupada com a decoração do balcão onde tem as contas bancárias...

Cá o Titi, às vezes também brinca com alguma dissonância cognitiva, mas é só brincadeira, alguma malícia e ironia qb, com as suas questões perfeitamente descontextualizadas e sem qualquer sentido de oportunidade. A sério nunca! Trabalho é trabalho e cognac é cognac. Julgo que bagaço também será bagaço...

E sabe tão bem brincar, quando se pode...

Vai um leitinho para a mesa de reuniões? Talvez um capilé. É pa si, não é? E pá menina um leitinho perfumado?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pandenóia

A palavra não deve ser original, mas surgiu-me ao ver este vídeo. Pandemia, Paranóia, Conspiração ou Realidade? Fico-me pela PANDENÓIA....

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Copos, Design e Saltos

Sempre admirei o design. A capacidade de conceber, de criar coisas com determinada utilidade e que representam soluções simples, eficientes e apetecíveis ao olhar, sempre despertou a minha atenção. Pelo contrário, pessoas que adquirem certas peças pelo preço, ou porque é moda, não me merecem grande consideração. Menos ainda quando as ostentam, propositadamente.


Os copos? Também podem ser artigos de design, peças de colecção, objectos de grande valor. Na nossa linguagem do dia-a-dia significam muito mais. Penso que felizmente amanhã vou para a terra de nuestros hermanos: Galiza, Palma e finalmente Valência. Adoro Valência. Pelo meio fico três dias no Porto, em formação, o que me vai saber muito bem... E assim se vão passar quase duas semanas também com muitos copos. Matar saudades dos Mojitos do Verão. A hortelã é terapêutica, mas não devo estar no próximo dia 24 no Via Rápida, na próxima cura...Nem para uma Cuba!


E saltos? Já falei tanto de saltos, que acho que não preciso de dizer mais nada. Se gosto de um bom copo em boa companhia, se aprecio o design, os saltos têm o efeito que todas as mulheres conhecem. Podem ser arrasadores.

Mojito, Design e Saltos. Nem sempre as misturas têm o efeito que se conhece, mas gostava de ver alguém com um par destes:






Nota: Chamam-se “Mojito” e são da autoria de Julian Hakes. A história toda está aqui.

Viagens trocadas

Normalmente viajo sempre no mesmo lugar. É mais prático, não é preciso perder tempo à procura do lugar certo (qual será o critério de distribuição dos lugares? Mistérios da CP...) e um sem número de vantagens. Desde que se passou a poder comprar na net, que me tornei um dedicado cliente do on-line. Só é pena não poder fazer essas viagens pela net, como faço estas...

Desta vez já estava ocupado o lugar habitual e o Tio teve que reservar outro lugar, noutra carruagem.

Pois é quase impossível não encontrar uma carita conhecida nestes percursos rotineiros, mas o que parecia mesmo muito improvável aconteceu. Não é que o Tio, há tempos, tinha ligado para aí umas três vezes a uma Tia, perdida pelos lugares bons da administração pública, e a fofinha nunca o tinha podido atender? Na última vez, o inocente Titi até tinha insistido com a secretária e deixado uma mensagem toda cócó. Mas nem assim...

Pois coincidência das coincidências, o Tio sentadinho à espera do arranque do bicharoco e quem se senta ao ladinho dele, mesmo do outro lado do corredor (pareceu logo mais estreito, bolas)? A Tia perdida!

Ganda festa e com a maior lata: Então o Titi nunca mais disse nada, etc, etc, Blá, Blá, etc, etc.
Não resisti: Oh querida, não insisti porque já sabia que um destes dias nos íamos encontrar...Leia-se: Esperava nunca mais te encontrar...
Ligue, combinamos almoçar um destes dias. Claro que ouvi: Liga, liga, que te ponho a secar outra vez...
Costumo vir sempre a esta hora. Encontramo-nos para a semana? O meu subconsciente disse: Nunca mais venho nesta carruagem deste comboio! No entanto ouvi: Está combinado!

Estarei a ficar com dupla personalidade?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O meu dia. Conclusões.

O prometido é devido, nesta casa. Então o que aconteceu foi muito simples:
Imaginem-se passar ao pé (à beira, no caso) de um carro, numa rua deserta, perfeitamente distraídas e tranquilas na companhia de um cão de dimensões apreciáveis e a mala ou porta bagagens, ou porta Toshas, no meu caso, abrir-se de repente. Não sei qual é que deu o salto maior, se a dona se o canídeo...

E as conclusões são aparentemente simples e dedico-as a todas as mulheres que se fazem acompanhar de cães e gostam de o ostentar (independentemente da trela ou não):

1. Por maior que seja o teu cão, há sempre outro mais malandro
2. Quem não tem gato caça com cão
3. Nem sempre é melhor ter um cão preso do que um gato solto
4. À noite nem todos os gatos são pardos
5. Amor com amor se paga
6. A gato solto olha-se para as unhas
7. Não comeces uma guerra que não sabes como vai acabar, a menos que a luta te dê prazer

E pronto são estas as principais conclusões que este animal gostava que tirassem do pequeno episódio.

domingo, 4 de outubro de 2009

Hoje também é, um pouco, o meu dia

Hoje é o dia Mundial do Animal. Fiquei a saber pelo rádio, no novo troço da A29, ainda não descoberto por infelizes canídeos que tentam o suicídio nessas vias de circulação.
De acordo com o anúncio, convida-se a população em geral a aparecer com os seus animais domésticos e a passear com eles.

Não vou passear, porque a minha raça ainda está pouco domesticada, apesar de ter andado a treinar.

Béu-béu-béu e aí vai ele de rabinho a abanar? Não. Não faz o meu género, mas aproveito para contar uma história, com o Tio uma senhora e um canídeo de grandes dimensões (sim um cão verdadeiro, de quatro patas).

O Tio, absorto, a pensar nas suas leitoras, leitores e posts, sobe tranquilamente a escada da Estação de Campanhã, do lado oposto ao edifício da estação. Quem vem da VCI, dá muito mais jeito estacionar desse lado e no Verão, de manhã cedo, há normalmente lugares e ainda não há arrumadores. Por isso lá tinha ficado o bólide, em vez do remanso do parque de estacionamento do outro lado.

Está quase a chegar ao cimo das escadas quando olha para cima e dá com a cabeça enorme de um Grand Anois, gigante que na ponta da trela tinha uma senhora (senhora, o Tio usa para todas as mulheres, tias ou não), toda gira. Quase dei um pulo, mas não me atirei à senhora. Não por causa do dinossauro disfarçado de cão poder dar-me uma dentada e engolir alguma parte que ainda me pode fazer falta, mas porque no Porto as pessoas brincam pouco e não quis ser mal interpretado. E estava a pensar na cabeça, porque com a diferença de cotas, a cabeça do cão e minha estavam à mesma altura...

Bem, a dona do bicho percebeu e achou graça. Também me ri mas não tive resposta e, isso sim, é que me deixou desconsolado. Amor de cão, pelo de outro cão, mas nada. Nada de nada. Ai é, espera aí, que já levas resposta. Ao passar com a fantástica besta junto ao pópó do Tio, ainda tive a esperança que fosse fazer uma mijinha na roda, mas não. Bicho educado.

Mas o Tio, malandreco (sempre é verdade minha cara leitora anónima, sempre é verdade, apanhou-me desta vez), que ia uns dez metros atrás, achou que a história não podia acabar assim e resolveu carregar num botão mágico do comando, que abre o porta bagagens. E não é que abriu mesmo no momento exacto? Bendita tecnologia...

Não pude deixar de esboçar um sorriso. Amor com amor se paga, diziam os meus olhos com a luz amarela da rua que me fazia também o sorriso amarelo, enquanto guardava o Toshas, cuidadosamente, na mala do carro...

Várias conclusões se podem tirar desta história. Prometo continuação, depois das eleições.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tango e Quimera

Outra mistura irresistível, mas hoje com um sabor especial. O Tango foi declarado património da humanidade. Imaterial, como são todos os sonhos.

Tango: Paixão, sedução, sensualidade. Como dizem lá no Populum: Dançar não é o que fazemos...É o que somos!
Amanhã vou dançar, que hoje já não posso. Mas sou.

Obrigado, minha cara prima, por esta boa notícia!
E aqui fica um pouco do Piazzolla, pelos Quimera Quinteto!

Pinoconda

Esta campanha eleitoral e não ter conseguido votar na Amy MacDonald deixou marcas. De tal forma que, ao fim da noite, qualquer semelhança com a homónima Winehouse, já não era mera coincidência.

Os extremos tocam-se, diz o povo, mas não ouvi nada da Lady GaGa nessa noite. Ao contrário do que aconteceu nos verdadeiros VMA, no nosso festival, o prémio dos Efeitos Especiais foi para outra.

Para os mais atentos, em jeito de quizz, cá no nosso Festival:

1.Quem fez de Kanye West, a querer estragar a noite da miúda?
2.Quem é o Poker Face?
3.Quem ganhou afinal, o prémio dos efeitos especiais?
4.Quem fez o papel dos BeastyBoys, com “Sabotage”?
5.Pinoconda resulta de sorriso de Gioconda com um nariz de Pinóquio, ou de Pina Colada com lágrimas de Anaconda?

Quem quiser habilitar-se ao prémio (personalizado em função do/a vencedor/a) pode responder aqui directamente ou para o mail do juri.

Boa Sorte! E não confundir com Pinoconda com Pinocada.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O Anti Sofista

Tive um professor de Filosofia excelente. Obrigava-nos a pensar, o que era muito bom, apesar de, na altura, já alguém não gostar. Depois dele, calhou-nos na rifa outro completamente diferente. Detestava que pensássemos e a mim chamava-me o sofista da aula, talvez porque era teimoso, punha tudo em causa e usava argumentos. A idade problemática era a desculpa.

Durante anos nunca mais ouvi esta palavra e, com o tempo e as tampas que fui levando (o gerúndio, para ilustrar a origem), fiquei mais político e o diálogo passou a fluir de forma diferente. Talvez na velha questão da forma e do conteúdo, a forma tivesse passado a ter mais importância, passando o conteúdo para segundo plano.

E hoje em rescaldo eleitoral, ao rever o desafio dos verbos que, de algum modo, me obrigou a pensar (pouco!) nestas questões, vejo a ironia de tudo isto e a coincidência do momento.

Deviam ter-lhe chamado Isócrates! Mas talvez tenha sido erro na Conservatória. Às vezes acontece...Toda a gente conhece o nome de Prantelheana (desconheço a grafia)...

Uns têm a fama e outros o proveito, como muitas vezes acontece.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Desafio embrulhado

Não costumo responder a desafios. Mas, muito menos ainda, os ignoro. E fugir também não está no programa das festas, por isso aqui vai:

Eu quero... Ter mais tempo para as coisas boas
Eu tenho ...Demasiado tempo para o trabalho
Eu acho... Que deveria ter mais tempo para o que gosto
Eu odeio... a cunha
Eu sinto saudades ... do Algarve no Inverno, na Primavera, no Outono e no Verão.
Eu escuto... as ondas na minha praia
Eu cheiro... o teu corpo
Eu imploro... Não sou desse clube.
Eu procuro... Estar atento aos outros.
Eu arrependo-me... De não ter tido mais tempo para algumas pessoas.
Eu amo... A vida.
Eu sinto dor... com a dor dos outros.
Eu sinto falta... de….
Eu importo-me... com o que se passa à minha volta
Eu sempre fui... pragmático.
Eu não fico... a chorar sobre o leite derramado
Eu preciso... de calma, de vez em quando
Eu acredito... Às vezes
Eu danço...Sempre que posso e às vezes quando não devia.
Eu canto... Nunca. Mas tenho pena…
Eu conto... Histórias. Umas verdadeiras, outras nem tanto.
Eu choro... Lágrimas de crocodilo?
Eu falho... Às vezes.
Eu luto... Todos os dias.
Eu escrevo... Porque me dá gozo!
Eu ganho...Nem sempre.
Eu perco... Algumas vezes
Eu nunca... Digo nunca.
Eu confundo-me ... Pouco.
Eu estou... num impasse
Eu sou... calmo, mas não abusem.
Eu fico feliz quando... vejo a felicidade nos olhos de alguém.
Eu tenho esperança... de não receber mais desafios destes.
Eu deveria... Estar a jantar

sábado, 26 de setembro de 2009

Amanhã outra vez? Tenho que responder já?

Votar? Já pensei que uma pequena e simpática cidade do Norte era a capital do mau gosto em campanhas eleitorais. Depois disso vi que a regionalização do mau gosto chegou a todo o Portugal. Um pouco por todo o lado somos bombardeados com cartazes horríveis, que nem sempre nos tapam a vista das paredes degradadas e das casas abandonadas no centro das cidades...

Há dias vi no Porto um candidato fotografado, pendurado nos postes de electricidade (o cartaz...), de óculos escuros modelo Pinochet. Enfim o que se pode esperar? As obras na Fontes Pereira de Melo para termos tempo de ver novos cartazes do PSL e medir a capacidade e liberdade do PhotoShop? Esperava mais, francamente. Ou menos neste caso. E porque não a Arq. Lívia Tirone num cartaz? Era muito mais agradável o tempo de espera...

Mas tenho uma certeza. No meio desta dúvida (estarei a regressar à adolescência?) sobre a noite de hoje: Votava na AmyMacDonald, por três razões:

1.Expressa na perfeição e com muito bom gosto, a minha dúvida de hoje.
2. Traduz o que penso, na generalidade, sobre estes assuntos. Afinal isto é a vida!
3.Tem uns olhos giríssimos.

Não podendo votar na AmyMacDonald, acho que votaria na Penélope Cruz, que também anda por aí nuns cartazes, pela cidade.




The last but not the least: Tem um voz de fazer parar qualquer candidato em campanha eleitoral, ou não.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Carta de Guia de Empregados

D. Francisco Manuel de Mello foi a inspiração do D. António Anel de Tédio, para publicar o seu Best Seller, Carta de Guia de Empregados, na rentrée de 2009.

Como se sabe, os empregados são os habitantes de Emp-Reza, um planeta da galáxia Ti-U, a que já me referi várias vezes nestas viagens, e o livro, como o nome indica, é o correspondente ao livro do Homem Xonai (qualquer eventual semelhança com outra eventual publicação é mera coincidência), que em determinadas aldeias do planeta Te-Rra é o oráculo.

Mais do que um conjunto de regras, normas ou conselhos, o livro encerra uma filosofia de vida, de aceitação das leis universais desse planeta e, em particular, da região de Emp-Reza, designada como PME, por ser um sítio onde habitam duas tribos de eunucos, os pequenos e os médios (daí o acrónimo PME, Pequenos e Médios Eunucos).

Não tenho dúvida que, para além da oportunidade da obra, será em breve adoptada nas Esc-Holas de G-Tão de todo o planeta e, em breve vai estar nas estantes de todos os lares. Não para apanhar pó ou encher prateleira, estará para, diariamente, ser retirado e lido em família antes das refeições.

Hoje, decidi retirar duas pequenas citações dessa excelente obra, sem referir a página e a edição, de propósito, para que seja obrigatório ler a obra toda e, saliento e insisto, estas pequenas citações não dispensam a consulta da obra citada. Então, aqui vai:

O empregado é, pela sua natureza, indolente, parco de inteligência e de iniciativa. A esperteza que mostra é apenas nas viagens fora do planeta. No planeta Emp-Reza, apenas procura a maneira de enganar as autoridades locais, subverter o esquema de funcionamento e as leis de governo, sempre a seu favor.
O seu pensamento está orientado apenas em enganar as entidades patronais, que lhes oferecem o trabalho que eles tanto precisam.
Por isso, devemos sempre referir-nos a eles, pelo seu verdadeiro nome, que eles detestam e abominam: Os “criados”, na Indústria Hoteleira, e “funcionários” para os mais qualificados, ou de outros sectores.


Outro excerto de extrema acuidade:

Independentemente do seu lugar da hierarquia de Emp-Reza, devemos ter sempre presente uma verdade inquestionável: Empregados são empregados, que têm como único objectivo fazer o menos possível e cair nas boas graças do Dono. Assim, nunca deve a entidade patronal, ou seja o Dono, mostrar alguma contemplação ou apreço pelo trabalho desenvolvido. Qualquer êxito, ou sucesso deve ser sempre atribuído à conjuntura, ao acaso, às deficiências da concorrência, aos bons contactos do Dono, etc. Nunca, em caso algum, o sucesso deve ser atribuído ao desempenho profissional dos criados. Este não reconhecimento do seu desempenho ou capacidades, enfurece-os de tal forma que, em muitos casos, tem como consequência ainda trabalharem mais e melhor. Se tal não acontecer substitui-se por outro e levam um processo disciplinar como recordação.”

Em breve o Tio irá dar-vos mais pérolas deste “best given”, porque em Emp-Reza ninguém compra nada, tão a ver?

domingo, 20 de setembro de 2009

Depressão

Depois dos cartazes nos autocarros (de certeza que a intenção é provocar acidentes) a alertar para o problema da ejaculação precoce, chegou a vez da depressão, nos mupis. Prevê-se que venha a ser a doença a atingir mais pessoas em dois mil e qualquer coisa. Refiro-me à Gripe D e não à ejaculação precoce que, a avaliar, pelos cartazes só atinge os homens vestidos de violeta e roxo. Há quem diga que há pior do que isso. Felizmente estou numa idade em que ainda me parece remota a possibilidade de haver pior, mas já longe dos anos em que, eventualmente, vivemos com esse receio… By the way, haverá alguma coisa semelhante à EP nas mulheres? Só tenho ouvido falar do problema inverso...

Vivemos, cada vez mais sobre pressão, na maior parte das vezes causada sem nenhuma necessidade, apenas por um conjunto de situações que não controlamos e com que muita gente não sabe lidar. A pressão social nos estudantes do liceu, a insegurança das pessoas, o exacerbado egocentrismo nalgumas chefias, conjugado com o medo de perder poder e estatuto, ou uma vontade de o ter seja a que preço, contribuem para que, deste muito cedo, se viva sobre pressão, por via directa ou indirecta.

A falta de auto-estima, os egos supervitaminados, a falta de referências, o desequilíbrio entre o pretender agradar aos outros e gostar de si, a integração em grupos na adolescência e depois dela, a mudança constante de padrões, motivada por tendências cuja origem não pretendo analisar, todas essas pressões, aliadas a uma falta de esperança generalizada, levam a que, cada vez mais pessoas se sintam deprimidas.

Comecei este post a pensar que iria fazer um trocadilho com a palavra pressão e depressão mas, quando leio que uma miúda de dezasseis anos se atirou para debaixo de um comboio por que se zangou com o namorado (ou vice-versa), já não me apetece brincar.

Também não me apetece mais ler o Correio da Manhã, enquanto espero pelo café, de pé, num balcão. Como é possível chegar a estas situações? Como é possível que as ignoremos? Como é possível, não estarmos um pouco mais atentos aos outros? Como é possível que um miúdo repare no telemóvel novo de uma colega, e não veja a colega? Como é possível que um pai ofereça um i-pod a um filho e não o ouça, sem phones? Ou ofereça um portátil, cuja principal e quase exclusiva função é ver filmes e jogar, e não lhe dê um abraço, não o olhe nos olhos e não o veja?

Como podemos olhar sem ver? Como podemos testemunhar e não gritar? Como podemos não fazer parar estes comboios que trucidam, com a calma das nossas palavras, o calor do nosso coração e a força dos nossos braços?

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Gripe da Antilla

Avinha-te, abifa-te abafa-te. Receita caseira para resfriados e gripes. Ainda funciona, como pude comprovar. Cheguei à Antilla a espirrar e com a certeza que a conjugação de 2 horas e meia de Alfa Pendular a 20º e um dia num escritório a 18, mais o arzinho condicionado do restaurante ao almoço, entremeado com 34º no caminho de ida e regresso para o dito cujo, me deixam de rastos. Por isso nem me atrevi a ligar o ar condicionado do bólide, apesar do calor que fazia, mesmo ao fim do dia.

Só o ar quente daquela simpática terra me faria bem, mas o Tinto de Verano, a acompanhar a pimentada de chocos, um gelado da Los Angeles (tão bom como os da Gelvi, ou melhor), seguido de umas Cubas Libres a anteceder o último passo da receita, e aí está o Tio, como novo, quase a estrear.

Acordei muito cedo e antes do pequeno-almoço (uma cava?) lá me consegui arrancar do vale de lençóis e abraçar as salsas ondas. O mar este ano esteve tão bom como na minha terra. Assim vale a pena. Gripe?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Português?

As coisas mais complicadas e mais estranhas começam com pequenas coisas, às vezes perguntas inocentes despoletam verdadeiros cataclismos de explicações, sem sentido. Outras vezes acontecimentos absolutamente inesperados.

Desconheço em absoluto aquela teoria do caos e dos fractais, ou do acaso, mas começo a acreditar que o equilíbrio de construções muito estáveis depende de pequenos factores, muitas vezes aleatórios. Não será o bater de asas da borboleta que provoca o maremoto, mas para lá caminhamos.

E assim, depois de duas fantásticas noites das antillas, penso como se terão conjugado esses factores cuja probabilidade de ocorrência em simultâneo era ínfima.

Caminhava pelo passeio junto ao mar quando também vi uma cabine telefónica de moedas. Já não me recordava de ver alguém utilizar um desses “orelhões”. Teria ficado sem bateria no telemóvel, e está à espera de alguém, pensei. De certeza. E que palerma, para fazer esperar um mulherão daqueles, corpo bronzeado num vestido branco, não demasiadamente curto. Tentava encontrar trocos num porta-moedas minúsculo. Uma moeda caiu ao chão, rolou na minha direcção e acordou-me do sonho onde já estava. Apanhei-a. Contrariamente aos anúncios de televisão, não se tinha abaixado, nem sequer tentado. Percebeu que não valeria a pena. Não tive pressa de fazer o meu olhar chegar ao nível dos seus olhos escuros, enquanto me levantava.

Descobri incidentalmente porquê. Finalmente ficou provado cientificamente (como se precisássemos dessa prova), que o cérebro dos homens fica parado na presença de mulheres atraentes. Tentei não ser indelicado mas não pude evitar essa paragem. Um programa qualquer de tomografia axial deve fazer o mesmo percurso, para criar uma imagem virtual.

Quando dei por mim a entregar-lhe a moeda, agradeceu-me e com um sorriso simpático e franco perguntou-me, como quem adivinha: Português?

Resistência ou resiliência?

Hoje vou cansá-lo, vou parti-lo todo... Ouvi, muito perto de mim, mas não percebi se era uma ameaça, uma promessa ou um desejo. Sentia sua respiração. Olhe que não é fácil, respondi, com uma gargalhada, a brincar, mas pensando seriamente que não ía ser fácil o resto da noite...

Gosto destes desafios, e esta frontalidade, nem sempre vulgar na mulher, acaba por me dar algum gozo, ou pelo menos muita “pica”, como dizem lá para o Sul.

Como previa, o tamanho nem sempre quer dizer muito (os saltos também ajudavam a dar uma imagem diferente da realidade) e aquele 1,78 não era todo real, mas adivinhava-se uma noite animada.

Fomos avançando neste assunto até que senti a minha companheira a fraquejar. Mais um Chá-Chá-Chá e dois Sambas e estava de rastos... Sentia-a tão quente que achei que podia entrar em combustão espontânea.

Então, vamos a mais uma? Perguntei, com uma pontinha de malícia. Não consigo, desculpe. Vejo que está em forma, mas eu não...Muito treino e muito trabalho, respondi.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Fim de Férias, confronto com a realidade?

O dia começou da pior forma, na perfeita continuação do anterior, que se tinha salvo apenas por uma simpática (e gira) colega de viagem que me acordou ao chegar ao Porto. Caso contrário acho que iria acordar em Braga (se é que limpam as carruagens no fim da viagem). Aquela leve pancada no ombro, que me acordou no momento certo, para um sorriso fantástico. Será que também havia um pouco de pena? É provavel, mas soube muito bem, qualquer que fosse o motivo. E aquele frase: “Acho que já o tenho visto sair aqui...” ficou a ressoar, horas e horas depois...

Enfim, assim acabou o Verão, com uma bruta alergia que me levou a exagerar na dose de anti-histamínicos e a dormir nas altas profundezas do inconsciente durante essa primeira viagem pós-férias no meu trajecto habitual e, pelos vistos, não completamente anónimo...

E hoje, depois da péssima notícia que me acordou, de um café que me deixou aos saltos (não confundir com saltos altos), a notícia que nunca ninguém espera, mas todos sabemos que chega. Leste o Público? E o JN? Também não? Que maneira estranha de me dizer que um grande amigo meu tinha morrido, pensei, ainda sem acreditar. Deve ser engano.

Mas não. Infelizmente, não. Depois do funeral, igual a tantos outros, pensei, mais uma vez, na injustiça destas situações e achei que a vida se ri de nós, como nos rimos dela... Custou-me ter descoberto que não sou imortal, e também me custa ver que não sou o único nessa condição. Estranhamente, não me custou perceber alguma hipocrisia em muitas conversas de circunstância. Talvez ainda atordoado pelos anti-histamínicos, custou-me acreditar no que já tinha percebido. Cada vez que um destes acidentes estúpidos acontece, começo a acreditar que também poderiam ter sido connosco, o que dantes era impensável. E é esta a grande diferença...
E acabaram as férias e a silly season ;(

A única notícia boa deste fim de estação foi o regresso de alguém que nunca esteve longe...Ainda bem e não volte a fazer isso, sff, que ainda me dá um ataque, com ou sem os anti-histamínicos.

domingo, 6 de setembro de 2009

O rosto e as máscaras

Não, não vou falar de Fernando Pessoa, menos ainda do Álvaro de Campos, o meu heterónimo preferido. Vou falar do António Bernardo, que hoje, pela primeira vez usou uma máscara, com um propósito aparentemente diferente do habitual.

As máscaras que no Carnaval muita gente usa, usam-se no dia-a-dia para encarnarmos outros personagens que não nós mesmos. Às vezes temos uma máscara de nós mesmos, mas só no nível mais elevado da transfiguração social.

Hoje o pretexto da máscara foi a famigerada Gripe A. Sim gripe A de António e toda a gente de mascarilha, como se se preparasse para brincar aos médicos e enfermeiras. Claro que, pelo sim pelo não, ainda tenho a minha no bolso, nunca se sabe o que a noite nos pode trazer, e é bom estar prevenido.

Lá andámos todos fantasiados, como na vida real, a fugir desse vírus que, não sendo tão perigoso como os seus outros primos, tem o poder de nos por de máscara, nesta altura tão conveniente...
A experiência foi gira, toda a gente de máscara igual (uma ideia para próximas festas temáticas). Um pouco de calor, com esta máscara no local de trabalho, mas chega-se ao fim e pode sempre dizer-se, ou ouvir-se: Tiramisú! Ou será: Toma-a tu?

Obrigado!


Nem tudo no fim do Verão é mau! Obrigado Diabinhos!

domingo, 23 de agosto de 2009

Perseguido político ou perseguido pela política?

Recordo-me de ouvir histórias, certamente reais, de pessoas que pelas suas ideias ou ideias políticos foram perseguidas, algumas delas até detidas, presas, insultadas, maltratadas e que ficaram com sequelas para sempre.

Todos nós conhecemos histórias que servem de exemplo de determinação política, de dedicação a causas, com sacrifício de vidas pessoais, mesmo nos dias de hoje. São os perseguidos políticos.

Ao regressar a um dos meus locais de trabalho, depois de uns dias de ausência fui (e todos nós), surpreendido com um outdoor, 4X4, colocado propositadamente num local onde deveria haver um passeio para se poder caminhar ao lado da faixa de rodagem, sem ser atropelado. O outdoor, não anunciava o fim da crise (parece que esses estão previstos para o princípio de Outubro), mas sim um candidato autárquico, apelando ao voto nele.

Depois do que se passou lá para o Norte, com o cocktail Ruca Chucky, agora ter que aturar todos os dias, ao olhar pela janela, um candidato que até parece simpático, num outdoor colocado onde devia estar um passeio. É demais...

Não me sinto o Andy Barclay, mas de certeza que estou a desenvolver um complexo de “perseguido pela política “. E não tem nada a ver com PP, nem PQP. É mesmo PPP. Esta autenticidade da política, até lembra mesmo o plástico, apesar de achar o Polipropileno, bom demais para comparação.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O golpe de aríete em condutas elevatórias, ou não.

O golpe de aríete ocorre em condutas, quando há uma variação de pressão grande, originada por variações bruscas de caudal. Fechar ou abrir uma válvula muito depressa, por exemplo, pode dar origem a um fenómeno desse tipo que pode ter consequências desastrosas para a conduta.

Quanto maior for o caudal, maior o risco deste tipo de acidentes.
A vida também é assim. As válvulas que abrem, ou fecham, muito bruscamente dão origem a variações muito rápidas de caudal e em consequência, a pressão apresenta valores muito acima, ou abaixo, dos valores considerados normais, provocando esforços que, muitas vezes, levam à rotura.

A quantificação deste efeito é de extrema importância e a informática tem contribuído de forma significativa para a determinação de modelos matemáticos que levam ao maior conhecimento destes fenómenos. A utilidade é óbvia, este conhecimento serve para dimensionar melhor...

E o Tio, incapaz de abrir ou fechar válvulas com a calma e tranquilidade necessárias para evitar esses golpes, que provocam sérios danos, protege-se com um volante de inércia.
Esse volante de inércia, como sabem os que me lêem, tem como objectivo reduzir a amplitude da onda de depressão e está disponível para download em:

http://www.blogger.com/profile/14249864167871654291

É um freeware, para utilização não comercial, requer apenas que se cite a origem. Neste caso a fonte, já que estamos a falar de água...

E assim fica dada uma lição de Hidráulica Aplicada, ilustrando que cinco anos de cabulice pré Florença (ou será Veneza?), não caíram em saco roto. Ou em canal de descarga...Sem ressalto hidráulico, claro.

Em campanhas eleitorais autárquicas...

Era o subtítulo da minha posta sobre o gosto (ou a falta dele) numa bonita cidade das margens do Ave. O comentário de uma leitora, presumo que residente, alerta-me para a injustiça da generalização desse epíteto, atribuído a essa cidade de forma tão desbragada, como se de galardão, comenda, nota a Inglês Técnico ou até Licenciatura em Engenharia, nalgumas Universidades não Dependentes, se tratasse.

O Tio não é assim tão leviano e acho que ficou claro na prosa que não se pretendeu beliscar o gosto dessas gentes do Ave, que já têm o pesado fardo de, todos os dias, contemplar essas belas peças de campanha eleitoral que enfeitam a cidade, tão bem como algumas flores murchas embelezam os canteiros de muito belos jardins de Portugal. Talvez se sinta mais porque nessa cidade os canteiros estão todos muito arranjadinhos, sem flores murchas.

Recordo um episódio na Germânia, há uns anos quando pretendi tirar uma fotografia à minha mais que tudo, junto a uma fonte/escultura muito original (não tanto como as que se encontram em Santo Tirso, com abundância) e um cidadão local, com gestos nervosos, me pediu que esperasse um pouco enquanto tirava uma lata de Coca-Cola que alguém tinha deixado abandonada na dita fonte e a colocou, com ar sorridente e aliviado, no ecoponto mais próximo. Como cidadão, não podia deixar que um turista levasse uma imagem da sua cidade com esse aspecto negativo... Imagine-se esta atitude em Portugal e não só ninguém podia tirar fotografias, como também o Tio não teria publicado a posta anterior. Uff valha-nos esta liberdade! E a minha leitora tem toda a razão a cidade é bonita, o parque D. Maria II é precioso, os jardins estão arranjados, pode-se andar a pé confortavelmente porque abundam os espaços pedonais. As esplanadas funcionam no picadeiro central que dá pelo nome pouco auspicioso de Praça 24 de Abril (ou será 25?) e noutro a que chamam dos Carvalhais. Pena é que o clima não seja o da minha querida terra mas, paciência, não se pode ter tudo.

Contrariamente a outras cidades do vale do Ave cresceu pouco, e por isso ficou bonita, mantendo as casas tradicionais do Minho, como o edifício dos Correios, um verdadeiro achado. À excepção de uns alguns prédios demasiado altos, fruto certamente de uma época muito marcada pela revolução, a cidade convida ao desfrute. O edifício do antigo Hotel Cidnai foi demolido e substituído por um devaneio de mau gosto, certamente fruto desse surto revolucionário que deve ter atingido a cidade no final da década de setenta. Portimão sofreu do mesmo mal. Infelizmente foi mais extenso.

Quanto aos jesuítas e limonetes, entre os do Algarve e os da Moura, é-me indiferente. Ambos ficam a condizer com o Tio, se bem que foi uma Moura que, já fora do jardim do Algarve, me seduziu. O fruto proibido? Pareceu-me um limonete... Docinhos? Venha lá o diabo e escolha, que a carne é fraca e o Tio tem fama de guloso...

E não pensem que tenho estado de férias, porque ando a trabalhar que nem um mouro!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Outra mistura aparentemente impossível...

Esse portentado que usa a marca Nívea (juro que não é a minha marca), tão sóbria nalguns produtos, apresentou uma linha de maquilhagem com assinatura Chantal Thomass.


Ainda em Julho devia estar cá no mercado. A caixinha não é azul com letras brancas, tipo “clean”, mas com uma imagem forte. A expressão “boudoir like collection” assenta-lhe perfeitamente. E se os produtos forem tão bons como a lingerie dessa griffe é apelativa, estamos conversados.


O nome pesa... e com razão!

Notícia Triste

Assim de repente a blogosfera ficou mais pobre! E logo a minha primeira seguidora... Acho que ainda não acredito. I wonder why a little, I die a little, como espantosamente disse o Cole Porter.

Mas, quem viaja a 299 792 458 m/s, nunca está longe. E espero poder reler os seus posts, se não houver novos...

Desejo-lhe as maiores felicidades e espero ter contribuído para algumas gargalhadas, em frente à televisão sem som (e sem grande imagem).

Será que afinal o Marshall McLuhan estava enganado?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Desmentido não oficial

Depois de estar dito, pode desmentir-se tudo. Desdizer-se é que não. Já foi dito...Esta adaptação da frase de um famoso diplomata, não significa que me retractar (sim, com c) de alguma coisa que tenha dito, apenas pretendo clarificar, antes que chegue a campanha eleitoral a sério (esta só pode ser a brincar).

Não é verdade que tenha pretendido fazer alguma alusão entre Conselhos de Turma e Conselhos de Administração, como também não é verdade que tenha feito orelhas moucas a quem me deu o Conselho de não me meter “nessas coisas dos blogs”.

Não se pretendeu, de modo algum, em qualquer circunstância, dizer que nesses órgãos de governo das escolas e das empresas se discutem assuntos que, de alguma forma, possam ser irrelevantes, ou careçam de qualquer interesse para as escolas ou empresas. Menos ainda se pretendeu dizer que as decisões carecem de análise, fundamentação ou qualquer outra razão não acabada em “ão”, como coração.

De forma alguma se pretende dizer que esses conselhos (todos eles) são ineficientes, ou que se perde tempo que podia ser utilizado noutras coisas mais úteis, como a conversar com a professora de francês do 10º B, na sala de professores. Nada disso. Os conselhos de turma são todos eles de extrema utilidade, onde se fica a saber montes de coisas e onde se aprende a preencher aquela papelada toda. Dos outros, não sei. Ainda devem ser mais importantes, porque logo a seguir os participantes são submetidos a um tratamento que lhes limpa a memória toda. Basta ver o caso do Banco Para Néscios e Banco Para Pesadelos. Este tratamento é tão rápido e eficiente, que deve ser aplicado com uma caneta tipo agente K do MIB... Será por isso que não me lembro de nada?

E por último, mas não menos importante, este último post sobre a bonita cidade do Rio Ave não se deve ao facto de, durante algum tempo (muito pouco), ter estado noutra cidade, também com parque e também “conVida” junto ao Rio Vizela.

E já depois do último, também nunca se pretendeu dar conselhos aos concelhos, ou aos candidatos a concelhos ou a conselheiros.

Se houvesse alguma dúvida bastaria ler este post...

Assinatura ilegível, tipo pássaro a voar.

terça-feira, 28 de julho de 2009

La Beauté Ethnique ne se cache plus...

É este o título do artigo da capa da última CosmetiqueMag, conhecida publicação desta área, paralela, concorrente e complementar (enfim, irmã) de uma das actividades a que o Titi, como sabem, também se dedica. Não é o Tio é o Titi.

Não apenas por estrito dever profissional, mas também com algum gosto, confesso, lá vai de aproveitar a deslocação de ontem para me inteirar dos progressos da concorrência, embora colateral.

O artigo de capa é o título da posta de hoje.

A maquilhagem da mulher negra e mestiça (de acordo com a terminologia do artigo mencionado), é um segmento que tem crescido em flecha, e as marcas cada vez mais têm produtos específicos para aquele grupo de mulheres ainda considerado um nicho, apesar da sua dimensão. Também surgiram novas marcas (claro que não vou citar nenhuma), com produtos específicos. Vão sair mais novidades, das grandes marcas, nos produtos para cabelo muito frisado e extremamente seco, como também fiquei a saber pelo referido artigo.

Mas e a que propósito vem este assunto? Entre tantas outras coisas tão interessantes nesse número da revista?

Pois o Tio, quer pela sua idade já provecta, quer pelo stress em que anda frequentemente, também merece uns mimos. E entre os pequenos luxos que com alguma frequência se permite na sua vida espartana, são as massagens.

Há dias, lá fui para esse ritual normalmente egoísta (tenho que dizer que já experimentei massagem a dois e gostei muito mais do que a já quase vulgar massagem a quatro mãos) e, como frequentemente acontece, não tinha nada marcado. Adoro estes imprevistos e como cliente não regular mas relativamente (sublinho o relativamente) frequente, normalmente não me tenho dado mal.

E nessa lotaria em que as probabilidades de ganhar são elevadíssimas, porque felizmente há sempre alguém disponível, lá me disseram o nome da massagista que ía por as mãos no Titi, depois de demolhadinho num banho com óleos essenciais.

Pelo nome talvez não adivinhasse, mas a terapeuta era uma jovem negra, alta, com porte a atirar para o atlético. Não sei porquê, não há nenhuma razão específica, mas nunca tinha sido massajado por ninguém de raça negra.

Lá me deitei no catre, a que habitualmente chamam marquesa (não quero confusões com marquesas) e, depois daquelas palavras de cortesia inicial, as mãos entraram em acção e o tempo parou. Não sei exactamente durante quanto, mas foi muito e bom tempo.

Para além da técnica, da energia dispensada e do cumprimento dos protocolos, há sempre um cunho pessoal que faz a diferença e que nos leva a gostar mais ou menos da sessão e causar alguma empatia.

O cocktail de submissão, rebeldia, orgulho, altivez e humildade, que caracteriza alguns rostos bem femininos de raça negra e a atitude profissional e competente deixaram-me com vontade de voltar e, contrariamente aos meus hábitos, marcar especificamente não uma massagem, mas uma massagem com um nome. Será empatia? Quem diria...

Ainda bem, digo eu.

sábado, 25 de julho de 2009

Santo Tirso, capital do mau gosto.

Há males que bêm por bem. É mais um aforismo popular que, baseado na experiência deste povo que tão generosamente me acolhe há alguns anos é certeiro e acertado.

Na semana passada, quis a mecânica, ou a electrónica, vá-se lá saber qual destas duas manas (estou mais inclinado para a segunda) foi a causadora, o meu estimado carro resolveu desmaiar na auto-estrada. Precisamente na A3, a 50 metros da Saída nº 5, que, como todos os portugueses com carta de condução sabem, é a de Santo Tirso.

O carro desmaiou e ao fim de algum tempo, cansado de o tentar acordar, agarrei no telemóvel e toca de chamar a assistência em viagem, para o levar para outro lado menos perigoso. Queria trazê-lo para conhecer a serra da estrela, onde tinha que estar ao fim do dia mas, a menina simpática da assistência em viagem, não deixou, porque era longe! Tinha que ser mais perto, ou para a residência do carro. Nada de turismo à custa da companhia de seguros. Então seja para Santo Tirso, foi o que lhe disse. Mais perto era impossível!

Hoje acredito que foi o destino que provocou esta situação, ou a força divina, para quem acredita nessas coisas que me levou a essa bela cidade do Ave. Cidade muito arranjada e cuidada, tem algumas torres junto ao largo do mercado (felizmente ficaram-se por aí e pela entrada da cidade, onde permanecem algumas inacabadas), um parque muito giro, que dá pelo nome de D. Maria e um Hotel com original nome de CIDNAI (para os curiosos e curiosas posso, por email, claro, explicar a origem do nome). Isto era o que conhecia dessa cidade.

Nesse dia fiquei chocado. Enquanto esperava pela biatura (nome que usam lá no concessionário da marca para se referir aos automóveis), fui dar uma volta pela cidade. Qual não foi o meu espanto quando dou de caras com uma série de outdoors, 8x3, dos quais consegui obter esta fotografia:




Acho que nem vale a pena dizer nada, o gesto é eloquente!

O pior foi que os cartazes outros candidatos, não tendo o mau gosto deste, que seguramente bate todos os records, também não eram muito melhores. Um meio bigode, numa fotografia de meio corpo de ombros meio caídos, era de outro meio candidato. Achei que o melhor (entre os piores) era de uma candidata à Trofa, cujo fácies pude ver na rotunda da Auto Estrada. O candidato do Partido concorrente, com cartaz democraticamente afixado ao lado, parecia retirado de um filme de vampiros de produção barata, com fotografias retocadas.
Assim, acho que Santo Tirso tem tanto de bonito como de mau gosto têm os políticos locais.
Sugeria, agora que o termo capital ainda está em uso (bem perto temos A Capital do Móvel), que mudassem o nome para Santo Tirso, Capital do Mau Gosto. Eventualmente, em letras muito pequenas que ninguém possa ler ou, que lendo possa provocar um acidente de viação grave, podiam escrever as habituais explicações e restrições tipo banco ou companhia de seguros: Em campanhas eleitorais autárquicas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Declaração de Voto

O abaixo assinado, António Bernardo Risos, declara ter votado contra a proposta subscrita pelo senhor Presidente do Conselho Executivo em que se decidia uma investigação, com recurso à Polícia Judiciária, para descobrir qual o professor que se tinha referido, na festa de S. João, depois de ingerir mais de dois copos de sangria, à Rumba como sendo o Chá-Chá-Chá Gay, unicamente por ter sido ele próprio a proferir essa afirmação.

Declara ainda que a frase dita em público na festa de S. João, não foi a citada pelo senhor Presidente do Conselho Executivo, completamente retirada do contexto, mas sim: “Tu, a dançar, transformas a Rumba, num cha-chá-chá gay” e foi dirigida ao professor de lavores femininos, pelos maneirismos efeminados que introduzia na dança.

Mais declarou que adora dançar rumba, cuja sensualidade alguns nunca chegam a compreender, e nunca se poderia referir a nenhum ritmo, latino ou clássico, de forma depreciativa como a citação do Senhor Presidente parece sugerir.

Segue-se a assinatura ilegível de António Bernardo Risos, que declarou ainda ter sido este chiste inspirado num dito do Z_o_G, a quem aproveita para agradecer.

Conselho de Turma 2

A reabertura da Estação de Metro de S. Sebastião, foi o motivo que levou à realização de mais um Conselho de Turma. Apesar do período de férias (apenas alguns membros se entretêm com uns trabalhos), foi convocado o Conselho e os seus membros que, com imenso sacrifício, mas imbuídos de um verdadeiro espírito de missão, resolveram reunir-se para analisar o impacto das medidas que tinham sido tomadas para minimizar os inconvenientes do encerramento desta estação. Assim a agenda era constituída por um único ponto:

1. Análise do resultado das medidas que tinham sido tomadas para minimizar o impacto do encerramento da estação da S. Sebastião.

A Acta transcreve-se de seguida e, de acordo com instruções recebidas do Mistério da Inducação, vai ser publicada na Internet, Internette e outras ettes, em formato compatível com o Migalhões (como não podia deixar de ser):

Aos 22 do mês Julho da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, reuniu-se o Conselho da Turma H da Esc-Hola Secundária número 1882 do Planeta Emp-Reza, na localidade de Santinha, presidida pelo Senhor Presidente do Conselho Executivo, com as presenças do Senhor Presidente do Conselho Geral e do Senhor Director das Turmas. Verificada a legalidade e legitimidade das presenças e respectivas representações e o cumprimento dos procedimentos legais da convocatória, o Senhor Presidente do Conselho Executivo, declarou aberta a sessão e iniciados os trabalhos.

A ordem de trabalhos tinha o ponto único:
1. Análise do resultado das medidas que tinham sido tomadas para minimizar o impacto do encerramento da estação da S. Sebastião.

Antes de se entrar no ponto único o senhor Presidente do Conselho Executivo pediu a palavra para propor uma investigação, com recurso à Polícia Judiciária, para descobrir qual o professor que se tinha referido, na festa de S. João, depois de ingerir mais de dois copos de sangria, à Rumba como sendo o Chá-Chá-Chá Gay. Era inadmissível que um elemento do corpo docente da Esc-Hola, mesmo entre colegas e na brincadeira, utilizasse essa palavra nessa forma depreciativa para se referir a qualquer assunto. A proposta foi aprovada, com o voto contra do Director das Turmas, que pediu para fazer uma declaração de voto e com a abstenção do senhor Presidente do Conselho Geral. O Presidente do Conselho Executivo invocou o seu voto de qualidade.

Passado ao ponto único da reunião, o Senhor Presidente do Conselho Executivo referiu que a prima da sobrinha da sua empregada doméstica estava, felizmente, curada do resfriado, mas dado o seu estado de profundo quebranto por ter estado com esse perigoso achaque durante dois dias, iria continuar a receber os vales de compras, do Corte Inglês, no montante de 50 euros paté ao final do ano civil, independentemente da estação de S. Sebastião I estar já aberta ao público. Imagine-se se a “piquena” não pudesse sair no S. António, ou até ir ver o concerto do Elton John, ou da Katy Perry, que traumatismos poderia o resfriado ter causado na pobre rapariga, vinda da província para casa do Senhor Marquês do Leva Tudo A Sério. É melhor nem pensar nas consequências desse infeliz acidente. Depois destas considerações e deste comentário final, foi proposto um voto de louvor à família da “piquena” que apresentado à votação, foi de imediato aprovada com um voto a favor e duas abstenções. Nada mais havendo a tratar foi dada a reunião como terminada, anexando-se a declaração de voto do Senhor Director das Turmas que passa a fazer parte integrante da acta.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Paradigmas do Turismo. A excepção confirma a regra

Recordo, há algum tempo, uma sessão sobre turismo alternativo (ou seria sustentável?), numa escola superior, cujo nome esqueci (o Al....). Ligado a estes lides, mas afastado das académicas, não represento por isso qualquer risco lectivo ou de concorrência, e talvez por isso lá se lembraram de convidar o Tio para falar de Turismo de Saúde.

Para introduzir o tema, lembrei-me de dar como exemplo de modelo já esgotado o célebre SSS (Sea, Sun and Sand), e como seria uma alternativa mais sustentável e diferenciadora, o LLL Lore, Landscape e Leisure.

Depois de enquadrar a mais valia diferenciadora do Turismo de Saúde, chegamos à fase das perguntas. Muitos alunos na plateia, alguns docentes. Uma senhora, percebi mais tarde que seria docente, pergunta-me qualquer coisa sobre o quarto S, o sexo, como variável importante no desenvolvimento dos destinos turísticos. Deduzi que este assunto seria recorrente, pela reacção da plateia...

Várias possibilidades me surgiram imediatamente para responder a esta questão. Acabei por encontrar uma reposta com alguma graça, do tipo sim, é importante, muito importante (pelo menos para mim, sublinhei), mas talvez não seja relevante para a escolha do destino. Toda gente achou imensa graça à piadinha, à insistência no muito importante e na mensagem implícita mas...

Não estava errado, mas não estava completamente certo. Pode não ser relevante para a escolha do destino e claro que é importante. Mas quem disse que o modelo estava esgotado é que se enganou.

Pelo menos na minha praia preferida, sem Internet, de férias do Toshas, a tostar ao Sol, com aquele Mar e aquela Areia tenho tudo o que preciso, e todos os LL que me lembrar...A começar por Luz, passando por Lima (da caipirinha) e a acabar na Lua.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sexo, função ou argumento?

É uma função real de variável também imaginária, com uma distribuição não normal, tipo curva de gozo.

“A soma das variáveis aleatórias independentes de média não finita e variância ilimitada é aproximadamente supranormal desde que o número de termos seja suficientemente grande”.
Sempre gostei muito de matemática e, de um modo especial, da inferência estatística. Continuo a estudar, a verificar na prática estes teoremas, como aluno muito aplicado nestas matérias.

Em distribuições binomiais, ao pequeno-almoço, o Raposeira Reserva Rosé Bruto continua a ser
o meu sumo predilecto...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Visão de Sábado. Ou Sexta?

Admiro as pessoas que conseguem ler na praia. Acho que a leitura devia ser incentivada e a praia podia ser o local para uma experiência piloto de sucesso educativo nesta área... Só consigo ler umas letras grandes de jornais, capas de revistas e etc, na vizinhança. Pena que os assuntos não sejam muito interessantes, agora que as Nereidas não aparecem tanto nas capas, substituídas que foram pela gripe dos porcos.

Descansava o Tio numa das melhores praias do mundo quando, não muito longe, vejo uma capa (seria a Sábado?) com o interessante título de “Nove dias inesquecíveis no Algarve”. As sugestões: apanhar sol numa praia deserta, jantar numa mesa posta quase dentro de água, banhar-se numa cascata, entre outras.

Mais longe, talvez na Visão: “Memórias da Minha Praia” era o título que me chamou a atenção, sobre uma fotografia de uma praia (pareceu-me o Vau, mas a distância...), aparentemente dos anos setenta.

E pensei (coisa que ainda faço, apesar de cada vez mais raramente) que nesta fantástica praia, onde não ia há uns anos (o que tenho perdido!) temos isso tudo... Até memórias...

E quanto temos este mar e esta areia, com essa vantagem adicional, para que interessam as recordações dos outros? E agora é só condensar isto tudo em cinco dias, meter no shaker, agitar e servir de imediato. Para a semana lá começa a guerra, outra vez.

Cascata? O Pego do Inferno também não é longe... O único inconveniente é que já foi descoberto por muita gente.

Como não podia deixar de ser, lá fui recolhendo informação para uns trabalhos de investigação científica, sobre temas relacionados com a praia, que espero poder transformar em posts para publicação quando chegar à cidade.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Desculpem...

Pois, lá vou para a minha casinha nas nuvens, ao pé do mar (lá dizem assim, em vez de perto ou "à beira").
Vou para a minha casinha no Algarve, sem internet, telefone, televisão e essas "modernices" indispensáveis no nosso dia-a-dia da cidade e das serras.
Sei que vou ficar com saudades de vos visitar, mas...prometo que regresso com forças redobradas!
Everygarve I say goodbye I die a little... Até breve. Adeus não!

domingo, 5 de julho de 2009

Jardim sem flor

Diz o povo que homem sem cornos é como jardim sem flores. Não vou divagar sobre a origem deste ditado, nem questionar a sabedoria popular, fundamentada na experiência, na vida autêntica e, blá-blá-blá.

Particular e publicamente, posso dizer que não sou particularmente adepto de canteiros muito floridos, uma relvinha curta (nada de grama que, pela sua natureza pode fazer cortes), bem aparada e cuidada faz mais o meu género. Podem chamar-me conservador se quiserem, mas a forma triangular (D. espero que leias este post) representa o equilíbrio, para além das vantagens óbvias no que respeita a sinalizar direcções e sentidos...

Voltando às flores e aos jardins de hoje, não percebi a razão de terem ficado tão zangados com o manelinho, só por causa daquele gesto. Até me pareceu, quiçá erradamente (ai Tio...), que havia alguma ternura, no enrolar da mão, com o indicador espetadinho para a frente, a simular, não uns cornos, mas uns chifrezinhos delicados, se tal houvesse.

Quem esteve calado, na brilhante citação do bife ou da maizena, ficou agora aborrecido por se ter referido ao animal que dá os bifes? E onde estava a voz da moralidade e da decência, quando foi o caso da manteiga ou do simpático endereçamento para o c****** do outro ilustre, santo e pudico deputado?

Sou forçado a concluir que de culinária pode-se dizer-se o que apetecer, mas jardinagem é um tema tabu. Tanto alarido, só por uns cornos... Quando, eventualmente, o objectivo do gesto era convidar o colega para a Primeira Corrida TV do Alentejo...Que mentes perversas. E o pior é que, por causa dessa interpretação abusiva, vamos perder uma flor desse jardim (não o perfumado)...

Não devia ser permitido. JAMAIS!!!!! (leia-se à francesa, por favor).

terça-feira, 30 de junho de 2009

Polvo à Bordalesa

Prometi, está prometido e vou cumprir. Mas, se pudesse, mesmo que ligeira e não levianamente, não cumprir...

Polvo à Bordalesa, em vez de Frango Malandreco? Ficaria a promessa cumprida?

Sempre a subverter, ou a tentar...E arroz de sarrabulho, típico do Minho? Não? E Lampreia à Bordalesa? E já agora, Lampreia de Ovos de sobremesa?

Obrigado Vê-se que é hora de almoço.

domingo, 28 de junho de 2009

Saltos, Botas e Saias

A época dos incêndios está a chegar outra vez. Depois de um primeiro ensaio geral, o verão estava aí à porta (e que saudades o Tio já tinha do calor...).

E é fantástico o que acontece às nossas rainhas com o calor...Estas não alterações climáticas (como as bruxas, não acredito, mas...) têm a grande vantagem de estarmos em Fevereiro, Março ou Maio com calor de Verão, com as consequências que se vêem, sentem, ou vão vendo e sentindo. E em Junho com chuva?

Junho prometia mas, hoje sem promessa ou aviso prévio, veio a chuva.
Os saltos nunca passam despercebidos e têm em mim um efeito terrível. O característico bater nos pavimentos de madeira é como aqueles relógios das bombas dos filmes. Não se sabe quando, mas vão explodir de certeza. E com toda a força...

As botas, desde que não sejam aquelas loucuras extravagantes, também provocam reacções assinaláveis não propriamente desconhecidas e inesperadas. Combinadas com os saltos podem ter efeitos devastadores.

Digam-me o que quiserem, formatos justos, largos, 501, slim, tipo árabe, extra elegante, elásticas, efeito push up (da Salsa), corsários e etc, mas calças são calças e saias são saias.
As calças podem ser mais práticas, ficar super bem, serem mais tudo e até provocar alguns torcicolos, mas não têm a elegância das saias.

Chuva, Sol, Calor e Frio. Mistura difícil num só dia. Combinação impossível.

Saltos, Botas e Saias. Combinação irresistível, permitida por esta instabilidade de clima, mas o importante mesmo é quem vai em cima dos saltos.

E a chuva? Sabe tão bem ficar em casa...

Estou a ouvir um barulho: toc-toc-toc-toc. É um relógio... cada vez mais perto.

Estes corredores têm muitas vantagens... Bom fim-de-semana, com montes de chuva!

sábado, 27 de junho de 2009

Mais cidades e saudades!

Pois é o tio também tem saudades...Desconheço esse sentimento mas sentir a falta de alguém é coisa que me acontece, às vezes. Não é frequente, mas acontece. E saudades de um universo, de um mundo paralelo que não conhecemos? Aí sim. Como li há algum tempo, caminhos que não se cruzaram mas que se podiam ter cruzado. O comboio que perdemos, o outro que apanhámos e temos uma vida completamente diferente da que podíamos ter.

Já tive essa experiência uma vez. O tio passa a vida a deslocar-se de um lado para o outro e apesar de já ser grande e crescido (lembrem-me, outra vez, de falar na evelhescência), já perdeu alguns comboios e aviões. Não é frequente mas acontecia e aconteceu. Agora não pode dar-se a esse luxo, a menos que seja intencional. Acidental não.

Muito mais frequente é ter que ir a um determinado lugar e dar por ele, carro estacionado noutro sítio completamente diferente. Será a falta do GPS? Não. Acho que não o ligo de propósito.

Há tempos tive o prazer de revisitar um lugar novo. Será possível revisitar um lugar onde as memórias são tão esparsas e distantes que apenas existem nos confins dos nossos discos duros?
É possível. E adorei. Ainda vi um pouco da cidade e gostei. Achei tudo óptimo, as casas, as pessoas, os edifícios recuperados, os jardins...

Mas do gostei mais foi do café, que tomei num pequeno espaço recuperado. Sem açúcar claro, porque gosto de café. Vou guardar esse aroma e sabor durante muito tempo...

Este post foi inspirado por este texto...Estava prometido há muito tempo, mas não estava esquecido!

Atraso crónico e Misplacement.

Fiquei de rastos com este imprevisto. Depois de ter falhado o Dixieland, aqui tão perto, agora foi o Festival Med, em Loulé. Habitualmente sou pontual mas estes erros de casting e atrasos sucessivos, levam-me a pensar que não é melhor estar no sítio certo à hora errada, do que no sítio errado, à hora certa.

Continuando com esta temática, outras questões foram surgindo.

Não podendo estar com a pessoa certa, no local errado, poderemos estar com a errada no local certo? Alinhar dois pontos e fazer uma recta é fácil. Alinhar três pontos para o mesmo fim é muito mais difícil. E ainda bem que a vida, mesmo vivida com rectidão, não é uma maçadora linha recta, o que torna tudo mais fácil. Ou talvez não?

Em recta ou curva, prefiro estar com a pessoa certa. Seja no local certo ou errado. Mas custa tanto não poder estar. Sempre...

Será que na próxima semana consigo chegar ao castelo de S. Jorge, em tempo e companhia certa? Começo a ter dúvidas.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Contagiarte

Gostava de te contagiar. Contagiarte, é o que me apetecia. Hoje. O português não é traiçoeiro. Amanhã? Terça? Sempre.

Lições de Hidráulica Geral

O rio que corria selvagem, ao sabor das planícies e outros acidentes de terreno, desviando-se de alguns obstáculos, dissipando a sua energia em depressões (vulgo buracos), contribuindo para a erosão acentuada das dunas, acabou por ser dominado. A esse juntou-se outro.
Circulavam em canais, muito certinhos, feitos pelo homem, para uns reservatórios. Esses reservatórios abasteciam outros canais, de menor dimensão, até ao destino final. Os caudais excedentes seguiam, através de outros circuitos, para uma bacia de dissipação até que, final e tranquilamente, depois desse último ressalto hidráulico, a corrente chega ao mar...

Era uma vez um rio...Era assim que poderia ter começado esta história tão ramificada, tão imprevisível numa primeira fase como previsível noutras. Tão semelhante a tantas outras.
Tudo corria tranquilamente, nestes circuitos perfeitamente delineados e definidos até que, sem que nada o levasse a prever, uma barragem cedeu. O paredão (e não foi “O” Paredão) abriu, e a água arrastou tudo à sua frente.

Misturaram-se as águas dos vários canais, voltaram a inundar a planície, correndo pelos vales, fazendo lagos nas depressões, provocando erosão, mas chegando ao mar livremente. De forma selvagem, mas mais gradualmente mais controlada entram no mar e aí, finalmente num abraço que parecia impossível, repousam.

Algumas pessoas ficaram felizes, por ter a água novamente perto de si. Outras, que haviam construído as suas casas em terrenos perigosos, perderam o seu aparente repouso.

Era um rio. Era uma vez uma barragem. É um rio. Será sempre um rio.

E tudo o que é compartimentado à força, um dia cede. A natureza prevalece.

Era um vez um rio. Eram algumas vezes dois rios. Eram muitas vezes dois rios. É uma corrente...

E é preciso aprender a nadar antes de entrar na água.

E hoje deu-me para a hidráulica...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Aforismos populares e desaforos cultos

É conhecida a sabedoria popular, baseada na experiência, recheada de bom senso e servida com graça. Um ditado que resume uma forma de estar na vida, bem portuguesa, prende-se com a tomada de medidas depois de acontecerem factos para os quais deveríamos estar preparados mas não estávamos: “Casa roubada, trancas à porta” .

E que me desculpem os meus seguidores os meus leitores e as 17 pessoas que olharam para o meu perfil (as outras 615 foi o Tio, a ver se alguém o tinha visto), mas chegou a hora de trancar a porta.

Sou naturalmente a favor da liberdade de expressão e aprecio os britânicos nesse aspecto. Deixei esta minha casinha, que também é vossa, livre para todos os que entendessem deixar-me comentários. Mordazes, críticos, divertidos, incómodos e até sem graça. Durante bastante tempo diverti-me tanto com esses comentários que fui recebendo, como com os textos que fui publicando. Hoje decidi que não pode ser assim. Também nunca fui exageradamente fiel, apesar de extraordinariamente leal. Por isso este anúncio e esta justificação pública.

Também vi que não sou o único, que pessoas que admiro (sim, ainda tenho heróis e heroínas no dia-a-dia), pelos seus posts, pelos seus blogs, pela sua forma de estar, pelo modo como traduzem para texto e imagens situações sérias ou divertidas, com graça e sentido de oportunidade o fizeram. Nunca as tinha compreendido. Compreendi há dias.

Publicarei no entanto todos os comentários que generosamente me quiserem fazer. Prometo. Uma única excepção para aqueles que me parecer que, despropositadamente, têm como objectivo único o insulto vão, e não me sejam dirigidos a mim próprio, ou aos meus textos, mas a terceiros. E que me desculpem todos os outros leitores que me têm dado o prazer de vos ler!

Os meus princípios aguentam-se, de certeza.

CLONAGEM, precisa-se. Urgente!

Há pouco escrevia sobre a as minas de sal gema e o Tiorismo. Imaginei que agora podia estar de partida para o meu querido Algarve, para a segunda capital do reino do carnaval. Imaginava uns dais de puro tiorismo e descanso. Mas não. Um ataque tiorrorista, obrigou-me a ficar retido no Terroporto, sem poder levantar voo. Bolas! Lá se vai o Festival Med!

Apetecia meter-me na mina mágica e sair clonado do outro lado. Será que a rapaziada da Clona, tão mediáticos desde o último Prós e Ultras, poderiam dar uma ajuda? Obrigado.

Escusado será dizer que o clone ficava, o original é que ia para o laréu!

Prós e Ultras. A clonagem insuspeita.

Não sou insuspeito para falar deste programa, pograma, desculpem, tão interessante, que põe frente a frente pessoas que defendem a mesma coisa. Supostamente devia ser um debate, de personagens com diferentes pontos de vista, regulado pela jornalista, mediadora, mas não. É um “todos diferentes, todos iguais”, liderado por uma jornalista, que tem como principal função ver se o fogo não levanta e não queima a sopa ou o assado. E brilhar e fazer brilhar. Disciplinadora, quando não convém. É triste. Felizmente nunca vi esse programa a sério e o último que espreitei (detesto sair à segunda) foi sobre a não privatização da Portugal Telecom. Lá percebi que não era mais um concurso, talvez fosse uma telenovela.

Imaginem por isso o meu estado de espírito ao deparar com um programa do mesmo tipo, mas sobre o Tiorismo, actividade económica a que antes chamávamos Turismo.

O Senhor Ministro (habitualmente referido pelo Contra Informação como Manelinho), no seu melhor, rodeado por um grupo de admiradores, tendo como opositores de debate, não uns adversários, com opiniões discordantes, mas sim uns actores que faziam de ultras do regime. Lindo. ADOREI...

As pessoas no platório (mistura de plateia, com auditório e oratório) lá fizeram o sacrifício, uns tiveram os seus irrepetíveis segundos de fama (que compensaram as horas de seca), outros, que não precisam, lá foram dizer a verdade, normalmente, sem chorar nem ser pedir subsídios. Não são subsídio-dependentes, o que faz deles uns perigosos empresários independentes do poder. A generalidade, esteve para encher. Pareceu-me que era a corte do Tiorismo em terras do ALLGRAVE (é grave, mesmo). Uns Tioristas, porque se deslocaram para estas terras.

Outros pareceram-me mais Tiorroristas (Turras do Tiorismo), mas ao ver o à-vontade com que falam, conhecendo-se o seu percurso, já nem me apetece escrever.

Ainda bem que só vi cinco minutos de pograma, mas achei deliciosa a história da origem do hotel na mina e dos telefonemas que em 24 horas levaram à concretização do projecto. Não percebi se era para rir, pelo ridículo, ou para chorar, pela tristeza. Ou se para as duas coisas...

Há mais de quinze anos que ouço falar desse aproveitamento turístico, original e diferenciador. Foi apresentado à Câmara e à CLONA. É mesmo. Pode ser que seja desta, ainda vai a tempo...Se na Polónia já fazem tratamentos para a asma, em minas de sal gema, desde 1825, cá em Portugal também podemos ser inovadores...

A última vez que tinha ouvido falar desta grande novidade, tinha sido em 2003. Ah, geniais empresários portugueses, que dinamismo, que visão estratégica, que inovação e que capacidade de concretização!

Vou-me rir é com os relógios tão bonitos que vi nos vossos punhos de renda, lá na mina, daqui a uns tempos...E não aproveitem o nome da empresa para fabricar mais empresários à pressa para este ramo. Já chegam os que temos. E políticos ainda menos. Fiquem-se pela clonagem de ideias. Obrigado.

É tudo virtual. E sabem que mais? Até gostei. Foi original. Estou rendido ao mundo do faz de conta. Mas, já agora, mudem o nome do pograma, para o que sugeri, tá bem?

Fica no entanto um desabafo. É triste que a dita oposição, à falta de argumentos, tenha invocado razões de segurança. A floresta está a arder e estão preocupados com a caixa de fósforos que têm no bolso? Amorfos, se faz favor. Amorfos!

Afinal quem é que criticava o show off, quem é que dizia que não se governava para as televisões? Neste caso já não é show off. É show biz! There's no business like show biz...Sexy? Hummm...

sábado, 20 de junho de 2009

Caldeirada Entornada

Até as mais elementares leis da física, dogmas de fé, paradigmas de uma visão naturalista ou realista do mundo caem por terra nesta nossa sociedade onde o coração ainda manda. Às vezes felizmente. Outras nem tanto. E ainda outras tantas vezes a impulsividade acontece... Assim quis o destino (não vou começar a cantar fado...) que a seguir à Caravela Portuguesa o cardume fosse engrossando. Primeiro um cação (muito apreciado no Alentejo em sopas) e logo depois, um casal de piranhas.

O tanque é grande, e a comida era abundante para a variedade de espécies em presença, mas as piranhas são terríveis. Peixes de dimensão média, cuja voracidade é conhecida de todos, fizeram conjunto com o cação e com a caravela portuguesa e em breve a comida começou a rarear, pondo em risco a sobrevivência de todo o aquário, tal era a sua fúria devoradora.

O salmonete, ao ver o estado a que tinha chegado o aquário achou que tinha que agir. Perito em metamorfoses e ajudado por umas aulas de representação dramática e outras artes teatrais, resolveu assumir a sua personalidade de peixe fogo. A guerra tinha começado, depois de tantos desafios constantes.

Uma manhã, sem que nada o fizesse esperar, a Caravela Portuguesa estava fora do aquário, morta. O casal de piranhas tinha comido o cação, moribundo, em consequência do abraço fatal da Caravela, antes do salto fatal. Numa sessão auto-fágica, e muito up-dated, depois do cação, tinham-se comido uma à outra.

E a pobre Sarda? Conseguiu felizmente saltar para outro aquário que viu passar nas mãos de um visitante. Encheu-se de coragem, arriscou e, felizmente, conseguiu chegar a águas mais tranquilas.

O Salmonete viveu para contar a história, que não serviu de lição para ninguém. O problema da aquariofilia em Portugal não está nos peixes, nem nos aquários. Está nos aquariofilistas...
Salmonete grelhado, hmmm... A questão está em conseguir pescá-lo.

Estou a ver duas lulas? Vai começar tudo de novo? Não há aquário que resista...

quinta-feira, 18 de junho de 2009

A musa

Desde que a Veruska, sensibilizada com o picanço com o Smart conduzido por uma recém-encartada (ainda se usa esta palavra?) me perguntou, achei que devia aproveitar esta oportunidade para esclarecer a questão.

Também não me perguntem, agora que tenho esta responsabilidade de ter seguidores, aliás, seguidoras e por isso responsabilidade acrescida, os efeitos no Tio da publicidade na televisão em que usam a figura feminina para efeitos meramente comerciais.

Tenho que usar um substantivo (espero que já seja esta a palavra correcta para nos referirmos ao que também já foi chamado “nome”), que dê ideia que percebo alguma coisa do assunto, então aqui vai: berlina.

A berlina a que me refiro, é uma máquina destinada ao público feminino, pela forma e pelo conceito. O filme comercial também é passado no feminino e não me recordo de ver homem nenhum nele.

Podiam mostrar a berlina a ultrapassar outras conduzidas por homens mas, dizem os que estudam as motivações, que isso não é importante para o público-alvo. Não comento, sobretudo depois do picanço.

Recordo é a condutora a mostrar, ainda que ligeiramente a perna, ao sair do carro, com montes de sacos de compras. Nesta complicada linguagem da publicidade percebi o anúncio como homem: Como a berlina é alta, só mostras o joelho se quiseres, porque as probabilidades de o fazeres são mais pequenas do que se fosse baixinho, onde terias forçosamente que o fazer para sair do habitáculo (ui, este substantivo, que profissional). Tem imenso espaço para transportar compras (fica a ideia, minhas queridas amigas...). Não são compras de supermercado em sacos pequenos, são sacos grandes de vestidos, tailleurs (oh la la!), de lojas giras onde se podem comprar montes de coisas giras!

O head line “limusina urbana” apoia-se no espaço interior onde a palavra espaço não é um eufemismo, e na facilidade de estacionar na cidade porque é um automóvel pequeno... Tenho a certeza que todas as mulheres que eventualmente me lerem perceberam esta questão.
É um monovolume de classe 2 (não faço a mínima ideia mas fica bem esta referência, dá um ar de conhecedor).

A terminar duas pequenas notas: Tem um botãozinho no tablier que diz “city”. Se carregarmos lá, a direcção fica superleve, apesar de normalmente já ser muito leve. Não queremos as nossas rainhas com músculos, nem que façam esforços adicionais e desnecessários. A última, que não verifiquei mas acredito piamente e deve ser óptimo para quem transporta miúdos relativamente crescidos ou crescidos, sogros, sogras, pais, mães (para os Tios não é relevante): os bancos de trás são reclináveis, vejam só!

Acho que com esta descrição, depois das outras notas já disse tudo sobre o carro. Aqui fica a fotografia da máquina, nascida em Itália e onde se desenrolou a aventura. Juro que não sou patrocinado pela marca transalpina (esta foi a chave de ouro!):


E digam lá que não é giro? Fiquei agora foi na dúvida se o Smart se estaria a meter com a Lancia e não a condutora do Smart com o chauffeur da Lancia. Que dúvida cruel! Tenho que repetir a experiência, mas apenas com objectivos científicos, claro.

Vrummmm!

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