sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O Linho e o Minho





Quem me dera ser tão fino
Como o linho que fiais
Quem me dera tantos beijos
Como vós no linho dais…
Esta noite lá minha aldeia
Já tudo dormia só eu namorava…
Doba, doba, dobadoira doba
Não m’enrices a meada!

A preparar uma ida ao Minho, encontro estas tão simpáticas quadras no site do Clube Escape Livre… Leio mais sobre o tema do Milho, perdão do Linho e do Minho e fico a saber que o linho – que é bom como o milho – afinal existe em três espécies: O galego, o mourisco (para mim esta era a melhor) e o riga nacional, que é o menos frequente. Riga é conhecida também pelo pinho e parece que há falta de pinhos em Portugal… O linho é arrancado pela raiz, ripado, posto de molho – também poderíamos dizer que fica no gelo - a seguir apanha seca, e é depois deitado na eira para ser malhado. Deve ser daqui que vem o aforismo “sol na eira e chuva no nabal”. Reparem que o nabo não é malhado contrariamente ao linho. Já o milho também vai à eira, mas para ser desfolhado. O linho não é desfolhado, mas sim ripado! A nossa agricultura é muito rica em imagens poderosas.
Mas a senda não acaba aqui. Antes de saltar para as calças e camisas, ainda é espadelado, que é a mesma coisa que tirar os tomentos. Também se pode usar a palavra estomentar, mas não é tão vulgar… Os tomentos são a parte fibrosa da coisa, ou seja a estopa. E daí o separar o linho da estopa. Ou será separar o trigo do joio? Em qualquer caso há malha, ou melhor espadela.
E já não vou a Mondim de Basto, nem ao Minho. Nem malhar no linho ou no Minho. Nem desenriçar a meada…. Fico em casa a arranhar, que também é uma forma de malhar, mas fiquei a saber mais sobre o linho e o Minho.

Afinal o linho é bom como o Minho! Saudades vossas…

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Febras e membros



Tenho ouvido frequentemente os maiores disparates gramaticais ditos em público e bastas vezes repetidos. Julgo até sentir, nos seus autores, um certo orgulho na insistência no erro… 

Suponho que arrastados por uma modernidade com toque de acordo ortográfico, aliada a um falso respeito pelo género feminino, juntos têm levado muita gente ao todas. Todas não é o nome de um bar, nem está errado e até é agradável. A frase ”todas as mulheres que me lêem são inteligentes, para além de giras”. Está correcta, e é verdadeira, certamente. A reserva do certamente deve-se apenas ao facto de não ter o prazer de conhecer todas as minhas leitoras… 

Vá lá meninos também gosto muito de vos ler e fico muito feliz por ver que também gostam do meu cantinho. Aliás todos os meus leitores são pessoas inteligentes….

O disparate começa com o uso de todas e todos na mesma frase. Muito bom dia para todas e todos, por exemplo. Ou, na versão mais soft: As presentes e os presentes. Mais soft porque pode entender-se que as presentes vão receber um presente, cada uma, claro. Ainda não chegámos ao desvario da “presidenta”, ou da “estudanta”, mas andamos perto quando dizemos as alunas e os alunos que se queiram inscrever para exame…

Não sei porquê mas sinto haver uma correlação entre as pessoas que usam este tipo de linguagem, pretensamente inclusiva, e os adoptantes da inominável interrupção voluntária do português correcto, também conhecido pela sigla IVPC, ou aborto ortográfico. O valor do p level é capaz de ser elevado nesta relação, mas acredito que será estatisticamente significativa. 

Como sempre, tento ser pedagógico, pelo que deixo algumas sugestões aos apoiantes desta abordagem. Sei que são muito criativos e criativas (sim, felizmente as Mulheres, não caem tanto nesta pseudo atitude inclusiva), aqui vão algumas, para vosso deleite. Usem-nas, se assim o desejarem.

Fêveras e Febras: Em vez de febras ao almoço, peçam febros, ou de forma mais sofisticada, podem usar os Fêveros. Se quiserem ser mesmo preciosistas (mariquinhas, à séria) peçam febros de porco e febras de vaca ou, na versão elitista, Fêveros de Porco e Fêveras de Vaca.

Os membros e as membras. Usado em associações, clubes de futebol (exclusivamente) ou noutros locais onde haja vínculos associativos: Caras membras e membros, por exemplo. Também pode ser usado num contexto mais intimista, erótico, divertido (sim o sexo também pode ser divertido e provocar gargalhadas). Fiz uma função aleatória para escolher qual dos géneros escolheria primeiro, se o membro ou a membra. Saiu o membro: Hirto e duro, o meu membro deseja ardentemente a tua membra, húmida e sequiosa.

Enfim, meus caros, há nesta questão um sem número de utilizações e de utilidades que podem passar despercebidas numa abordagem ligeira. E temos que ir bem ao fundo, um pouco como Portugal, mas não tanto como a Grécia, para ficar a conhecer bem as possibilidades quase ilimitadas da nossa ortografia, depois de aberta a caixa de Pandora da Interrupção Voluntária do Português Correcto, decretada pelo parlamento no último reinado de Socretinius, o Primeiro. Ou será primeira, uma vez que foi a terceira figura do estado? Bem ele nomeou a segunda e foi um grande figurão, por isso o género é o masculino, certamente.

Post Scriptum: Ao reler, muito rapidamente, este texto antes de o submeter à vossa muito estimada apreciação, reparo que usei a palavra pseudo quase duas vezes. Queria apenas deixar bem claro que é uma mera coincidência, e não uma referência à minha estimada amiga que usa esse nome para se identificar.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

E-pístola aos Troikanos



Meus irmãos,
Ainda ontem Transpirava no deserto do Peloponeso e maduramente pensava como vos iria dar esta notícia. Durante quarenta dias caminhei entre vós e como um de vós, comi a vossa carne e bebi o vosso vinho. Habitei nas vossas casas e tentei-me, como fraco que sou, com as vossas comidas e com as vossas mulheres. Senti-me horrível e mau como o cão do Socretinius. Comi a vossa carne, bebi o vosso vinho, possuí as vossas mulheres. Traí-vos, meus irmãos, pensava eu! 

As vossas chefes seduziram-me, e eu fraco, deixei-me seduzir. Os vossos banqueiros – e nunca me sentei à mesa com nenhum deles- são os verdadeiros alquimistas que transformam lixo em ouro e eu, fraco humano, acreditei nessas histórias e deixei-me também encantar por elas!

Depois desses quarenta dias ( e quarenta noites), nesse  antro de riqueza, volúpia  e maldição  fiquei convencido que eu estava errado e vós é que estáveis certos. Assim regressei à minha terra, certo de que convenceria os meus irmãos desde a Macedónia, Tessália até Ática e Creta a viver com o que têm e pagar-vos o que vos devemos, já que nos perdoaste mais de metade do que vos era devido.

Mas eis que ao passar o estreito de Corinto o meu coração mudou. Afinal quem inventou o dinheiro fomos nós! E com essa centralização toda não podemos imprimir mais, o que nos libertaria de todos os nossos problemas! Afinal, agora o problema é vosso, vós é que quereis recebê-lo! E nós não queremos pagar!

E fez-se luz no meu coração. Os raios de luz de Zeus, através do Olimpo inspiraram-me e percebi que me destes a vossa carne, o vosso vinho e mês deixastes possuir as vossas mulheres propositadamente para me comprardes! Vós sois o demónio de saias! Vós sois a Minovaca, fruto desse amor monstruoso, entre uma mulher e um animal! Estiveste anos aprisionada no Labirintos do poder, da Burocracia - que nem Dédalo se atreveria a construir tal artimanha - dessa região do continente a que ironicamente deram o nome da lua mais bonita de Júpiter e agora vieste para a rua, sedenta de sangue, sua besta feroz! Mas eu serei o Teseu, e com a minha espada vou penetrar o teu corpo e comer o teu coração como uma vulgar espetada de frango! A justiça será feita, também pensava eu e assim o desejei durante 3 dias e três longas noites, longe da minha Helena, no cimo de um penhasco.
Porém, meus irmãos troikanos, depois de vos ver - nos meus sonhos - mortos e esventrados eis que acordo e ao meu lado tinha o oráculo de Delfos que me fez ver de novo a luz. E maduramente pensei nas vossas mulheres que havia seduzido e sido sedutor, nas vossas Wiener Schnitzel, nas vossas Weissbier, que passarei a dizer weizen, e nos vossos wursts, as Brat, as Weiss e o Leberkäse. Lambia os beiços a pensar no Teewurst, quando fui assaltado pela lembrança de outro Wurst, aquela Conchita de barba!!! Outro fruto azedo das liberdades excessivas. Tive o pesadelo de ser sodomizado por ela e acordei num frémito de loucura. E decidi. 

Decidi que quero ser como vós. Decidi que o meu povo tem que ser igual aos outros, apesar de ser melhor. Decidi que não quero mais enganar-vos. Nem agora, nem dentro de 4 anos. Queremos viver com o que temos e por isso aqui estou, irmãos troikanos, aos vossos pés. Ensinai-me a transformar lixo em euro, perdão, em ouro e eu serei sempre vosso. Pisai as minhas mãos, mas deixai-me assinar o acordo que quereis.

O vosso irmão Transpiras, aka Teseu

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