segunda-feira, 18 de junho de 2012

Traumatismo Ucraniano


Este tipo de trauma acontece em situações muito especiais e tem vários níveis de gravidade. A primeira variante acontece quando, num bar, boy meets girl que fala bem o português, mas com forte sotaque do norte da Europa. A conversa flui, o bar fecha e o que se faz a seguir? My place, your place? Escolha errada! O boy está todo enrolado na miúda, nem se apercebe da chegada do irmão, primo, tio ou pai da mocinha. Vai na volta apanha uma carga de pancada que o deixa todo partido. Fica com uma imagem confusa, do que aconteceu quando passado umas horas acorda no chão, numa rua onde não se recorda de ter passado. Este é um traumatismo ucraniano de tipo 1

O traumatismo ucraniano de tipo 2, dá-se quando um curioso, deslocado do seu país para ver os jogos do europeu de 2012, decide experimentar o online dating nos dias de intervalo dos jogos da selecção. Sem saber dele, os amigos ligam-lhe mas o telemóvel vai para mensagem, a caixa das mensagens fica cheia e ele nunca mais aparece…

Finalmente o traumatismo ucraniano de tipo 3, o mais grave de todos. Estás num café, calmamente à espera de alguém, com quem vais sair. Percebes que há um jogo de futebol na televisão. O jogo é no Estádio Melallist. Portugal está a jogar e a perder por um golo contra a Holanda. Ouves um grito em uníssono, adivinhas que Portugal meteu um golo. Quando te viras, ainda tens tempo de ver um bule de ferro, pesado, a vir pelo ar. Sentes uma pancada na cabeça, que te deixa sem sentidos. Acordas no Hospital e dizem-te que partiste a cabeça…

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Triangullande de l’amour


Napoleão, quando quis conquistar a Rússia, foi derrotado pelo frio. Duzentos anos depois o homem que já foi conhecido como M. Royal,corre o risco de vir a ser chamado M. Trierweiler e de vir a ser derrotado pelo calor do amor, pelo fogo da paixão….Ensanduichado (sim, com o acordo vale tudo) entre Ségolène e Valerie, precisa de provar que se este caso é um Triangullande e não um Triangolène, nem um Trianguweiler…

Analistas mais audaciosos, dizem não se tratar de uma figura geométrica, mas sim de um bailado: C’est pas un ménage à trois, mais simplement un pas de deux! E em pontas, acrescenta o Tio, quando lhe dizem que se trata de uma combinação com a namorada para derrotar, politicamente, a preterida… Alguém acreditará nesta versão? Mais oui, c’est le pays de l’amour! Será que a vingança tem o frio da Rússia ou o calor da paixão? Ou será um follow me, traduzido da versão francesa Falomi? On verra…

Entretanto deixo-vos com essa pergunta, pela voz da Edith Piaf.

 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Estamos Devidamente Phodidos



Avaliei mal o tratamento que os clientes iriam receber numa situação de Monopólio ou Oligopólio gerida por pessoas com poucos escrúpulos e notória deficiência de competências comerciais. Hoje senti, na pele (refiro-me à carteira), tudo isso. Errei por pensar que uma empresa tinha sido devidamente phodida. Nós, clientes, particulares e empresas, é que fomos devidamente phodidos e de forma sistemática e repetida…Nos últimos tempos apenas se acrescentaram requintes de malvadez, com umas notas de puro sadismo à mistura, envolvidas em tecnologia, para dar o sabor agridoce.

Então aqui vai a história de um dia que começou com um papel debaixo da porta de um dos locais onde trabalho. Abri a porta, agarro no papel e percebi que tinha trabalhar em ambiente romântico, à luz de velas… Telefone teria que ser o móvel e internet, népias! Confesso que a estas duas últimas situações de falta de telefone e internet, já estou habituado, pelos constantes roubos de cobre lá do sítio. Reflectindo melhor, esta importância crescente do cobre, deve ser uma explicação para as dificuldades em cobrar o que nos devem. Para a dificuldade de cobrar e também para a existência de tantos cabrões, perdão cobrões no nosso país.

Voltando ao assunto, percebi que teria que pagar uma multa a que deram o simpático nome de taxa cujo valor é cerca de metade do valor que devia ter pago um ou dois dias antes. Sim, 50% mas dizem-me que a taxa é igual para todos, como que a descansarem-me para a evidente justiça desta medida…

Tento pagar com o cartão, mas não pode ser porque a fatura já está vencida. Fatura e fartura de prepotência, de quem se agiganta para os pequenos e se encolhe para os grandes. Numerário era a opção disponível para criminosos como eu, que atrasam os pagamentos à empresa do um anúncio de gosto mais do que duvidoso, com crianças. Fui simpaticamente informado da existência nas imediações, por graça de Deus e da banca, de um multibanco onde podia levantar o dinheiro para satisfazer a vontade glutona do prestador deste belo serviço. Também fui informado que poderia pagar com cartão num agente, não na casa mãe…Vejam só que queridos! Os outros que fiquem com os custos financeiros das operações com cartões de débito e crédito, agora arrumados na conta 62 por via da aplicação das novas normas internacionais de contabilidade. Quem podia negociar estas comissões não o faz…

Levantei as notinhas, regresso ao local e toca de as meter, uma por uma, numa ranhura, ao mesmo tempo que o visor me vai mostrando quais as notas que posso por e quanto falta pagar…Muito inteligente. Durante este processo ainda fui dizendo que daqui a algum tempo nem precisavam de pessoas naquele balcão. As máquinas tratavam de tudo. Não tive resposta porque deve ter acertado nalgum órgão fundamental.

Valeu menos a confirmação da retoma da prestação do serviço no prazo de 24 horas, depois de meter as notinhas. Confirmaram-me que depois de ter colocado as notas na simpática máquina, e de ter sido emito o recibo, era gerada automaticamente uma mensagem para a equipa que tão diligentemente me tinha cortado a energia…Suponho que a mensagem dirá “Voltem, que estão perdoados!”, ou qualquer coisa do género.

sábado, 9 de junho de 2012

O Evangelho segundo S. Varicelo


Meus caros irmãos,
Havia um povo no extremo ocidental da península ibérica, os Lusitanos, de que se dizia não serem obedientes, não se deixando governar, mas que também não se governavam a eles próprios. Esses Lusitanos eram orgulhosos e até bons trabalhadores, mas sempre se viram gregos com os governantes. Depois de várias repúblicas, acabaram por eleger um político com nome inspirado num dos nossos queridos filósofos que bem os enganou e assim foram andando, de ricos cada vez mais ricos. até à pobreza final. Depois desse filósofo a quem se devem alguns dos contratos mais mirabolantes da Lusitânia, veio o Coelhopopulus, de língua menos afiada, mas homem de grande visão, que conseguiu mostrar que os sonhos de muitos eram pesadelos de todos e os pesadelos de alguns eram, afinal, belos sonhos dourados.

Ora meus irmãos, nós não estamos no extremo ocidental da europa. E também não somos, nem podemos ser, obedientes! Não somos um jardim, não somos trabalhadores diligentes, nem queremos ser! Nós somos o país que inventou a democracia, que inventou a maior parte das palavras que os latinos e até os romanos usam! Nós somos o berço dos ortodoxos! Nós criámos os heterodoxos! Nós inventámos os políticos, criámos os debates, os teatros as personas! Nós demos nomes às coisas! Nós temos a única democracia original, em que ninguém manda mas todos ditam leis. Nós aceitámos que nos governassem na aparência para, no fundo, fazermos o que queremos! Até os nossos partidos, mesmo os dessa dita esquerda que o Eysenck mapeou 2000 anos depois de termos criado a democracia, são mais originais que os outros! O Ximpas, como todos os extremistas modernos que antes eram contra a Comunidade Europeia, são agora a favor e querem o Euro. Os da democracia cristã, como bons ortodoxos, são a favor do Euro. Eu, meus irmãos, já tratei de dois resgates e sou por isso a pessoa mais habilitada para tratar do terceiro, do quarto e do quinto! Não há outro político no mundo ocidental, nem na Abissínia e Babilónia que tenha uma barriga maior que a minha! Já me governei, mas quero continuar a governar, nem que para isso tenha que fazer outra birra e ser internado num hospital.

Não se fiem também, meus irmãos, nesta nova direita que atira copos de água e bate nas mulheres. Esses não!

Por isso meus irmãos, nestes dias difíceis, temos hábitos de consumo que é preciso manter, custe o que custar, para vencer os hunos que derrotaram Roma e ainda no século passado nos invadiram. Eles vão pagar toda a vida, nem que seja às prestações! E nós damos-lhes música, folclore e pedradas! Antes que os Lusitanos e outros Celtiberos, essa espécie de Celtas da Península Ibérica se lembrem de lhes pedir mais resgates, nós vamos levar esta Europa em frente, até ao fundo! Que se lembrem de Maratona e das Termóphilas! Nós ganhamos sempre! Viva o Euro, Viva a Península Balcânica! Que se phodam os Jónios, Macedónio, os Juros e os Kredores! Aumentos para todos, já!

A bem dos gastadores, nada pelos Kredores,

S. Varicelo, o Gordo

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