domingo, 29 de julho de 2012

Da dita dura às pichas murchas



Há pequenas coincidências, coisas simples, que nos fazem despertar a mente e ajudam a compreender certos fenómenos da sociedade, bastante mais complexos. Talvez seja um pouco o que aconteceu com a maçã que caiu da árvore e fez com que Newton... não sei. Sei que ia na direcção do miradouro da Senhora doMonte quando reparei que tinha acabado de passar por um largo, com nome de Jardim e com a curiosa designação das Pichas Murchas. Não era do Jardim sem Flores, ou dos Homens com Cornos, mas das Pichas Murchas, com o nome todo, bem escrito,numa placa pintada, igual a tantas outras que identificam a toponímia tão simpática e característica de Lisboa.

Tinha acabado de passar pela Graça e talvez por isso, não pude conter uma graçola sobre a obtenção de equivalência a relação sexual pela via da masturbação, de um certo ministro. Instante em que se fez luz!

Na dita dura foi demitido, e bem, o Ministro da Educação por ter sido demasiado teso com os estudantes, que segundo ele estariam numa fase de “tesão de mijo”, imagino, para continuar nesta ordem de ideias relacionada com o órgão sexual masculino e não o seu equivalente, talvez em plástico ou PVC, soluções demasiado modernas e não comparáveis com o original.

Agora, na dita mole, que dizer de um ministro especializado em ilícitos não ilegais, ou não ilegais mas ilícitos e imorais, que dá este mau exemplo ao país pelas pressões, duras, ao que parece, mas feitas com um canudo mole, de plástico de fraca qualidade, com selo de pechisbeque, que não tem a hombridade de se demitir e coloca o seu Primeiro numa situação desconfortável?

Será que quem baptizou o tal largo o fez inspirado noutros locais da cidade, como S. Bento ou Belém? Ou será a salvação da economia nacional o franchising desta toponímia tão castiça? Ou, melhor ainda, será constituída uma comissão para dar o título de Cavaleiro das Pichas Murchas, por actos de grande relevo e elevada baixeza, em data a anunciar?


Nota: A origem do nome pode ser lida aqui. Outros nomes giros, aqui!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O gorgulho nacional


Um sentimento característico da geração anterior à minha e que fazia parte desse inconsciente colectivo que Jung nos fez descobrir, era o do orgulho nacional. Ser português era motivo de orgulho. Uma nação inteira que se estendia por vários continentes, vibrava com os desfiles, as paradas, os atletas de aquém e além-mar… Um desses momentos de celebração do orgulho nacional foi Exposição do Mundo Português na década de 40, que recentemente está a ser redescoberta.

Evidente que não tenho qualquer memória real de tempos onde ainda fazia parte da “massa dos impossíveis” e as imagens que retenho chegaram-me via mass media ou pelo tal conjunto de arquétipos que inconscientemente herdei, de recordações certamente vagas de pessoas que viveram essas épocas áureas do regime, em tempos anteriores ao nosso. Recordo-me das linhas de caminho-de-ferro que aprendíamos na escola e que muito percorri na realidade de jovem e na imaginação de miúdo. Já as produções agrícolas de Angola, Moçambique, Timor e S. Tomé e Príncipe são uma amálgama de café, mandioca, milho e cacau, onde se misturam rios que podem atravessar África e Montanhas mais altas que a serra da Estrela que entretanto substituiu o Pico Ramelau no ranking das alturas nacionais. Não sou da geração do apogeu, nem da do declíneo do Estado Novo.

Recordo-me da emoção dos jogos de hóquei em patins Portugal-Espanha, transmitidos a preto e branco, nas mesmas cores em que nos chegavam as aventuras de Tintin transmitidas pelo mesmo meio de comunicação, à hora de almoço e ao fim da tarde enquanto esperávamos para tomar banho, antes do jantar e depois de uma tarde inteira na rua…Também me recordo do Fernando Mamede ter desistido de uma prova transmitida de madrugada pelo único canal que havia e sobrava (porque tínhamos mais que fazer) e das medalhas do Carlos Lopes e da Rosa Mota, que nos fizeram emocionar ao sentir essa enorme alegria de ver a bandeira de Portugal nos Jogos Olímpicos. Sim nessa altura ainda nos sentimos orgulhosos dos nossos atletas, com vidas como as dos outros mortais, mas que foram mais além. E também tínhamos o José Hermano Saraiva, que nos recordava os feitos dos nossos antepassados.

Não tenho ideia nenhuma de jogos de futebol na década de setenta ou oitenta, a não ser os do Sporting, com o Yazalde (espero que seja assim que se escreve), a marcar golos e o Damas à baliza, por isso não sei se, participámos em mundiais de futebol. Tenho uma vaga ideia do México onde o Bento (outro grande guarda-redes) partiu uma perna e a selecção teve a brilhante ideia de fazer greve. Uma ideia original, sem dúvida. Vinte anos antes tínhamos perdido nas meias-finais do Mundial, em Inglaterra, onde o Eusébio e outros fizeram um brilharete. E é o que sei do futebol desses vinte anos, com excepção de um europeu ou mundial, onde perdemos com a França, indecentemente roubados com uns penaltys forjados. Não me recordo de bandeiras à janela nessa altura, nem de vaias ao Miterrand.

Ora hoje, como nas décadas de 40 e 50, também a nação coloca bandeiras à janela, mas não para manifestações politicas. A nação vibra com os feitos de outros portugueses, mas não com os feitos históricos… Os homenageados viajaram mas não são navegadores e a independência, que até vai deixar de ser feriado, deve passar a referir-se a árbitros que foram isentos. As vitórias nas batalhas não se referem a Atoleiros, Valverde, ou Toro (esta será sempre um exemplo que nem sempre vencer, significa ganhar), mas a sim a vitórias em fases distintas do campeonato europeu ou mundial de futebol… Hoje já ninguém sabe quem foi Duarte de Almeida, ou a razão do nosso rei D. Afonso V ter agarrado em armas para defender a sua sobrinha, Joana, a Beltraneja como é conhecida em Espanha. Zamora confunde-se com Samora, que pode ser uma localidade com um nome de pessoa que entra em algumas anedotas...Hoje a televisão traz-nos as marcas dos carros dos jogadores de futebol, os nomes de namoradas, as discotecas que frequentam e os buracos onde andam atolados alguns dos nossos governantes recentes e as chorudas contas bancárias das sobrinhas …

Hoje, temos jogadores que ganham fortunas mas que têm medo das lesões e arriscam pouco, a não ser nos penteados, que até chegam a mudar no intervalo dos jogos. São mais importantes pela imagem e pelo potencial de merchandising do que pelos golos. Talvez por isso já não façam greves… Os bancos aproveitam-nos como imagem e os papás e mamãs ficam vaidosos quando os garotos estão nas escolas de futebol e entram em campo com as estrelas... Estes pequenos momentos de vaidade servem para mostrar que os filhos não são tão maus na escola regular como os professores os querem fazer crer…Estamos para além do Milo com o Humberto Coelho e do apelo a uma vida sadia. Estamos no apelo ao futebol e à massa, ganha não importa de que maneira.

Enfim, pouco mudou e os sintomas são os mesmos…por isso, ao pensar no ter e no ser e na importância dada ao ter, ou seja, à massa, penso que em vez de orgulho nacional, estamos sim cheios de gorgulho nacional: uns bichos que sorrateiramente se vão alimentando dos cereais que o povinho armazenou, a custo. E como eles gostam de massa…

Adeus José Hermano Saraiva. Hoje é tempo de outra alma...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Homens, Ursos e Mulheres


Hoje faz anos a ursa mais popular da blogosfera, a Miss Polo Norte, cujo blog tenho o prazer de seguir, quase desde o início.
Os seus textos são como as cerejas, é impossível ler só um, com a vantagem adicional de uns serem bastante mais condimentados que outros. Uns são umas verdadeiras ginjas, outros menos doces. Há também alguns verdadeiramente picantes e outros ainda agridoces, numa variedade que não se encontra nas cerejas… Através deles vai dando aos seus leitores a sua perspectiva da vida e da sociedade, partilhando o quer partilhar, deixando de fora o que bem entende.
Gostava de lhe oferecer um bolo, mas hoje não estou em maré de cozinha e, também não ia chegar a tempo ou, pior ainda, podia chegar estragado ou fazer-lhe mal e isso não quero de forma alguma. Todos os seus leitores sabem do seu estado avançado de gravidez e não quero correr esse risco.
Não a conheço pessoalmente, por isso não sei se é alta ou baixa, magra ou menos magra. Sei que tem um grande coração e unhas afiadas que sabe usar, com frontalidade e sem subterfúgios. Dizem que atrás de um grande homem está uma grande mulher. Não sei se é verdade, tenho uma versão alternativa, mas não digo agora, Sei, com toda a certeza que atrás desta grande ursa está uma Grande Mulher.
Muitos parabéns, Pólo Norte!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Meu caro herbívoro...


Meu caro herbívoro,
Ao longo destes anos de convívio temos, como sabes, conseguido enganar todas as pessoas… Mas agora rebentou a bomba! Pensavam os portugueses (excepto esse a que chamam Tio do Algarve, e outros como ele), que os herbívoros comiam erva, mas esta semana vão descobrir tudo! E esses caramelos da RTP, que já se esqueceram quem manda neles, acabaram por colocar na programação o “Violadores: A invasão continua”, para agravar o problema…Fiquei doido com os tipos, acho que vamos mesmo privatizar essa treta e começar a manipular os privados que teoricamente ficarem com eles…Veio logo à mente o original, a Invasão dos violadores de 1978, com o Donald Sutherland, o Jeff Goldblum, e o Nimoy (logo tinha que participar no Star Trek, para ficar conhecido como extraterrestre), quando o Kaufmann quis mostrar que nós íamos dominar o mundo!

Agora toda a gente ficou a saber que não há simbiose nenhuma entre a relva e os coelhos, somos nós os vegetais que dominamos o mundo! Acho que este fim-de-semana vou tirar um curso de cinema para fazer um filme que mostre o contrário. O filme vai ser a preto e branco por duas razões: Os autores têm a mania de fazer filmes a preto e branco (olha o Aniki Bóbó do Manuel de Oliveira, ou aquele do Fellini que tem o nome da nota que tirei numa cadeira qualquer, já nem me lembro qual) e também porque sempre gostei do papel de éminence grise! Se me chamarem cardeal negro, até não me importava nada…

Bem, não te descaias com a história dos vegetais. Há algum tempo o outro falou dos pastéis de nata, vê lá se ele não manda uma daquelas sugestões de exportar alfaces ou couves, para deitar lenha na fogueira!

Um abraço frio e fresco do teu,

Migas de La Hierba, Conde del Naranjo, Alcalde de la Falcatrua,

PSD: Um imposto sobre os corta-relvas, também não era mal pensado, com dois escalões, um sobre os electricos e outro sobre os que funcionam a gasolina….E que tal a minha nova assinatura? Quando formos falar com o dos gelados (o rajá qualquer coisa), vou fazer um brilharete!


Nota do Tio: Esta mensagem em código foi interceptada por um leitor, que quer ficar no anonimato, e cedida para publicação ao Tio, o vosso wikipolitico de serviço.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Esplendor na Erva


Não é um erro. Conheço bem o filme do Kazan, mas foi o nome que me pareceu mais adequado para o que estamos a assistir, não pelos constrangimentos de uma geração, mas apenas pela erva. Não é uma tragédia greganem pan-europeia, também não é uma verdadeira ópera buffa, dado o ritmo dos acontecimentos. Só pode ser um filme surrealista. Antes eram os Professores Turbo, que acumulavam aulas em várias Faculdades hoje temos que falar na velocidade supersónica, a que se tiram licenciaturas em Portugal. Certamente serão estes os diferentes Ritmos de Aprendizagem, que nos pedem para compreender e respeitar…Eu confesso que não sou capaz de tal esforço, sub-humano, mais do que sobre-humano.

Com o nosso hábito de classificar os acontecimentos, chegamos ao caricato de dizer que o outro licenciado em ritmo frenético, ao Domingo, não foi tão mau porque andou três anos numa faculdade. Isto é, teve três matrículas… Como se a questão fosse o tempo ou ritmo! Aí concordo com a metodologia que recomenda o respeito pelos ritmos de aprendizagem. Cada um tem o seu próprio. O que não aceito é que nos continuem impingir os ritmos destes desavergonhados, como sendo correctos e que queiram fazer destas atitudes de quem não hesita em omitir, escamotear a verdade, enganar, aldrabar, a norma! Não aceito que quem deve dar o exemplo, dê esta triste imagem de licenciado de opereta, de caricatura, como se o importante fosse ter o título e não o saber…É mais uma vez a questão do ter e do ser…E não há dúvida que estes tipos não são, mas têm bastante. Têm descaramento e não são, de certeza, pessoas honestas...

Assim, de repente a minha alergia ao Homofilo (Tiologismo que pretende representar o homónimo do filósofo e não o amigo dos homos), passou ao Ervas….E não há nenhuma relação entre a cor da planta e a alergia. Neste caso o verde está murcho, só alguns herbívoros de boa boca, em estado de grande privação, conseguem comer esta erva… E engolem-na, não como um sapo, mas com o ar sério de quem degusta uma saborosa refeição. Será que esta erva tem algumas propriedades que levam as pessoas à alienação? Só pode ser essa a explicação para este estado de coisas.

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