quarta-feira, 30 de abril de 2008

Estação do Oriente

Forma e função, dois conceitos que se sobrepõem ou a história de um feliz resfriado que se curou de forma rápida e agradável. Poderia ser este o título de um ensaio sobre qualquer coisa, mas provavelmente não o imaginariam como a história de alguém que foi esperar outra pessoa a uma estação de comboio. Mas é acerca de estações, também de trânsito, de comboios, de passagens, de encontros e desencontros que trata esta história.
Lá fui então para a Estação do Oriente esperar alguém que, partindo de outra cidade, deveria ter chegado à nossa querida capital três horas depois. Não é famoso o historial de pontualidade dos comboios portugueses, mas em todo o caso, mais vale prevenir do que remediar, ou esperar que perder e à hora aprazada lá estava à espera da pessoa e do comboio. Um primeiro susto dado pelos monitores que registavam um atraso de 3/4 de hora. Felizmente não era para o comboio que esperava, mas mesmo assim fui revendo as imagens de muitas estações, esperas e secas que fui dando e recebendo ao longo destes anos de alguma actividade ferroviária....
A técnica de passar tempo numa estação de comboios pode ser desenvolvida e apurada, até se conseguir chegar ao desiderato de parecer que estamos mesmo à espera de alguém, talvez uma namorada, uma prima, tia, mãe ou outro familiar que vinda da província para a cidade tenha perdido o comboio e nos faça esperar pelo próximo. Outra possibilidade é simularmos nós próprios que perdemos o comboio quando pretendíamos fazer essa experiência supostamente terrível, mas super interessante e muitas vezes altamente excitante, de ir de comboio de um lado para o outro. Enfim muitas mais possibilidades se poderiam detalhar mas não é o caso, nem a estação. Esta história é sobre encontros na estação e não sobre encontros no comboio. Ficam para a próxima, podem esperar que estão dentro da composição e não na gare...
A Estação do Oriente até já tem uns pequenos aquários/sala de espera, mas um verdadeiro profissional espera na gare, onde chega o comboio e, sabendo antecipadamente qual a carruagem, posiciona-se no local exacto onde vai chegar a sua querida. Na Estação do Oriente é mais dificil. Não porque não se saiba onde vai ficar a porta de partida para um fim de semana, ou para um noite de romance. Apenas porque alguém sistematicamente deixa a porta da Estação do Oriente aberta. Porta e janela aberta e é uma corrente de ar constante em que o resfriado é uma certeza e o calor da noite vai ter que ser muito para recuperar da situação. Assim foi, mas enquanto esperava assaltou-me a dúvida. Liguei para confirmar se vinha (a dúvida não era sobre a compensação ou não da espera), no comboio com 3/4 de atraso ou no pontual. felizmente era no pontual. Que maravilha. Ficava bem visto e não tinha muito que esperar: Nem a esperada nem o que esperava davam mútua seca.

As Estações não servem só para partir e chegar. Também servem para encontrar! Enquanto não encontrava, fui metendo conversa com uma jovem que estando à espera da prima, tia ou mãe, que viesse da província, também poderia estar na mesma situação que eu. Eventualmente no engate não profissional ou a passar tempo enquanto esperava por outra coisa qualquer. Talvez à espera de um bilhete para sair da rotina...

Foi o que fiz e gostei. Temos de repetir e espero que esteja bastante frio e porta e janela escancaradas para confirmar as receitas caseiras e naturais. Funcionam lindamente!!! Adorei. Experimentem, sff.
Agora estou na província. Um destes dias meto-me num comboio para ver se te encontro outra, outra e outra vez. Sempre e até sempre, metaforicamente falando, claro, porque o percurso é que conta e duas pessoas na mesma carrugem, eventualmente podem não ir para o mesmo destino... Mas de certeza que estão no mesmo percurso, pelo menos durante algum tempo.
É o tempo que alguns querem muito e outros pouco. Quero muito!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Enfim os posts...

Pois lá me resolvi seguir a sugestão de colocar o mail, para receber algum feedback, em alternativa aos posts. Espero receber alguma coisa de simpático...
Se não for, paciência, lá me aguentarei. Algum tema que gostasse de ver tratado, retratado, retorcido ou dissecado é só dizer. Assim que possível será tratado ou dissecado, conforme a situação e o pedido...Não hesitem e, desde já agradeço os toques positivos que tenho recebido...
Ahh "ganda" Eric Berne e abençoada Análise Transaccional que nos fazem sentir tão bem, sabendo estas coisas. Por isso estejam à vontade!
É do percurso que nos vem o prazer, ou como alguém dizia, o caminho faz-se caminhando e os vossos inputs (se se derem a esse trabalho) serão tidos em devida conta!

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Três Tristes Tias

A Tia número 1
Esta não é uma história de tias verdadeiras, de sangue, ou amigas das nossas mães e pais que sempre tratámos por tias. Essas tias que delicadamente tratávamos na terceira pessoa do singular, não tinham pejo em tratar-nos por tu, como as nossas mães, se fosse o caso.
Também não é uma história das nossas amigas, que os nossos filhos tratam por tias, porque sempre assim fizeram e porque nãos as podem tratar por tu, como às mães.

É uma história de tias de plástico porque de barro já não se fazem. Demora imeeeenso a fazer e podem-se partir, não sei se pecebe!

Adoro sopas de pacote, bases de pizza pré-compradas e refeições para homens temporariamente sós, mas estas tias de que falo, não gosto tanto de comer e não consigo engolir de forma alguma. Como, mas sem vontade, como um doente a quem obrigam a comer pescada cozida e arroz branco, tudo sem sal. Estas tias de plástico são assim, não têm sal nenhum e pimenta ainda menos. Não picam apesar de morder, o que é uma maçada, mesmo não ficando marca nenhuma. Também não têm dentes. Nem nozes... É tudo virtual, mas no pior sentido.

Apesar destas questões prévias, estas Tias verdadeiramente artificiais são as que mais nos divertem. As maneiras que ostentam e o porte fundamentado nas melhores novelas mexicanas (faladas em brasileiro), está cada vez mais em moda. Já nem as novelas brasileiras têm exemplos tão ridículos, mas nós somos assim. Á frente no que há de pior e atrás no que há de melhor. Neste caso não é a cauda da Europa. É o cu do mundo, e desculpem-me a expressão, minhas fôfas. Como não sabem o que é também não ofende pois não? É como a história deliciosa que há tempos circulava nos mails, e que se retratava uma chefe de finanças que não sabendo o significado da palavra “minete” perguntou a um colaborador que diligentemente lhe explicou que era uma maneira elegante de dizer requerimento. O mail descrevia então as situações hilariantes da chefe de finanças a pedir que lhe fizessem minetes para terem direito a perdões de multas fiscais! Esta poderia ser uma história deste tipo de tias, mas por acaso não é. Foi retirada de um mail e é perfeitamente inverosímil.

Vamos então caracterizar esta tia, o protótipo número 1, ou seja o modelo TP1:

São tias que estão nos seus trinta anos, já passados, mas ainda não chegaram aos trinta e cinco. Early thirties, como diriam os ingleses. São idades complicadas para toda a gente mas para estas tias mais ainda. Os maridos começam a descobrir a sexualidade e elas ainda não… Já têm alguns filhos, três ou quatro, com os nomes que já sabem e se não sabem imaginam. Vestem-se mal, apesar de usarem algumas coisas caras. Peças Lacoste ou Façonnable podem ser usadas. Mais a última do que a primeira. Uma camisa de homem fica sempre bem numa mulher, na opinião delas. Como não são cintadas, melhor. Ainda não se consideram com idade para usar Burberry. Misturam muitas vezes peças caras com coisas compradas na feira de Carcavelos. Aliás, Cacavelos. Mostram às amigas e amigos, do mesmo grupo, as coisas que compraram na feira, indicando por vezes preços muito mais baixos, para mostrar que sabem comprar e ao mesmo tempo fazem com que os outros reparem nas peças de marca. Relógios e jóias são família. A lingerie é do mais mau gosto que se pode imaginar. As mães delas vestiam-se melhor, ou pelo menos de forma mais sensual, na década de 50. Têm vergonha de pedir conselhos nesta matéria…Afinal se não se vê, porque haviam de se preocupar com o assunto? Os maridos à noite também não ligam…Sim porque de dia é pecado e tem muita luz…

Não se pintam nem arranjam, a não ser quando é para sair. Nessa altura usam tons discretos (não podia ser tudo mau, que diabo).

São fiéis aos maridos não porque queiram sê-lo, mas têm medo de ser apanhadas em flagrante. Ainda não descobriram o prazer do sexo, nunca tiveram um orgasmo e acham que fingem bem. Dão uns gritinhos horríveis, em voz baixa para ninguém ouvir.
A leitura mais profunda que fizeram desde que saíram da faculdade, foi a CARAS quando caiu na mala do jeep.

Os filhos tratam-se por você e os maridos e amigos também. Os empregados são os criados. De vez em quando o verniz estala para os filhos lai sai um: “tu apanhas-me nessa cara, óvistes” ? (o plural é propositado)

Fazem férias no estrangeiro, vão à neve mas com o dinheiro contado. Não gastam e não dão gorjas. Afinal se são criados, para que precisam de gorjetas? Até fica mal não é? Só vão a sítios onde outros já foram e não são capazes de ter iniciativa própria na escolha de um destino. Antes de darem a sua opinião perguntam as das outras amigas.
Aí está em linhas gerais o modelo TP1. Já está no mercado, e tem sido um sucesso de vendas. Aos felizes compradores desejamos as maiores felicidades.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Disclaimer

Devia ter começado por aqui. Esta declaração de não responsabilidade é básica. A anterior não cumpria todos os trâmites em curso. Estava muito simples, ou seja tinha pouco cachet, tá a ver?

Então aqui vai:

Não me responsabilizo por danos provocados pelo mau uso deste blog. É expressamente interdito o seu uso no microondas, na máquina de lavar roupa, ou perto de telemóveis ligados, sobretudo se estiver em conversa com amigas ou amigos. Lavar em água temperada, não centrifugar. Ler cuidadosamente as instruções e simbologia na etiqueta.

Não se pretende, em caso algum, referir a pessoas reais, a situações concretas, ou a quaisquer crenças ou hábitos (...). Todas as personagens referidas são produto da imaginação e qualquer semelhança com a realidade deve ser entendida como um coincidência acidental e não desejada. Se se sentir, de alguma forma incomodado(a) com o conteúdo feche os olhos e não leia, ou leia sem ver. Se tiver lido mais do que desejava a responsabilidade é única e exclusivamente. Desligar o PC depois de ter lido, não terá qualquer efeito no conteúdo, ou na leitura. Desconhecem-se os efeitos da leitura prolongada, ou da exposição frequente a estas mensagens.

Os textos apresentados apenas reflectem a opinião do autor e não traduzem qualquer posição, a menos que possa ser experimentada, no domínio do Jardim Perfumado. Se lhe apetecer experimentar, experimente, mas não aceito qualquer responsabilidade pelos eventuais danos dessas posições, tomadas de posição ou posições não assumidas ou omitidas. Há vida para além da net, e o facto de vos desejar boas viagens, dentro e fora dela, não significa que vos direcciono nalgum caminho ou percurso. Menos ainda significa que determinado caminho deve ser escolhido em detrimento de outro.
Façam o que muito bem entendam fazer desde que seja absolutamente por mútuo acordo. Consentido, entre adultos...
Obrigado pela sua atenção!

Os Meus Filmes (I)

Hoje decidi colocar alguns dos meus filmes favoritos no perfil e, surpresa das surpresas, cada um deles ficou com uma hiperligação… A que seria? A curiosidade nunca foi o meu forte, mas que diabo não podia deixar de seguir os links! Que caminhos e iria percorrer e a que destinos me iriam levar? Uma hiperligação a outros perfis de bloggers, que tinham os mesmo filmes como favoritos. Encontraria alguém conhecido? Alguém com os mesmos gostos? Da mesma geração? Com as mesmas vivências? Alguma alma gémea, ou várias almas gémeas?
Desconhecia totalmente esta possibilidade mas ideia seduziu-me e resolvi de imediato colocar meia dúzia de filmes nos favoritos. Não foi uma meia dúzia “à sorte”. Foram seis grandes filmes. Antes de actualizar o conteúdo enquanto imaginava como seriam essas almas gémeas, vi-me forçado a uma vigem pelo innerlife (vertente caseira do secondlife) e recordar-me porque escolhi estes filmes. E esse jogo, obriga-me a entrar em várias personagens, de vários jogos, mais excitantes que o dito virtual.
Porque gostamos mais de um determinado filme do que de outro? O conteúdo, o realizador (o realizador era mais determinante que os actores, no momento da escolha de um filme), o argumento, alguma mensagem implícita ou explícita, o cinema em que o vimos, ou a companhia que tivemos para o ver, ou a pessoa com quem partilhamos a informação, terão diferentes graus de importância?
É essa a minha história de hoje… Da personagem cinéfila, o António Bernardo, que passava as tardes no cinema, mesmo que não fosse a namorar, e ao domingo de manhã, contrariamente a toda a gente, levantava-se cedo, para ir às sessões do Cineclube. Recordo Marshall McLuhan e o que dizia a propósito das “mensagens” e dos “media”, qualquer coisa do género “media is message” e “message is massage”. E é assim meus caros, muitas vezes o que dizemos importa muito pouco… Conhecem certamente pessoas viciadas em televisão. O que vêem essas pessoas? Alguém sabe? Alguém se importa? Claro que não. Espero mais tarde poder voltar a esta questão. Agora vamos ao cinema, que é completamente diferente! Excluindo a possibilidade adolescente (dos finais da década de 70 e início dos 80, já que agora não é preciso) de ir ao cinema para namorar, vamos ao cinema porque queremos ver algo, porque estamos predispostos a ver algo e sabemos que estamos a ver um filme, uma construção que foi feita para ser vista.
Adoro cinema e detesto televisão, como limitador de conversas e de ambientes. Desliguem lá isso, faz favor para não chegar tarde ao cinema.
Voltando ao inicio da questão, porque escolhi estes filmes? Escolhi-os pelo que são, pelo que representam e pela impressão que me deixaram. Escolhi este filme do Antonioni, porque foi o primeiro grande filme com apoio digital. Naturalmente que o argumento é soberbo, as cores são impressionantes, tudo é bom… Mas escolhi-o porque tudo aquilo que representou. Como que um renascer do grande mestre… Só por isso tinha que lá estar.
Citizen Kane, não só é um dos melhores filmes do Orson Welles, mas o fantástico simbolismo do final (Rosebud) e a actualidade de Xanadu merecem ser revisitados. Pois não estou a dar novidade nenhuma a ninguém, mas pensem neste assunto e na colecção de brinquedos que Xanadu representa…Vejam como vivemos, please… Vejam as coisas que se compram, se juntam e mostram. Ah meus queridos tíus, quase me esquecia de vós…
É preciso dizer alguma coisa sobre o Blade Runner na era do secondlife e do virtual? Há algumas coisas que são mesmo verdadeiras, mas às vezes os nossos sonhos estão mais perto das ovelhinhas eléctricas do que das verdadeiras…
O Kubrik também tinha de estar, obviamente. Tantos filmes diferentes e gostei de todos. Este talvez tenha sido o mais marcante. Ou seria a “Laranja Mecânica”? Não importa. Importa a simbologia dos monolito (será assim que se escreve com o novo acordo ortográfico?), do HAL 9000, do nascer do sol e a fantástica música de Strauss. O conjunto é um “must” e se alguém ainda não viu não diga a ninguém. Vá a correr a um loja da especialidade e obrigue-se a comprar aquele caixinha com, a obra completa do Kubrik. Mesmo em DVD (o filme deve perder imenso em televisão), mas pelo menos enriquece um pouco a sua cultura cinéfila. Prepare-se para ficar uns dias em casa em frente à TV com o novo ceptro do poder na mão.
A referência a Casablanca não é óbvia. É evidente que ainda não consegui ouvir a frase “Play it again Sam”, mas há coisas que não precisam de ser ditas (ai as mensagens…). Depois também deve ser o mais popular de todos os filmes que indiquei e fica sempre bem. Se faço uma referência à Natalie Wood como podia deixar de fora a Ingrid Bergman? E o Humphrey Bogart? Impossível. Os filmes também são feitos por actores e nessa época ainda mais.
Elia Kazan, tinha de estar. Claro poderia ser com outro filme. Em português: “Há lodo no cais”, “A leste do paraíso”, também poderiam lá estar. “Um eléctrico chamado desejo” eventualmente. “Esplendor na relva” traz-me no entanto recordações sobre um período muito marcado da minha vida. Um período antes de ter renascido. Um pouco como o filme antes referido estava para o seu criador, modéstia à parte, “Esplendor na Relva” marca uma fase da minha vida.
Se um dia colocar nos favoritos o Império dos Sentidos talvez não seja para encontrar companhia para um carrousel louco, depois de já ter percorrido quase toda a obra do Nagisa Oshima. Será também pelo prazer do percurso…. Lembram-se do que referi a propósito do McLuhan ? Obrigado e até breve. Voltarei ao percurso, de certeza.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

As nossas rainhas

Sinto que me estou a desviar das intenções iniciais neste blog, mas uns dias de passeio com uma grande amiga, esta questão do sermos ou não suficientemente românticos e última campanha da Triumph (é uma marca registada) dão ânimo para este pequeno desabafo. Desabafo e descomprometido pois sei que não vai chegar a todas as destinatárias, que são como já se percebeu, as Mulheres portuguesas. Não confundir com as espanholas, alemãs, etc. É às mulheres portuguesas que me dirijo e é a elas que quero expressar a minha admiração. Desta vez não é às tias (terá que ficar para a próxima, minhas fofas!), mas às mulheres reais, tipo Dove (outra marca...) que agora estão a aparecer bronzeadinhas...

Mas a cereja no topo do bolo (já estavam a pensar noutra coisa, aposto) foi a campanha da Triumph, que fui observando no meu tour desta semana, em Lisboa e, sobretudo, no Algarve. Sim, porque com mais luz vê-se melhor e com mais calor também se sente melhor, apesar da companhia não ter sido favorável a desviar os olhos para esse tipo de anúncios…Desculpe minha querida mas não pude deixar de ver os montes de anúncios espalhados por aí.

Dizia-me há algum tempo outra amiga que estava de farta de ver o marido a ler a FHM... Que lhe podia dizer? Que o tipo era cego? Totalmente cego não seria, pois se o fosse não lia...apesar de que, neste caso, ninguém está mesmo a ver nada…. Acabei por lhe dizer, sem mentir, que esse tipo tinha muito melhor em casa, e de carne e osso, do que as meninas dessas revistas masculinas... Certamente é parvo para além de insultuoso!

É a estas mulheres todas que quero dizer como são fantásticas e mereciam melhor. Mereciam mais romance, aventura, carinho, mais atenção e, sem dúvida, melhor sexo deste tipo de maridos.
Estas Mulheres que se levantam enquanto os seus maridos ainda ficam na cama, que acordam os filhos, escolhem as roupas, os vestem, lhes arranjam as pastas, lhes fazem o pequeno-almoço, saem de casa para o trabalho (ainda tiveram que se vestir e arranjar a elas próprias) e muitas vezes deixar o almoço ou o jantar pronto e dar instruções a correr à mulher-a-dias. Estas mulheres que adoram as suas profissões porque as fazem sentir vivas e capazes, contrariamente às suas vidas familiares, no fim do dia ainda fazem o processo ao contrário e depois de tudo arrumado se atiram para a cama, cansadas, não terão no seu dia-a-dia direito a uns mimos? E que dizer daquelas, depois de um dia destes, que se se repete continuamente, ainda conseguem ter sexo, mesmo que medíocre, com os seus maridos? Não são Mulheres, são umas Super Mulheres.

Estas mulheres que depois destes dias de magnífico desespero e constante stress encontram tempo para ir arranjar o cabelo, ir à depilação, levar os filhos ao médico, apanhar umas secas à espera, ainda têm coragem, à noite, de vestir uma lingerie como a do anúncio da Triumph, são Mulheres que merecem mais. Merecem tudo o que lhes pudermos dar.

Merecem uma surpresa à hora do almoço, de manhã, à tarde ou à noite. Merecem ser acarinhadas e acariciadas, merecem sexo de grande qualidade.
Merecem e precisam de alguém que as ouça e com quem possam conversar. Merecem alguém que lhe dê mais do que aquilo que quer receber.
Merecem alguém que as faça sorrir, que as divirta, que as ocupe e preencha, mas que também lhes dê espaço e liberdade.
Merecem alguém que saiba aceitar uma nega de vez em quando, com o maior fairplay do mundo.
Merecem que um homem vos diga que detestou aquele anúncio da Clínica Persona (outra marca registada) que dizia que os homens não gostam de celulite. Os homens verdadeiros não gostam é de parvoíces desse tipo e não tem medo de o dizer. Os homens verdadeiros são capazes de oferecer uma escapadinha a dois, com ou sem celulite. Os homens a sério aceitam uns kilitos a mais das suas mulheres e ajudam nos esforços para o reduzir.

Minhas queridas rainhas dos lares e de copas por esse Portugal fora, não desistam de procurar, de dar, mas também de exigir. Não desistam de dizer aos vossos maridos (e têm tantas maneiras de o fazer…) que há vida para além da rotina do dia a dia!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Romântico ou não, eis a questão...

Uma leitora desafiou-me para esta questão. Adoro desafios e vindos de mulheres, ainda por cima inteligentes, são irresistíveis. O pior é que com elas perdemos sempre, mesmo na blogosfera, sem as conhecermos. Como não tenho muitos leitoras e leitores, nobless oblige, vamos ao desafio...

Como será ser romântico? Aqui não posso generalizar pelo dois sexos. Tenho que me ficar pelo meu e, como bem sabem, queridos amigos, nunca fazemos tudo pelas mulheres, sobretudo pelas nossas queridas mulheres! Há empre muito mais a fazer. Não pensem nas empresas, bolas! Não tem nada que ver uma coisa com a outra. Nas empresas é só facturação e custos! Basta aumentar um e diminuir o outro, mesmo que seja muito bom, podia ser melhor, mas não há nada destas questões complexas e super subjectivas.

Pensar na sua "mais que tudo", com carinho, com amor e paixão durante 24 horas do dia não é obviamente suficiente. Desejar estar perto delas, olhá-las com ternura ou fazer-lhe mimos, aquela festa carinhosa, não é ser romântico. Telefonar-lhes várias vezes durante o dia e dizer-lhes isso também não serve. No máximo é ser carinhoso, no pior das hipóteses é um chato.

Oferecer-lhe flores é banal. Relógios, pulseiras, joias e congéneres é demasido material e pode sugerir alguam tentativa de aproveitamento. Temos mais fama do que proveito, nestas questões, mas enfim, que diabo, nem tudo são más, ou boas intenções. Não poderemos apenas ter um gesto simpático e delicado, só porque nos apeteceu?

Ofertas de alguns pequenos objectos, trazidos de algum lugar onde estivemos ou não, também não servem. Mas que ideia tão parva. Para que precisam elas dessas coisas?

Oferecer-lhe coisas feitas pelas nossas mãos, como fotografias reveladas por nós, que lhes tirámos há muito tempo, ou nalgum momento especial também não dá. Ou estivemos a perder tempo ou a estragar qualquer coisa. E alem disso é saudosismo tolo. Pior ainda é lembrar-lhes como estavam vestidas quando nos conhecemos, onde nos conhecemos e que músicas dançámos. Isso é que é mesmo saudosismo estúpido e bacoco.

Convidá-las para jantar, num sítio especial, enquadra-se no mesmo príncipo das ofertas de relógios e etc. Se lhe oferecemos roupas, underwear ou não,também se aplica a mesma regra. Sugerem que só pensamos em sexo, quando afinal até pensamos noutras coisas. Em paralelo, claro, para ficar a perder nesta questão, como leas tão bem sabem...

Pois minha querida amiga, como vê perdi este desafio...Considero-me um romântico incorrigível, que adora estes fenómenos femininos, mas fico a perder nesta questão. Nunca poderei ser. O que vale é que concordo que temos que tentar cada vez mais...Por isso: Homens de todo o mundo uni-vos! e lembrem-se daquele velho slogan da AVIS e sejamos como eles: we try harder...

Tentemos pois ser assim, cada dia mais esforçados que as nossas mulheres mercem isso tudo e muito mais! Bejinhos a todas...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Que Pesadelo!

Hoje tive um pesadelo.

Talvez por ter visto o Futurama, sonhei que tínhamos saltado uma geração para o futuro, imaginem só...

À frente das empresas e nos melhores cargos públicos, leia-se tachos, estavam os Martims, as Marias, as Constanças, e porque não as Carlotas e Carlotas Joaquinas e as Marias Capitolinas?
Imaginei o que seria uma reunião de Conselho de Administração nessa altura e deliciei-me com as várias possibilidades. Os pomposos títulos académicos do presente, antecedidos do Senhor, com todas as letras, claro, vão ser substituidos com muito mais graça e quiça delicadeza, por outras expressões.

O futuro é das mulheres e elas vão dominar a sociedade e obviamente as empresas...

Enquanto na década passada diríamos a um colega que fez asneira, tratando-o por tu e agora dizemos ao Senhor Engenheiro que a atitude foi pouco assertiva, no futuro poderemos usar o Menino ou Menina. Muito melhor, mais prático e até mais giro. Muito mais nivelador e integrador. Como alguem me disse esta semana: "Para todos ficarmos a saber tudo, ao mesmo tempo o melhor é "memo" o mail"

Este conceito de igualdade nas empresa fica muito mais explícito com esta forma de trato do futuro (em sonhos, claro).

"A Menina não tá a pensar bem", para alguma ideia disparatada, é muito mais agrádável do que outra coisa qualquer. Mais delicioso ainda é: "O Menino não me f....", nalguma situação de brincadeira, evidentemente informal, num dos raros momentos de ócio ou distracção. Saliento o raros, porque nessa altura não vai haver tempo para isso, não sei se os Meninos tão a ver, não é?

Como será ter um nabo a fazer constantemente asneiras (até parece que não li o manual de sobrevivência...) Dizer-lhe: "O Menino tá sêmpe a prevaricar, não tá?" é muito mais giro, interessante, prático e delicado (quatro adjectivos, tão a ver, não tão?)

Quando perder a cabeça, uma destas bizwomen -BW- certamente dirá qualquer coisa do género "Tou farta de ser f... por si", sem naturalmente se referir ao que estavam a pensar, seus marotos e marotas...Aliás, suas marotas e marotos, porque somos corteses, que diabo!

Um caso com uma colega de trabalho deve ser o máximo. Homem nenhum se queixará de assédio, por isso mulheres, toca a avançar e assumir que dominam as relações. Não há que ter vergonha e quanto mais cedo descobrirem e descobrirmos isso, melhor para todos.
É a descoberta mútua, tão a ver? Vamo-nos descobrindo, não é?

Este tipo de relação, no dia a dia dever ser óptima. "O Menino esta tarde faz favor de aparecer no Bar do Hotel XXX às 16 horas. Veja se usa aquela roupinha interior que lhe ofeci, tá-bem?"
Não se esqueceram do question tag, pois não? Usa-se na maior parte das frases, já que não se pode usar em todas, não acham?

Afinal não foi um pesadelo, foi um sonho cor de rosa. Ainda bem que no futuro, e breve, vai haver muito mais Constanças e Marias do que Martims. Já não quero quotas para protecção dos homens. Que se lixem todos, excepto eu, os meus filhos e amigos, claro! Queremos a minoria e já, tá-bem ???

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