sexta-feira, 21 de março de 2008

Manuel de Sobrevivencia 3

Como ser um verdadeiro tíu

Esta é uma questão difícil. Nunca se será suficiente bom tíu. Por maior que seja o nosso esforço haverá sempre um tíu melhor, ou que pelo menos assim o pareça.

A principal condição é aparentar conhecimentos, sobretudo de pessoas, mesmo que não as conheça. Numa conversa, o candidato a tíu e doravante denominado CT, deve ser apresentar a maior desenvoltura pssível nos temas e, frequentemente referir, metade pergunta metade afirmação - o bom tíu nunca pergunta nada, afirma, como por exemplo: "Conheço um Machadinho, que é primo do tíu Gugu. Se por mero acaso o interlocutor lhe der resposta, e for negativa, do tipo "não é nada, disso que disparate", pode sempre dizer que confundiu com a tia Xaninha. Na condição altamente improvável de obter nova resposta, o processo repete-se até cansar o interlocutor. O CT é que nunca fica desarmado ou sem resposta. Conhece toda a gente e toda a gente, supostamente, o conhece. Um grande argumento a favor do CT, é que o CT sabe que ninguém liga ao que ele diz, a nãos ser outro CT em estádio mais atrasado...

Outra regra básica é nunca pedir nada por favor, nem agradecer nada. Mesmo quando as pessoas não têm nenhuma obrigação, o CT -nunca pede nem agradece. A arrogância pseudo delicada, terminando as frases com um "tá bem?" é a atitude certa. Também, em caso algum deve dar satisfações ou justificação para as suas acções. Este tipo de atitude poderia revelar fraqueza, o que em caso algum o CT poderia ter. Exemplo "Aperta-me os sapatos, tábem?", se quiser que alguém lhe aperte os sapatos.
Há contudo uma variante a esta regra e que é aparentemente contraditória. è o pedir um "gande favor". Do tipo" pecisava de lhe pedir um ganda favor..."Normalmente o favor não é grande, grandes são as reclamações decorrentes. Um bom CT usa esta variante quando precisa de hotéis, locais para férias, restaurantes, etc. O bom CT, pede o "ganda favor", o pato faz-lhe o favor e reserva o hotel que depois é cancelado ou a reserva nem sequer chega a ser anulada. O pato ainda fica mal visto, e só fica a saber do cancelamento depois, porque o bom CT não se justifica nem diz nada. O bom CT também dirá sempre mal, do restaurante, do quarto, do hotel, da praia, etc, a menos que tenha sido um tíu a recomendar. Mas tem que ser um tíu em ascensão. Se for um tíu que está prestes a cair, então dve dizer-se mal na mesma. E durante bastante tempo... Muito importante é contar o sucedido a toda a gente que conhece, enfatizando a má recomendação que lhe fizeram e, sobretudo quem lha fez e o "demodé" que está o tíu.

Estes comentários depreciativos e negativos devem ser feitos em "petit comité", sempre com ar grave. O CT nunca deixa transparecer as suas emoções....

Muito importante é também incomodar o máximo de gente possível. Mesmo que não precise. aliás "pecise", deve incomodar e pedir coisas ao maior número possível de pessoas, "tá a ver?" Atenção que quando dizemos pedir, não é mesmo pedir, é exigir de acordo com o que antes se disse sobre a matéria.

A linguagem e os termos utilizados também têm que ser treinados até se atingir a perfeição, que varia muito. Uma vez que os CT se copiam uns aos outros, a evolução dá-se pela cópia de novos modelos de tíu. Um determinado CT, resolve copiar um novo modelo de tíu, começa a apanhar os tiques e vai sendo sucessivamento copiado por outros CT. Dentro de algum tempo, normalmente pouco, o grupo de referência está homogéneo, até que o processo se repete. Ora bem, quanto à linguagem há palavras e expressões que são obrigatórias. A mais comum é retirar os erres. Palavras como programa, precisar, etc passa a "pograma", "pecisar" etc. Tíú, ríu, entre outras palavras do mesmo género também devem ser treinadas. Os CT do Porto ou do Norte, terão que fazer aulas extra, pois podem correr o risco, de ao quererem ser uns verdadeiros tíus, com a pronúncia do norte ficam uns verdadeiros palermas. Conheci um que em vez de um café, querendo pedir uma "bica" pedia um "vica". Poderá haver situação mais ridícula e caricata? Há uns anos não havia no Norte CTs, mas agora, crecentemente está a enraizar-se esta questão na sociedade e não há região que lhe escape. É Portugal, aliás "Potugal", tá a ver?
Esta questão da linguagem e da pronúncia (há quem diga sotaque, mas é errado. Se houver "optunidadade" (sempre que possível deve omitir sílabas) ainda "xplico puquê qué diferente". A linguagem e a pronúncia - LP - são uma maneira dos CT se identificarem e de imediato se "integarem" no grupo, "tá a ver ?" Pois como o meu caro leitor já viu, "tá a ver" é uma expressão que deve ser usada abundantemente, o melhor seria que cada frase tivesse um "tá a ver", "tá a ver ?". O máximo do reqinte dos CTs, e "máximo" também é uma palavra que deve usar e abusar, "tá a ver" é fazer um "question tag", como por exemplo: "tá a ver, não tá?" ou "tá a gostar, não tá?". Nalgumas situações muito especiais deve-se evitar o "question tag" um exemplo de uma situação onde se deve evitar o "question tag" é com o verbo vir usado na forma reflexa. "o menino tá-se a vir, não tá". Ou melhor ainda: "O menino tá-se a vir, não tásse?". Este tipo de pergunta pode ter consequências desastrosas...
"Menino" deve usar indistinta e indicriminadamente (que são duas palavras diferentes, com significados diferentes), com os filhos, com os colegas, com os filhos dos colegas, com os amigos, com os filhos dos amigos, enfim "urbi et orbi". Muita atenção à conjugação do verbo vir e ver. Não "pecisa" de saber gramática."Pecisa" é de não dar muito nas vistas quando fizer asneira, ou então se já estiver num estágio avançado de CT, poderá dizer o que lhe apetece, pois já vai fazer escola.
Diminutivos, "petit noms" e congéneres é de usar até cansar, Bekas, Xuxa, Xixa, e quejandos são os nomes das suas amigas, que têm filhos com nomes próprios como Rodrigo, Carlota, Rolando, Frederico, que obviamente se pronuncia "Federico", Martim, que sucedem aos Gonçalos da geração anterior. Por sua vez também têm diminutivos, mas podem sempre ser substituídos por "menino", que dá para todas as situações. Nunca, em caso algum, deve usar nomes modernos tipo brasileiro. Isso é mesmo mau gosto e nem eu lhe perdoaria. Atenção que Gonçalo é um nome giro, apesar de alguns serem uns maus exemplos, ou melhor, uns bons exemplos de CTs. Os nomes próprios também dever ser nomes únicos, ao contrário do que acontecia antes. Maria de Fátima, Maria de Lourdes. Maria Clarisse, será só Maria, ou simplesmente Maria...De igual forma, no masculino João Manuel é só Manuel ou só João. Assim fica mais espaço para os apelidos. No mínimo quatro, mas já começa a ser um pouco proletário. Melhor cinco ou seis. As mulheres com o casamento podem sempre receber mais dois ou três, nos homens se só tem dois, três ou quatro, o melhor é ir já ao Registo Civil e pedir a mudança do nome, antes de começar a agir como um tíu, tá a ver, não tá?

quinta-feira, 20 de março de 2008

Manual de Sobrevivência 2

2. O Factor C

Este é uma das melhores formas de sobreviver e, mais ainda, vencer. Ter um bom padrinho, se possível tio é o que de melhor pode ter. Se o tio que não for de sangue, melhor ainda. Mas também pode ser que não faz mal. O que tem que ser mesmo é tio.
Dentro das várias categorias de tios (sim, porque também as há...) o nível máximo é o tíu, com acento e u no final. Dentro destes o supra sumo é se o tíu já tiver usado o Factor C para chegar onde chegou e se também for incompetente. A acumulação destas duas virtudes, é a melhor situação que o iniciado pode ter.
Por ser incompetente vai compreendê-lo melhor e como a maneira como subiu na carreira é a mesma vai criar-se uma sintonia total entre os dois.
O único aspecto negativo desta questão é quando o iniciado começar a querer ocupar o lugar do tíu. É muito provável que tal venha a acontecer e quanto mais fraco for o iniciado, mais provável que esta situação se venha a verificar. Está-lhes na massa do sangue...é como um destino a que não podem fugir e, pior ainda, é a vontade de dar nas vistas, de pavonear a ignorância e o desplante. Em vez de se acomodarem num canto - num grande gabinete, com uma secretária boa, simpática e inteligente, onde ninguém desse por eles, querem aparecer em destaque, dar ideias e fazer coisas. Normalmente só disparates ou acções de curto prazo. A probablidade de uma ideia original e boa é de 0,000001. As ideias boas que lançam são, por via de regra, copiadas, ouvidas nos corredores ou sugestões de outros e que, com a maior desfaçatez apresentam como suas.
Para ser um tíu deve ter em atenção algumas questões, basilares que a seguir se recomendam.

terça-feira, 18 de março de 2008

Manual de Sobrevivência 1

1. Introdução
Em todas as áreas e artes existe sempre um manual de sobrevivência. Devem ter lido uma obra, publicada há ja algum tempo com o sugestivo título "Como nadar com os tubarões e sair vivo".
Confesso que nunca o li (lol). Não porque não quisesse lê-lo. Desejei mesmo lê-lo, mas nunca o fiz, como tantos outros objectivos nunca realizados.
Pois este manual de sobrevivência é um guia para viver com os tubarões, para usar a mesma terminologia. viver com eles e ser o melhor dos jacarés (Será que ainda se usa esta terminologia nas consultoras?).
O desiderato é mesmo comer os tubarões, ao jantar. Pode ser em sopa, mas o melhor é mesmo um consomé de tubarão.
O Manual de sobrevivência é especialmente dedicado a recém licenciados, recém diplomados ou recém qualquer coisa que chegam ao "Mundo do Trabalho" e que se querem integrar nas empresas.
Outro segmento muito importante de pessoas a quem se dedica este manual é aqueles que não estando nas categorias anteriores, pretendem subir na hierarquia das empresas ou instituições, se possível passando por cima de alguém. Quanto mais incompetentes melhor.
Espero que estas dicas ajudem. Boa Sorte e "mãos à obra"!

sábado, 15 de março de 2008

Porquê...

Depois de muitas empresas e locais, de observar e também sentir, decidi que era a altura de publicar - publicar, no sentido de tornar público - algumas das minhas experiências. Umas delas vividas, outras imaginadas e outras ainda passíveis de serem imaginadas.
Espero fazê-lo com humor, por vezes mordaz e cáustico.
Naturalmente que os conteúdos não reflectem nenhuma situação concreta, nem pessoas reais e
menos ainda contextos existentes. É tudo no plano da imaginação e da ficção...
Divirtam-se!

Disclaimer: Nenhuma das personagens, eventuais personagens ou situações referidas são reais ou sequer baseadas em factos reais. Afinal é tudo virtual!

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