quarta-feira, 12 de junho de 2013

Poncius Cavacus, Toda a verdade numa biografia irreverente 2


2. O silêncio dos Inocentes

Este é o segundo capítulo da saga de Poncius Cavacus o homem que durante mais tempo governou o jardim (o à beira mar plantado, não o jardim no meio do oceano, porque esse é indomável e ingovernável, só com o congelamento do cartão de crédito é que sossega). Durante este segundo período que viria a ficar conhecido como o silêncio dos inocentes, Poncius não participou activamente na vida social. Assistiu calmamente a tudo o que se foi passando.

Bonzinhês chegou ao governo em grande euforia. A chuva de sestércios nunca mais parava e todos vinham para a rua de alguidar na mão na esperança de o encher de dinheiro fácil.

Acelerou-se aí derrocada do reino, num ritmo infernal que nunca mais parou. Tenças foram distribuídas de forma generosa a toda a gente, com especial aos que nunca tinham trabalhado nem iriam nunca mais fazê-lo, num programa que ficou conhecido como o Rendimento Máximo Permitido. Bonzinhês não era forte em contas e os cruzados saíram furados, pois nunca mais parava a atribuição das tenças que acabaram por ser mais do que o estado podia suportar. Bonzinhês ficou também conhecido pelas novas vias sem portagem, as CICUTAS (Ciclovias Independentes de Circulação Única para Todos os Animais Sociais). Estas vias vieram mais tarde a ser transformadas, com influência de um filósofo da política, o famoso Socretinium - em CIPUTAS (Ciclovias Independentes Portajadas Uniformemente para Todos os Animais em Sirculação).

Note-se que a Língua Portuguesa não era o forte deste governante que, como não sabia escrever, aprovou o famoso Acordo Hortográfico e distribuiu pelas escolas pequenos computadores azuis (os Migalhães), o que foi considerado uma ideia genial para acabar de vez com o conhecimento da ortografia, aritmética e cálculo mental. Essas Escolas que já tinham sido conhecidas como primárias foram logo promovidas a básicas. Os miúdos que daí saíram, de imediato a ser conhecidos como os básicos. O Bonzinhês resignou, o povo foi a votos e deu no que todos sabemos. Duronis, o Cherne; Lopes das Santanettes; Socretinnium, o Espertalhão e finalmente Pedrocas Coellum, os últimos três sempre acompanhados pelo nosso Grão Vizir Poncius que aproveitou o longo período de descanso, como reformado, para estudar o terreno, ouvir novos conselheiros, menos endinheirados, mas melhor estrategas, gente que acreditava que ele era o melhor para o reino. 

Tanto urdiu, tanto urdiu, mais dois tabus, cinco “não me pronúncio” e três “não foi isso que eu quis dizer” e eis que num dia lá vence as eleições e assume o lugar de Califa.

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