sábado, 28 de dezembro de 2013

Natal, Pedras, Ano Novo, Votos, Festas et al



Como é habitual nesta época, aqui deixo os meus votos de Festas Boas às pessoas cá da casa e a todas e a todos… sim, gosto desta nova moda de não generalizar, de particularizar, de discriminar positivamente os géneros e os sexos. Por isso aqui vai de novo:

Como é habitual nesta época, aqui deixo os meus votos de Festas Boas às seguidoras e seguidores deste casa e a todas e todos que esporadicamente aqui passam, agradecendo a leitura destas minhas postagens! Muitas Festas Boas! Bem hajam!

Para não ficar pelas generalidades, arrefecido na alma – e no corpo - por um motivo tão simples como um esquentador avariado, quero concretizar alguns votos, enquanto peço uma Cuba Libre com poucas pedras.

Também nos cruzamos, nas nossas vidas, com pessoas doentes de várias maneiras: umas doentes do corpo, outras da alma, pessoas que nos falam com duas pedras na mão, outras que nos escutam com pedra no sapato. Há outras ainda com pedras no interior do copo, nos rins, na bexiga, na vesícula…Outras ainda – e não tão raras como se possa pensar, em vez de coração têm uma pedra. Tive mais sorte, a mim, depois de uma reparação no telhado saíram-me apenas pedras no esquentador, o que me obrigou a um arrefecimento brusco dos ânimos… Por isso agora aqueço-me com a mentirita, como dizem os nuestros amigos de Cuba.

E assim, por que sei se encontrarem pedras no caminho vão fazer um castelo com elas, desejo que no 
ano que se aproxima, só encontrem pedras no interior dos copos e que os vossos amigos também não as tenham no interior dos corpos ou dos esquentadores, isto se lá quiserem ir tomar banho, claro. Vista bem a situação até pode ser uma oportunidade: Hoje estou com pedra no esquentador, posso tomar banho contigo?

Há que tirar partido das dificuldades, que vão ser muitas, como todos sabemos.

Das outras pedras e pedradas, hoje não é dia para falar!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Bem montada, ou talvez não...



Circulava relativamente devagar numa rua sem trânsito, num dia de inverno com sol forte. Quando me aproximei da única passadeira no horizonte, um mulherão decide começar a atravessar a rua. Com ar seguro mas petulante, avança lentamente pela passadeira, transformada por momentos numa passerelle improvisada. Pensei que aquela oscilação do corpo não se devia ao piso em paralelo da rua, nem aos saltos das botas, bem altas, que tapavam os joelhos mas deixavam antever um pouco das coxas, onde as faíscas das leggings encandeavam. Estava parado, calmo e tranquilo, enquanto o desfile na catwalk continuava. De repente parou, mesmo à minha frente, olhou-me por detrás dos óculos de sol grandes, espetou o braço e vi que tinha o que parecia ser um comando que, apesar de facilmente poder ejectar o banco do meu carro, apenas fez os piscar as luzes de um outro carrão estacionado, precisamente em cima da passadeira, a menos de dois metros de mim.

O carro, era de um modelo que estamos pouco habituados a ver em mulheres. Pelas suas dimensões e características é normalmente usado por gajos. Há até quem defenda existir uma relação de proporcionalidade inversa entre o tamanho do carro e outra medida, mas não comento, não vão tirar-se ilações pouco abonatórias da rapaziada, sem qualquer fundamento científico.

O comando não fez ejectar o meu banco, nem mudou a música do meu rádio, mas para além dos piscas do carro estacionado, fez com que um tipo se movimentasse em direcção ao bólide, abrisse a porta do lado direito e se sentasse. A portadora do comando terminou o passeio na passerelle, olhou longamente para a direita, deixando-me quase em transe (fiquei a pensar que me tinha diagnosticado alguma coisa na radiografia) e sentou-se ao volante. Fiquei com a esperança que, complementarmente, estivesse a fazer uma análise entre o tamanho do meu carro e outra coisa qualquer e precisasse de dados. Pelo tempo que demorou na passerelle teve tempo de fazer uma correlação linear usando o método dos mínimos quadrados…

Apesar de me apetecer ficar parado enquanto recuperava o ritmo cardíaco, achei que era muito óbvio, ficar à espera que arrancasse. Ficaria numa situação de ir atrás e achei que não era adequado. Decidi arrancar e deixar de interromper a rua, continuando o meu caminho. Os outros carros que entretanto estavam atrás do meu seguiram-me e já não vi mais nada…

Os carros são os substitutos dos cavalos e daí o título deste post. Não lhe faltavam cavalos debaixo do capot nem, seguramente, vontade de os domar. O meu lado selvagem ficou em stand by… Curiosa circunstância, voltei a encontrar esta domadora passados dois dias e … a história não acaba aqui.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Mais uma notas sobre a tesão



Resolvido o problema da tesão no feminino e que me trouxe ao tema, eis que sou apanhado num rastreio, numa iniciativa simpática de uns estudantes de medicina.

Antes de entrar no tema propriamente dito, deixem-me dizer que apesar dos cortes na saúde, tenho esperança que esta nova geração de estudantes de medicina venha a ser melhor que as precedentes. A quantidade de mulheres é surpreendente e são interessantes na sua maior parte. Os gajos pareceram-me fracos, mas muito simpáticos. Naquele ambiente fortemente competitivo o que temos, é o que seria de esperar…

Enfim, mais do que um feeling, foi a simpatia (pronto, o resto também) da estudante/voluntária que me levou a arregaçar a manga, com a ajuda dela, claro. Depois da manga arregaçada e bem envolvida por uma cinta preta, apertada, começa a bombar e foi o que se segui e que aqui descrevo.

Como dizia um tipo um pouco mais velho do que eu, na nossa idade também se leva, em vez de dar. E assim deixei-me ir ao ritmo das bombadas que ia recebendo…

Percebi pela cara dela que alguma coisa não estava a correr bem. Pensei que fosse a cinta, mas depois de um sopro de alívio senti que recomeçavam as bombadas, ritmadas até um novo sopro que libertou toda a tensão.

Faz-me perguntas sobre a minha família, o que me deixou a pensar…Pergunta-me se tenho ido ao médico, claro que não me conhece, pois saberia a resposta. Diz-me que tenho que ter mais atenção com o que como. Até tenho, disse-lhe. Não como tudo o que põem à frente! Faço o dieta, como o que gosto e gosto do que como.

Parece que ando com um superavit de atenção, atenção muito alta. Claro que ando, que tenho que andar atento, respondo a brincar…Como podia estar distraído numa situação daquelas? Pergunta-me o que faço e obedientemente respondo. Família, profissão, hábitos alimentares, tabaco, etc. Será que esta conversa pode ser para nos conhecermos melhor?

Não fumo há anos, mas tenho saudades…Quando digo a profissão diz-me que o excesso da tensão deve ser da tensão da actividade profissional, stress. Olho-a com atenção e penso que estou lixado…Deu-me conselhos úteis, como passar a ir ao ginásio, reduzir no sal, beber litradas de água em vez de pequenos copos de bebidas alcoólicas. Argumentei que não bebia, a não ser um copo de vinho em boa companhia, o que posso continuar a fazer, havendo companhia…Uff. Também posso continuar a dançar. Disse-me que podia fazê-lo sem problema nenhum. Outra boa notícia. Disse-lhe que medicamentos estavam fora de questão. Só de pensar dos side effects desses fármacos baixa-me logo a atenção!

Enfim, o lado bom da coisa e que passei a ir ao ginásio - há sempre imensa gente gira nesses sítios - posso continuar a dançar (e com receita médica) e neste momento o meu corpo já deve ser 80% de água, a avaliar pela quantidade que todos os dias meto cá dentro. Espero não congelar com o frio que tem feito!

Aguento-me assim, sem pílulas. Ai minha rica tesão que tenho que conservar a todo o custo…ou lá se vai com o tratamento para a tensão! É preciso dar mais atenção à escrita e à comida. Como diz o povo, quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão e aqui é preciso aguentar a pancada sem vacilar, nem esmorecer. Duro como uma pedra, mas sem deixar subir a pulsação!

Em suma, há que ser teso com a comida para não perder a tensão e para não ganhar demasiada atenção de profissionais da saúde. Que me desculpem as profissionais da saúde, que são de perder a cabeça...mas não dessa maneira!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Símbolos, Políticos e Polícias, uma escada até ao fundo.



Nunca imaginei que estas três palavras se relacionavam de forma tão pouco subtil e negativa, até há dias, quando vi no condensado de notícias das 24 a manifestação das “forças da ordem”, os comentários dos dirigentes sindicais e os dos políticos de serviço.

O pomo da discórdia são as escadas, que habitualmente se usam para subir e também para descer, sendo certo que neste último sentido a gravidade facilita muito o processo. Já o da subida parece que tem outra gravidade… Talvez não seja a de Newton.

Ora as escadas da casa dita da democracia, mas muito dada ao deboche, têm sido poupadas às subidas por populares, não confundir com elementos de um partido que se quer chamar popular, estudantes, estivadores, funcionários do estado – populares ou não. E para este resguardo das ditas escadas, guardadas a bom recato, apesar de muito expostas na via pública, muito tem contribuido as forças da ordem, de casse-tête em punho, bastão em riste, escudo de policarbonato à frente. Sem frete nenhum, até parece que com prazer, tem saído dos braços das forças da ordem a força para cumprir as ordens da democracia política. Isto tudo numa Polis em que já nem ninguém acredita, políticos, polícias, populares…

E tem sido assim, até há dias, em que as escadas, verdadeiras guardiãs das portas largas da dita democracia foram devassadas, à frente de todos. Foi quebrado esse último reduto do alegado respeito pela dita democracia: As escadas foram galgadas! Apetecia-me dizer montadas, mas soava muito a cavalgadas, na língua portuguesa, mas em cavalo de sela francês. E não podemos falar nesse tema, que lembra mais um imposto do M. Países Baixos, que tanto prometeu o contrário! Mais oui, nous somme frères!

Deixando estas manifestações sobre cavalos franceses (adorava ver o M. Assurance com uma máscara daquela manifestação) e voltando aos nossos manifestantes e às nossas manifestações, já com as escadas conquistadas – faltou a bandeira da democracia v 2.01, espetada – eis que um dos leaders, salta, desenlaca e atira com a bujarda do símbolo: Isto é um símbolo, disse bem alto para quem o quis ouvir.
E não se fizeram ouvir, nem se deixaram ver as bastonadas, as cargas, os bastões nem os escudos. 

Venceu a democracia, alguém disse. Só foram até onde quiseram ir, de forma simbólica. Lindo exemplo de respeito…Pena é que quem tem por missão fazer cumprir regras não as cumpra, para mostrar que tem força. Ou armas. Teriam a força da razão e ficaram com a razão da força, através das armas. Alguém dizia que não se repetiram os ” Secos e molhados”. Nem sei se por bem ou por mal, mas ficam algumas ideias para próximas manifestações.

Para a CARRIS e STCP: fazer circular os autocarros a 100km hora, não parar nos semáforos, mudar os percursos a contento dos motoristas. Como primeiras medidas, de iniciação à temática.
Para os Correios, agora que vão ser privatizados, sugiro não ler os destinatários das cartas e colocar os sobrescritos nos receptáculos de forma aleatória. Poderíamos ir mais longe e tentar um Mega POLAR POSTCROSSING com todo o correio distribuído em Lisboa, num determinado dia por exemplo.
Para os Metros de Lisboa e Porto, uma ideia interessante, poderia ser jogar ao um-dó-li-tá e, em função dos resultados abrir, ou não, as portas das carruagens, nas estações.
Outra ideia interessante poderia ser a troca de medicamentos nos hospitais, ou a troca de seringas usadas, numa nova roleta da democracia.

Mais haveria a dizer sobre o assunto, mas no caso dos polícias e independentemente de todas as razões que pudessem ter para fazer a manif (e acredito que as terão) o terem-se servido da subida das escadas como um símbolo, lembra as pessoas que querem subir na vida a partir da política. Sobem, mas descem na consideração de todos nós...E muitos subiram mesmo aquelas escadas. Outros entraram pela garagem.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Técnico Político e Técnica Política, uma questão não só de género, mas também de sexo



Depois do Inglês Técnico, chegou a Recessão Técnica. O nossoministro que já foi da defesa, passou ao ataque e que ainda teve tempo para empatar bastante o nosso tempo, anunciou que o país iria chegar ao fim da recessão. No seu bom estilo insistiu duas vezes no poderia…E também duas vezes no apodo técnica, imediatamente a seguir à palavra recessão.

Esta recessão não é a recepção do fim do túnel. É mesmo a saída para o ar livre, segundo a fonte citada. Não é preciso fazer nenhum check-out para sair da recessão técnica, nem check-in para entrar no paraíso, local mítico para onde iremos, não depois de morrer, mas depois do chamado período da troika. O pós-troika é o paraíso desta nova religião de técnicos políticos, malabaristas das palavras e trapalhões nos actos. Perdão, atos, porque ministros destes certamente escrevem com o aborto ortográfico. Reflectindo melhor sobre o assunto e vendo as recentes expressões usadas pela plêiade política portuguesa, deveria ter usado o “concerteza” palavra que em político técnico designa um certeza absoluta e indiscutível mas que pode não o ser dia seguinte…É uma questão de periscópio, consoante aponta a barlavento ou sotavento. Neste caso concreto estou em crer que aponta à ré (no sentido náutico do termo e não no jargão dos tribunais!) e, em função da esteira, vai orientando o rumo…

Algum leitor mais habituado ao meu género neo-barroco, soft-satírico, concêntrico, inspirado no nosso imperador da língua portuguesa (como me sabe bem ler um sermão, de vez em quando, perdão, de quando em vez), mas salpicado de influências vicentinas, pensará que estou a ser irónico com esta história do periscópio, mas não. E é aqui que se confundem os géneros e misturem os sexos…

Na técnica política moderna, os políticos, técnicos, são conduzidos por sondagens que, obviamente, ocorrem depois dos factos…É forçoso que seja preciso olhar constantemente para trás (sim, com s, eventual novo leitor, aderente ao AO, que aqui tenha chegado e fique com essa duvida) para conseguir seguir em frente…O caminho é sinuoso, pois claro…Experimentem conduzir um carro a olhar para o retrovisor!

Naturalmente não é este o caso dos submarinos. Esses têm radar e uns milhões de ferramentas de alta tecnologia – a técnica, a técnica – que os orientam. Como se vê nos filmes, basta colocar uma chave, para disparar, ou para outra coisa importante.

A ministra especializada em swaps que não faz poupança, mas apenas Formação Bruta de Capital Fixo, muito calmamente ao lado ouvia, como boa aluna, o discurso do novo mestre das técnicas e príncipe dos técnicos. Ela é técnica, ele não. Ele é político técnico e ela não percebe nada de política.
Paulatinamente as palavras saíam-lhe, e o Tio no remanso de uma sala pública deu-se conta deste novo milagre técnico-político. Quando convém aos políticos, as decisões são técnicas. Quando convém aos técnicos, as decisões são políticas… Bendita irresponsabilidade que nos arrasta até ao fundo, ao negro fundo do mar, onde não chegam navios nem submarinos. Nem os escavadores de documentos perdidos lá se atrevem a mergulhar.

Imagino que alguém com tempo se dedicará a uma tese sobre a metapolitica. Outros, como eu, prefeririam a matapolítica, mas tenho um tesão à minha frente que não me deixa ver nada, nem escrever muito sobre este tema muito mais interessante. Não são 600 páginas, é certo, mas o conteúdo também vale a pena e prometi-me a mim mesmo, reforço, tratar dela até ao final do ano…E esta é a realidade, nem sempre fazemos o queremos, mas o que podemos. Mas devemos querer, antes de mais! Temos que querer e tentar. Avancemos pois, contras os canhões e os submarinos!

Nota final: Já que falei no assunto, a Grécia, grandepotência económica da CE, não comparável com Portugal, comprou quatro trirremesde afundar, mas lá houve corrupção, que eles não tocam no dinheiro do estado. Só com luvas. O Touaki Toute Apolos foi preso… Quem é que chama Papanicolau, ou lá o que é a um submarino daquele tamanho? O que é que estava à espera?
Cá em Portugal, foi uma brincadeira apenas. Mal comparado,foram uns supositórios. Não custou nada. O gel lubrificante faz milagres. O ministério público pedia há dias o que se sabe para os arguidos no caso dascontrapartidas…Uns grãos de areia no sítio errado. Que desconforto!

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