terça-feira, 30 de agosto de 2011

Reforma antecipada

Exmo. Senhor Ministro das Reformas Antecipadas e das Nomeações Políticas,
Excelência,

O cidadão, abaixo assinado, António Bernardo Risos, vem muito respeitosamente solicitar a Vossa Excelência que se digne deferir o pedido de reforma antecipada e posterior contratação pelo estado, com o mesmo vencimento, para a mesma função, em regime de acumulação. Esta pretensão é sustentada pelo facto do signatário exercer a sua actividade profissional há mais de 40 anos, a saber:

1. Anos de actividade profissional no Algarve, enquanto residente no Porto: 5 (cinco)
2. Anos de actividade profissional no Porto, enquanto residente no Algarve: 6 (seis)
3. Acréscimo de anos, por deslocação da sua residência, com coeficiente 100%: 11 (onze)
4. Anos de actividade profissional no Porto, enquanto residente no Porto: 1 (dois)
5. Anos de actividade profissional no Algarve, enquanto residente no Algarve: 1 (um)
6. Acréscimo de anos, por actividade profissional na sua área de residência, com coeficiente 50%: 1 (um)
7. Acréscimo de anos, por desenvolver actividade profissional em região com mais do 50% de dias com sol: 5 (cinco), ou seja 5 anos a 100%
8. Acréscimo de anos, por desenvolver actividade profissional em região com menos de 50% de dias com sol: 6 (seis), ou seja 6 anos a 100%
9. Acréscimo de anos por stress de deslocações: 2,2 (dois anos e duas décimas de ano), ou seja 11 anos a 20%
10. Acréscimo de anos por stress de trânsito em zonas balneares: 1 (um), ou seja 5 anos a 20%
11. Acréscimo de anos por stress de trânsito nos períodos “in itinere”, em estradas com grande probabilidade de encontrar turistas oriundos do Reino Unido, África do Sul ou outros países com circulação à esquerda: 2 (dois), ou seja 5 anos a 40%
12. Acréscimo de anos por risco de encontrar famosos em praias públicas: 5 x 126 dias x 50 %= 315, arredondado, 1 (um ano), valor mínimo definido por lei para este acréscimo.

O signatário aceita que o reembolso dos 1,2 (um ano, 4 meses e 13 dias) de actividade profissional que já exerceu a mais do que os devidos 40 anos, lhe sejam pagos em simultâneo com os seus direitos vencidos, na data em que lhe vier a ser concedida a aposentação.

O signatário explicitamente declarara ainda que aceita ser colocado no mesmo lugar onde agora exerce a sua actividade, no caso de lhe vir a ser deferida a sua pretensão.

Espera deferimento,

De Vossa Excelência, muito atentamente,


António Bernardo Risos

sábado, 27 de agosto de 2011

Pastéis de feijão

Gosto de coisas doces. Não exageradamente doces, da mesma forma que não gosto de pessoas dengosas. Há uma doce certa de açúcar que agrada e me faz querer um bocadinho mais. Se for exageradamente doce, enjoa. Se for de menos sabe a pouco e perde o interesse. Não faz jus ao nome…

Para além do açúcar, também a apresentação é muito importante. Uma apresentação cuidada, mas sem exagero de enfeito, que não se sobreponha ao conteúdo (neste caso o recheio do pastel de feijão), mas que desperte a atenção e entretenha o olhar…

E por último a textura, que se pretende aveludada, que deslize na língua, sem a agredir, mas que provoque alguma resistência, paras melhor saborearmos…

Enfim, estou a falar dos pastéis de feijão da pastelaria do patronato de Mangualde e quase me distraía. Desconheço se são candidatos às nãos sei quantas maravilhas gastronómicas de Portugal, mas poderiam ser…E é pena que não estejam listados neste site

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A escrava Zara

A escrava Isaura é uma obra de ficção de Bernardo Guimarães, do final do séc XIX, transformada em novela no séc XXI.

A escrava Zara também é do séc XXI. Desconheço se será obra ou ficção. O estilo infelizmente é comum, apesar de pouco noticiado…


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Nelas, Manelas? Força nas Canelas!


Foi preciso vir a tríade da Europa para falar de assuntos sérios e incómodos…. Com ar simples da sapiência que advém do bom senso, aliado certamente a uma discreta inspiração divina e aparente inocência lobística (não me rendi ao acordo, mas um neologismo dá um ar de intelectual, que fica bem), e que me faz pensar que os deveríamos considerar uma espécie de santíssima trindade terrena, lá falaram dum assunto tabu em Portugal: A necessidade de reduzir o número de Freguesias, Câmaras Municipais e outras que tais!

No meu passeio pela Beira Alta, passando em Nelas, lembrei-me das minhas primas de Canas de Senhorim, que fecharam a porta e não querem mais nada com ninguém. Ou pelo menos com desconhecidos, onde discretamente se inclui o Tio...Um pouco à imagem da realidade local. Recordo aqueles posts sobre Canas e a luta, pela elevação de Canas a concelho. Canas de Senhorim é uma terra deliciosa, com um Carnaval fantástico, com gente muito especial (certamente é a vila com mais blogs activos por cidadão, em Portugal), mas Nelas é a sede do Concelho e, pelo que parece, durante alguns anos ostracizou a bonita localidade de Canas…

Ora pode vir desta trindade terrestre e europeia a solução para este conflito, com um gesto simples! Aqui ficam várias possibilidades:

1. Concelho de Canelas, com a integração de Canas e Nelas
2. Concelho de Manelas, com a fusão de Mangualde e Nelas (lembrem-me de falar nos pastelinhos de feijão de Mangualde, sff)
3. Concelho de OHnelas, com a fusão de Oliveira do Hospital e Nelas
4. Concelho de Cacanelas, com a fusão de Canelas com Carregal do Sal

São várias possibilidades que não me chocam, desde que o Carnaval de Canas se mantenha por muitos e longos anos. O folclore da política pode abrandar, e Canelas pode servir para a opção 4, desde que se mantenha também o Carnaval de Cabanas de Viriato e se recuse liminarmente, nesta nova toponímia, a tentativa malandra de Cagarnelas.


domingo, 14 de agosto de 2011

Sonho de fato

Acordo e levanto-me. Tem sido sempre assim. Às vezes durmo menos, outras vezes pouco ou nada, mas levanto-me sempre. Muitas vezes a vontade é pouca, mas consigo sempre.

Levanto-me e vejo nas costas de uma cadeira do meu quarto o seu fato de treino azul.

Já lá estava quando me deitei. E tem sido assim nos últimos tempos… Invariavelmente. Sempre no mesmo sítio.

Recordo os nossos projectos de caminhadas, de ginásio, de tudo… E nada. Mas continua lá o fato, deixado por umas horas, que ficou como se fizesse parte da decoração do quarto. É um projecto adiado. É um facto.

Projectos? Sonhos?

Visto o meu pijama, como se de um fato se tratasse. Ando de fato, sonho de facto. Andarei a sonhar?

Adormeço e sonho. É um fato de sonho…

sábado, 13 de agosto de 2011

Tetos e tetas. Pequenas subtilezas, grandes mamas.

Ao que parece, a palavra tecto e seus derivados passou, graças ao maldito, a escrever-se como teto. Digo ao que parece, porque não quero mesmo saber e, enquanto me deixarem, escreverei sempre tectos, para me referir a essa superfície que forma a parte superior de uma casa, ou ao limite máximo de uma certa variável como, por exemplo, tecto salarial.

Quando acordei esta manhã pensava assim, mas estava enganado! Afinal há uma lógica, apesar de muito pouco evidente, no famigerado dito e maldito Hacordo. Mas, confesso, só a percebi quando ouvi o nosso ministro das finanças, calmamente explicar a situação, em directo numa Entre-vista e pouco-ouvida com a Judite de Sousa.

E, diga-se em abono da verdade, foi calmo e conciso. E tentou explicar (apesar da JS – não confundir com a minha querida prima, sff - quase não ter deixado), a diferença entre orçamentar e executar um orçamento. Cumprir o orçamentado! Não fosse o Mestrado em Vela de Cruzeiro, talvez me assaltasse essa dúvida (assim sou assaltado doutra maneira). Traçar uma determinada rota e fácil, mais difícil é cumpri-la. Evidente, caro Watson... Enfim, deixo-me de devaneios e vou à questão fundamental.

Percebi finalmente a subtileza do Hacordo quando ouvi que havia um teto para o endividamento das empresas públicas e despesa pública. O oráculo da TVI mostrou, quiçá por engano, a palavra “tecto” em vez do que agora parece correcto “teto”. Ora os tetos não podem ser discriminados, e o correcto seria tetos e tetas, o que nos teria levado directamente para a conclusão que há tetos para alguns e tetas outros….

Assim fica tudo mais claro, uns ficam com os tetos, ou outros com as tetas. Será uma distribuição normal? E agora quem nos vai fazer os testes? Sai já um Kruskal-Wallis, ou chamem a troika, com urgência.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tia, Tia, Tia...

Ultimamente tem-se falado muito nas dificuldades futuras e da necessidade crescente de clarificar conceitos. Sob a forma de dicionário (a minha influência pré Bolonha é muito marcada), aqui vão algumas dicas sobre a Tia. Estes conceitos podem ser encontrados num bom Ticionário, escrito em Algarvio.


Carestia – Tia muito cara
Eucaristia – Tia muito católica
Empatia – Tia com que nos damos bem
Fatia – Tia que foi retirada do local onde pertencia
Tiamina - Tia com muita vitamina, mas do lado B
Tiago – Tia muito prafrentex
Tiã – Amuleto usado por algumas tribos.
Tiã (2) – Fim da palavra “soutien”, por vezes também escrita como sutiã.
Sutiã – o seu Tiã
SUTIÃ – O mesmo que Tiã, mas maior
Tia – Hotel no centro de Riga
Tia (2) – Mulher de Tio
A Tia – A Tia do Tio
Tiá – Tia muito surpreendida
Tiazinha – Tia sensual
Tia Time – Tempo passado com a Tia
Tia Time (2) – 17h00, hora do chá, em inglês macarrónico
TIA – Acidente isquémico transitório, em Inglês não macarrónico (Transient Ischemic Attack)
Tia Anica - Tia de Loulé, se gostar de sniffs
Tia Anica (2) – Tia da Fuzeta, se tiver saia com barra preta
Tia Maria – Licor de Café
Tia Tula – A Tia do Miguel de Unamuno
Tia, Tia, Tia – Filme épico com guião do Tio do Algarve sobre a Tia com colar de pérolas

sábado, 6 de agosto de 2011

Nomeações, nomeações, quem as tem chama-lhes suas…

Há um aforismo popular que diz que mais vale uma nomeação na mão do que duas promessas a voar…

Neste caso, como diria um vendedor de banha da cobra de qualquer feira, não é uma, não são duas, não são três, mas sim quatro, de oferta, a juntar às outras sete. E fica com onze, mas pelo preço de sete! …. Dito pelo vendedor de feira, empoleirado no camião, com um microfone ao peito e altifalante pendurado na cabine talvez ninguém acreditasse. Agora dito por um homem que viaja em turística para ficar mais barato e poupar dinheiro, já acreditamos…

A minha fonte foi a Bola. Nunca li a Bola, mesmo com a polémica entre o José Diogo Quintela e o Miguel Sousa Tavares. Espero que o José Diogo tenha marcado mais golos nesse jogo, mas nem isso sei. A Bola surgiu por acaso quando no Google escrevi “novos administradores da CGD” e fiz “enter”…. Foi assim que a Bola surgiu na minha vida (já se sabe que o Tio é do Sporting…), mas acho que fiquei “fan”. A Bola, como jornal desportivo que já foi tri-semanal e agora é diário é o meio de comunicação ideal para saber o que se passa no governo. Eles estão habituados a entrevistar jogadores de futebol, árbitros, dirigentes desportivos, muita gente ligada ao desporto rei numa república das bananas e outras frutas… Eles têm esse Know-How de ambientes difíceis onde, para além das frutas se fala de corrupção, mas todos os processos são julgados e concluídos. Condenados? Sim, estamos condenados a mais do mesmo…

Neste jogo nós somos os adeptos que vemos o nosso clube, perder, perder, mas continuamos fiéis ao clube, vemos os jogos desportivamente e no café falamos um bocadinho mal do árbitro…
Fiquei cliente da Bola apenas por esta notícia magnifica onde o nosso primeiro diz que: «Nem é mais caro nem traz mais administradores», O nosso primeiro diz ainda que: «A Caixa não tem mais despesa do que tinha antes. Estou convencido de que este novo modelo de governo da CGD está mais adequado aos desafios. Não foram aumentados o número de administradores executivos. Optámos por extinguir o conselho fiscal e converter a auditoria para dentro do conselho de administradores, mas como não executivos».

Quem fala assim não é gago, e quem remata assim não é coxo!

Enfim, a ideia é gira e interessante. Plagiando, criativamente, um grande autor inglês eu diria que só é pena que as partes originais sejam divertidas e que as partes divertidas sejam originais e façam mesmo rir… O Conselho Fiscal que supostamente fiscaliza a actuação da Administração, desaparece, sendo o Conselho de Administração aumentado, passando alguns membros, eventualmente não executivos (ri-me à gargalhada nesta parte), que vão fiscalizar os colegas…Enfim, a ideia é deveras original. E não e mais caro ter onze do que sete! Nem sei porque todas as empresas não fazem da mesma forma. Resolvíamos muitos problemas… Precisa de gente? Contrate 11 e pague-lhe o mesmo que pagava a 7… Como seria bom se fosse verdade…Mas porque onze?

São onze, porque são tantos, quanto os ministros. Se a legislação permitisse seriam em número par e talvez desse para mais um, doze. Não o mesmo número dos apóstolos, mas sim uma dúzia, que ainda saía mais barato… Era o habitual 12/13. Na compra de 12, oferecem um e ficam 13 pelo preço de 12!!!! Mas agora é preciso dar mais! E concordo! Eu por mim comprava um 2/3 ou um 5/7…Assim tenho que gramar com 11, que não quero…A menos que haja alguma cabala com o número 11, que também é o número de motoristas do nosso primeiro…. 11 Ministros, 11 Motoristas 11 Administradores. Bem-vindo ao 11…

De certeza que isto tem algo a ver com o famoso restaurante 11, também conhecido pelo seu nome em inglês, o Eleven. Podemos compreender esta teoria se tivermos em conta que Eleven, em Tiologia é derivado da palavra francesa “élève”, que como toda a gente sabe, significa aluno, discípulo! O nosso primeiro quer mostrar que ainda está a aprender! Está agora na fase da dialética socrática, que não deixou saudades: “Les travaux pour les élèves”, fica muito melhor que a homóloga britânica dos “jobs for the boys”. A homóloga, desta vez também não fica sozinha, leva companhia. E não é pouca!

Enfim, não é fácil perceber esta linguagem cripto do nosso desgoverno mas, com recurso ao Ticionário, conseguimos.

Ao terminar esta nota, vejo que há um Secretário de Estado que apenas nomeou um assessor! Como é possível? Como é que ele pode trabalhar? Deve ser altamente improdutivo… É preciso dizer-lhe que há ministros que já passaram das 50 nomeações! E aproveito para esclarecer que o nomeado por esse secretário de estado não foi um assessor para as redes sociais! Como é possível?

A bem da poupança. O vosso Tio, muito poupado,


António Bernardo Risos y Gargalhadas

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