domingo, 23 de janeiro de 2011

Nobre voto, voto nobre

Recordei, e desta vez com nostalgia, a sofreguidão pelo voto. Não a sofreguidão dos políticos que vendem o pai, a mãe, a família toda e projectos de maisonettes em Castelo Branco e noutros locais, alteram PDMs, que conseguem reformas para as avós, internamentos em instituições para tias velhinhas, e tudo o que se possa imaginar, pelo voto do cidadão quase anónimo que salta para ribalta das atenções políticas quinze dias antes das eleições. Falo da sofreguidão do povo, dos cidadãos anónimos, que passavam verdadeiros sacrifícios para exercer o seu direito de votar…as imagens dadas pelo preto e branco da televisão, pareciam mais tristes e o sacrifício de quem esperava horas em filas, parecia maior. A mim afigurava-se como gigantesco, épico até…

Hoje começo a pensar que essa sofreguidão do final da década de setenta e nos anos 80, se deveu à imagem, realidade para muitos, da dificuldade de exercer esse direito durante muitos anos, ou à constatação de que nessa altura talvez fizesse diferença cada um dos votos. Que o voto de cada um contaria, que seria importante…

Hoje não tive dúvidas que valeu a pena o esforço de tantos que colaboraram nesse primeiro recenseamento eleitoral, onde milhares de pessoas afluíam a Juntas de Freguesia, Câmaras Municipais, etc, para dar o seu nome, para se inscreverem para votar.

Hoje senti-me livre. Livre de engolir sapos, livre, de tretas como o voto útil, livre de preconceitos como os que têm surgido a todo o momento durante a campanha, livre de não participar em sondagens, livre de acreditar que o voto pode ser uma lição para muitos.

Hoje fartei-me de tabus, de nãos que podem ser sim e de sins que podem ser nãos, de nims, de salvadores da pátria, de pessoas únicas.

Hoje fartei-me também de democratas que alegremente querem uma regra para eles e outra para os outros, que têm a igualdade na boca, os cohibas no bolso e a perdiz à mesa do jantar.

Hoje fartei-me de teclas 3, defensores do contra, de pessoas que se afirmam pela negativa, por ser contra qualquer coisa. Fartei-me de demagogia.

Hoje lembrei-me do que escrevi a propósito de esperança. E de esperança adiada


Hoje senti que o voto pode ser nobre!

8 comentários:

  1. Eu votei na única pessoa que me pareceu ser limpa, livre dos meandros da politiquice nacional. Também senti um certa "nobreza" ao votar...

    Abraço!

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  2. Nobre lançado por Mário Soares... e só agora, a verdade está a vir à tona, mas que eu já tinha alertado... foi mesmo mais um embrulho para enrolar o povinho com um paninho branco com muita sujidade escondida e para tentar, aproveitar esse desejo de um mundo melhor.
    Mas os portugueses têm de acordar depressa e sem baixar os braços, ver todos os gatos escondidos com o rabo de fora... ou, então, estão mesmo fritos.

    Bjos

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  3. Rafeiro,
    Há dias assim. E ainda bem!
    Abraço

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  4. Isa,
    Essa questão dos irmãos desavindos, desde as últimas presidenciais agudizou-se (estou a usar a tua terminologia)...Trocam-se os nomes e os estados de alma.
    Por isso, independentemente de quem o chamou, o melhor é aproveitar o médico novo, porque os outros já conhecemos e não fazem nada ao doente, que está cada vez pior!
    Bjs

    PS: Desculpa, só lhe aplicam sanguessugas, mas à semelhança das empresas, o doente não melhora.

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  5. Mas também não vai ser com abstenção que isto vai melhorar e nisso, devemos estar de acordo ou não?

    E Tiozinho, veja lá bem essa do Nobre porque parece mais estar a colar um desejo, o que é muito diferente... daquilo que nos está a ser servido... como uma espécie de erro de namorados... cada um imagina o outro como queria que ele ou ela fosse, mas, às vezes... a realidade é completamente oposta ;)

    Bjos

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  6. Eu votei porque gosto de usar os meus direitos e de cumprir os meus deveres, lutou-se muito para o pudermos fazer em liberdade.
    As palavras que tanto nos cativaram começaram a ser deturpadas por politiquices adquiridas à volta de um "balcão" de um "bar" quiçá de "alterne".
    Normalmente não vou em conversas do disse que disse, nem digo coisas que não vi...
    Votei em Nobre porque sei quem ele é e sei que ainda não foi infectado por nenhum vírus desse tipo de doença...(pode vir a ser...não sei!)
    Como sou democrata tenho que aceitar alguém que foi eleito por menos de um quarto dos portugueses.
    Abracinho meu!

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  7. Isa,
    Com a abstenção o doente não melhora, mas um cidadão que se dá ao trabalho de ir votar e vota em branco, é porque não acredita no sistema e quer mostrar isso. Respeito. Quem não vai votar faz mal, na minha opinião...
    Votar, seja em quem for, é uma maneira de nos manifestarmos. Votar num candidato fora do sistema é mostrar que se está farto dos outros...
    Bjs

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