terça-feira, 17 de abril de 2012

Nudez, Inocência, imunidade e impunidade


 Muitas vezes associamos a nudez à inocência, à pureza do corpo e do espírito….Outras vezes associamos ao pudor, mas não a associamos à impunidade, o que hoje procuro fazer.

Há algum tempo era comum ouvir-se, como expressão em que se pretendia apontar uma pessoa que criticava outra com as mesmas características, ou padrões de comportamento: Diz o roto ao nu… E este nu nada tinha de inocente.

Hoje as regras mudaram completamente e ninguém usa essa expressão. Durante algum tempo pensei que seria por andarmos todos com alguma dificuldade em mudar o guarda roupa, por serem cada vez mais frequentes os casacos com brilho, as calças puídas, as golinhas das camisas a acusarem desgaste, para não falar nas meias rotas. Sim, não há quem as cosa e as de fabrico chinês pouco têm a ver com a qualidade do algodão egípcio. Aliás o próprio Egipto já não é o mesmo e o moderno Egito já não tem egípcios. Tem egitos que não querem saber do cultivo do algodão.

Mas nem tudo é pior hoje. Falamos muitos mais no nu. Ò nu, para a esquerda, ó nu para a direita, ó nu para cima e ó nu para baixo. Ele é ó nu para todos os lados e toda a gente sabe tudo sobre esse ó nu… Portugal como grande país moderno não podia ficar para trás. Não temos esse ó nu, mas temos o roto, o andarilho, o andrajoso, uma série de variedades muito mais enriquecidas. Também não temos o Ban Ki Moon, mas temos muito melhor, o Banco Imune a todas as investigações, processos, também conhecido como Banco ParaNegociatas ou o Banco Para Néscios…

Entristece-me pensar que a inocência esteja tão mal distribuída, que haja pessoas a acreditar que a culpa do Banco Imune é do BI,duas simples letras que representariam o Bilhete de Identidade… E, mais do que essa inocência imune a qualquer contágio de honestidade, revolta-me a impunidade para uma clique de andrajosos morais, vestidos com fatos Boss, Zileri, Zegna, ou outra marca qualquer não acessível à maioria dos portugueses. Longe vão os tempos em que nos referíamos a alfaiates, que nos faziam fatos à medida. Hoje, à medida são os tachos, as leis, os concursos que, de forma pomposa, saloia e errada, são designados procedimentos concursais (espero ter tempo para escrever sobre esta terminologia do socretismo).

Hoje são os fatos que fazem os homens… Os factos é que são feitos à medida de uns e do interesse de outros e apresentados nessa montra rectangular electrónica, que dá pelo nome de televisão, à medida da ignorância do povinho… E não há acordo que me convença do contrário.

E quantos de nós, te tão expostos, ficaremos imunes a este contágio de pobreza moral, cem vezes pior que a gripe mais feroz?

14 comentários:

  1. Quanto à expressão diz o roto ao nu... uso-a muitas vezes :D

    Quanto à pobreza moral, não aparece como vírus casual nem nasce tipo erva daninha, ela é mesmo cultivada, apaparicada, adornada para que pareça o mais natural possível e depois, o artificial passa a natural e temos um aborto de sociedade, bem nuinha, crua e completamente pejada de idiotas convencidos... alguns dos quais bastante abonados que vão continuando a alargar as estufas para que nunca se acabe a pobreza moral.
    Como o exemplo vem de cima, ela alastra como fogo em palha seca.

    Bjos

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  2. Também penso assim Isa, e os exemplos são cada vez piores...
    Bjs

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  3. Completamente de acordo com o seu texto, acho que este vírus propaga-se a uma tal velocidade que dificilmente resistimos imunes.
    Um texto muito sério com a ironia inteligente a que o tio já nos acostumou.


    beijinhos

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    1. Fê,
      :-)
      Custa-me que já ninguém ligue nada a este surto infecciooso...
      Bjs

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  4. Tão profundamente verdadeiro... Difícil resistir no meio de tanta miséria travestida de glamour!

    P.S. Eu sei coser meias! ;)

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    1. Sim, e cada vez se vestem melhor.. :-)
      Uau!!! A sério? E botões também, que deve ser mais fácil! Fantástico nos nossos dias!

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  5. Este texto seria hilariante se não fosse tão verdadeiro.

    Não, nem com a constante exposição seremos (todos) contagiados por esta epidemia. Há clarividência e até correcção ortográfica neste seu artigo.
    Haja alguma esperança que os valores se expandam e se venha a dar a reviravolta ou melhor ainda, REVOLTA ...

    By the way, coso botões e ponteio meias ... só já não viro colarinhos :)))))
    Beijo

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    1. Ná,
      Agora há muito quem vire a casaca, em vez do colarinho :-)

      E por pouco dinheiro!
      bjs

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  6. Bom fim de semana, Tio.
    Com as previsões a apontar para mais chuva, deixo um beijo chorudo :))))

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    1. Obrigado! Também para si...
      O meu fim de semana começou no Domingo à noite!
      Bjs

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  7. Afinal este post é sobre costura... e entre ponto aqui e outro acolá, lá vamos remendando. Mas vendem-nos polyester por algodão todos os dias e ainda lhe chamam produto natural. E o pior, é que nos dá comichão, mas sem ele, andamos todos despidos, pois como dizes, o algodão puro deixou de ser cultivado! É natural que quando misturamos as cores na máquina de lavar, algumas desbotem... quantos ficarão da mesma cor, é difícil de avaliar. Sinto-me suja, sem sequer me ter vestido. E andam tantos com fatos policromáticos que lavam as mãos e julgam que o fato torna a ficar imaculado... E agora, lembrei-me que tenho de ligar a máquina da roupa, :)))))) beijoca

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    1. Eva, Cuidado com a conta da electricidade. Eu só ligo a minha máquina à noite...
      Bjs

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  8. Tiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiioooooo! Há mims no meu blogue p ti!

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    1. Lótus, Fui agora mesmo ver, mas não tenho possibilidade de responde, agora. Sorry!
      :-)

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Hmmm! Let's look at the trailer...

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