quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cuidado com a língua. Ou com os dedos…


A língua, esse terrível instrumento de sedução a que já me tenho referido, e de que tanta gente em situações difíceis se serve, também pode servir afinal para fazer perder uma causa...

O velho ditado “enquanto houver língua e dedo … ” tem hoje uma nova formulação e uma dimensão que povo acharia impensável, mesmo com a mais vibrante imaginação (cuidado com as vibrações). O dedo tem, hoje em dia, vindo a substituir a língua ou, melhor dizendo, a língua tem vindo a ser substituída pelos dedos. Sim, sei que poderíamos usar estas duas ferramentas, potentes auxiliares da comunicação humana, afincadamente em conjunto com outra, mas não. Os dedos vieram e conquistaram o seu espaço próprio.

Esta tendência manifesta-se sobretudo nos mais jovens, mas tem alastrado a todas as gerações e a ambos os sexos. Não se pense que é exclusivo de um só sexo…Vejo com frequência senhoras já com idade respeitável a usar os dedos, dedilham afincadamente, muitas vezes com menos discrição do que seira de esperar. Os homens também dedilham, e bem, apesar de podermos ser sempre melhores, na opinião delas…

E a língua? A língua de Camões tem vindo a ser esquecida nesta nova forma de comunicação onde os telemóveis e os laptops e outros tops são cada vez mais frequentes. Acho inacreditável que se use uma mensagem para escrever uma coisa que podia ser dita, obtendo resposta imediata, mas compreendo os pequenos bilhetinhos de amor via text.

Diz o povo, sempre com razão, que pela boca morre o peixe mas, como falamos cada vez menos e teclamos cada vez mais, será agora “pelos dedos morre o peixe”? Pois que seja. O que e não quero é usar os dedos (e uso quase todos) para criticar o desgoverno do país e vir a ser escolhido para secretário de estado de qualquer coisa. Não quero, mesmo que fosse Secretário de Estado da Dança, porque a dança das cadeiras não faz parte dos meus gostos. Vejam as últimas nomeações e percebe-se do que estou a falar, perdão, a dedilhar. Escrevem uns post a bater no governo e ... zás, ei-los com cargos no desgoverno!

E se fosse ministro, já que dos socretinos aos coelhones e coelhinhos nenhum me tem escapado? Aí cito Augusto Gil, que vale a pena recordar sempre:

“Fiz asneiras abundantes e a maioria delas em verso rimado. Versejar na época recorrente é ridículo, é vexatório, é indecência fóssil. Todavia, há pechas mais degradantes: ser pederasta, ou rufião – ou ministro …. Perdoem-me o emprego desta palavra obscena.”

E eu não faço versos... Pior ainda!

PS: Este pedacinho do Augusto Gil foi tirado daqui. Para a semana volto para me dedicar à vizinha na varanda e prestar mais uma homenagem. À vizinha e ao Augusto Gil... Disse dedicar e não dedilhar. Repararam?

6 comentários:

  1. Reparei sim! Embora o consiga imaginar a dedilhar a vizinha, já o Augusto Gil não! :):):)
    Abracinho meu!

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  2. É muito observadora a Maria Teresa...Vamos dedilhando por aí!
    Bjs

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  3. Fiquei curiosa, confesso,
    Em conhecer mais do poeta
    Que até agora desconheço.

    Faltou-me um verso pra quadra
    Faço-a na próxima vez
    Não é um caso de esquadra!

    Está na hora de ir dormir
    Hoje isto não está pra versos
    Pois estou de sono de a cair.


    Beijinhos rimados à mão
    No rosto dou-tos pra próxima
    Estes são pro coração!

    (^^)

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    Respostas
    1. Afrodite,
      Que verso giro! Isso é que é talento. E fica a promessa dos beijinhos...
      A história com a vizinha está para breve.
      bjs

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  4. Vou achar muito estranho quando vir alguém a comer gelado com os dedos. Abraço!

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Hmmm! Let's look at the trailer...

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