quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Regresso à adolescência ou a descoberta do cérebro do lagarto

Jantar tranquilo, reviver bons momentos do passado, fazer planos para as próximas horas e, sobretudo para os próximos dias. Comemorar um dia especial, num sítio simples, mas habitual para este dia. A noite estava a pedir um copo e a fazer desejar o fim-de-semana, mesmo à segunda-feira. Seguimos sem saber para onde até que um semáforo vermelho na Avenida da França nos parou. Um Acelera também resolveu respeitar o semáforo, apesar do pé no acelerador revelar impaciência.

Verde. Sem qualquer explicação e que sequer o pudesse imaginar alguns segundos antes, sinto a adrenalina, enquanto meto a 2ª, a 3ª a 4ª e sem tempo de chegar à 5ª ou 6ª estou no cruzamento com a Constituição. O Acelera ficou para trás. No limite, volto à segunda, faço a curva e estou na Pedro Hispano. Vermelho, de novo, e volto a parar no cruzamento com a Domingos Machado.

O Acelera, que entretanto chegou, está louco, a avaliar pela forma como carrega no acelerador. Fica vermelho para os peões, inexistentes, aquela hora. Provoco-o, apesar do meu carro não fazer barulho, nem ter nenhum CD com Kuduro Progressivo a bombar. Ouço o I Feel Fine, duma colectânea dos Beatles. Penso no jantar, imagino-me a subir o viaduto e virar à direita, para descer para a via rápida. Volto a pensar no jantar e, mais do que isso, na companhia. Acordo para a realidade. Decido não arrancar, quando vem o verde. Vejo o outro carro a afastar-se, quase no cimo do viaduto. Ganhei! Foi o que certamente pensou. Imagino a frustração de não ter tido luta. Calmamente faço a curva e descendo, entro na via rápida, onde volto a parar, noutro semáforo.

- Foi para me impressionares, ou apenas para mostrar que o cérebro do homem tem uma grande semelhança com o do lagarto? Rio-me, com vontade enquanto volto a arrancar.

Não me recordava de uma cena destas e procuro na memória até recuar ao tempo em que me servia da mota para impressionar as miúdas. E recordei, sem nostalgia, o acidente que tive há séculos na Avenida Camilo e que impediu que tivesse ido a um almoço em casa dela. Acabámos, nesse dia, e noutros, por ficar na minha…

Continuo a ouvir “I Feel Fine” e percebo, finalmente, o sucesso que teve.

2 comentários:

  1. É bom "ler" o que passa pela mente de um homem...Pensava que teriam "acessos" desses mas nunca os tinha lido numa confissão.
    "Voltar" à adolescência quando ela foi "normal" e bem equilibrada é muitíssimo bom...
    Abracinho

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  2. Maria Teresa,
    Obrigado! Não me costumam acontecer coisas destas, mas... que las hay, hay ;))
    Beijinhos

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Hmmm! Let's look at the trailer...

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