quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Fatura e fartura



 Já recebi pelo menos 5 emails da autoridade tributária e aduaneira sobre a e fatura. O carinho especial que tenho por todas as autoridades e entidades reguladoras está ao rubro e deve ser recíproco, a avaliar pela quantidade de bits que me enviam…Este meu particular agrado por estas missivas electrónicas, tem uma razão adicional: o uso do acordo hortográfico (sim já expliquei porque subscrevo este acordo e não o outro, o dito acordo ortográfico). A palavra fatura é detestável e em tal profusão só me lembra aquela fartura, não que ficou por comer na última Feira Popular, mas a quantidade exagerada de gordura associada habitualmente ao processo de fritura. Seja para fartura ou para uns couratos…

É porque estamos fritos, pensará quem vier a ler esta postagem, mas tenho que dizer que não. A fartura e a gordura remetem apenas para as tais gorduras que iam ser tiradas do estado e que teimam em não sair. Para variar, o pedro e o vitor (sem c, de c….), enganaram-se na receita. Em vez do Xenical meteram uns Xanaxs e agora o sonho substituiu a gordura… E o sonho deles é o nosso pesadelo…

Já não são elefantes cor-de-rosa, são contribuintes gordos e anafados que escondem o seu pecúlio em máquinas registadoras anquilosadas, atrás de balcões de mercearias velhas, onde já não entram clientes há séculos. São cabeleireiras possantes e mamalhudas que escondem as notas no toucado, que almoçam na sopa dos pobres e jantam no Tavares, acompanhadas de obesos proprietários de cafés que escondem as moedas na gaveta dos panos da louça…São estas personagens de ficção que habitam os sonhos dos pedros e dos vitores do país…

Evidente que é preciso fazer muita coisa para evitar a evasão fiscal. Mas em vez do combate à evasão o governo preferiu a invasão fiscal de quem já paga. Nunca compreendi a fraude fiscal nem pactuei, ou pactuarei com essa contabilidade criativa que assolou as empresas até há bem pouco tempo e que levou a que apenas 20% das empresas apresentassem lucros, num ano muito recente de crescimento económico e de grande fartura. Se querem, de facto, combater a evasão fiscal, deixem os contribuintes deduzirem nos seus rendimentos as suas despesas pessoais, sejam despesas contraídas de fato, de gravata, de fato-macaco ou de bata de cabeleireira… Desde que sejam despesas de facto, significa que houve factura, se houve factura houve pagamento de IVA e quem a emitiu vai naturalmente pedir o mesmo a quem lhe forneceu os bens ou serviços… E o sujeito passivo se souber que pode deduzir nos seus rendimentos vai de certeza pedir um documento comprovativo do seu pagamento!

Se a dedução for pequena, ou praticamente nula, como é o caso, a única razão para pedir factura ou fatura é obrigar a que o fornecedor, de facto, facture sem haja grande benefício para quem pede e paga, a não ser alguma remota satisfação de obrigar o outro a fazer o que deve. Parece-me pouco no momento actual. Parece-me que o envolvimento dos cidadãos no governo da nação é fraco. Estou em crer que até há alguma animosidade, o que leva a que seja difícil alargar esta medida à população. E assim, o que poderia ser uma boa ideia, vai ter um resultado muito aquém do que poderia ter…Marketing Miopia? Não. Aqui estamos a falar de Government Miopia, para plagiar o Theodore Levitt. No entanto a avaliar pela fartura de discurso que já me referi aqui, parece-me preferível que o governo ponha os óculos, em vez de andar a lamber a alcatifa… People Miopia, seria o nome que o António Bernardo daria a esta gente…. Ahhh meu querido Marketing, onde andas tu? Fugiste com a razão e o bom senso e mais ninguém vos viu…

PS: Hoje dia 9 pedi uma factura num café. Dei o número de contribuinte e, sem surpresa, vi que era a factura 6 de 2013. Haja fartura de fiscais para compensar a falta de visão dos nossos governantes.

8 comentários:

  1. Também recebi a missiva das finanças DE NOVO. Deitei o mail (de imediato) no caixote do lixo. Esvaziei a reciclagem logo de seguida porque não quero as finanças a POLUIR a minha caixa de correio electrónico.
    Um abraço :-)

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    1. Eu apaguei, mas deixei para o fim o "eliminar definitivamente items eliminados". Mas será que teríamos que os guardar 10 anos, como as farturas ?

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  2. Esta medida deve ser das mais ridiculas dentro do género.
    Há outras igualmente deprimentes.

    Eu penso que os mail's é uma forma dos Impostos mostrarem que nos conhecem e sabem onde paramos. Uma espécie de Pide democrata e avançada tecnologicamente.

    O País onde estamos!

    Uma boa semana para o querido Tio!

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    1. Pérola, É o Big Brother...Entrei no face uma vez na página oficial do Nibinha e apareceu logo o meu nome: Bem vindo Tio ... Não havia botão de "dislike", vim-me logo embora!
      Beijinho para ti Pérola

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  3. Devemos estar quase a levar um código de barras e na veia, um emissor localizador e retransmissor para que a factura seja enviada imediatamente ao fisco enquanto bebemos o café ou estivermos a cortar o cabelo, a comer uma fartura ou levar uma multa se não estivermos a atravessar na passadeira, a fumar um cigarro onde não é permitido... vem logo descontado no final do mês... ou quem sabe, com tanta tecnologia, em cima do acontecimento ;)

    Bjos

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    1. Isa,
      Já tentaram o chip na matricula do carro. Depois lembraram-se que já tínhamos no para-brisas. Às tantas com as vacinas da gripe A veio algum soro radioactivo, para nos localizarem...A sério, acho que já faltou mais :-(
      Bjs

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    2. Agora são do tamanho de um grão de arroz, as primeiras, maiores, já são colocadas nos cães porque têm todas as informações do dono, em caso do cão se perder... mas em algumas discotecas, inglesas e até espanholas, a criançada achou muita piada colocar o tal chip e ficar registada a entrada e respectiva despesa, sem ter que levar mala (desculpas esfarrapadas)... A multinacional produtora dos chips até quer convencer os pais a chiparem os filhos... só sei que em nome da segurança ou de qualquer outra coisa, um dia vamos mesmo ser obrigados a pôr o chip... porque há algo que não entendo, como pode a tecnologia evoluir tanto e os humanos serem cada vez mais estúpidos... presentemente, há quem ache muita graça poder ser localizado ou localizar os amigos só com um programa no telemóvel, não conseguem ver que estas coisas que parecem tão ingénuas e divertidas podem virar no seu pior pesadelo, o controle absoluto das suas vidas... mas é o costume, não pensar antes, para não deixar que aconteça porque depois, pode ser tarde demais e a liberdade individual, cada vez mais sonho que realidade, qualquer dia, passa a ser considerada ideia de doidos obsoletos... ou crime contra a sociedade ;)
      Enfim...

      Bjos

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    3. Isa,
      Também nunca percebi essa vontade dos miúdos em "serem chipados" como dizes. Mas acredito que haverá pais que também gostavam que os filhos tivessem um chip. Talvez daqui a 50 anos as pessoas voltam à coisas autêntica e se deixem destas loucuras tecnológicas, tão desmumanizantes, se é que existe essa palavra...
      Não se dá valor às coisas simples, mas tão importantes, como seja essa liberdade individual que referiste!
      Bjs

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