terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A nova ortografia, uma história de coadoção, co-adopção ou co-adoção?



Tive um sonho. Tive o sonho que os nossos governantes e outros quejandos, vestiam as calças que habitualmente têm nas mãos, e cumpriam o que, entrelinhas, eram as convicções em campanha eleitoral, sobre o aborto ortográfico. 

O sonho foi tão real que acordei, liguei o PC, entrei no Google (patrocinador oficial deste sítio de internet), coloquei acordo ortográfico, nova ortografia e…. cliquei, perdão clikei no primeiro link, perdão linque, aliás ligação (ou será enxufação?), que me apareceu. Cheguei a pensar que tinha sido um sonho, que não estaria acordado.



O título era sugestivo: Guia Prático da NOVA ORTOGRAFIA. Apressado na leitura (sublinho o na leitura, e apenas na leitura) não me dei conta do subtítulo. Como gostei do pequeno texto que se seguiu, passei ao “alfabeto” onde percebi que iria ter 26 letras, com a reintrodução do k, w e y. Achei imensa graça ao detalhe “As letras k, w e y, que na verdade não tinham desaparecido da maioria dos dicionários da nossa língua, são usadas em várias situações”

Aí o bicho começou a achar estranho, viu? Tinha saído, mas a galera usa, né? E passei às diferenças:

Como era                Como fica
agüentar                aguentar
argüir                     arguir
bilíngüe                  bilíngue
cinqüenta               cinquenta
delinqüente            delinquente
eloqüente                eloquente
ensangüentado      ensanguentado
eqüestre                  equestre
freqüente                 frequente
lingüeta                   lingueta
lingüiça                   linguiça
qüinqüênio             quinquênio
sagüi                        sagui
seqüência                sequência
seqüestro                sequestro
tranqüilo                tranquilo

Ora bem, afina penso que a coadoção do acordo é mais necessária nos nossos irmãos do Brasil, já que o nosso trema, foi acordado, perdão adormecido no início do século passado… Assim não temos que defender a coadoção de uma coisa que já fazemos, né, oh galera? Uma solução à Portuguesa (para além do cozido, também temos soluções, carne de porco e sopa), seria uma coadoção a dois ritmos: O Brasil tira os tremas e nós continuamos como estávamos. Pode ser?

Há um ponto que me deixou preocupado, será até de sugerir um referendo sobre este aspecto importantíssimo do acordo. Para o acordo em si, não se justifica, claro, mas para o ponto 4., é imprescindível a realização de um referendo. Aqui vai a transcrição do famigerado:

4. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.
Como era
Como fica
Ele pára o carro.
Ele para o carro.
Ele foi ao pólo Norte.
Ele foi ao polo Norte.
Ele gosta de jogar pólo.
Ele gosta de jogar polo.
Esse gato tem pêlos brancos.
Esse gato tem pelos brancos.
Comi uma pêra.
Comi uma pera.

Era de ouvir a Miss Polo Norte, sobre o assunto, talvez convidá-la a presidir a uma comissão de especialistas, para iniciar uma reflexão profunda e ver até onde vamos parar…Porque ninguém para estes boys, é completamente diferente antes e depois da coadoção do dito aborto ortográfico…



Assim é que ninguém agüenta mesmo!

Post Sriptum (para não haver, digo, a ver,  digo, haver dúvidas, escrevo no original): O artigo é do Professor Douglas Tufano e vale a pena ler. A sério. E não pensem que é pelo nome...

8 comentários:

  1. Tio, já sabes a minha opinião sobre esta Aberração Ortográfica. Então aquele ponto4. é de bradar aos céus!

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  2. Two of a kind! E não percebi a pressa que toda a gente - televisões, jornais, etc - teve em aderir a esta bosta.

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  3. Editoras, principalmente as dos manuais....negócio do Brasil! :)

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    1. Também me quer parecer...que é um negócio de reais... :-(

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  4. Acho do pior! Ainda me recuso a usar!

    Beijinhos Marianos! :)

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    1. Eu também! E também me tenho recusado a usar. Parece que na escola vamos mesmo ser obrigados...Deixa ver.
      Bem vinda cá ao tasco, Maria tu.
      Bjs

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  5. Eu a pensar que fosses falar na palermice do presumível referendo sobre a co-adopção e vens-me falar noutra palermice idêntica. Eu escrevo como sempre escrevi, mas na verdade sinto pena dos professores e alunos que têm de se submeter a essa tortura sem pés nem cabeça e dá pelo nome de A.O.
    Uma c***** em três actos. lol

    Beijinhos e diverte-te, sem acordos!

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    1. Janita,
      Essa outra parvoíce é de quem não tem nada para fazer. O aborto ortográfico é uma palermice de quem quer dar trabalho aos outros...E entre os dois a caravana passa.
      Bjs

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