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segunda-feira, 12 de maio de 2008

O seu tio do Algarve 1

Dizia-me hoje uma pessoa que conheci muito recentemente, que até já tinha algumas pessoa a ler estas minhas notas sobre assuntos soltos. E pelo que parece ainda há pessoas com paciência para ler alguma coisa, mesmo que virtual… Não me parece justo que gastem o vosso tempo com estes “posts” e não saibam nada do autor, para além do perfil resumido. Sei que não são nada cuscas mas, pronto, é um desabafo, quiçá motivado pelo programa que vi ontem sobre o Miguel Torga, mal comparado, como dizem no Algarve.

Então aqui vai o meu nome é António Bernardo Risos, sem vírgula a seguir ao Bernardo. Risos, da família dos Gargalhadas, pelo lado do pai e dos Sorrisos pelo lado da mãe. Naturalmente não iam esperar outra coisa duma senhora, pois não?

Claro que nasci nalgum lugar entre Marte e Vénus, mais precisamente no Algarve, há já alguns anos, não muitos (o que estavam a pensar?). Também não nasci logo tio, fui-me fazendo, porque não havia nessa altura blogs nem literatura específica para o efeito e as aulas de boas maneiras eram autênticas e não eram dadas. Eram vividas em casa. Não havia tias modelo 1, nem 2 ou 3 a darem aulas de etiqueta, como aquela tão ridícula que quando em vez (muito melhor que de vez em quando, não acham?) vai aparecendo na televisão a fazer de tia. Ontem devem ter aparecido uma data delas nos Globos de Ouro, imagino… Quando aparecerem as Bolas de Ouro, talvez dê uma palavrinha a um tiu “pa ver se dá alguma coisa, tá a ver?

Marte é a guerra, como na escola onde não havia bullying, apenas andávamos à estalada ou ao pontapé. Não havia ainda psicólogos. Aliás, mal havia professores nessa altura. E ainda não estavam ocupados a fazer relatórios e relatórios da actividade docente, ou envolvidos em montes de Conselhos ou Comités sobre assuntos diversos, supostamente do interesse da escola. Eram mesmo professores. Havia era poucas escolas e poucos alunos. Era preciso lutar pelas coisas. Não caiam do céu. Mesmo com as miúdas, era preciso lutar por elas

Vénus, o que se pode dizer desse planeta fantástico que até inspirou o nome de peças de vestuário? Prefiro não dizer mais nada. Imaginem se faz favor e sonhem os vossos próprios sonhos. Hoje não é dia de contar os meus. Lá chegaremos, mas é preciso paciência. O percurso é o mais interessante da viagem. Não tenham pressa…

E assim entre canelas e corações partidos foi decorrendo o meu viver, sempre entre Risos, com maiúsculas claro, porque na vida tudo tem que ser escrito com letra grande.

O que custa mais não é recuperar os bocados partidos do coração e voltar a montá-los. O que custa é perceber que tudo continua na mesma, para toda a gente, dentro do Matrix. Ficar de fora é que é complicado…Fazem favor de saltar cá para dentro, está bem? Obrigado e até breve!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Três Tristes Tias (3)

A Tia número 3
Enfim chegou a vez da rainha das tias. O modelo TP3 é o modelo mais evoluído desta categoria das tias de plástico, verdadeira e genuinamente artificiais. Não é o mais frequente, mas é o topo da carreira. São os generais das tias. O modelo TP2 era o aspirante mas este nível é o dos oficiais generais. São as que mandam nas tropas. António Bernardo, deitado! É a frase que usam quando querem ir para a cama com os seus maridos.

São mulheres que acabaram por amadurecer, estão resignadas à sua condição de tias plásticas e como tal, sabendo que estão no topo da carreira, estão à vontade no seu papel. A expressão como peixe na água, poderia ser substituída por qualquer coisa do género “como tia no seu meio social! obviamente referindo-se a este modelo…

Uma série de características as distinguem. O olhar altivo e distante, que resiste a quase todos os olhares de homens. Vestem-se bem e com mais de gosto que os modelos anteriores por fora, mas é sobretudo por dentro que se nota a diferença. Não hesitam ao escolher La Perla (de certeza que é uma marca registada), quando vão comprar lingerie. Não precisam tanto de mostrar, como em idades e estágios anteriores, gostam mais de sentir. Os maridos são administradores ou directores de topo de empresas em que familiares são accionistas ou se não são foi o Factor C que lá os colocou. Têm dinheiro para gastar, ou como se diz agora, têm disponibilidade financeira suficiente para os seus gastos. Claro que não gostam de pagar. Evitam fazê-lo e, se puderem, deixam a conta para os maridos. Excepção para a conta daquele almoço com o tipo que conheceram no ginásio onde, naturalmente, vão quase todos os dias, não podendo mesmo ser todos os dias. Nesta situações gostam de mostrar quem manda.
No ginásio fazem os maiores disparates que o seu “Personal Trainer” recomenda porque está farto de as aturar e só o faz por causa da massa que recebe. Alguns ainda têm alguma possibilidade com as amigas destas tias, por que elas não são parvas. Mantêm-nos à distância. Nada de misturas. Há que ser discreto. Contudo com estas idas ao ginásio, à esteticista, as plásticas e forma como se arranjam, aliada a alguma bagagem cultural (às vezes é uma surpresa) que têm, podem fazer delas uma companhia ainda interessante. Depende se elas quiserem ou não. Também sabem ser uns blocos de gelo e têm o poder de paralisar garotos com o olhar. Nunca utilizam este poder com os próprios filhos, só com os das outras.

Têm iniciativa e já são capazes de ir a locais onde outras ainda não foram. Deslocam-se com a família e têm filhos adolescentes malcriados, que são muitas vezes inconvenientes e super chatos (esta é uma palavra que nunca usariam), que ainda andam no râguebi. Estes rapazes não praticam esse desporto por gosto. Fazem-nos porque os amigos lá estão, se é que me entendem. Estes rapazes, candidatos a tíus são como as tias no início de carreira. Mas não é deles que estamos a falar e sim delas. Elas não ligam peva aos rapazes porque sabem que o destino deles está definido. Às vezes não corre bem e lá dá para o torto. Paciência. Foi azar.

E na cama? Depende. Como em todos os lados há de tudo, mas a probabilidade da experiência ser bem sucedida é maior do que com os modelos anteriores.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Toque Intimo

Circulava hoje na bonita cidade de Coimbra, naquele caos de trânsito agravado pelo facto de não saber bem para onde queria ir e, menos ainda, qual a melhor maneira de lá chegar, quando de repente, vindo do meio da massa anónima de carros, carrinhas, camiões e quejandos um veículo me chamou a atenção…
Não tinha lá dento um tia, nem um mulher super charmosa, atraente ou com ar de que está perdida e precisa de ajuda. Não faço a mínima ideia até, de quem seria o condutor da viatura que me transportou para outro lugar, ou para aquele lugar noutro tempo ou noutra vida.
De dimensões generosas, grande até, tinha de lado um letreiro também grande que simplesmente dizia “toque íntimo”. Só isso, sem mais com uma morada, um número de telefone e de fax.
Na pressa de imaginar nem vi mais nada. Lembrei-me logo daquelas tias, modelo ainda não analisado, que há tempos apareceram, todas larocas, na televisão, num programas de tias a falar sobre a sexshop que tinham aberto não sei onde. Imaginei logo que a loja era em Coimbra, já que na entrevista tinham dito que para além da venda de artigos e produtos iriam ter uma componente pedagógica muito importante, com diversos “ateliers” e acções de formação diversas sobre temas actuais da sexualidade. O primeiro curso que as tias sexólogas/formadoras (certamente organizadoras da formação) apresentaram era sobre pompoarismo. Talvez que, depois desse primeiro, se tenham seguido outros e a viatura em questão fosse uma espécie de escola móvel, um pouco à semelhança das bibliotecas móveis quando se lia muito pouco.
Eventualmente, o sucesso do curso foi tal que ainda não conseguiram produzir outros módulos…
Talvez nessa nobre arte de difundir conhecimento se tivessem deslocado para Coimbra, para uma formação avançada ou especialização nalguma arte da intimidade… Talvez…Acordo de repente pela buzina do carro atrás do meu que, cheio de ciúmes dos meus sonhos, resolveu buzinar, percebi que não podia ser. Que viagem mais incrível. Mas lá tive que regressar à terra! Seria de uma loja de lingerie? Com um nome daqueles logo saltei na secondlife, para o site mental da lingerie. E que prazer nessa viagem, até que dei conta já tinha passado o meu destino. Como voltar para trás? Se nestas questões é tão difícil, no trânsito da cidade dos ditos estudantes é pior do que imaginam. E se há um mestrado em Manutenção de Campos de Golfe na Universidade do Algarve porque não uma licenciatura nas nobres artes da alcova, com diversas especializações. Poderia até haver uma cadeira de Filosofia na Alcova em que o texto base seria a obra homónima do Marques de Sade (La philosophie dans le boudoir). Talvez que aquela viatura fosse o carro de apoio desse curso…
Não, que maçada, não era…mas como a pintura estava um pouco decadente talvez fosse a viatura utilizada para as feiras. Afinal não há o salão erótico de Lisboa e agora também em Portimão? Como é que se deslocam os expositores para estas feiras? Como os das outras feiras, só que as viaturas devem ser mais originais e bem decoradas. Pois, mas também não podia ser… Mais um semáforo e mais desviava do meu destino, naquela perseguição implacável. Parámos e finalmente descobri…era de um loja de mobiliário. Quem poderia imaginar uma destas?
Que pena! Que nome fantástico que se perdeu e que aplicações que poderia ter. Fiquei a pensar no plano de estudos do curso.
Será que a loja é de mobiliário erótico? Vou ver e um destes dias conto.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Três Tristes Tias (2)

A Tia número 2

Blá-blá, blá-blá, blá-blá, blá-blá, blá-blá, blá-blá como diria uma minha conhecida, Directora de Marketing e incluída nesta categoria. Esta expressão substitui qualquer coisa, frase ou explicação e deve ser usada com a maior frequência possível. Neste caso o blá-blá, blá-blá pretende dizer que não se querem retratar as senhoras nossas tias e amigas nossas das nossas mães. O blá-blá, blá-blá, significava que também não se pretendiam retratar caricaturar as senhoras, que se sabem comportar como tal e o blá-blá, blá-blá, significava que também não se retratam as tias TP1.
Depois desta pequena nota explicativa, vamos ao que interessa. Descrever as tias modelo TP2. Este modelo é o início da carreira de tia e está para a classe como os Aspirantes estão para a classe dos oficiais. Não são verdadeiramente oficiais mas comem nas messes de oficiais, comandam todos os sargentos e estão abaixo de todos os oficiais. É quase como o tatu com a peninha na cauda que era só para disfarçar. Estas aspirantes a tias estão com vinte anos de idade e recentemente casadas ou já comprometidas. Aliás ou recentemente casadas ou já foram prometidas a algum CT (Candidato a tiú), ou com sorte, a algum tiú já consagrado). No olhar ainda não há aquela profunda tristeza da insatisfação que se sente no modelo TP1. No entanto esta fresta de tristeza apenas se nota nas medianamente inteligentes, que as outras nunca darão por isso.
O modelo TP2 vem cheio de energia, em todos os sentidos, manda e é mandona. Na cama são uma desgraça, mas ainda vão tomando algumas iniciativas, pela curiosidade que o sexo lhes desperta e pelo prazer de querer mandar. Não confundir. Não é pelo prazer do sexo e pela curiosidade de mandar, apesar de nunca terem mandado em nada não têm curiosidade, pois sabem que mais tarde ou mais cedo o vão fazer. Ás vezes não sabem esperar e perdem por isso. Aquela question-tag com o verbo vir, aplica-se a elas lindamente. Quem nunca ouviu uma frase do tipo “O menino já se veio, não se veio?”, que levante o dedo (eu disse o dedo...). A pressa que têm em fazer coisas é uma característica deste modelo e conclui-se que esperam contrariadas. Veja-se a maneira como fazem compras ou como usa o telemóvel. Quando demora um pouco a ser atendido a pergunta disparada é “onde táva, kiki?”, como se pela distância ao telefone móvel fosse mais difícil de atender. Às tantas pensam que os prometidos têm o telemóvel guardado numa carteira de senhora. Nunca se sabe o que pensam, se é que pensam alguma coisa. Fazem compras pelo gosto dos outros, não pelo seu prazer ou pelo prazer de agradar, mas sim pela necessidade de se integrarem na classe. São mais voluntariosas e têm mais iniciativa que o modelo anterior, mas são mais cansativas. A insegurança ainda não se manifestou tanto como no modelo anterior, mas há vir, mais tarde ou mais cedo.
Ainda trabalham pois como já concluíram esta minha amiga de profissão Directora de Marketing, se não fosse aspirante a tia, também não era Directora de Marketing. Na realidade é uma aspirante a Directora de Marketing, mas ainda não percebeu e, pior, nunca vai perceber. De repente evolui para a categoria TP1 e já está graduada…