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sábado, 4 de fevereiro de 2017

A calma vence a paixão?



Será que história da lebre e da tartaruga tem mais uma versão? Assim parece e os títulos da imprensa desportiva de sábado passado confirmavam: Serena vence Vénus, depois de uma hora e meia dejogo.

Mal comparando e brincando com os nomes destas duas manas atletas, parece que o amor e a paixão não estão em alta. A tranquilidade parece vencer…

E também assim tem sido, de facto, este meu último ano, em que procurei encontrar calma onde antes tinha paixão, resistência e resiliência para ultrapassar a maratona profissional onde me encontro.
Pensei que o jogo tinha acabado, mas foi um erro meu. Era só intervalo e apesar do resultado eis que avançamos para um terceiro set bem mais agressivo. Deixei a alegria numa caixa bem fechada, não vá evaporar-se e desaparecer para sempre, vesti o fato-macaco e aqui estou pronto para mais um set, neste jogo do faz-de-conta.

E contínuo neste jogo. Afinal sempre me considerei um gestor de emoções.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Oração dos Gestores




Como homem de fé, tenho que recomeçar estas crónicas, com uma oração. A oração dos gestores profissionais. Para os que já me conhecem, sabem que vou buscar inspiração à realidade do dia-a-dia, que tem mais fenómenos surreais do que muitas histórias de ficção científica.

E como hoje é dia de Reis – todos os outros são dedicados às Rainhas, aqui vai a minha oração:
Peço paciência para suportar os dislates dos que mandam mais do que eu, e peço resistência para não me rir perante tanta estupidez. Mais ainda, peço força para aturar as mulheres deles, com tempo livre e sem outro entretenimento que não seja chatear os que trabalham entre 12 a 16 horas por dia.
Não posso pedir que arranjem um amante – para utilizar a terminologia delas – pois isso não seria correcto. Peço pois que arranjem outros interesses, sejam eles em forma de homens, ou mesmo de mulheres,pois não sou sectário, nem defendo a criação do cartão de cidadoa. Também se poderiam interessar, essas senhoras pouco ocupadas, com a caridade. A caridade já não é o que era, mas era e desculpem a repetição forçada, uma excelente ocupação e sairia muito mais barato às empresas, já que a canasta está um pouco em desuso.

Peço ainda a inteligência necessária para compreender os objectivos escondidos atrás – sim, queridas é mesmo com s – do envio de montes de emails e a paciência necessária para evitar responder a todos, com um simples email automático, com um texto profundo, do tipo: “Please do not disturb, I’m working”.

Enfim, não posso pedir que me deixem trabalhar, pois soa a cavaquismo distante e bacoco, mas, por favor, deixem-me continuar entretido nestas tretas do trabalho e deixem-me também um tempinho para postar no meu blogue., mesmo que after hours.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O síndroma de Cinderella na gestão




O síndroma de Cinderella é mais uma das patologias que afecta os new-gestores, a que também já chamei ingestores. Ingestores porque fazem absolutamente o contrário de gerir, mas também pela sua grande pela sua capacidade de engolir. Engolem o que for preciso para manter o tachinho ou determinados privilégios, ou até mesmo para aparecerem naquela fotografia da Trombas ou da Luminária. Como consolação sabem que vão fazer pior aos outros do que fizeram a eles…

Pois este síndroma de Cinderella que se manifesta, sobretudo, em ingestores de idades compreendidas entre os 30 e os 45, apesar de já se terem verificado vários casos em faixas etárias mais desenvolvidas, tem vindo a mostrar-se de uma perigosidade média. Não sendo demasiado contagioso, deixa algumas marcas preocupantes no que respeita à expectativa de vida normal. É também conhecido pelo nome comum de Gata Borralheira.

É conhecida de todos a história da Cinderella, uma menina que vivia escravizada pelas suas irmãs feias e apenas preocupadas com a vida social, Facebook, Instagram, Pinterest, guest lists, private parties, etc, deixando os trabalhos domésticos para irmã, qual patinho feio. E isto tudo com a cobertura da madrasta, megera com idênticos hábitos sociais das filhas.

Um dia apareceu um mágico que transformou a nossa querida Cinderella numa princesa, mas até à meia-noite, hora em que o agradável feitiço terminou. A Cinderella ou Gata Borralheira, saiu do Baile a correr deixando para trás um sapato de vidro. O príncipe, com o seu fetiche por sapatos, percorreu o reino a mandar tirar os sapatos às meninas até que finalmente chegou à Cinderella, a única a quem o sapatinho serviu no pé. A borralheira transformou-se então em gata e passou a enrolar-se com príncipe todos os dias, durante muitos anos. E foram muito felizes.

Na gestão este sintoma é detectável, não quando vemos alguém tirar o sapato numa cerimónia pública, mas sim quando se vê alguém à espera de um milagre. Com ar sonhador, faz exactamente o que lhe mandam, mas fica a aguardar o milagre da mudança. Uma fada mágica vai aparecer, normalmente na pele de um sócio pouco participativo na gestão, ou de uma agência de head hunting ou recrutamento, e vai transformar a vida destes ingestores bonzinhos, que nunca se lembraram de atirar as cinzas da lareira para cima das manas feias e más nem de dar uns comprimidos para a diarreia à madrasta. Menos ainda se lembraram de sair de casa e de se fazerem à vida, como os primos…

Este síndroma também se manifesta numa fase “pós fada madrinha e baile de sonho”, em que tiveram conhecimento de outras realidades, mas foram prontamente para casa e agora estão pacientemente a aguardar que o príncipe venha testar o pézinho. São tão bonzinhos que aguardam pacientemente o milagre. Se algum Tio, mesmo o do Algarve se cruza no seu caminho e sugere que saiam de casa, eles ficam pacientemente à espera da oportunidade que nunca virá. Provavelmente vão viver mais tempo que as manas que ocuparam sucessivamente o lugar da madrasta e, depois destas, vão ser ainda mais mázinhas do que as manas e a velha megera foram para ela. Racionalizam assim suas as frustrações, criando noutra qualquer terceira pessoa o mesmo síndroma. É um percurso circular…

Uma característica comum a todos os indivíduos com esta patologia, é a submissão e a aceitação. Aceitam as várias situações, e são submissos, não fazendo o mínimo para sair delas. A vitimização é também constante, mas não falam muito no assunto, esperam que os descubram.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O lobo mau e o lobo bom ou como nem tudo que é verde é esperança…




As notícias sobre o banco verde acumulam-se nos noticiários. Fazem-se comparações com outros escândalos, havendo mesmo quem compare este caso com o do Banco Angola e Metrópole, do celebérrimo Alves dos Reis, ou com o Banco Mirabolantellium ou ainda, com o muito fresco, Banco Para Néscios, a que já me tenho referido várias vezes…

Alguns peritos politólogos, explicatólogos, justificatólogos e outros homólogos, interrogam-se sobre o pape l- não o papel moeda – do Banco de Portugal e da CMVM neste processo, defendo mais regulamentação. 

Ora nada mais errado. Um dos nossos problemas é precisamente o excesso de regulamentação, em conjunto com a falta de fiscalização e com a absoluta impunidade da generalidade dos prevaricadores.
Outro dos nossos problemas, é a falte de ética das pessoas que governam as sociedades e instituições, na minha modesta opinião, é esse o pior.

Neste caso, ao que parece, foi-se mais longe, apenas porque ninguém esperava, naquela casa, uma crise destas. Agora separam–se os activos em dois grupos, os bons e os maus e, contrariamente ao que aconteceu no Banco Para Néscios, os maus ficam com os activos maus e nós todos, os bonzinhos, ficamos com os activos bons.

Há uma história mais gira do lobo mau que come o capuchinho mas, não sei porquê, nunca acreditei na história da carochinha…