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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Febras e membros



Tenho ouvido frequentemente os maiores disparates gramaticais ditos em público e bastas vezes repetidos. Julgo até sentir, nos seus autores, um certo orgulho na insistência no erro… 

Suponho que arrastados por uma modernidade com toque de acordo ortográfico, aliada a um falso respeito pelo género feminino, juntos têm levado muita gente ao todas. Todas não é o nome de um bar, nem está errado e até é agradável. A frase ”todas as mulheres que me lêem são inteligentes, para além de giras”. Está correcta, e é verdadeira, certamente. A reserva do certamente deve-se apenas ao facto de não ter o prazer de conhecer todas as minhas leitoras… 

Vá lá meninos também gosto muito de vos ler e fico muito feliz por ver que também gostam do meu cantinho. Aliás todos os meus leitores são pessoas inteligentes….

O disparate começa com o uso de todas e todos na mesma frase. Muito bom dia para todas e todos, por exemplo. Ou, na versão mais soft: As presentes e os presentes. Mais soft porque pode entender-se que as presentes vão receber um presente, cada uma, claro. Ainda não chegámos ao desvario da “presidenta”, ou da “estudanta”, mas andamos perto quando dizemos as alunas e os alunos que se queiram inscrever para exame…

Não sei porquê mas sinto haver uma correlação entre as pessoas que usam este tipo de linguagem, pretensamente inclusiva, e os adoptantes da inominável interrupção voluntária do português correcto, também conhecido pela sigla IVPC, ou aborto ortográfico. O valor do p level é capaz de ser elevado nesta relação, mas acredito que será estatisticamente significativa. 

Como sempre, tento ser pedagógico, pelo que deixo algumas sugestões aos apoiantes desta abordagem. Sei que são muito criativos e criativas (sim, felizmente as Mulheres, não caem tanto nesta pseudo atitude inclusiva), aqui vão algumas, para vosso deleite. Usem-nas, se assim o desejarem.

Fêveras e Febras: Em vez de febras ao almoço, peçam febros, ou de forma mais sofisticada, podem usar os Fêveros. Se quiserem ser mesmo preciosistas (mariquinhas, à séria) peçam febros de porco e febras de vaca ou, na versão elitista, Fêveros de Porco e Fêveras de Vaca.

Os membros e as membras. Usado em associações, clubes de futebol (exclusivamente) ou noutros locais onde haja vínculos associativos: Caras membras e membros, por exemplo. Também pode ser usado num contexto mais intimista, erótico, divertido (sim o sexo também pode ser divertido e provocar gargalhadas). Fiz uma função aleatória para escolher qual dos géneros escolheria primeiro, se o membro ou a membra. Saiu o membro: Hirto e duro, o meu membro deseja ardentemente a tua membra, húmida e sequiosa.

Enfim, meus caros, há nesta questão um sem número de utilizações e de utilidades que podem passar despercebidas numa abordagem ligeira. E temos que ir bem ao fundo, um pouco como Portugal, mas não tanto como a Grécia, para ficar a conhecer bem as possibilidades quase ilimitadas da nossa ortografia, depois de aberta a caixa de Pandora da Interrupção Voluntária do Português Correcto, decretada pelo parlamento no último reinado de Socretinius, o Primeiro. Ou será primeira, uma vez que foi a terceira figura do estado? Bem ele nomeou a segunda e foi um grande figurão, por isso o género é o masculino, certamente.

Post Scriptum: Ao reler, muito rapidamente, este texto antes de o submeter à vossa muito estimada apreciação, reparo que usei a palavra pseudo quase duas vezes. Queria apenas deixar bem claro que é uma mera coincidência, e não uma referência à minha estimada amiga que usa esse nome para se identificar.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Apocalipse em versão Tiológica



Sempre que ouço estas notícias sobre aluz ao fundo do túnel, ou o fim da austeridade ou, melhor ainda, os nossos sacrifícios chegaram ao fim, penso no apocalipse. No apocalipse, não como as revelações feitas por Cristo a S. João Evangelista e cuja leitura recomendo no Livro do Apocalipse, mas como um grande desastre, o fim do mundo tal como o conhecemos, há alguns anos a esta parte

Em realidade, o fim não é uma coisa que se determine num momento exacto, sobretudo no que respeita a relações – e ralações também. É-nos muito fácil identificar o início de uma relação, ligando-o a qualquer coisa agradável, tipo, aquele fim-de-semana, aquela tanda ou, mais preciso ainda, aquele tango, ou um determinado jantar, saída ou até aquela noite em casa... Já o fim é muito mais difícil de identificar. Melhor dito, o princípio do fim.

Adorava ter mais tempo para sistematizar este tipo de análises, mas é impossível e não quero ser maçador. Assim, concentremo-nos nas revelações apoteóticas sobre o fim desta era de muitos sacrifícios e poucas reformas. Não está em causa dizer se estamos melhores ou piores, se temos os cofres cheios e os bolsos vazios. Está em causa sintetizar, de forma que traduza de forma eficiente e de fácil e imediata compreensão o conceito. Julgo que encontrei a palavra perfeita para descrever o período que vivemos, em que tudo se desmorona e nós continuamos a viver, todos os dias entre ruínas de passados efémeros e de sonhos de muitos que alguns decidiram derrubar. O que vivemos nesta altura, neste mundo sujo onde, apesar de tudo, subsiste uma réstia de esperança é o APORCALIPSE!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Pequena nota a propósito da ortografia e da minha Pátria



Quando escrevi o manifesto do Podemos e Phodemos, recordei o Livro do Desassossego…

E aqui fica esta grande verdade do enorme Fernando Pessoa, pela voz do Bernardo Marques:

Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portugueza. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente, Mas odeio, com odio verdadeiro, com o unico odio que sinto, não quem escreve mal portuguez, não quem não sabe syntaxe, não quem escreve em orthographia simplificada, mas a pagina mal escripta, como pessoa propria, a syntaxe errada, como gente em que se bata, a orthographia sem ipsilon, como escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.

Depois deste texto magistral não é preciso acrescentar nada, ou será?

Nota: Este extracto da “A minha Pátria é a Língua Portuguesa” foi retirado daqui:.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Podemos e Phodemos



Na Portugalândia não há responsável de partido político que não se quisesse colar ao Transpiras, depois da vitória em terras Helénicas. A Helláda mostrou que afinal não é tão gelada como parecia, e a vitória do amigo Transpiras ainda aqueceu mais a coisa. Agora, está a arrefecer um bocadinho mas, na altura, não houve bicho careto que não  se quisesse colar ao rapaz.

Mesmo aqui ao lado, na terra do Júlio, outro Iglésias também está a dar nas vistas com o Podemos. Se ganhar, não tenho dúvidas que a rapaziada do costume se vai colar ao movimento.

Pois a minha sugestão é criar também um movimento na Portugalândia. Mas que nome? Nada mais fácil. Sou um acérrimo anti-acordês, que não liga às críticas bacocas dos vendidos que acham que: “ai não usas o acordo, o melhor é escrever como antes da reforma de 1911”. Enfim, nem comento, mas deu-me a ideia para o nome do movimento: Phodemos! O h não se lê, mas podemos sempre lê-lo, se nos apetecer, sempre que quisermos! E querer é Poder, como todos sabemos…

Melhor, melhor é juntar as duas grafias: Se Querer é Poder, por que razão Querer, não há-de ser, também, Phoder? Nem sempre Phodemos quando queremos, mas se Podemos, porque não Phodemos?

Enfim, depois desta pequena introdução sobre a temática do Poder e do Phoder, fica mais clara a razão do nome do movimento, já que se pretende que seja inclusivo, não discriminatório: Podemos e Phodemos!