Estava com imensas saudades
destas viagens mas também, e confesso, morria de saudades por aquela que foi
uma das minhas grandes paixões de sempre. Viagens são sempre viagens e a
companhia é que interessa!
Quantas vezes pensei nas viagens
que poderia ter feito e não fiz? Poucas. Viver no passado não faz o meu género,
mas as saudades de a ter nas minhas mãos eram imensas. De sair com ela, de me
deitar com ela, de a sentir, firme, nos percursos sinuosos da vida levando-a
aos limites e ser, também, levado ao limite…De sentir a sua respiração
tranquila e, abraçando-a, levá-la a um respirar ofegante, verdadeiro grito de
liberdade? Não sei quantas vezes recordei e antecipei esses momentos de grande
partilha e intimidade, em que os dois fomos um só.
Separados durante anos por força
do destino, voltei a encontra-la este verão. Foi como se de um amor à primeira
vista se tratasse, apesar do reencontro ser óbvio e de tudo me ter levado na
direcção dela, como se de um destino inexorável se tratasse. Inexplicável este
acaso, se é que há mesmo acasos. Terá sido a busca incessante de liberdade que
me guiou até ela? Não sei. Sei que estou preso à liberdade, e gosto!
Agora juntos desafiamos rectas,
curvas, voamos em pontes e viadutos atravessando rios e estradas e mergulhamos
em túneis, de onde saímos sempre a olhar o próximo obstáculo com a expectativa
de quem se vai superar, mais uma vez.
Dizem que ela mudou a minha vida,
voltei a ser o tipo alegre e bem disposto que sempre fui. Não sei, mas acredito
que sim e também sinto que a presença dela dá um resultadão com as miúdas. A
minha miúda diz que com ela fico mais sexy, o que é um tremendo elogio. Se
estou mais confiante? Não sei, mas dizem que me fica bem, e acredito que seja
possível.
Em boa hora me voltei a cruzar
com aquela Kawasaki que, na verdade, nunca deixou de ser a minha mota… A minha
Kawa!