domingo, 5 de julho de 2015

Resposta à carta da Helena



Querida Helena,

Nem imaginas como os teus conselhos foram úteis! E, por outro lado, pensar em ti é sempre motivo de grande alegria e entusiasmo. Sinto o sangue a latejar, como os antigos espartanos, e esqueço completamente o nosso sistema nacional de saúde…Imagino-nos num fim-de-semana idílico em Mikonos, antes de se ter transformado no que é agora. Achas que é de criar uma taxa sobre as relações gay? Era capaz de arrecadar alguma coisa, para o estado. Vou lançar a ideia aos ibéricos, se é que eles já não a tiveram antes…Eles têm umas ideia fantásticas para taxar as pessoas. E para as lixar também!

Entretanto arranjei uma maneira de sair deste impasse, que é por o povo a votar. Fazer um referendo dá-me notoriedade, damos de comer a algumas bocas, com a montagem da máquina, e eu faço campanha pelo não aí na Helada, enquando vou entretendo os teutónicos a prometer-lhes que vou apelar ao sim. E ainda posso lavar as mãos como o outro romano, que deve ter copiado a ideia de algum grego, mas enfim…O que achas? Fantástico não é?

Estou com umas saudades de uns Souvlakis que nem imaginas, minha franguinha querida. Só penso nesses peitinhos marinados e assadinhos em fogo lento mas olha, tenho que me consolar com uns iogurtes a que chamam gregos, aqui no Lidl de Bruxelas.

Beijos do teu Transpiras

sábado, 4 de julho de 2015

Propriedade comutativa na língua portuguesa



Recentemente, com o já mundialmente famoso José Socretini, tivemos um excelente exemplo de que a Propriedade Comutativa não se pode aplicar à Língua Portuguesa. Refiro-me, claro, à história do preso político.

Claro que com o acordo hortográfico e aquele fabuloso ditado popular de “Novembro à porta, geada na horta”, qualquer coisa é válida. Imagine-se: “Novembro sem amigo na Assembleia, político na cadeia” ou, este, especialmente concebido por um Algarvio: Novembro em casa com açoteia, político na cadeia”…

O acordo hortográfco entra também em situações do género: “ à anos bons e anos maus”. Ora desde que esse famigerado e falso acordo entrou em circulação que o número de erros aumentou brutalmente. Sendo o Socretino típico um acérrimo defensor do acordo, dirá que o “´à”  está correctamente aplicado na frase anterior, porque não há anos bons, se não estiver o amigo x, y ou z no poleiro…

Quando disse que era um preso político, na realidade a mente prodigiosa do Socretini, sempre a pensar em manigâncias, foi arrastada por uma vontade de fazer teoria sobre a linguística, aplicando a propriedade comutativa, apesar do Tio já por várias vezes ter escrito sobre o tema.
O que ele pretendia ter dito é que era um “político preso” e não um “preso político”, como é óbvio desde o princípio. Quanto ao ter sido engavetado para prejudicar o António Lombo nas eleições, é mais um desvario. O António Lombo não precisa de ajuda para se prejudicar. Basta deixá-lo falar que ele prejudica-se a si mesmo…

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Gramas ataca de novo



Depois de uns tempos de defeso, pensava eu que seria por decoro, afinal o Gramas acabou o período de hibernação. Como outo caso parecido de estudante esforçado voltou à ribalta com um livro: “A insustentável leveza da governação”. E que me desculpe o Kundera, mas não resisti a este título fantástico e tão perfeitamente adaptado à situação. Aguarda-se agora a réplica do colega de faculdade, com “Um dia na Vida de Ivan Socretinius”, relatando na primeira pessoa a história do conhecido preso político, deportado para as longínquas estepes do Alentejo.

Em rigor não se pode dizer que o Gramas tenha feito a travessia do deserto, como também o Socretinius não fez. Uma cura de Termas, também não, retiro espiritual ainda menos. Terá sido um período de nojo? Também não parece… Inclino-me mais para a tese do recarregar baterias, mas vir com a força máxima. No caso do preso político, as pilhas dão sempre jeito…

O que se pode dizer e com toda a certeza é que havia muita gente com saudades do Gramas, a avaliar pela fila desorganizada que se fez para pedir um autógrafo ao rapaz. Até o primo banqueiro do banqueiro lá foi ao beija-mão, com direito a tempo de antena SIC Notícias. E, tenho que dizer em abono da verdade, se os jornalistas, locutores e outras entidades ligadas à caixa mágica (não me refiro ao abençoado Linux!), têm direito a tempo de antena, quando lançam os seus livros, e o Sol quando nasce é para todos, então porque não pode ter o nosso Miguel Gramas os mesmos privilégios? E assim até pode mostrar ao Big MAC que é um tipo às direitas, tirando a questão do curso, claro…

Ele é um Entrecôte, o outro é carne picada! Mas as vaquinhas comem a ervinha e levam muito tempo a digerir… Veremos como acaba esta guerra fratricida. Enquanto isso eu vou tratar do jantar na Brasserie do dito cujo, publicidade à parte.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Carta a Xaninho

Como prometido, aqui vai, na íntegra, a carta a que via Tioleaks, tive acesso...



Xaninho,
Recebi esse teu sms em pânico e não te percebo. Afinal o que se passa com a Merquela? Não és homem para ela? Cada vez que vais ao norte, vens com o rabinho entre as pernas! Assim não dá!
Lembra-te do que te disse, pensa que vais ficar no gelo até ao fim do mandato e nem o calor da acrópole o vai derreter! Achas que sou alguma Penélope que fica a fazer tapetes enquanto tu andas nessa guerra de Ítaca? Estás bem enganado. Salto a parte do tapete e vou logo para o arqueiro que conseguir espetar a flecha, onde bem sabes…E não me venhas disfarçado de camponês da Sicília que eu descubro-te à légua.

Tens que ser forte e dizer-lhe que nem os espartanos conseguem viver com 60 euros por dia. Nem sequer aqueles que têm 800 euros de ordenado!!! Sessenta euros por dia dá 1800 por mês, é impossível viver com esse dinheiro e não sou só eu nem a mulher do Joãozinho. São todos os atenienses, espartanos, jónios e aqueus. Os dórios vêm do norte, como a tua amiga Merquela e vivem com qualquer coisa, até com o que têm. Nós não! Somos atenienses, não somos Troikanos. Não nos limitamos a viver com o que temos, nem com o que nos dão. Nós somos independentes, vivemos com o que queremos! E diz a essa Dória e ao tipo do país que nem sequer tem mar e que não quero saber como se chama, que nós somos a luz do mundo, não nos subjugamos a qualquer Xerxes que aí apareça, lembra-lhe o Leónidas, sff!

Sabes o que são as Thermophilas, donde vem o nome das portas quentes? E com jeito, com o acordo ortográfico que os portugueses (outro mau exemplo, nem te atrevas a segui-lo), andam a ver se impõem ao mundo, pode ser que fique Termopilas… Pensa bem no que queres fazer e, se não queres ver as tuas portas quentes, devassadas pelos Persas, agarra-te ao leme e mantem-te firme! De frouxos estou eu farta!

Beijos da tua Helena

Pi Sigma: Sabes que o nome Helena vem de Helénê, que quer dizer tocha, iluminada, etc? É preciso alimentar a combustão… Vê lá se queres repetir a história do Menelau.

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