Depois de uns tempos de defeso, pensava eu que seria por
decoro, afinal o Gramas acabou o período de hibernação. Como outo caso parecido
de estudante esforçado voltou à ribalta com um livro: “A insustentável leveza da governação”. E que me desculpe o Kundera,
mas não resisti a este título fantástico e tão perfeitamente adaptado à
situação. Aguarda-se agora a réplica do colega de faculdade, com “Um dia na Vida de Ivan Socretinius”, relatando
na primeira pessoa a história do conhecido preso político, deportado para as
longínquas estepes do Alentejo.
Em rigor não se pode dizer que o Gramas tenha feito a
travessia do deserto, como também o Socretinius não fez. Uma cura de Termas,
também não, retiro espiritual ainda menos. Terá sido um período de nojo? Também
não parece… Inclino-me mais para a tese do recarregar baterias, mas vir com a
força máxima. No caso do preso político, as pilhas dão sempre jeito…
O que se pode dizer e com toda a certeza é que havia muita
gente com saudades do Gramas, a avaliar pela fila desorganizada que se fez para
pedir um autógrafo ao rapaz. Até o primo banqueiro do banqueiro lá foi ao
beija-mão, com direito a tempo de antena SIC Notícias. E, tenho que dizer em
abono da verdade, se os jornalistas, locutores e outras entidades ligadas à
caixa mágica (não me refiro ao abençoado Linux!), têm direito a tempo de
antena, quando lançam os seus livros, e o Sol quando nasce é para todos, então
porque não pode ter o nosso Miguel Gramas os mesmos privilégios? E assim até
pode mostrar ao Big MAC que é um tipo às direitas, tirando a questão do curso,
claro…
Ele é um Entrecôte, o outro é carne picada! Mas as vaquinhas
comem a ervinha e levam muito tempo a digerir… Veremos como acaba esta guerra
fratricida. Enquanto isso eu vou tratar do jantar na Brasserie do dito cujo,
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