sexta-feira, 26 de junho de 2015

Respiras e transpiras, logo existes. Mas a tua mulher é que manda!



Se esta reflexão tivesse um subtítulo poderia ser qualquer coisa como: Vi-me grego para casar com a Penélope e saí-me a Helena!

O nosso Respiras, tem andado a brincar ao Gato e ao Rato com os leões de Bruxelas e da Europa Central, verdadeiros domadores das feras. O Respiras não é parvo, conhece bem a importância estratégica da Elláda e quer fazer crer que vai abrir a porta aos turcos, russos ou seja o que for que assuste os domadores gordinhos e instalados.

Ora o Alexandre, com o amigo Yanis, fartou-se de transpirar para chegar ao poder. Pensou que punha os teutónicos em sentido, mas pô-los a tremer durante uns tempos. Agora é a vez deles o porem, não a transpirar, mas a suar mesmo. Ele já não usa gravata, não é fácil. Percebe que já não aguenta até ao fim do jogo, mas chuta a bola para a frente. A mulher aplaude, qual Helena guerreira, não da Troika mas de Esperta.

A bola foi tão longe que saiu para fora do campo. Com o conhecido fairpaly germânico, pedem-lhe para repetir o lance, chutou com força a mais. Ele vai chutar, mas antes aumenta o preço dos bilhetes para o jogo, para os conterrâneos.

A mulher fica zangada. Ameaça deixá-lo se ceder, mas ele já tinha cedido, pois sabia que não tinha forças para aguentar o jogo todo. Não sabe como sair da situação. Desesperado pede ajuda à mulher por sms. A mulher que já o tinha posto no gelo, envia-lhe o email, pois o que lhe quer dizer não cabe no texto da mensagem.

Ele fica em choque e pede mais uns dias. Os teutónicos, com os capitães das outras equipas, começam a solidarizar-se com ele, depois de lhes ter mostrado o misterioso email.
O Tio pensa dedicar-se à consultoria sentimental, em detrimento da consultoria de gestão e decide publicar o texto fantástico que cortou a respiração ao Transpiras. A continuação desta saga fica prometida para a próxima semana.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Apocalipse em versão Tiológica



Sempre que ouço estas notícias sobre aluz ao fundo do túnel, ou o fim da austeridade ou, melhor ainda, os nossos sacrifícios chegaram ao fim, penso no apocalipse. No apocalipse, não como as revelações feitas por Cristo a S. João Evangelista e cuja leitura recomendo no Livro do Apocalipse, mas como um grande desastre, o fim do mundo tal como o conhecemos, há alguns anos a esta parte

Em realidade, o fim não é uma coisa que se determine num momento exacto, sobretudo no que respeita a relações – e ralações também. É-nos muito fácil identificar o início de uma relação, ligando-o a qualquer coisa agradável, tipo, aquele fim-de-semana, aquela tanda ou, mais preciso ainda, aquele tango, ou um determinado jantar, saída ou até aquela noite em casa... Já o fim é muito mais difícil de identificar. Melhor dito, o princípio do fim.

Adorava ter mais tempo para sistematizar este tipo de análises, mas é impossível e não quero ser maçador. Assim, concentremo-nos nas revelações apoteóticas sobre o fim desta era de muitos sacrifícios e poucas reformas. Não está em causa dizer se estamos melhores ou piores, se temos os cofres cheios e os bolsos vazios. Está em causa sintetizar, de forma que traduza de forma eficiente e de fácil e imediata compreensão o conceito. Julgo que encontrei a palavra perfeita para descrever o período que vivemos, em que tudo se desmorona e nós continuamos a viver, todos os dias entre ruínas de passados efémeros e de sonhos de muitos que alguns decidiram derrubar. O que vivemos nesta altura, neste mundo sujo onde, apesar de tudo, subsiste uma réstia de esperança é o APORCALIPSE!

domingo, 5 de abril de 2015

Lisboa, by Fernando Pessoa



Ah como incerta na noite quente,
De uma longínqua tasca vizinha
Certa ária antiga, subitamente,
Me faz saudades do que as não tinha.

A ária é antiga? É-o a guitarra.
Da ária mesma não sei, não sei.
Sinto a dor-sangue, não vejo a garra.
Não choro, e sinto que já chorei.

Qual o passado que me tiraram?
Nem meu nem de outro, é só passado:
Todas as coisas que já morreram
A mim e a todos, no mundo andado.

É o tempo, o tempo que leva a vida
Que chora e choro na ária triste.
É a mágoa, a queixa mal-definida
De quando existe, só porque existe.



Tive o gosto de dizer este poema no último dia mundial da poesia. E soube-me tão bem!
 


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