sexta-feira, 27 de março de 2015

A lista, o rol, os vipes e os vapes



Temos sido confrontados com a história da lista VIP, onde se supõe que seria uma relação de portugueses, ou residentes em Portugal, supostamente importantes para terem uma atenção especial do fisco, a AT para os connoisseurs. Ora nada mais errado, como se veio a saber ontem!

Não é uma lista, é grupo que poderia partilhar um táxi - e nem sequer em Paris – que junta quatro pessoas da hierarquia do estado. Como já se identificaram as pessoas que poderiam seguir no táxi, sabe-se que, afinal, deveriam ser os primeiros a dar o exemplo. Argumentarão, eventualmente, que não sabiam fazer parte dessa relação de alegados privilegiados… Pessoalmente, não acredito que o inventor deste mecanismo de protecção dos listados tenha resistido a dizer-lhes, mas enfim, cada um acredita no que quer. Voltemos nós à dita cuja relação que tanto tem dado que falar. Argumentam que o nome vip surgiu pela falta de imaginação para encontrar um nome mais adequado. Ora que argumento mais infantil! Bastaria um email para o Tio que teria arranjado um nome mais interessante. Em vez de VIP, como dizem no Porto: ICC , Importantes Como o Carago!

Se era para ficarem pelos quatro nomes, um testemunho singelo da pequenez do nosso país, poderiam também ter abandonado o termo ”lista”. Cesto ou corbeille,  para dar um ar mais in, poderia ser uma opção. No entanto para um nome mais ajustado à dimensão do grupo, o ideal seria Rol VAP, o Rol da Vergonha, À Portuguesa!

sexta-feira, 6 de março de 2015

Ficar enrolado, despir e cair na cama



Esta sequência nem sempre surge nesta ordem. Este é um caso onde a propriedade comutativa se pode aplicar, sem qualquer receio.

Podemos cair na cama e apenas depois ficarmos enrolados, sem haver necessidade de nos despirmos. Também é verdade que podemos cair na cama sem nos enrolarmos.

De certeza que todos conhecemos histórias deste género, de pessoas que se enrolam com a colega, com a vizinha, com o amigo, com a amiga da mulher e assim por diante num número quase infinito – e nem precisa de ser um inteiro – de combinações possíveis. Se estivesse a falar com matemáticos diria que estamos a falar de combinações ou arranjos de n, dois a dois, três a três, ou até onde a nossa imaginação nos – e vos levar.

Não sei se enrolar é um verbo transitivo, se pede complemento directo, o que sei é para ficar enrolado até se pode estar num quarto de hotel, querer tirar os sapatos, enquanto vemos a vista fantástica da baía de Cascais, entrar em desequilíbrio, ficar enrolado com a cortina e cair na cama. Notem que não é com a Corina, mas sim com a cortina. Para piorar tudo, a mãe sanefa, furiosa por ver a filha arrastada para a cama, caiu-me em cima, com um estrondo que deve ter sido ouvido na recepção!
Imaginem-me agora a explicar ao recepcionista: Sabe, ao abrir o black out, caiu-me a sanefa com as cortinas em cima…
- Não se magoou?
- Não, não foi nada, respondi com ar descontraído, enquanto apanhava os pedaços do ego espalhados pelo chão.

Moral da história: Evitem despir-se perto de cortinas e cortinados, que as mães são muito zelosas das suas filhas e filhos e podem cair-vos em cima.

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