O síndroma de Cinderella é mais uma das patologias que
afecta os new-gestores, a que também já chamei ingestores. Ingestores porque
fazem absolutamente o contrário de gerir, mas também pela sua grande pela sua capacidade
de engolir. Engolem o que for preciso para manter o tachinho ou determinados
privilégios, ou até mesmo para aparecerem naquela fotografia da Trombas ou da Luminária.
Como consolação sabem que vão fazer pior aos outros do que fizeram a eles…
Pois este síndroma de Cinderella que se manifesta,
sobretudo, em ingestores de idades compreendidas entre os 30 e os 45, apesar de
já se terem verificado vários casos em faixas etárias mais desenvolvidas, tem
vindo a mostrar-se de uma perigosidade média. Não sendo demasiado contagioso,
deixa algumas marcas preocupantes no que respeita à expectativa de vida normal.
É também conhecido pelo nome comum de Gata Borralheira.
É conhecida de todos a história da Cinderella, uma menina que
vivia escravizada pelas suas irmãs feias e apenas preocupadas com a vida
social, Facebook, Instagram, Pinterest, guest lists, private parties, etc,
deixando os trabalhos domésticos para irmã, qual patinho feio. E isto tudo com
a cobertura da madrasta, megera com idênticos hábitos sociais das filhas.
Um dia apareceu um mágico que transformou a nossa querida
Cinderella numa princesa, mas até à meia-noite, hora em que o agradável feitiço
terminou. A Cinderella ou Gata Borralheira, saiu do Baile a correr deixando
para trás um sapato de vidro. O príncipe, com o seu fetiche por sapatos,
percorreu o reino a mandar tirar os sapatos às meninas até que finalmente
chegou à Cinderella, a única a quem o sapatinho serviu no pé. A borralheira transformou-se
então em gata e passou a enrolar-se com príncipe todos os dias, durante muitos
anos. E foram muito felizes.
Na gestão este sintoma é detectável, não quando vemos alguém
tirar o sapato numa cerimónia pública, mas sim quando se vê alguém à espera de
um milagre. Com ar sonhador, faz exactamente o que lhe mandam, mas fica a
aguardar o milagre da mudança. Uma fada mágica vai aparecer, normalmente na
pele de um sócio pouco participativo na gestão, ou de uma agência de head
hunting ou recrutamento, e vai transformar a vida destes ingestores bonzinhos,
que nunca se lembraram de atirar as cinzas da lareira para cima das manas feias
e más nem de dar uns comprimidos para a diarreia à madrasta. Menos ainda se
lembraram de sair de casa e de se fazerem à vida, como os primos…
Este síndroma também se manifesta numa fase “pós fada
madrinha e baile de sonho”, em que tiveram conhecimento de outras realidades,
mas foram prontamente para casa e agora estão pacientemente a aguardar que o príncipe
venha testar o pézinho. São tão bonzinhos que aguardam pacientemente o milagre.
Se algum Tio, mesmo o do Algarve se cruza no seu caminho e sugere que saiam de
casa, eles ficam pacientemente à espera da oportunidade que nunca virá.
Provavelmente vão viver mais tempo que as manas que ocuparam sucessivamente o
lugar da madrasta e, depois destas, vão ser ainda mais mázinhas do que as manas
e a velha megera foram para ela. Racionalizam assim suas as frustrações,
criando noutra qualquer terceira pessoa o mesmo síndroma. É um percurso circular…
Uma característica comum a todos os indivíduos com esta
patologia, é a submissão e a aceitação. Aceitam as várias situações, e são
submissos, não fazendo o mínimo para sair delas. A vitimização é também
constante, mas não falam muito no assunto, esperam que os descubram.