Há algum tempo que o meu dia começa com o ginásio.
Habituei-me ao ritmo de me levantar mais cedo e passar a primeira hora da manhã
em tapetes, bicicletas, remadas e, desde que me atribuíram um PT, no que
costumo chamar de exercícios do templo Shaolin ou, na linguagem deles, os
isométricos.
Para quem só conhecia a palavra isométrica para falar de
perspectivas, abriu-se uma nova perspectiva de exercícios. Insisto na palavra,
pois é mesmo uma questão de aparência. Depois do choque inicial de utilizar o
peso do próprio corpo para trabalhar os músculos – e devo confessar que não sou
nada fan de musculação – até comecei a gostar daqueles exercícios matinais.
Reparei, e com alguma satisfação (devo confessar…), que a
exigência ia sendo maior à medida que ia cumprindo com mais facilidade os
objectivos que me iam sendo dados. Até que o PT que habitualmente me
acompanhava foi de férias e, no seu lugar, apareceu uma PT.
A minha primeira reacção foi a que imaginam: Absolutamente
neutra.
Acreditaram? Bem me parecia. A marcha no tapete foi um
instante, parecia que voava e o tempo tinha sido reduzido. O obstáculo seguinte
foi a bicicleta, nada de muito complicado também. O remo levou-me aos 160 mas a diferença só se fez sentir
quando cheguei ao tapete, o verdadeiro altar do templo shaolin. Aí é que a
miúda mostrou o poder, não de uma monja, mas de uma autêntica sacerdotisa.
Castigou-me valentemente com os abdominais – e eu já sabia que tinha uma data
deles - e fazia batota na contagem dos segundos, que se arrastavam penosamente
mas, tenho que confessar enquanto olhava para a miúda e ela para o relógio o
tempo não custava tanto a passar. Imaginei que havia coisas mais simpáticas
para fazer naqueles tapetes e com aqueles músculos mas fiquei-me por aí…Não me
estiquei muito, não fosse, pela falta de aquecimento, provocar alguma rotura de
tendões…Mas apeteceu-me esticar e parecia que ela me tinha lido o pensamento pois a
seguir foram os alongamentos.
Amanhã há mais…