Tenho ao longo destes textos tentado ironizar com as medidas
dos sucessivos desgovernos. Em particular o mais poderoso, Socas I, Le Bon Vivant,
Notre Frère de Paris, des lumières et de la Seine, mereceu muita da minha atenção.
Desde aí a coisa perdeu alguma graça, ganhou severidade e a pressão da troika
limitou as minhas cartinhas aos sobrinhos desses outros tios por aí espalhados.
Terá a ironia do Tio sido uma resposta homeostática provocada
pela acção-reacção dos antónimos ironia socrática e ironia socretina? Não sei e
não tenho nenhuma alma amiga queira psicanalisar-me a esta hora…
Veio o Coelhinho, e deixei de ir ao circo, mas ainda mantive
alguma vontade, com as caldeiradas. Sucedeu-se o brutal aumento da carga
fiscal, conforme foi anunciado pelo sósia português do Mr. Bean, mas sem
nenhuma graça. E neste processo a vontade de grandes cavalgadas pelos campos do
sarcasmo, abandonou-me…
Mas há sempre alguma réstia de esperança, mesmo com uma
réstia de alhos ao pescoço…
Estamos a chegar à silly
season, onde os disparates são mais concentrados no tempo e por isso
notam-se mais. Mais impostos virão para suprir os milhões em falta, uma vez que
cortes na despesa, não há coragem para os fazer. Eleições em 2015, oblige… Mais impostos onde?
Havia uma canção revolucionária cuja letra me lembro, e que
dizia qualquer coisa como: “O cigarro paga imposto, o fósforo imposto paga, só
falta pagar imposto a mxxx que a gente cxxx”. Ora não é novidade nenhuma, esta
ideia. Na antiga Roma, onde se defecava em público, em salas próprias para o
efeito, havia imposto sobre a urina… que era usada nas lavandarias, as fullonicas!
Este imposto foi criado pelo Imperador Vespasiano, que
também deu origem ao célebre “pecunia non olet”, que esta rapaziada do new stablishement, ligada a negócios de
merda tão bem conhece.
Não percebo nada de linguística – apesar de ter tido um
óptimo professor e ter lido o Ferdinand de Saussure – por isso não sei se
existe relação, mas sempre que utilizar a palavra fulano, vou pensar nesta
nobre profissão de lavandaria romana. Já para bochechar continuo a preferir um
elixir do Lidl, ou do Pingo Doce, apesar dos efeitos benéficos desses líquidos naturais
usados pelos romanos. Vejo-me sim, com o hissope que a natureza me deu em punho,
a aspergir alguns destes novos publicanos, com esse líquido puro e miraculoso…