quarta-feira, 2 de julho de 2014

Ainda podemos ir mais longe...



Tenho ao longo destes textos tentado ironizar com as medidas dos sucessivos desgovernos. Em particular o mais poderoso, Socas I, Le Bon Vivant, Notre Frère de Paris, des lumières et de la Seine, mereceu muita da minha atenção. Desde aí a coisa perdeu alguma graça, ganhou severidade e a pressão da troika limitou as minhas cartinhas aos sobrinhos desses outros tios por aí espalhados.

Terá a ironia do Tio sido uma resposta homeostática provocada pela acção-reacção dos antónimos ironia socrática e ironia socretina? Não sei e não tenho nenhuma alma amiga queira psicanalisar-me a esta hora…

Veio o Coelhinho, e deixei de ir ao circo, mas ainda mantive alguma vontade, com as caldeiradas. Sucedeu-se o brutal aumento da carga fiscal, conforme foi anunciado pelo sósia português do Mr. Bean, mas sem nenhuma graça. E neste processo a vontade de grandes cavalgadas pelos campos do sarcasmo, abandonou-me…

Mas há sempre alguma réstia de esperança, mesmo com uma réstia de alhos ao pescoço…

Estamos a chegar à silly season, onde os disparates são mais concentrados no tempo e por isso notam-se mais. Mais impostos virão para suprir os milhões em falta, uma vez que cortes na despesa, não há coragem para os fazer. Eleições em 2015, oblige… Mais impostos onde?

Havia uma canção revolucionária cuja letra me lembro, e que dizia qualquer coisa como: “O cigarro paga imposto, o fósforo imposto paga, só falta pagar imposto a mxxx que a gente cxxx”. Ora não é novidade nenhuma, esta ideia. Na antiga Roma, onde se defecava em público, em salas próprias para o efeito, havia imposto sobre a urina… que era usada nas lavandarias, as fullonicas!

Este imposto foi criado pelo Imperador Vespasiano, que também deu origem ao célebre “pecunia non olet”, que esta rapaziada do new stablishement, ligada a negócios de merda tão bem conhece.

Não percebo nada de linguística – apesar de ter tido um óptimo professor e ter lido o Ferdinand de Saussure – por isso não sei se existe relação, mas sempre que utilizar a palavra fulano, vou pensar nesta nobre profissão de lavandaria romana. Já para bochechar continuo a preferir um elixir do Lidl, ou do Pingo Doce, apesar dos efeitos benéficos desses líquidos naturais usados pelos romanos. Vejo-me sim, com o hissope que a natureza me deu em punho, a aspergir alguns destes novos publicanos, com esse líquido puro e miraculoso…

sábado, 28 de junho de 2014

Eu até votava num candidato à presidência do Benfica…



Não vi o jogo da selecção contra a Alemanha. Felizmente foi um dia difícil e a meio da tarde não me apeteceu interromper o que tinha para fazer, para assistir a uma feira de vaidades, precedida por uma corte de peritos em futebolês.

Também não vi o jogo contra os states. Ainda tenho na memória o brilhante desempenho de Portugal no mundial da Coreia, como certamente os americanos, também teriam memória fresca da guerra que lá andaram a travar, e que deve ter servido de explicação para a vitória por 3-2 contra Portugal. Anos mais tarde, ali bem perto, no Vietname acabariam por se meter em maus lenções mas os comentadores desportivos, filósofos da bola e do esférico já não precisariam de aproveitar essa derrota histórica para justificar nada.

E com o Ghana se acabou o nosso mundial quase tão mau como o que referi na Coreia e Japão. Não houve Ghanas de ganhar e faltou uma grevezinha, ao melhor estilo de Saltilllo… Essa oportunidade ainda virá, a avaliar pelo caminho que a selecção está a levar.
Não gosto do futebol, que nos invade semanalmente os telejornais, rádios, até as revista cor-de-rosa que vejo nas montras dos quiosques, mas gostava de ter visto o mundial, de vibrar com a nossa selecção como no longínquo ano de não sei quando, em que fomos infamemente derrotados num europeu, por uns penaltys fabricados pelo Platini. Parece que agora é um dos que manda na FIFA. Fífias…

Deste mundial bastou-me ver nas redes sociais a selfie com o Cavaco e o que parecia ser uma mistura de Tomahawk (gosto muito desse corte, mas em mulheres, noutro contexto), com o saudoso António Variações, o Ronaldo, sem caspa, e outros que não conheço.

A propósito dessas vaidades, das tatuagens e cortes de cabelo punks, recordo uma viagem de carro para o Algarve – sozinho - em que me esqueci dos CDs e fiquei o tempo todo a ouvir rádio, sem RDS, na altura. Desesperadamente precisei do rádio para vencer o sono e o que estava na berra era a campanha para a presidência do Benfica. Sim, foi há séculos, não tinha havido europeu em Portugal nem essas loucuras que o antecederam e seguiram. Um dos candidatos, lembro-me que era engenheiro – o que é bom sinal no futebol e na política, ter uma profissão – e que num frente a frente dizia que se fosse eleito proibia os jogadores de usar fraldas para fora durante os jogos, proibia os brincos, piercings, tatuagens e cortes de cabelo extravagantes…

Foi uma pena que não tivesse ganho, pois quem propõe coisas destas, de certeza que tem vontade de disciplinar esses meninos mimados que ganham milhões e fazem estas figuras… E possivelmente influenciaria a Federação que não deixaria que um brasileiro com nome espanhol fosse envergonhar o nosso país. Com sorte, até vetaria a ida de lesionados para o outro lado do atlântico e, provavelmente, não deixaria que a escolha dos jogadores fosse influenciada por birras.

Enfim, não gosto deste futebol, e tenho pena de não me lembrar do nome deste candidato!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

CARTAS AO BLOGGER



Ao abrigo nº 1 do artigo 1 da Lei da Blogosfera e do Bom Senso – BLOBOS – Direito de Resposta - publico email que recebi de um leitor atento: 

O abaixo-assinado António Bernardo Risos, tendo lido atentamente o texto pulicado sob o título “A poesia dos números, um exercício desubjectividade “ declara a sua discordância com o mesmo e com o tom depreciativo dado ao assunto, que é de extrema importância para todos. O aumento do IVA é uma pentelhice, e o da TSU – outra pentelhice - mas são mais do que necessários para a sustentabilidade do Sistema da Segurança Social”.

E a resposta do Tio:
Meu caro sobrinho,
Sabe como me custa trazer à praça pública estes nossos emails, mas vejo que tem que ser… O que está em causa não é o aumento em si, mas a forma do anúncio, como bem percebeu! Precisamos de uma taxa de IVA mais elevada, mas temos que baixar nalguns produtos fundamentais! A tendência para a fuga aumenta assim que a taxa sobe…O controlo melhorou significativamente desde o tempo do Palocas, com os sistemas informáticos, mas é preciso mais incentivos a que se peçam facturas. É também preciso aplicar melhor o dinheiro dos contribuintes! Pode ler o que escrevi a esse propósito, há já bastante tempo, (O Bodo aos Pobres)! A mim horroriza-me que o Pedrito ande montado numa máquina de 85.000 euros, mesmo que não tenha sido ele a comprá-la, enquanto anuncia mais umas sopinhas! É preciso decoro! 

Também é imprescindível a revisão da TSU, como bem sabe! Faria sentido criar um tecto às pensões de reforma (ou seja, tirar o teto a alguns mamões), e acabar com as subvenções vitalícias de políticos reformados e outras vergonhas do mesmo género que ainda subsistem, apesar de algum esforço feito nos últimos anos… E os deputados? É melhor não continuar que ainda quero ir comer qualquer coisa hoje.
Um abraço do Tio

Post Scriptum (não uso a sigla para não se confundir com propaganda a um partido político português: O menino não deve usar essa linguagem da pentelhice! Não lhe fica nada bem, o Dudu que diga o que quiser – pintelhice ou pentelhice, ele lá sabe do que fala - mas o menino não pode fazer isso, tá bem?
T. do A.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A poesia dos números, um exercício de subjectividade



Datas de jogos de futebol importantes são sempre escolhidas pelos nossos governantes para anúncios tristes. Estas vitórias últimas do Benfica não foram excepção…E, com o gosto que se lhes reconhece para as siglas e acrónimos, ficámos a conhecer o DEO. DEO não é desodorizante (teremos que passar a dizer deodorante?), não veio em roll-on, mas sim em rol-in, para ficar para 2015. Enrolem e ponham onde quiserem…

Ao contrário do Memorando para a Reforma do Estado, que hoje baptizo como MERMEDO, o DEO tem coisas concretas e não generalidades. Vai até ao detalhe de acabar com o IVA (outro acrónimo que veio para ficar), uma vez que os impostos não vão aumentar, de acordo com o que tem vindo a público. Aproveito para esclarecer algum eventual desatento que tenha encontrado esta página ao procurar no Google desodorizantes, que a TSU, de facto, não é um imposto. Por isso pode aumentar.

Ora acontece que 0,25%, sim apenas um quarto de unidade, duas décimas e meia, umas meras 25 centésimas, não é nada! Como diria Robin Fod (a face negra do Locksley): Tirar um pouquinho a toda a gente não custa nada, mas no final dá um montão cá para a malta!

E assim chegamos à originalidade dos 23,25%, a nova taxa que veio para ficar, enquanto não sobe até aos 25%. A acontecer isso, dirão certamente que a Suécia é um belo país para servir de exemplo, mas só para algumas coisas!

Espero que não nos prometam que as mulheres vão ficar todas loiras e com 1,85 ou, pior ainda, se o Benfica hoje ganhar, que anunciem que foi um pequeno lapso. Onde se dizia 23,25%, queria dizer-se 25%. É tão fácil de corrigir com o find and replace de qualquer processador de texto…

O muito, o grande, o pouco e o pequeno são subjectivos. Já o enorme aumento foi bem objectivo. Falta saber onde termina mas não é este mês, de certeza.

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