segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Soft power sagrado ou hard porno profano?



Nem me atrevo a comentar… Porque já comentei antes, mas nãotinha o vídeo, que bem pode ir para a colecção do Panthéon (sim é para não rimar com colecção, e fica muito mais tio). Fiquei a pensar se o soft power sagrado tem alguma coisa a ver com as vacas sagradas. Sim, são soft porque não têm cornos, as ditas cujas que se riem para presidentes da república, com minúsculas de acordo com a dimensão moral e intelectual destes hard descarados que governam. Evitei dizer que nos governam, pois como também se governam, fiquei na dúvida sobre a preposição a usar…

Cara dura, hard face, narizes de cera, facebookdependentes que temos que aturar e, mais difícil ainda, pagar. São o dark side desta dita democracia que em quarenta anos ainda não soube equilibrar-se, nem mostrar os valores porque tantos almejaram e porque tantos outros lutaram. A terceira república é, definitivamente, a república das bananas podres que ficaram nas bananeiras por não haver quem, de catana na mão, lhas tivesse cortado rentes…

É o dark power que se esconde na sombra gray da indefinição e o pink power que precisa das outras sombras de grey para calibrar a sua sexualidade envergonhada…
Monstros profanos!

E assim, com o devido respeito pelas instituições, já usei parte do jargão etnocentrista europeísta, maoísta e pseudo cultural da actualidade, perdão: atualidade.




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A propósito do desejo



Tenho lido com frequência a frase “um desejo incontrolável…”

E sem reflectir, mas sentindo esse mesmo desejo, eis-me a dissertar sobre o tema. Dissertar, em Tiologia (ciência que se dedica a estudar os Tios e as suas relações), vem do inglês desert, por isso dissertar é escrever sobre coisas doces ou, por vezes, menos doces (e não estou a falar do ruibarbo).

O desejo para mim é sempre incontrolável. É quase aquela pulsão freudiana do eros, que nunca controlo mas às vezes contenho. Por isso, na minha perspectiva, desejo incontrolável é uma figura de estilo que dá pelo nome de pleonasmo…
É incontrolável quando adivinho aquele perfume que conheço tão bem e que me desperta os sentidos para um mundo de sedução. Incontrolável quando, num jantar tranquilo, me pergunta, de forma discreta, mas com a maior naturalidade do mundo, se sei o que tem vestido. Incontrolável quando sinto os seus lábios nos meus, os meus no seu corpo e também nos seus lábios.

É incontrolável quando sinto aquele corpo tão perto do meu que o abraço surge como natural, fechado. E quando o abraço e envolvo, sinto-me também envolvido. Agarro, fico agarrado e juntos libertamo-nos do presente, voamos até ao limite da nossa vontade, sem amarras nem limites. E o tempo perde dimensão, nessa vontade incontrolável…

Incontrolável é pouco. Indomável, talvez.

E há séculos que não escrevo nada sobre elevadores…

Chamam a isto CRM? Vou ali e já volto, outra vez…



Eu chamava-lhe um figo, se não estivesse escrito de acordo com o aborto ortográfico. Também não posso dizer que é pidesca, porque este banco já foi devidamente limpo, polido e engraxado, como o Banco Para Néscios. Tenho que me limitar ao Cliente Resistente como a M…, para compreender esta trata dos “outros tidos como pertinentes”, pois cada vez que abro o site, recebo esta mensagem…

E imagino o diálogo:
O senhor(a) Cliente trouxe o seu passe L1? Sabe que é muito importante para nós saber para onde se desloca e como se desloca…
Ou, em alternativa:
O senhor(a) cliente trouxe a sua licença de isqueiro? Não existe há mais de 40 anos, mas podia ter trazido a do seu avô…
Os empregados mais zelosos podiam ainda, delicadamente, pedir o Boletim de Vacinas:
O senhor(a) cliente sabe que é muito importante para nós conhecer o estado de saúde dos nossos clientes. Pode mostrar-me o seu boletim de vacinas?
Enfim, a imaginação não tem limites, mas o texto original é muito melhor do que alguém poderia  imaginar:

Estimado(a) Cliente,
A atualização dos seus dados é essencial para a qualidade dos serviços que oferecemos e ajuda a garantir a sua segurança e proteção.
De acordo com o estabelecido no Aviso 11/2005 do Banco de Portugal e nas Condições Gerais do Contrato de Depósito à Ordem, deverá manter sempre atualizados os seus dados no Banco e comunicar-nos quaisquer alterações verificadas nos elementos de identificação.
São considerados elementos de identificação os seguintes:

Particulares
- nome completo, morada completa, profissão e entidade patronal, cargos públicos que exerça, tipo, número, data e entidade emitente do documento de identificação; outros tidos como pertinentes.

Empresas
– denominação social, objeto, endereço da sede, identificação dos titulares de participações no capital e nos direitos de voto da pessoa coletiva de valor igual ou superior a 25%, identidade dos titulares dos órgãos de gestão da pessoa coletiva; outros tidos como pertinentes.
Assim, da próxima vez que se dirigir a uma Agência ou Gabinete de Empresas do Banco Bastante Independente e Curioso, traga consigo os seguintes documentos:

- Bilhete de Identidade, Cartão de Cidadão ou Passaporte;
- Documento comprovativo de morada de residência (carta de condução atualizada ou recibo de pagamento de água, eletricidade, gás, telefone, internet);
- Documento comprovativo da profissão ou da entidade patronal (recibo de vencimento, declaração da entidade patronal, etc.);
- Certidão da Conservatória do Registo Comercial (no caso dos Clientes Empresa).

Com os melhores cumprimentos,
Banco Bastante Independente e Curioso

Nota: Os sublinhados são do Tio do Algarve, assinalam os erros. O bold, também, assinala o importante. O texto é o original.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Chamam a isto Marketing? Vou ali e já volto…



Mas vou à luz da vela, ou do candeeiro a petróleo, não vá haver alguma interrupção de fornecimento ou ser obrigado a pagar para mudar de “comercializador”. E aqui se vê como os clientes são difíceis. Até se dão ao trabalho de copiar textos de emails, publicá-los nos blogs só porque acham ridículos alguns argumentos de venda e a palavra comercializador

O melhor será voltarmos aos tempos em que se pretendeu traduzir a palavra marketing por comercialização. A ex-Sociedade Portuguesa de Marketing, agora APPM (Associação Portuguesa dos Profissionais de Marketing), começou por se chamar Sociedade Portuguesa de Comercialização (Marketing). Ao que julgo saber, não foi autorizado em 1967 o uso da palavra Marketing, tendo sido escolhida Comercialização como substituta mais adequada.

Ao longo dos anos várias tentativas de traduzir a palavra foram tentadas. Felizmente desistiram e passaram a usar o termo Marketing. Até os nossos irmãos do outro lado do Atlântico! Imaginem se com o aborto ortográfico, com esta sanha de legislar e criar regras onde não fazem falta nenhuma, tivéssemos que usar Mercadologia? Aí teríamos Mercadólogos, como temos Politólogos, Comercializadores, ai esta parece que já temos, Publicitadores, Retalhalhadores, Varejadores - como andam com tanta vontade agradar aos nossos irmãos eles usam varejo e varejista e, claro, crème de la crème, atacador, que é o atacadista brasileiro adaptado para o aborto ortográfico…

- Que faz, vossa senhoria?
- Sou atacador, meu senhor…

E foi este o textículo que motivou o meu post. Obliterei o nome da empresa porque não quero ficar às escuras:

“Com o fim das tarifas reguladas, deve escolher o seu novo comercializador no mercado livre e mudar os seus contratos de eletricidade e gás natural.
Adira já à oferta da FEQ, empresa do grupo FEQ no mercado livre, com benefícios exclusivos para si:
            descontos de 5% no gás natural e 3% na eletricidade
            comunidade FEQ - descontos e ofertas na nossa rede de parceiros
            condições especiais de acesso aos serviços FEQ.
E mudar é muito simples:
            gratuito: não paga nada pela mudança
            automático: sem interrupções de fornecimento de energia
            cómodo: indique o seu contacto aqui e ligamos-lhe gratuitamente.”

Mas se quiserem saber mais sobre esta empresa, podem sempre fazê-lo aqui, pois já me tinha debruçado sobre o tema...

E as velinhas até são românticas, não acham?

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