quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Símbolos, Políticos e Polícias, uma escada até ao fundo.



Nunca imaginei que estas três palavras se relacionavam de forma tão pouco subtil e negativa, até há dias, quando vi no condensado de notícias das 24 a manifestação das “forças da ordem”, os comentários dos dirigentes sindicais e os dos políticos de serviço.

O pomo da discórdia são as escadas, que habitualmente se usam para subir e também para descer, sendo certo que neste último sentido a gravidade facilita muito o processo. Já o da subida parece que tem outra gravidade… Talvez não seja a de Newton.

Ora as escadas da casa dita da democracia, mas muito dada ao deboche, têm sido poupadas às subidas por populares, não confundir com elementos de um partido que se quer chamar popular, estudantes, estivadores, funcionários do estado – populares ou não. E para este resguardo das ditas escadas, guardadas a bom recato, apesar de muito expostas na via pública, muito tem contribuido as forças da ordem, de casse-tête em punho, bastão em riste, escudo de policarbonato à frente. Sem frete nenhum, até parece que com prazer, tem saído dos braços das forças da ordem a força para cumprir as ordens da democracia política. Isto tudo numa Polis em que já nem ninguém acredita, políticos, polícias, populares…

E tem sido assim, até há dias, em que as escadas, verdadeiras guardiãs das portas largas da dita democracia foram devassadas, à frente de todos. Foi quebrado esse último reduto do alegado respeito pela dita democracia: As escadas foram galgadas! Apetecia-me dizer montadas, mas soava muito a cavalgadas, na língua portuguesa, mas em cavalo de sela francês. E não podemos falar nesse tema, que lembra mais um imposto do M. Países Baixos, que tanto prometeu o contrário! Mais oui, nous somme frères!

Deixando estas manifestações sobre cavalos franceses (adorava ver o M. Assurance com uma máscara daquela manifestação) e voltando aos nossos manifestantes e às nossas manifestações, já com as escadas conquistadas – faltou a bandeira da democracia v 2.01, espetada – eis que um dos leaders, salta, desenlaca e atira com a bujarda do símbolo: Isto é um símbolo, disse bem alto para quem o quis ouvir.
E não se fizeram ouvir, nem se deixaram ver as bastonadas, as cargas, os bastões nem os escudos. 

Venceu a democracia, alguém disse. Só foram até onde quiseram ir, de forma simbólica. Lindo exemplo de respeito…Pena é que quem tem por missão fazer cumprir regras não as cumpra, para mostrar que tem força. Ou armas. Teriam a força da razão e ficaram com a razão da força, através das armas. Alguém dizia que não se repetiram os ” Secos e molhados”. Nem sei se por bem ou por mal, mas ficam algumas ideias para próximas manifestações.

Para a CARRIS e STCP: fazer circular os autocarros a 100km hora, não parar nos semáforos, mudar os percursos a contento dos motoristas. Como primeiras medidas, de iniciação à temática.
Para os Correios, agora que vão ser privatizados, sugiro não ler os destinatários das cartas e colocar os sobrescritos nos receptáculos de forma aleatória. Poderíamos ir mais longe e tentar um Mega POLAR POSTCROSSING com todo o correio distribuído em Lisboa, num determinado dia por exemplo.
Para os Metros de Lisboa e Porto, uma ideia interessante, poderia ser jogar ao um-dó-li-tá e, em função dos resultados abrir, ou não, as portas das carruagens, nas estações.
Outra ideia interessante poderia ser a troca de medicamentos nos hospitais, ou a troca de seringas usadas, numa nova roleta da democracia.

Mais haveria a dizer sobre o assunto, mas no caso dos polícias e independentemente de todas as razões que pudessem ter para fazer a manif (e acredito que as terão) o terem-se servido da subida das escadas como um símbolo, lembra as pessoas que querem subir na vida a partir da política. Sobem, mas descem na consideração de todos nós...E muitos subiram mesmo aquelas escadas. Outros entraram pela garagem.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Técnico Político e Técnica Política, uma questão não só de género, mas também de sexo



Depois do Inglês Técnico, chegou a Recessão Técnica. O nossoministro que já foi da defesa, passou ao ataque e que ainda teve tempo para empatar bastante o nosso tempo, anunciou que o país iria chegar ao fim da recessão. No seu bom estilo insistiu duas vezes no poderia…E também duas vezes no apodo técnica, imediatamente a seguir à palavra recessão.

Esta recessão não é a recepção do fim do túnel. É mesmo a saída para o ar livre, segundo a fonte citada. Não é preciso fazer nenhum check-out para sair da recessão técnica, nem check-in para entrar no paraíso, local mítico para onde iremos, não depois de morrer, mas depois do chamado período da troika. O pós-troika é o paraíso desta nova religião de técnicos políticos, malabaristas das palavras e trapalhões nos actos. Perdão, atos, porque ministros destes certamente escrevem com o aborto ortográfico. Reflectindo melhor sobre o assunto e vendo as recentes expressões usadas pela plêiade política portuguesa, deveria ter usado o “concerteza” palavra que em político técnico designa um certeza absoluta e indiscutível mas que pode não o ser dia seguinte…É uma questão de periscópio, consoante aponta a barlavento ou sotavento. Neste caso concreto estou em crer que aponta à ré (no sentido náutico do termo e não no jargão dos tribunais!) e, em função da esteira, vai orientando o rumo…

Algum leitor mais habituado ao meu género neo-barroco, soft-satírico, concêntrico, inspirado no nosso imperador da língua portuguesa (como me sabe bem ler um sermão, de vez em quando, perdão, de quando em vez), mas salpicado de influências vicentinas, pensará que estou a ser irónico com esta história do periscópio, mas não. E é aqui que se confundem os géneros e misturem os sexos…

Na técnica política moderna, os políticos, técnicos, são conduzidos por sondagens que, obviamente, ocorrem depois dos factos…É forçoso que seja preciso olhar constantemente para trás (sim, com s, eventual novo leitor, aderente ao AO, que aqui tenha chegado e fique com essa duvida) para conseguir seguir em frente…O caminho é sinuoso, pois claro…Experimentem conduzir um carro a olhar para o retrovisor!

Naturalmente não é este o caso dos submarinos. Esses têm radar e uns milhões de ferramentas de alta tecnologia – a técnica, a técnica – que os orientam. Como se vê nos filmes, basta colocar uma chave, para disparar, ou para outra coisa importante.

A ministra especializada em swaps que não faz poupança, mas apenas Formação Bruta de Capital Fixo, muito calmamente ao lado ouvia, como boa aluna, o discurso do novo mestre das técnicas e príncipe dos técnicos. Ela é técnica, ele não. Ele é político técnico e ela não percebe nada de política.
Paulatinamente as palavras saíam-lhe, e o Tio no remanso de uma sala pública deu-se conta deste novo milagre técnico-político. Quando convém aos políticos, as decisões são técnicas. Quando convém aos técnicos, as decisões são políticas… Bendita irresponsabilidade que nos arrasta até ao fundo, ao negro fundo do mar, onde não chegam navios nem submarinos. Nem os escavadores de documentos perdidos lá se atrevem a mergulhar.

Imagino que alguém com tempo se dedicará a uma tese sobre a metapolitica. Outros, como eu, prefeririam a matapolítica, mas tenho um tesão à minha frente que não me deixa ver nada, nem escrever muito sobre este tema muito mais interessante. Não são 600 páginas, é certo, mas o conteúdo também vale a pena e prometi-me a mim mesmo, reforço, tratar dela até ao final do ano…E esta é a realidade, nem sempre fazemos o queremos, mas o que podemos. Mas devemos querer, antes de mais! Temos que querer e tentar. Avancemos pois, contras os canhões e os submarinos!

Nota final: Já que falei no assunto, a Grécia, grandepotência económica da CE, não comparável com Portugal, comprou quatro trirremesde afundar, mas lá houve corrupção, que eles não tocam no dinheiro do estado. Só com luvas. O Touaki Toute Apolos foi preso… Quem é que chama Papanicolau, ou lá o que é a um submarino daquele tamanho? O que é que estava à espera?
Cá em Portugal, foi uma brincadeira apenas. Mal comparado,foram uns supositórios. Não custou nada. O gel lubrificante faz milagres. O ministério público pedia há dias o que se sabe para os arguidos no caso dascontrapartidas…Uns grãos de areia no sítio errado. Que desconforto!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Inflamado e doente



As recentes e inflamadas declarações de um dos nossos ex-presidentes da república, remete-me para outros significados dessa palavra e das suas derivadas. Inflamadas lembram-me doentes e neste caso já não iremos a tempo de alguma amputação. Talvez uma pequena reparação…

E doentes porque não consigo descortinar outra causa para as mesmas que não a mais recente questão das avenças – ou será que lhes devia chamar tenças – vitalícias dos políticos. É um tema pertinente e que também motivou reacções no mesmo sentido, de outro ex-presidente.
Tenho ao longo destes textos ironizar com os políticos portugueses e o conceito que têm de serviço e de servir. Que asco, diria um famoso escritor do séc. XIX. Que ferro, diria outro…

Que conceito de política, terão estas pessoas? Nos tempos da I República que estes novos republicanos tanto referem e citam, as pessoas tinham causas, acreditavam nelas e sacrificavam-se por elas… Não vivam confortavelmente à sombra de passados de “defesa da democracia”!



Plagio o discurso também inflamado de Afonso Costa sobre o fim da monarquia e dos seus privilégios em Novembro de 1906, onde também julgou e condenou publicamente à morte o rei D. Carlos: «Por muitos menos crimes do que os cometidos por D. Carlos I, rolou no cadafalso, em França, a cabeça de Luís XVI», dizendo que talvez por muito menos disparates já muito bom cidadão foi declarado tonto…

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