Depois do Inglês Técnico, chegou a Recessão Técnica. O nossoministro que já foi da defesa, passou ao ataque e que ainda teve tempo para
empatar bastante o nosso tempo, anunciou que o país iria chegar ao fim da
recessão. No seu bom estilo insistiu duas vezes no poderia…E também duas vezes
no apodo técnica, imediatamente a seguir à palavra recessão.
Esta recessão não é a recepção do fim do túnel. É mesmo a
saída para o ar livre, segundo a fonte citada. Não é preciso fazer nenhum
check-out para sair da recessão técnica, nem check-in para entrar no paraíso,
local mítico para onde iremos, não depois de morrer, mas depois do chamado
período da troika. O pós-troika é o paraíso desta nova religião de técnicos
políticos, malabaristas das palavras e trapalhões nos actos. Perdão, atos,
porque ministros destes certamente escrevem com o aborto ortográfico.
Reflectindo melhor sobre o assunto e vendo as recentes expressões usadas pela plêiade
política portuguesa, deveria ter usado o “concerteza” palavra que em político
técnico designa um certeza absoluta e indiscutível mas que pode não o ser dia
seguinte…É uma questão de periscópio, consoante aponta a barlavento ou
sotavento. Neste caso concreto estou em crer que aponta à ré (no sentido
náutico do termo e não no jargão dos tribunais!) e, em função da esteira, vai
orientando o rumo…
Algum leitor mais habituado ao meu género neo-barroco, soft-satírico,
concêntrico, inspirado no nosso imperador da língua portuguesa (como me sabe
bem ler um sermão, de vez em quando, perdão, de quando em vez), mas salpicado
de influências vicentinas, pensará que estou a ser irónico com esta história do
periscópio, mas não. E é aqui que se confundem os géneros e misturem os sexos…
Na técnica política moderna, os políticos, técnicos, são
conduzidos por sondagens que, obviamente, ocorrem depois dos factos…É forçoso
que seja preciso olhar constantemente para trás (sim, com s, eventual novo
leitor, aderente ao AO, que aqui tenha chegado e fique com essa duvida) para
conseguir seguir em frente…O caminho é sinuoso, pois claro…Experimentem
conduzir um carro a olhar para o retrovisor!
Naturalmente não é este o caso dos submarinos. Esses têm
radar e uns milhões de ferramentas de alta tecnologia – a técnica, a técnica –
que os orientam. Como se vê nos filmes, basta colocar uma chave, para disparar,
ou para outra coisa importante.
A ministra especializada em swaps que não faz poupança, mas
apenas Formação Bruta de Capital Fixo, muito calmamente ao lado ouvia, como boa
aluna, o discurso do novo mestre das técnicas e príncipe dos técnicos. Ela é
técnica, ele não. Ele é político técnico e ela não percebe nada de política.
Paulatinamente as palavras saíam-lhe, e o Tio no remanso de
uma sala pública deu-se conta deste novo milagre técnico-político. Quando
convém aos políticos, as decisões são técnicas. Quando convém aos técnicos, as
decisões são políticas… Bendita irresponsabilidade que nos arrasta até ao
fundo, ao negro fundo do mar, onde não chegam navios nem submarinos. Nem os
escavadores de documentos perdidos lá se atrevem a mergulhar.
Imagino que alguém com tempo se dedicará a uma tese sobre a
metapolitica. Outros, como eu, prefeririam a matapolítica, mas tenho um tesão à
minha frente que não me deixa ver nada, nem escrever muito sobre este tema muito
mais interessante. Não são 600 páginas, é certo, mas o conteúdo também vale a
pena e prometi-me a mim mesmo, reforço, tratar dela até ao final do ano…E esta
é a realidade, nem sempre fazemos o queremos, mas o que podemos. Mas devemos
querer, antes de mais! Temos que querer e tentar. Avancemos pois, contras os
canhões e os submarinos!
Nota final: Já que falei no assunto, a Grécia, grandepotência económica da CE, não comparável com Portugal, comprou quatro trirremesde afundar, mas lá houve corrupção, que eles não tocam no dinheiro do estado.
Só com luvas. O Touaki Toute Apolos foi preso… Quem é que chama Papanicolau, ou
lá o que é a um submarino daquele tamanho? O que é que estava à espera?
Cá em Portugal, foi uma brincadeira apenas. Mal comparado,foram uns supositórios. Não custou nada. O gel lubrificante faz milagres. O
ministério público pedia há dias o que se sabe para os arguidos no caso dascontrapartidas…Uns grãos de areia no sítio errado. Que desconforto!