E para ti:
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Inflamado e doente
As recentes e inflamadas declarações de um dos nossos ex-presidentes
da república, remete-me para outros significados dessa palavra e das suas
derivadas. Inflamadas lembram-me doentes e neste caso já não iremos a tempo de
alguma amputação. Talvez uma pequena reparação…
E doentes porque não consigo descortinar outra causa para as
mesmas que não a mais recente questão das avenças – ou será que lhes devia
chamar tenças – vitalícias dos políticos. É um tema pertinente e que também motivou
reacções no mesmo sentido, de outro ex-presidente.
Tenho ao longo destes textos ironizar com os políticos
portugueses e o conceito que têm de serviço e de servir. Que asco, diria um
famoso escritor do séc. XIX. Que ferro, diria outro…
Que conceito de política, terão estas pessoas? Nos tempos da
I República que estes novos republicanos tanto referem e citam, as pessoas
tinham causas, acreditavam nelas e sacrificavam-se por elas… Não vivam
confortavelmente à sombra de passados de “defesa da democracia”!
Plagio o discurso também inflamado de Afonso Costa sobre o fim da monarquia e dos seus privilégios em Novembro de 1906, onde também julgou e condenou publicamente à morte o rei D. Carlos: «Por muitos menos crimes do que os cometidos por D. Carlos I, rolou no cadafalso, em França, a cabeça de Luís XVI», dizendo que talvez por muito menos disparates já muito bom cidadão foi declarado tonto…
domingo, 13 de outubro de 2013
Brinquedos e brincadeiras
Adoro brincar. E também gosto de brincar com palavras…Hoje liguei
a uma amiga com quem já não brincava há algum tempo. Disse-me que tinha um
brinquedo novo.
Fiquei a pensar se o brinquedo novo se devia ao facto de não
brincarmos há muito tempo mas, como gosto de brincadeiras, atrevi-me a perguntar
se o brinquedo era o que estão a pensar…E se não preferiria brincar com um brinquedo a sério.
Seria o que estão a pensar? O que dizem? Costumo ser discreto nas brincadeiras, mas gostava de ver se a vossa imaginação vai na mesma direcção que a minha...
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
E-Pístola a Marçala
E-pistola segundo S. António, o Galhofeiro
Andava pelas terras de Emp-Reza uma mulher de nome Marçala,
conhecida por nada saber, e por muito falar, invocando sempre o nome dos
pregadores, como se com eles tivesse convivido e os conhecesse bem.
A sua fama já a precedia e antes de chegar, um grupo de
fiéis seguidoras fazia anunciar a sua vinda, com algumas horas de antecedência,
bem como também a chamavam, frequentes vezes, antes de terminada a sua
pregação. As suas partidas eram mais imprevisíveis que as chegadas, sendo os
seus desígnios aparentemente insondáveis.
Um dia Marçala chegou a uma nova terra, de nome OH-Ásis,
abundante de recursos, mas ainda em grande parte inexplorados e de valor
desconhecido. Ficava numa região quase deserta e muito pobre, mas os seus
habitantes viviam ociosa e despreocupadamente, sem se preocuparem com a miséria
que os rodeava, pois que iam tendo o suficiente para o seu dia-a-a-dia
espartano.
A vinda de Marçala, como sempre, tinha sido anunciada e há
muito tempo que se dizia naquela terra que haveria um dia de chegar um pregador
que iria levantar e levar longe o nome de OH-Ásis, tornando-a num verdadeiro
exemplo para todas as terras de Emp-Reza.
Como sempre, Marçala chegou já depois das colheitas, com os
celeiros cheios e as mesas postas. Comeu e bebeu, fartamente, com os lavradores
e quando se preparava para lhes dirigir a palavra reparou num homem sentado ao
fundo da sala, fumando tranquilamente, de olhar absorto.
Quando falava da vida do profeta António e do que com ele
tinha privado e dos muitos feitos com ele realizados, o homem levantou-se,
calmamente, tirou o seu capuz, apagou o cigarro e disse com voz forte: Quem és
tu Mulher e de quem falas, com tanta certeza? Sabes que esse profeta, de quem
falas como se o conhecesses, está aqui, nesta sala?
Continuando, levantou os braços e disse numa linguagem que
só mais tarde foi devidamente compreendida: Quando falares de alguém
certifica-te, antes, que obtiveste a sua autorização e que falas do mesmo
assunto, com a mesma intenção. O teu conhecimento não é verdadeiro e nunca mais
falarás cá em Emp-Reza ou em Verdade…
Dito isto sentou-se e fez-se então o silêncio absoluto.
Marçala não queria aceitar a palavra do profeta, que se tinha revelado para
ela, pois que todos os outros sabiam que o conhecimento das escrituras era do
profeta e não de Marçala.
O profeta nada mais disse, mas a cerveja congelou nos
barris, o vinho azedou nas pipas e o pão ficou tão duro que ninguém o conseguiu
comer. O frio era tal que poucos ficaram naquele bar.
Marçala retirou-se então, coberta de vergonha, mas o profeta
continuou calmamente sentado, enquanto à sua volta tudo voltou ao normal e o bar
voltou a alegrar-se e a aquecer com as vozes dos convivas.
Marçala nunca mais falou e nada se perdeu com isso, mas
sempre que alguém lhe perguntava, referia-se ao seu encontro com o profeta e
dizia que mais do que falar, importava ser e conhecer.
OH-Ásis progrediu e tornou-se a mais rica e fecunda
localidade da região, não sendo precisa a intervenção do profeta que passou a
ser recordado, anualmente, numa assembleia realizada depois das colheitas, sem
que o tivesse alguma vez pedido ou desejado.
E assim nasceu o culto do profeta, naquelas terras, que
antes eram da Verdade, mas ficaram ainda mais puras, desde essa altura e até ao
presente.
Palavra da Internette.
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