Vem aí mais uma epístola. Estou a tentar fazer suspense e mostrar que não adiro ao aborto ortográfico. No entanto, uma interpretação mais profunda diria que sou um conservador, ao escrever Domingo em maiúsculas.
Maiúsculas são as letras grandes, não as malucas da Maia, em acordês...
domingo, 6 de outubro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Abraço Cerrado, mais um tango da minha vida
Aqui costumamos dizer abraço fechado enquanto no idioma de Castela
se diz abrazo cerrado. No abraço fechado a mulher está bem encostada ao homem e o abraço envolve-a.
Sinto-a chegada a mim, colada pelo peito, num abraço que tem tanto de
sensual como de protector…
E esta lembrança vem da última milonga, em que o meu par me
disse: Abraça-me, quero fechar os olhos e dançar. Não foi um pedido, nem um
desejo ou ordem. Foi uma frase de encontro. Abracei-a, puxando-a delicadamente
para mim.
Habitualmente espero que a mulher marque a distância e assim
fiz. Enquanto a envolvia com o meu abraço senti que a sua cabeça repousava
encostada na minha. Respirei e senti o seu aroma delicado e quente, enquanto as
palavras suaves foram sendo lentamente absorvidas pelo meu cérebro, que
entretanto já tinha deixado de funcionar: Abraça-me, quero fechar os olhos e
dançar.
E dançámos nessa comunhão de corpo e alma. Repetimos e voltámos
a repetir, fechando-nos para o que se passava à volta…
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Vistas Grossas
Também dizemos quando alguém olha para o lado, fingindo que
não quer ver que faz vista grossa. A
vista grossa, se usada com frequência, passa a ser um estado inicial da cegueira
provocada por não querer ver… Quanto mais repetimos esse estado de vista grossa,
mais perto estamos da cegueira voluntária. Como o hábito faz o monge – e aqui
vai um outro aforismo – é óbvio que quem muita vista grossa faz, cedo lhe vem a
cegueira!
Esta dissertação sobre a vista vem na sequência das
autárquicas e dos comentários dos leaders partidários. Tal como previa todos
ganharam. Bem, os laranjinhas talvez não, mas de resto todos ganharam, até o
esfrangalhado Bloco, ou o Penta CDS. Sugiro que em vez de Penta CDS lhe passem
a chamar Pinta CDS pois as conclusões do Paulinho são verdadeiramente
assombrosas.
Fiquei triste com o Bloco. Não por esperar que fossem a
algum lado, mas porque a Catarina é mais gira que os outros leaders e faz uns
olhinhos que arrastam muita gente. Não funcionaram desta vez. Acho que o
eleitorado vez vista grossa aos argumentos da miúda…
O PBX, Partido Berdadeiramente Xuxialista ganhou em Lisboa,
subiu o número de Câmaras e o ego do Tozé ficou tão inchado que já aumentou uns
números na camisa. De certeza que já mandou dois emails para a loja onde manda
fazer as camisas e já twitou o assunto. Só marcou uma conferência de imprensa,
para não cansar.
O que realmente me incomoda são os profissionais de
presidência de câmara. Se o Relvas se tivesse lembrado disto, tinha tirado uma
licenciatura em Presidência de Câmara e estava resolvido... Mas não, preferiu o
caminho das pedras e foi pelo folclore que se resolveu especializar. Resultado:
O povo não perdoou. Não fez vista grossa às trapalhadas…
Oh Eiras, Oh Eiras, onde andas tu, sem eiras nem beiras,
podia ter sido um slogan de campanha. Não foi. Em Oeiras, preferiram um Vistas,
que no espírito do seu mentor Isaltino, faz vista grossa ao bom senso, mas
ganha as eleições. Vai fazer o Prision Brake 25 rodado no Oeiras Parque.
Promessa eleitoral do sobrinho taxista, cheio de massa.
Mas nem tudo foi mau. O povinho mostrou que está farto que
lhe dêem a mesma palha a comer, mas reciclada de outros lados…Os candidatos que
alguém chamou de trânsfugas foram rechaçados. Gostei particularmente do Porto.
Os porcos assados nos bairros sociais não levaram a nenhum lado e o Menezes
levou um banho como nunca esperou. Sinal que não conhece as gentes do Porto.
Oferecer tripas a portistas, é como levar areia para o deserto…No Porto ninguém
fez vista grossa. Põe-te fino, carago!
E a justificação laranja, como sempre do pior. A falta de
estratégia política, de bom senso e de discernimento na escolha dos candidatos
levou ao desaire total. Como diria o povo, fez-lhes bem mas, a avaliar pelas
reacções, não compreenderam a mensagem. Não a compreenderam por fazerem vista
grossa, mas porque não a quiseram ver. E o pior cego, como diz o povo, é o
que não quer ver…
E chega de política por hoje que vou ver outra coisa mais
agradável e limpinha.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Dissertação de merda sobre as casas ditas de banho
Ao comentar este post da Pseudo, sinto-me na obrigação deescrever alguma coisa sobre o assunto das casas ditas de banho, onde também sedefeca, faz a barba e outras coisas mais interessantes. A propriedade
distributiva não se aplica, mas a associativa sim. Podemos fazer as coisas mais
interessantes, antes, depois ou durante o banho, que pode ser repetido (ou as
coisas mais interessantes). Obrar antes, pode ser conveniente nalguns casos,
mas preferencialmente noutro espaço. Numa outra casa de banho, como dizem na
minha terra, num outro quarto de banho, como dizem aqui, mas também pode ser
num quarto de defecar e lavar as mãos, como existem nalguns países. Se
quisermos ser mais púdicos na linguagem, podermos chamar-lhe “o quartinho”.
Enfim, é uma questão de gosto pessoal e quantidade de chá tomado em pequeno.
Já a peça colateral ao banho, mas central no tal quarto de
defecar, é que tem nome. Chama-se retrete e não outra coisa mais maricas, como
sanita. Sanita é a Tia Sanita, de baptismo Conceição e Sanita de “petit nom”.
Como a Tia Xaxão, também se chama Assunção, nome que a ninguém passaria pela
cabeça usar. Chamar sanita a uma retrete é como chamar viatura ou automóvel a
um carro. Mariconadas, como diriam os nuestros hermanos!
Devem ser os gajos com esposas, possuidores de viaturas
automóveis, que bebem café e tomam leite que usam sanitas para obrar. Chamam
mãe à mulher e em vez de perguntarem pelo filho (só têm um, dois com azar, ou
pela vontade de Deus), perguntam pelo menino. Mãe, onde está o menino? É a
frase predilecta, mas pode vir seguida de: Mãe, o menino já foi à sanita hoje?
Estas pessoas defecam em sanitas. Não usam retretes, nem latrinas (parece que é
melhor para a saúde anal). Não vejo outra possibilidade. Não mijam,
delicadamente urinam e como não têm mictórios – o sítio correcto para urinar – são
forçados a usar as sanitas, baixando a tampa cuidadosamente. Não mijam no
banho, nem sequer urinam. Usam o dito quarto, mas não aproveitam o banho.
Enfim, muito haveria para dizer a propósito dessa pseudo
snob palavra. Não vou continuar. Uma imagem vale mais do que mil palavras.
Quando tirei a fotografia, imaginei a reforma - la retraite – mas hoje está
tudo relacionado: A reforma é uma merda, dizem os reformados. A não ser para
quem está no trono, digo eu. Os que estão no trono não defecam. Cagam. Ironia
do destino…
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