sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Carta ao Tio Joaquim Guarda



Caro Tio Joaquim Guarda,
Espero que esta carta o vá encontrar na melhor saúde e na guarda de nosso senhor, amigo e protector, o pretor Poncius Cavacus, que nos guarda e protege a todos. Nós por cá também vamos andando, mas um pouco menos guardados, agora que a minha careca foi exposta ao vento invernoso da comunicação social e dessa corja comunista que não deixa escapar nada e, pior ainda, tem memória de elefante (será por serem tão trombudos?).

Ora parece pleonástica esta minha insistência no primeiro parágrafo, na palavra guarda, mas não é, como sabe. Sei que o nome de meu querido tio protector, que os deuses o guardem, não é guarda, mas sim de outra grande cidade portuguesa, onde também faz um frio horrível no inverno e é muito quente no verão, tipo sibéria misturada com cabo verde, onde o nosso amigo comum se tem desenrascado em mais negócios, mas muito melhores que o de Porto Rico! Pois Tio, não se chama Guarda, mas devia chamar! O Tio é que me guarda a mim, e nos guarda a todos, contrariamente a esse malandreco do Tio do Algarve que passa a vida em festas, só pensa em Tango, e anda sempre a dar-me tanga!

Ainda me lembro quando me recomendou para a Sociedade Loira das Negociatas, que bons tempos! E dava para todos, laranjas, rosas, era um arco íris…Renunciei a tempo, bico calado, mas saí… E eis que o Tio se lembra de me recomendar para secretário do espartalhismo! Que bom! Mas logo haviam de vir esses vermelhos a pôr-me a vida ao sol e o mósse marafado do algarvio a gozar o prato! Que os deuses de bastão em punho e avental branco nos guardem desses demónios! O Tio Quim também lhes deu uma tanga com aquela do BI. Foi de mestre disser que era o Bilhete de Identidade! Que estalada de luva branca (comprei umas novas que me ficam muito bem, modéstia à parte)… Fartei-me de rir e estive calado, mas apeteceu-me dizer a toda a gente, com orgulho, que era o meu Tio da Guarda a ali na comissão! Fui discreto e o Tio não se esqueceu de mim! O Conde de Massamá ficou bem servido, até me veio defender desses cães comunistas, que espiolham tudo!

Olhe Tio, espero poder ir aí para a Beira Alta na sexta-feira (assim aproveito as ajudas de custo, motorista e essas mordomias todas). Haverá alguma coisa para inaugurar? Recomende-me umas empresas de vinho para visitar, que fica sempre bem.

O seu sobrinho dedicado,

Franquelim D. Acomodado



Nota do Tio (o verdadeiro): Esta missiva veio parar-me às mãos e não resisti a publicar….
 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Mais vale director geral por um dia, que substituto toda a vida



Eis o novo plágio vivo de D. Luisa de Gusmão! Em pleno séc. XXI, em terras de Sua Majestade O Vale Tudo, sendo Curador mor do Reino o ilustre D. Pôncio Cavacus que abençoou a cerimónia, foi empossado na semana passada o homem que queria ser Director Geral no lugar do Director Geral. E esta é também uma referência ao celebérrimo Iznogoud, o Grão-vizir que queria ser Califa no lugar do Califa (E que saudades do Goscinny!) ….

Desde que fui layofilizado que não tenho tempo para nada, nem para fazer o relato desse grande evento onde, pelo preço de quatro, levámos dois brindes secretariais e perfeitamente merecedores das atenções cronistas deste vosso Tio do Algarve. Mais vale tarde do azevedo e, por isso, aqui vai a história toda.

Parece que foi uma coincidência, o homem tinha concorrido ao lugar, o lugar foi-lhe atribuído por mérito e no mesmo dia lá se lembram dele para secretário. Pronto, tudo bem! As explicações encristadas é que me deixam na dúvida. O subsídio de reintegração, esse abono que todos nós temos quando mudamos de trabalho, já estava garantido, por isso o móbil não foi a massaroca. O homem - e desconheço o mérito – até pode ser competente. Até arrisco a dizer que, no desgoverno presente, poderá haver outros também competentes, não sei. Talvez um ou outro, acredito porque até sou rapaz de boa-fé. Mas ser nomeado Director Geral na véspera de ser nomeado Secretário de Estado é uma realidade nova para mim. É outro ritmo! Dizem, de crista levantada, que é tudo legal. Ora como já disse a propósito de outras coisas, até pode ser legal, mas estranho é de certeza… E fosse de bem não batia assim. Certamente. Será de mim, será de nós? Somos demasiado sensíveis para esta nova política socre-coelhina do afrontamento directo e do facto consumado? E para piorar a coisa, as explicações da ministra do mar, do ambiente dos recursos tomatíferos, do desordenamento e de sei lá mais o quê (MinisaMarota), usou aquela expressão que só por si merecia um post, de tanta repulsa que me merece: O PROCEDIMENTO CONCURSAL! Uma das piores heranças socretinas em termos da nossa querida língua portuguesa. A ignorância é atrevida, mas ainda não vai ser agora que a senhora vai ficar a saber o que quer dizer.

Ora o nosso novo empossado, deixou o cargo de DG no dia da tomada de posse, dizem em abono da nomeação. Pois pensariam que iria acumular? Dois em um? Tutelar e ser tutelado? Ahh, cruel destino. Assim, quando regressar desta difícil tarefa, já volta para Director Geral, de facto e não de substituição! E a nova lei que aprovaram da substituição dos directores gerais com a mudança de secretários de estado? Ai que maçada! E agora? Depois se verá!

Quanto ao outro brinde deste sorteio, o do Banco Para Néscios, acho que lhe vou dedicar um escrito. Esse Banco Imune ainda vai dar que falar… E de pagar!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Fatura e fartura



 Já recebi pelo menos 5 emails da autoridade tributária e aduaneira sobre a e fatura. O carinho especial que tenho por todas as autoridades e entidades reguladoras está ao rubro e deve ser recíproco, a avaliar pela quantidade de bits que me enviam…Este meu particular agrado por estas missivas electrónicas, tem uma razão adicional: o uso do acordo hortográfico (sim já expliquei porque subscrevo este acordo e não o outro, o dito acordo ortográfico). A palavra fatura é detestável e em tal profusão só me lembra aquela fartura, não que ficou por comer na última Feira Popular, mas a quantidade exagerada de gordura associada habitualmente ao processo de fritura. Seja para fartura ou para uns couratos…

É porque estamos fritos, pensará quem vier a ler esta postagem, mas tenho que dizer que não. A fartura e a gordura remetem apenas para as tais gorduras que iam ser tiradas do estado e que teimam em não sair. Para variar, o pedro e o vitor (sem c, de c….), enganaram-se na receita. Em vez do Xenical meteram uns Xanaxs e agora o sonho substituiu a gordura… E o sonho deles é o nosso pesadelo…

Já não são elefantes cor-de-rosa, são contribuintes gordos e anafados que escondem o seu pecúlio em máquinas registadoras anquilosadas, atrás de balcões de mercearias velhas, onde já não entram clientes há séculos. São cabeleireiras possantes e mamalhudas que escondem as notas no toucado, que almoçam na sopa dos pobres e jantam no Tavares, acompanhadas de obesos proprietários de cafés que escondem as moedas na gaveta dos panos da louça…São estas personagens de ficção que habitam os sonhos dos pedros e dos vitores do país…

Evidente que é preciso fazer muita coisa para evitar a evasão fiscal. Mas em vez do combate à evasão o governo preferiu a invasão fiscal de quem já paga. Nunca compreendi a fraude fiscal nem pactuei, ou pactuarei com essa contabilidade criativa que assolou as empresas até há bem pouco tempo e que levou a que apenas 20% das empresas apresentassem lucros, num ano muito recente de crescimento económico e de grande fartura. Se querem, de facto, combater a evasão fiscal, deixem os contribuintes deduzirem nos seus rendimentos as suas despesas pessoais, sejam despesas contraídas de fato, de gravata, de fato-macaco ou de bata de cabeleireira… Desde que sejam despesas de facto, significa que houve factura, se houve factura houve pagamento de IVA e quem a emitiu vai naturalmente pedir o mesmo a quem lhe forneceu os bens ou serviços… E o sujeito passivo se souber que pode deduzir nos seus rendimentos vai de certeza pedir um documento comprovativo do seu pagamento!

Se a dedução for pequena, ou praticamente nula, como é o caso, a única razão para pedir factura ou fatura é obrigar a que o fornecedor, de facto, facture sem haja grande benefício para quem pede e paga, a não ser alguma remota satisfação de obrigar o outro a fazer o que deve. Parece-me pouco no momento actual. Parece-me que o envolvimento dos cidadãos no governo da nação é fraco. Estou em crer que até há alguma animosidade, o que leva a que seja difícil alargar esta medida à população. E assim, o que poderia ser uma boa ideia, vai ter um resultado muito aquém do que poderia ter…Marketing Miopia? Não. Aqui estamos a falar de Government Miopia, para plagiar o Theodore Levitt. No entanto a avaliar pela fartura de discurso que já me referi aqui, parece-me preferível que o governo ponha os óculos, em vez de andar a lamber a alcatifa… People Miopia, seria o nome que o António Bernardo daria a esta gente…. Ahhh meu querido Marketing, onde andas tu? Fugiste com a razão e o bom senso e mais ninguém vos viu…

PS: Hoje dia 9 pedi uma factura num café. Dei o número de contribuinte e, sem surpresa, vi que era a factura 6 de 2013. Haja fartura de fiscais para compensar a falta de visão dos nossos governantes.

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