Está aí a chegar o Réveillon. Ano Novo e para alguns, novos
projectos, novos desafios, novos sonhos. Para outros nem tanto. Até lá, ainda
temos pelo meio uns dias de festa e todos os hotéis se apressam a enviar os
seus programas…
À medida que essa variedade de ofertas vai entrando pelo email,
uma dúvida se adensa no meu espírito: O tratamento VIP no quarto à chegada. O
que pretenderão dizer com estas palavras mágicas que despertam o lado mais
lascivo e extravagante deste típico português?
Tratamento VIP no quarto à chegada. Há o tratamento, em si, mas
também a questão do quarto e da chegada. Se é assim uma coisa tão boa, não
seria melhor dá-la à saída, para ficar uma boa recordação no cliente? Não seria
mais agradável um Tratamento VIP no quarto à saída? Preferem correr o risco de
fazer o tratamento à chegada, e essa boa impressão se desvanecer com a estada?
Ou não confiam na qualidade da oferta?
Das consultas que fiz sobre o tema, cheguei à conclusão que
o tratamento VIP, na maior parte dos casos, consiste na colocação de umas
frutas no quarto. Ora, com a polémica gerada pelas frutas que um conhecido
Presidente de Clube de Futebol enviava para os árbitros, mais se adensa o
mistério … Serão essas frutas do mesmo género?
Resolvi insistir, saber mais sobre as frutas. Seriam
tropicais, perguntei a medo, mas com a esperança que a resposta fosse um
sugestivo sim… Não. São frutas da época, responderam-me rapidamente. A decepção
foi contudo amenizada por uma réstia de esperança: Se quiser frutas tropicais é
um extra do Hotel, o hotel tem Room Service, mas aí já vão descascadas e
preparadas… Visualizei de imediato o quarto com as frutas tropicais descascadas
a aguardar pacientemente. Confirmei a reserva, o extra, o late check-in (não
fossem as frutas ficarem secas de tanto esperar) e sexta-feira estou em marcha
para esse Éden da hortofloricultura hoteleira.
À chegada pedem-me o Cartão de Cidadão, o BI, telefone
(outra vez?) etc. Pergunto pelo tratamento VIP, enquanto me pergunto a mim
próprio a razão de repetir todos estes dados, até que finalmente me dão o Key
pass e a chave do quarto. Aleluia! Vou descobrir finalmente esse tratamento VIP
no quarto.
Ansioso por chegar ao quarto, atiro-me para o elevador,
quase chocando com outros hóspedes com cara de quem lhes tinha corrido mal o
jantar. Finalmente, abro a porta, coloco o cartão no economizador, as luzes
acendem-se e vejo, em cima da mesa, as frutas.
Numa cesta velha e demodé uma maçã farinhenta, de certeza, aguardava
pacientemente que alguém a comesse. Ao lado, num prato, lascado, envolto em
plástico aguardava, placidamente, uma manga cortada em fatias finas. Uma
garrafa de água de 0,33, também de plástico, acompanhada por um copo do mesmo
material, vigiava as perigosas frutas.
Aí estava o Tratamento VIP no quarto à chegada…E também a
razão porque o fazem à chegada e não à partida! Sugiro que mudem o nome deste
serviço urgentemente. Ou será esta uma maneira pouco discreta de nos dizer que
VIPs, só de nome?
