sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Tratamento VIP no quarto à chegada



Está aí a chegar o Réveillon. Ano Novo e para alguns, novos projectos, novos desafios, novos sonhos. Para outros nem tanto. Até lá, ainda temos pelo meio uns dias de festa e todos os hotéis se apressam a enviar os seus programas…

À medida que essa variedade de ofertas vai entrando pelo email, uma dúvida se adensa no meu espírito: O tratamento VIP no quarto à chegada. O que pretenderão dizer com estas palavras mágicas que despertam o lado mais lascivo e extravagante deste típico português?
Tratamento VIP no quarto à chegada. Há o tratamento, em si, mas também a questão do quarto e da chegada. Se é assim uma coisa tão boa, não seria melhor dá-la à saída, para ficar uma boa recordação no cliente? Não seria mais agradável um Tratamento VIP no quarto à saída? Preferem correr o risco de fazer o tratamento à chegada, e essa boa impressão se desvanecer com a estada? Ou não confiam na qualidade da oferta?

Das consultas que fiz sobre o tema, cheguei à conclusão que o tratamento VIP, na maior parte dos casos, consiste na colocação de umas frutas no quarto. Ora, com a polémica gerada pelas frutas que um conhecido Presidente de Clube de Futebol enviava para os árbitros, mais se adensa o mistério … Serão essas frutas do mesmo género?

Resolvi insistir, saber mais sobre as frutas. Seriam tropicais, perguntei a medo, mas com a esperança que a resposta fosse um sugestivo sim… Não. São frutas da época, responderam-me rapidamente. A decepção foi contudo amenizada por uma réstia de esperança: Se quiser frutas tropicais é um extra do Hotel, o hotel tem Room Service, mas aí já vão descascadas e preparadas… Visualizei de imediato o quarto com as frutas tropicais descascadas a aguardar pacientemente. Confirmei a reserva, o extra, o late check-in (não fossem as frutas ficarem secas de tanto esperar) e sexta-feira estou em marcha para esse Éden da hortofloricultura hoteleira.

À chegada pedem-me o Cartão de Cidadão, o BI, telefone (outra vez?) etc. Pergunto pelo tratamento VIP, enquanto me pergunto a mim próprio a razão de repetir todos estes dados, até que finalmente me dão o Key pass e a chave do quarto. Aleluia! Vou descobrir finalmente esse tratamento VIP no quarto.
Ansioso por chegar ao quarto, atiro-me para o elevador, quase chocando com outros hóspedes com cara de quem lhes tinha corrido mal o jantar. Finalmente, abro a porta, coloco o cartão no economizador, as luzes acendem-se e vejo, em cima da mesa, as frutas.

Numa cesta velha e demodé uma maçã farinhenta, de certeza, aguardava pacientemente que alguém a comesse. Ao lado, num prato, lascado, envolto em plástico aguardava, placidamente, uma manga cortada em fatias finas. Uma garrafa de água de 0,33, também de plástico, acompanhada por um copo do mesmo material, vigiava as perigosas frutas.

Aí estava o Tratamento VIP no quarto à chegada…E também a razão porque o fazem à chegada e não à partida! Sugiro que mudem o nome deste serviço urgentemente. Ou será esta uma maneira pouco discreta de nos dizer que VIPs, só de nome?

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Delícias Tailandesas



As tailandesas são famosas pelas suas habilidades…O seu fino jeito para trabalhar em objectos deve-se, provavelmente, à precisão delicadas das suas mãos… As suas capacidades e vastos conhecimentos da matéria a que se dedicam, não deixam ninguém indiferente, sobretudo (digo eu) a nós homens, bichos mais sensíveis a esta delicadeza.

Há tempos tive a prova concreta destas capacidades. Do doce rendilhado simples, até à flor mais sofisticada, não faltou nada… Um jardim encantado e perfumado. Aquelas formas redondinhas deixaram-me extasiado.

Mas, e custa-me mesmo dizê-lo, fiquei com água na boca, no final.

Deveria ter ficado satisfeito? Não resisti a tirar uma fotografia do resultado.

O que vos parece?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O bodo aos pobres



Quando a oferta é grande, o pobre desconfia, diz o povo e tem razão…Há algum tempo foi anunciado com toda a pompa e circunstância (foi pena ter faltado uma marcha do John de Sousa) um grande incentivo ao pedido de factura. Uma medida inédita e revolucionária, que permitiria aos portugueses poupar muito no seu IRS!

Evidente como Tio, e do Algarve, nunca acreditei nessas patacoadas que os nossos governantes vão debitando em conferências de imprensa espalhadas por toda a Europa. Não acreditei nos benefícios da medida, entenda-se, porque na existência da medida e na boa-fé dos meninos que a anunciaram tive dúvidas. Duvidei de estar acordado, ou num pesadelo!

Ora bem, então foi anunciado que os portugueses poderiam, a parir de 2013, deduzir no seu IRS, parte das suas despesas de caracter particular. Depois percebeu-se que era apenas o IVA pago nas suas compras! É caso para se dizer: Eia! Eia! Eia! Eia!

Evidentemente que houve que regozijasse com esta medida. Uns por acreditarem em tudo que ouvem, sem fazer contas. Outros acreditaram fazendo contas. Foram os licenciados em Matemáticas Aplicadas à Política, com equivalências! São os que acertam nas perguntas tipo última campanha de uma conhecida marca de automóveis: Quantos cavalos tem o P. de 75 cavalos? Aqui os cavalos e as cavalgaduras são outras!

Que me dizem a gastar 83.333 euros no ano? Ou será melhor 21.739? Sim, é muito melhor gastar 83.333 euros! É este o valor necessário de compras em restaurantes, para deduzir o máximo de 250 euros, dos 5% de que pode deduzir de IVA pago, nos ditos restaurantes, agora empresas em pré-falência. Isto se o IVA baixar para 6% na restauração, antes das empresas do sector irem todas à falência (como os clientes). Se mantiverem o IVA da restauração nos actuais 23% então bastará consumirmos 21.739 euros, que é uma perspectiva muito mais agradável e animadora!

Falta dizer que, de acordo com a actual Estrutura de Consumo das Famílias Portuguesas, um consumo de Hotéis e Restaurantes de 83.333 euros por ano corresponde a um rendimento de 555.556 euros. Para um consumo de 21.739 euros, o rendimento que deveríamos ter seria de apenas 144.928 euros…Muito melhor!

Esta oferta de podermos descontar 5% do IVA suportado é um verdadeiro bónus para os cidadãos! É um bodo! É vê-los a fazer fila para pedir factura depois de consumir uns opíparos e bem regados almoços e jantares! E ainda se queixam? Ingratos! Nem merecem as cantinas sociais! Pfff pobretanas!

Não pecebem nem merecem nada! Mas o menino é bom pa eles. Olhe quiducho é melhor deixar o IVA nos 23%! Assim, pecisam de gastar menos pa ter os memos benefícios, né? Tadinhos! Pobezinhos…

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Liofilizado e Layoffilizado



A liofilização consiste na desidratação das substâncias, sendo a água retirada por sublimação, no vácuo. Deste modo evita-se a evaporação e a consequente perca de matéria que se pretende conservar. Este processo usa-se quando se pretende conservar as substâncias por mais tempo ou reduzir-lhe o peso, para o transporte, por exemplo.

O lay-off é uma medida que permite salvar algumas empresas, reduzindo-lhe o peso da massa salarial, um custo fixo típico. Também há sublimação, não a passagem do estado sólido ao gasoso, mas a sublimação-redenção dos males, por uma simples confissão. Custa um bocadinho e depois passa…Também há vácuo, o vazio de ideias alternativas, quiçá para evitar perder alguma parte de massa cinzenta, com receio de a desgastar pelo uso…

Hoje, envolvido nesse processo, havendo alternativas mais saudáveis e proveitosas à conservação e até ao desenvolvimento da substância base do planeta Marte, senti que somos todos pó e em cinza nos vamos transformar…Mas nem todos os pós são iguais. Há uns pós que são de arroz, outros de madeira, vulgo serradura, outros limalha, de aço duro e, finalmente, outros pela falta de textura e consistência devem ser uns pós de merda. Não confundir com uma merda de pós! Mas no fundo, todos seremos cinza dentro em breve…

E como dizem os meus amigos do outro lado do Guadiana e do Minho: Hoy estoy cenizo…Será por antever o que nos espera?

Encho um copo de água e coloco-lhe dentro um caramelo de Coca Cola e outro de Bacardi. Pode ser que passe e consiga passar mais um dia, seja em Cuba ou em Marte. Ao som de uma salsa ou de outra coisa qualquer. Ajuda a esquecer e o tempo passa mais depressa. Será mesma coisa? Não sei, amanhã digo.

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