quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Liofilizado e Layoffilizado



A liofilização consiste na desidratação das substâncias, sendo a água retirada por sublimação, no vácuo. Deste modo evita-se a evaporação e a consequente perca de matéria que se pretende conservar. Este processo usa-se quando se pretende conservar as substâncias por mais tempo ou reduzir-lhe o peso, para o transporte, por exemplo.

O lay-off é uma medida que permite salvar algumas empresas, reduzindo-lhe o peso da massa salarial, um custo fixo típico. Também há sublimação, não a passagem do estado sólido ao gasoso, mas a sublimação-redenção dos males, por uma simples confissão. Custa um bocadinho e depois passa…Também há vácuo, o vazio de ideias alternativas, quiçá para evitar perder alguma parte de massa cinzenta, com receio de a desgastar pelo uso…

Hoje, envolvido nesse processo, havendo alternativas mais saudáveis e proveitosas à conservação e até ao desenvolvimento da substância base do planeta Marte, senti que somos todos pó e em cinza nos vamos transformar…Mas nem todos os pós são iguais. Há uns pós que são de arroz, outros de madeira, vulgo serradura, outros limalha, de aço duro e, finalmente, outros pela falta de textura e consistência devem ser uns pós de merda. Não confundir com uma merda de pós! Mas no fundo, todos seremos cinza dentro em breve…

E como dizem os meus amigos do outro lado do Guadiana e do Minho: Hoy estoy cenizo…Será por antever o que nos espera?

Encho um copo de água e coloco-lhe dentro um caramelo de Coca Cola e outro de Bacardi. Pode ser que passe e consiga passar mais um dia, seja em Cuba ou em Marte. Ao som de uma salsa ou de outra coisa qualquer. Ajuda a esquecer e o tempo passa mais depressa. Será mesma coisa? Não sei, amanhã digo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O franchising na governação



Meu Caro Pedrocas,
Recebi a tua cartinha, onde me dizes que só faço críticas destrutivas ao teu desgoverno, sem apresentar uma única medida concreta, qual Inseguro das salsas ondas rosa, que apenas quer estar em cima da prancha, sem saber para onde ir…
Ora, tal não corresponde à verdade, lamento dizer-te! Nem sequer vou comparar a quantidade de missivas que dirigi ao Lord Socratellium, que até mereceu uma música, da autoria do teu Tio.
Escarnecer, não está no meu feitio! Apenas não resisto à ironia… Reconheço que, por vezes, é venenosa, mas que te posso dizer? Sou de outros tempos, anterior à Iconemia, a este culto bacoco dos ícones partidários… E, vai daí, não resisto! Sei bem que tu não és o Pai Biológico do déficit, concordo contigo quando dizes que temos que gastar menos, mas tu também tens feito tão pouco para gastar menos… Já cortaste nessas pensões milionárias de reformados activos, em boa idade de trabalhar? Já cortaste nas subvenções vitalícias dos senadores? Já propuseste um tecto para o custo das viaturas lá de casa? Já cortaste na acumulação de mordomias, reformas e subvenções? Já te atreveste a diminuir o número de senadores e seus escribas e assessores? Já denunciaste esses contratos mirabolantes do socretismo fulgurante? Ah pois é…É mais fácil começar pelos pequeninos, não é assim? Porque razão não contrariaste o Tribunal dos Instalados?
Olha, para que não digas que não te dou ideias fica com mais uma. E bem moderna: Em vez de andarmos todos a patrocinar cursos e formações de empreendedorismo, que só servem para promover sonhos tolos sobre as empresas, aproveita e faz um curso sobre benchmarking da Islândia. Não delegues, pois corres o risco de ter um licenciado em benchmarking numa semana… Demite todos os nomeados por confiança política ou por recomendação de distritais, mas demite-os sem reforma. Idem para toda essa classe de gente que vive das gorduras dos contratos públicos, ganhos em concursos que ninguém compreende, a não ser eles… Dá o exemplo, demitindo em primeiro lugar licenciados em regime p-learning, ou c-learning! Não sabes como? Eu digo-te…Todos os concursos onde entre a palavra procedimento concursal são para anular, sem indemnizações para os adjudicatários, claro.
Não tenhas medo de renegociar com os tubarões…Mexe-te e provoca a mudança, antes que nós façamos um franchising da Islândia, que se recomenda a todos.
E então meu caro, não serás um cherne (nem queiras…), serás um Petrus! E com jeito até de 1961.
Espero encontrar-te em Reykjavík.

Um abraço do

António Bernardo Risos, aka Tio do Algarve

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Portas e Portas. Do armário à cozinha, da frente e dos fundos.




Inspirado pelo post da Malena sobre o Sermão de Santo António aos Peixes, do meu ilustre homónimo que muito admiro e que cito com frequência, sem pretender de forma alguma plagiar, ou comparar-me, eis que sinto uma vontade imensa e inadiável de escrever sobre as portas. Que o meu irmão em Cristo me perdoe tal afronta e que os meus irmãos me compreendam, é o que desejo. Que se lhes faça luz no espírito e a alma os ilumine no difícil e tortuoso caminho da portabilidade!
Vulgarmente pensamos nas portas para separar vários ambientes. Separam a sala da cozinha, a rua do interior da casa, o quarto de dormir da casa de banho, a despensa da cozinha… Esquecemos muitas vezes que estas peças a que nunca damos o devido valor, também servem para os ligar!
Dizemos com desdém que o fulano A ou B saiu de mansinho pela porta dos fundos, quando discretamente, abandonou as suas funções, talvez por alguns fuções terem descoberto alguma marosca a quem ele, discretamente, tinha aberto a porta lateral!
Também dizemos que saiu pela porta grande quando, por vezes até com pouca dignidade, mas cheio de basófia, saiu para ser promovido para outro cargo mais importante, qual Peters levado à realidade! De obscuro secretário de estado para primeiro-ministro, de ministro para presidente, do concelho para a assembleia da nação, da nação para a europa e assim sucessivamente! Ainda não referi mas, em função da porta, há sempre um porteiro a ajudar a entrada ou a saída. Se a saída for pela porta grande, abrem-na delicadamente. Se for pela dos fundos, dão-lhe um pontapé nos fundilhos, para ajudar a saída. É a lei da vida e dos lambe soleiras. Não imaginavam que iria dizer lambe cús ou lambe botas, pois não? Esta ajuda é inversa se o movimento for de entrada…As manigâncias que entram pela porta dos fundos têm ajudas delicadas do interior. Se porém a entrada da manigância for pela porta grande, da frente, o porteiro com toda a desfaçatez e descaramento, a faz entrar…
Ora as nossas portas, começaram por ser de armários. Exibiam-se com vaidade nos escaparates, abrindo e fechando, para mostrar o conteúdo do seu armário e de outros em todas as tabacarias e quiosques…. Dos armários rapidamente passaram para o táxi, abrindo e fechando, sob medida, para entrarem os mesmo cinco passageiros. Do táxi para a semicírculo alargado e dai para o galinheiro foi um ápice! Sim, galinheiro e não poleiro…Os poleiros não têm portas, ao contrário dos galinheiros…
E, atribulações abaixo e acima, para a frente e para trás, são colocadas as nossas portas em aviões que sobrevoam todo o mundo e vêem tudo lá de cima…
E é nesta perspectiva que as portas, como as janelas se fecham. O porquê desta medida, nem um candidato à presidência da maior superpotência do mundo sabe. Mas o facto é que se fecham janelas e portas nos aviões.
E assim, de portas fechadas, perdeu-se uma oportunidade de ouvir e de agir… de mostrar ao mundo e quem o vê, que não estamos fechados a outras soluções. Afinal estamos mais do que fechados. Estamos presos! Presos por uma porta que teimosa e orgulhosamente não se abre, deixando-nos reféns da imagem de um passado de mente livre, aberta e, sobretudo, independente!
Para terminar esta pequena nota sobre portas, falta-me falar das anteparas, que podem ser estanques ou não…a águas a óleos ou a fumos, nos navios e nos submarinos. O nosso submergiu numa zona pantanosa, onde juntamente com outros peixes pesados, navega em águas profundas de onde dificilmente vai emergir. Se, por artes milagrosas o fizer, será para ficar fundeado em águas turvas e não acredito que, depois do conforto da esquadra, venha a navegar sozinho, ou seja ele a marcar o rumo. Fechou-se a porta da frente, abriu-se a dos fundos. Vamos abri-la de vez e deixemos sair estes marinheiros de águas doces pelo portaló, ou atiremo-los pela borda fora, se não saírem a bem. E abram-se as janelas, que a casa precisa de arejar…
Há portas que nunca querem ser portões. Ao contrário da rainha que o queria ser por um dia em vez de duquesa toda a vida, há portas que querem ser gateiras toda a vida em vez de janelas de esperança, nem que por dia.
E, face a isto, meus caros amigos, só nos resta bater com a dita e sair mesmo lá para fora, não cá para dentro, como anunciavam há algum no turismo de Portugal. Saiamos e depressa, enquanto nos resta a vontade do que queremos ser…

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Campos, Pontes e Estradas



Que toda a classe política que tem governado o país das maravilhas, nos últimos trinta anos, partilha da mesma sauteuse, não temos dúvidas. Evidente que poderia dizer que comem todos da mesma panela, ou da mesma gamela (neste caso a versão nortenha sobrepõe-se), mas nos círculos desta cáfila, não se usam frigideiras, nem panelas e as referências aos tachos podem ser mal interpretadas. Por isso prefiro sauteuse.
Infelizmente esta certeza que muitos vão aguentando na esperança que, não podendo eles próprios, um parente, mesmo afastado, possa chegar às migalhas dos abastados comensais da política contemporânea.
Ontem vimos, talvez sem surpresa, que afinal quem fiscaliza também olha para o lado, quando convém. Melhor ainda: indica as pedras para que estas piranhas possam encontrar o caminho certo para chegarem aos ossinhos das presas! A desfaçatez com se disse que a solução para mais contratos ruinosos foi articulada com a entidade de fiscalização das arcas públicas (o que ninguém duvida), só foi comparável à revelação de que um dia estão dum lado da secretária exigindo mais mordomias e no outro estão do lado de quem diz que vai cortar nas mesmas…Nojento! A mim, chocou-me. Mas sobretudo a ideia de que os tais 700 milhões não seriam um proveito de quem fez tais contratos, mas sim dessas feras que ninguém se atreve a domar e que juntas são os tais ferozes mercados… Doce ilusão (deve ser a sobremesa), tão demagógica quanto o embaratecimento das ditas estradas, pela nova contratação! Podemos não saber de quem foi o proveito. Do custo é fácil de identificar a paternidade, somos todos nós que o acarinhamos, para que não fique órfão como a culpa! Pobres infelizes o custo e a culpa, que têm que recorrer à massa anónima dos portugueses para existirem…
Nunca tive dúvidas que estes caminhos, pontes e estradas que atravessam estes Campos tão falaciosos, nos dirigem a alta velocidade para um abismo. Felizmente ficou de fora o comboio de alta velocidade, caminho alternativo para o dito abismo, mas ficou a certeza que todos contribuíram para esta situação, que nos arrasta para o degredo mais profundo.
E hoje, dia da Implantação da República, estes que nos governam deviam ter vergonha de se auto-intitularem republicanos, de proclamarem os ideais da República, de celebraram esse dia com que muitos sonharam e pelo qual outros tantos deram a vida. Seja feriado ou não e seja eu republicano ou não, há que fazer justiça: Foram honestos, eram intelectual e profissionalmente honestos e competentes e tinham ideias e ideias!

Siga o Tio pelo e-milio