Que toda a classe política que tem governado o país das maravilhas,
nos últimos trinta anos, partilha da mesma sauteuse, não temos dúvidas.
Evidente que poderia dizer que comem todos da mesma panela, ou da mesma gamela
(neste caso a versão nortenha sobrepõe-se), mas nos círculos desta cáfila, não
se usam frigideiras, nem panelas e as referências aos tachos podem ser mal
interpretadas. Por isso prefiro sauteuse.
Infelizmente esta certeza que muitos vão aguentando na
esperança que, não podendo eles próprios, um parente, mesmo afastado, possa chegar
às migalhas dos abastados comensais da política contemporânea.
Ontem vimos, talvez sem surpresa, que afinal quem fiscaliza
também olha para o lado, quando convém. Melhor ainda: indica as pedras para que
estas piranhas possam encontrar o caminho certo para chegarem aos ossinhos das
presas! A desfaçatez com se disse que a solução para mais contratos ruinosos
foi articulada com a entidade de fiscalização das arcas públicas (o que ninguém
duvida), só foi comparável à revelação de que um dia estão dum lado da
secretária exigindo mais mordomias e no outro estão do lado de quem diz que vai
cortar nas mesmas…Nojento! A mim, chocou-me. Mas sobretudo a ideia de que os
tais 700 milhões não seriam um proveito de quem fez tais contratos, mas sim
dessas feras que ninguém se atreve a domar e que juntas são os tais ferozes mercados…
Doce ilusão (deve ser a sobremesa), tão demagógica quanto o embaratecimento das
ditas estradas, pela nova contratação! Podemos não saber de quem foi o proveito.
Do custo é fácil de identificar a paternidade, somos todos nós que o
acarinhamos, para que não fique órfão como a culpa! Pobres infelizes o custo e
a culpa, que têm que recorrer à massa anónima dos portugueses para existirem…
Nunca tive dúvidas que estes caminhos, pontes e estradas que
atravessam estes Campos tão falaciosos, nos dirigem a alta velocidade para um
abismo. Felizmente ficou de fora o comboio de alta velocidade, caminho
alternativo para o dito abismo, mas ficou a certeza que todos contribuíram para
esta situação, que nos arrasta para o degredo mais profundo.
E hoje, dia da Implantação da República, estes que nos
governam deviam ter vergonha de se auto-intitularem republicanos, de proclamarem
os ideais da República, de celebraram esse dia com que muitos sonharam e pelo
qual outros tantos deram a vida. Seja feriado ou não e seja eu republicano ou
não, há que fazer justiça: Foram honestos, eram intelectual e profissionalmente
honestos e competentes e tinham ideias e ideias!