Depois de uns dias de férias sem telefone, internet ou
televisão de regresso às actividades blogosféricas e ao trabalho, sou
bombardeado com os protestos dos trabalhadores da Rádio Televisão Principesca,
contra a privatização da dita.
Tudo começou, ao que parece, com a entrevista de um
desajeitado perito em privatizações que muito convenientemente largou a ameixa…
Logo de seguida houve quem apoiasse a iniciativa e outros
tantos que acharam que não se podia tocar naquilo a que já chamaram vaca
sagrada. Evidente que, à boa maneira deste governo que prima pela falta do que
sobrava ao anterior, a comunicação foi um desastre total….Como em muitos
acidentes, ninguém tem culpa, mas ninguém tem razão. O Tio, revigorado, não
podia deixar de meter a colher neste processo.
Todos os governos querem ter a sua máquina de propaganda,
diligentemente oleada com os assessores de imprensa, com as agências de
comunicação, enfim a Agência Tusa, no seu melhor. Como não acredito em
coincidências, nem tenho a mania da perseguição, não posso deixar de ver nesta
manobra uma mão na relva, passe a hipérbole. O político mau quis privatizar,
mas o bonzinho lá salvou a situação…Só que aqui, neste desarranjo que nos
assola todos os dias, o mau é mau e o bom também é mau.
E os guardiões da vaquinha sagrada que diligentemente
apoiaram a transformação da Empresa Devidamente Phodida em Empresa Definitivamente Perdida, estão agora contra igual processo, na quinta deles. E o pior é que têm
razão, pois o que na realidade foi anunciado, foi mais um disparate, em que uns
ganhariam e todos nós perderíamos, pois iriamos pagar uma renda, pela gestão dessa
auto-estrada da contra-informação. Com a agravante do Contra Informação, dos
poucos programas potáveis, já ter sido banido da grelha!
Sim, estou revoltado, mas não pela privatização da dita
vaquinha. Francamente é-me indiferente que privatizem ou não esse canal, ou
outro qualquer órgão de comunicação social (deixem-nos a 2!), ou o metro, ou ainda
a carris. Chocou-me sim o processo da REN, o da EDP, ou da Petrogal, dos
Telefones de Lisboa e Porto com integração na PT, com a posterior privatização e,
claro, o do BPN, a verdadeira ameixa no fundo da panela. O que me revolta, como
acontecia no tempo dos socretinos, é a desfaçatez das pessoas, a impunidade dos
actos e passividade do povo…Revolta-me que se diga que o estado gere mal,
quando nós somos o estado, revolta-me que se privatizem os lucros e nacionalizem
os custos, revolta-me que se tire aos que não podem fugir para dar aos que
fogem, revolta-me que se corte nos que cumprem as leis, para dar aos que as
fazem!
Por tudo isto, acho que o governo não precisa de mais uma
correia de transmissão com o poder da Rádio Televisão Principesca, com os
custos que tem e a programação que todos sabemos. Deixem-nos a 2!Levem os anéis
penhorados, mas não nos obriguem a pagar uma cautela anual, para manter
privilégios. Cumpram a lei que desde a década de 60 limita os ordenados dos funcionários
públicos e estendam-na, dentro do espírito da mesma, às empresas públicas…E,
sobretudo, usem o dinheiro dos nossos impostos para pagar o transporte até à
fronteira desses quadros de empresas públicas que ameaçam ir para outros países
se não lhes pagarem principescamente. Até pode ser em executiva!