quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Verão, sexo, gadgets…Festivais!!



O Verão está aí, para o melhor e para o pior. Mais calor, menos roupa, noites mais animadas, mais pics no face, montes de festivais, mais bronze, mais corpo e também, provavelmente, mais sexo. Assim dizem as estatísticas…
Ainda nem tinha acabado o sudoeste, patrocinado por um operador de telecomunicações, depois de outros, patrocinado por outros operadores, já outros estão na calha. E o fenómeno não é só cá, no país que estava de tanga e provavelmente agora está de fio dental, T-string, mas da treta.
Não há nada como recordar estes bons momentos de verão, com patrocínios de telemóveis ou não, com o gadget apropriado. Quanto mais simples melhor! A marca da maçã tem o meu preferido, mas há outros que combinados talvez resultem melhor. Uma combinação de Iphone, Ipod (já vem incluído no primeiro) e Ipad, pode ser um excelente Iphod, muito útil nesta altura…
Quanto a festivais, no meu país de eleição, e depois daquele “ai se eu te pego” se ter ouvido em todas as festinhas de bairro, só pode ser o impronunciável Eisteddfod!!

sábado, 4 de agosto de 2012

Melodia e Harmonia. Sedução e aconchego…


Há dias coloquei no mural do Tio do Algarve, no livro das caras, o vídeo da Melody Gardot: Who will comfort me, via youtube.

Descobri há já algum tempo, também acidentalmente, a Melody e fiquei rendido. De tal forma que demorei algum tempo a clicar no botão like… Neste caso não se aplicaria o curtir (não percebo essa do curtir, deve ter a ver com o acordo ortográfico), poderia era eventualmente haver o botão adoro, mas não há! Demorei a colocar o like apenas porque quis saborear a música o mais possível, até me render incondicionalmente à melodia e à Melody

Muitos dos comentários colocados nos vídeos da Melody referem-se às pernas e aos óculos escuros… Tem umas ricas pernocas, de facto. Os olhos não sei, porque nunca os vi. E tenho imensa pena! Imagino que sejam cor de mel e doces como a sua voz, mas quem sabe até podem ser azuis como o céu ou verdes como o mar… Ou cinzentos como nuvens que nos transportem para outros locais….

Melody Gardot é referida como a “Artista Acidental” por se ter dedicado à música como medida terapêutica, na sequência de um grave acidente de viação. Ia de bicicleta quando foi atingida por um carro. Fez várias fracturas, até na cervical, e sofreu um sério traumatismo craniano (não confundir com os traumatismos ucranianos). A sua primeira produção chama-se “The Bedroom sessions” por ter sido gravado numa altura em que não podia caminhar. Perdeu a memória e teve de reaprender uma série de coisas outra vez… Usa uma bengala por ter ficado com vertigens e os óculos de sol devem-se à fotofobia e não a pretender criar um estilo…

Por isto tudo, quando ouço uma referência às pernas da Melody Gardot, para além da sensualidade que transborda, fica uma nota de ternura. Ternura envolvida pela voz, que nos encanta, delicia e enfeitiça, com uma nota de mistério, nos óculos escuros. Sim, uma mulher de óculos também pode ser tremendamente sensual!

Viveu em Portugal seis meses e gostou. O Tio do Algarve não a conheceu pessoalmente, mas não se importava nada de se ter cruzado com ela no Estoril, em Cascais, no Castelo, no Tango na Rua ou noutro local qualquer. Num restaurante tibetano na Calçada do Duque, ou de cozinha tradicional portuguesa…

Irónico poderá ser o nome do seu último álbum: ”The absense”. Quanto mais o ouvimos, mais sentimos a falta da autora, ou de alguém que nos conforte…Hoje especialmente.



domingo, 29 de julho de 2012

Da dita dura às pichas murchas



Há pequenas coincidências, coisas simples, que nos fazem despertar a mente e ajudam a compreender certos fenómenos da sociedade, bastante mais complexos. Talvez seja um pouco o que aconteceu com a maçã que caiu da árvore e fez com que Newton... não sei. Sei que ia na direcção do miradouro da Senhora doMonte quando reparei que tinha acabado de passar por um largo, com nome de Jardim e com a curiosa designação das Pichas Murchas. Não era do Jardim sem Flores, ou dos Homens com Cornos, mas das Pichas Murchas, com o nome todo, bem escrito,numa placa pintada, igual a tantas outras que identificam a toponímia tão simpática e característica de Lisboa.

Tinha acabado de passar pela Graça e talvez por isso, não pude conter uma graçola sobre a obtenção de equivalência a relação sexual pela via da masturbação, de um certo ministro. Instante em que se fez luz!

Na dita dura foi demitido, e bem, o Ministro da Educação por ter sido demasiado teso com os estudantes, que segundo ele estariam numa fase de “tesão de mijo”, imagino, para continuar nesta ordem de ideias relacionada com o órgão sexual masculino e não o seu equivalente, talvez em plástico ou PVC, soluções demasiado modernas e não comparáveis com o original.

Agora, na dita mole, que dizer de um ministro especializado em ilícitos não ilegais, ou não ilegais mas ilícitos e imorais, que dá este mau exemplo ao país pelas pressões, duras, ao que parece, mas feitas com um canudo mole, de plástico de fraca qualidade, com selo de pechisbeque, que não tem a hombridade de se demitir e coloca o seu Primeiro numa situação desconfortável?

Será que quem baptizou o tal largo o fez inspirado noutros locais da cidade, como S. Bento ou Belém? Ou será a salvação da economia nacional o franchising desta toponímia tão castiça? Ou, melhor ainda, será constituída uma comissão para dar o título de Cavaleiro das Pichas Murchas, por actos de grande relevo e elevada baixeza, em data a anunciar?


Nota: A origem do nome pode ser lida aqui. Outros nomes giros, aqui!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O gorgulho nacional


Um sentimento característico da geração anterior à minha e que fazia parte desse inconsciente colectivo que Jung nos fez descobrir, era o do orgulho nacional. Ser português era motivo de orgulho. Uma nação inteira que se estendia por vários continentes, vibrava com os desfiles, as paradas, os atletas de aquém e além-mar… Um desses momentos de celebração do orgulho nacional foi Exposição do Mundo Português na década de 40, que recentemente está a ser redescoberta.

Evidente que não tenho qualquer memória real de tempos onde ainda fazia parte da “massa dos impossíveis” e as imagens que retenho chegaram-me via mass media ou pelo tal conjunto de arquétipos que inconscientemente herdei, de recordações certamente vagas de pessoas que viveram essas épocas áureas do regime, em tempos anteriores ao nosso. Recordo-me das linhas de caminho-de-ferro que aprendíamos na escola e que muito percorri na realidade de jovem e na imaginação de miúdo. Já as produções agrícolas de Angola, Moçambique, Timor e S. Tomé e Príncipe são uma amálgama de café, mandioca, milho e cacau, onde se misturam rios que podem atravessar África e Montanhas mais altas que a serra da Estrela que entretanto substituiu o Pico Ramelau no ranking das alturas nacionais. Não sou da geração do apogeu, nem da do declíneo do Estado Novo.

Recordo-me da emoção dos jogos de hóquei em patins Portugal-Espanha, transmitidos a preto e branco, nas mesmas cores em que nos chegavam as aventuras de Tintin transmitidas pelo mesmo meio de comunicação, à hora de almoço e ao fim da tarde enquanto esperávamos para tomar banho, antes do jantar e depois de uma tarde inteira na rua…Também me recordo do Fernando Mamede ter desistido de uma prova transmitida de madrugada pelo único canal que havia e sobrava (porque tínhamos mais que fazer) e das medalhas do Carlos Lopes e da Rosa Mota, que nos fizeram emocionar ao sentir essa enorme alegria de ver a bandeira de Portugal nos Jogos Olímpicos. Sim nessa altura ainda nos sentimos orgulhosos dos nossos atletas, com vidas como as dos outros mortais, mas que foram mais além. E também tínhamos o José Hermano Saraiva, que nos recordava os feitos dos nossos antepassados.

Não tenho ideia nenhuma de jogos de futebol na década de setenta ou oitenta, a não ser os do Sporting, com o Yazalde (espero que seja assim que se escreve), a marcar golos e o Damas à baliza, por isso não sei se, participámos em mundiais de futebol. Tenho uma vaga ideia do México onde o Bento (outro grande guarda-redes) partiu uma perna e a selecção teve a brilhante ideia de fazer greve. Uma ideia original, sem dúvida. Vinte anos antes tínhamos perdido nas meias-finais do Mundial, em Inglaterra, onde o Eusébio e outros fizeram um brilharete. E é o que sei do futebol desses vinte anos, com excepção de um europeu ou mundial, onde perdemos com a França, indecentemente roubados com uns penaltys forjados. Não me recordo de bandeiras à janela nessa altura, nem de vaias ao Miterrand.

Ora hoje, como nas décadas de 40 e 50, também a nação coloca bandeiras à janela, mas não para manifestações politicas. A nação vibra com os feitos de outros portugueses, mas não com os feitos históricos… Os homenageados viajaram mas não são navegadores e a independência, que até vai deixar de ser feriado, deve passar a referir-se a árbitros que foram isentos. As vitórias nas batalhas não se referem a Atoleiros, Valverde, ou Toro (esta será sempre um exemplo que nem sempre vencer, significa ganhar), mas a sim a vitórias em fases distintas do campeonato europeu ou mundial de futebol… Hoje já ninguém sabe quem foi Duarte de Almeida, ou a razão do nosso rei D. Afonso V ter agarrado em armas para defender a sua sobrinha, Joana, a Beltraneja como é conhecida em Espanha. Zamora confunde-se com Samora, que pode ser uma localidade com um nome de pessoa que entra em algumas anedotas...Hoje a televisão traz-nos as marcas dos carros dos jogadores de futebol, os nomes de namoradas, as discotecas que frequentam e os buracos onde andam atolados alguns dos nossos governantes recentes e as chorudas contas bancárias das sobrinhas …

Hoje, temos jogadores que ganham fortunas mas que têm medo das lesões e arriscam pouco, a não ser nos penteados, que até chegam a mudar no intervalo dos jogos. São mais importantes pela imagem e pelo potencial de merchandising do que pelos golos. Talvez por isso já não façam greves… Os bancos aproveitam-nos como imagem e os papás e mamãs ficam vaidosos quando os garotos estão nas escolas de futebol e entram em campo com as estrelas... Estes pequenos momentos de vaidade servem para mostrar que os filhos não são tão maus na escola regular como os professores os querem fazer crer…Estamos para além do Milo com o Humberto Coelho e do apelo a uma vida sadia. Estamos no apelo ao futebol e à massa, ganha não importa de que maneira.

Enfim, pouco mudou e os sintomas são os mesmos…por isso, ao pensar no ter e no ser e na importância dada ao ter, ou seja, à massa, penso que em vez de orgulho nacional, estamos sim cheios de gorgulho nacional: uns bichos que sorrateiramente se vão alimentando dos cereais que o povinho armazenou, a custo. E como eles gostam de massa…

Adeus José Hermano Saraiva. Hoje é tempo de outra alma...

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