Cometi um erro brutal, há algum tempo. Foi um erro de juízo.A minha estimativa falhou quase completamente, como se tratasse de uma empreitada pública ou do orçamento de uma parceria público-privada…
Avaliei mal o tratamento que os clientes iriam receber numa
situação de Monopólio ou Oligopólio gerida por pessoas com poucos escrúpulos e
notória deficiência de competências comerciais. Hoje senti, na pele (refiro-me
à carteira), tudo isso. Errei por pensar que uma empresa tinha sido devidamente phodida. Nós, clientes, particulares e empresas, é que fomos devidamente
phodidos e de forma sistemática e repetida…Nos últimos tempos apenas se
acrescentaram requintes de malvadez, com umas notas de puro sadismo à mistura,
envolvidas em tecnologia, para dar o sabor agridoce.
Então aqui vai a história de um dia que começou com um papel
debaixo da porta de um dos locais onde trabalho. Abri a porta, agarro no papel
e percebi que tinha trabalhar em ambiente romântico, à luz de velas… Telefone
teria que ser o móvel e internet, népias! Confesso que a estas duas últimas
situações de falta de telefone e internet, já estou habituado, pelos constantes
roubos de cobre lá do sítio. Reflectindo melhor, esta importância crescente do
cobre, deve ser uma explicação para as dificuldades em cobrar o que nos devem.
Para a dificuldade de cobrar e também para a existência de tantos cabrões, perdão
cobrões no nosso país.
Voltando ao assunto, percebi que teria que pagar uma multa a
que deram o simpático nome de taxa cujo valor é cerca de metade do valor que devia
ter pago um ou dois dias antes. Sim, 50% mas dizem-me que a taxa é igual para
todos, como que a descansarem-me para a evidente justiça desta medida…
Tento pagar com o cartão, mas não pode ser porque a fatura
já está vencida. Fatura e fartura de prepotência, de quem se agiganta para os
pequenos e se encolhe para os grandes. Numerário era a opção disponível para
criminosos como eu, que atrasam os pagamentos à empresa do um anúncio de gosto
mais do que duvidoso, com crianças. Fui simpaticamente informado da existência nas
imediações, por graça de Deus e da banca, de um multibanco onde podia levantar
o dinheiro para satisfazer a vontade glutona do prestador deste belo serviço.
Também fui informado que poderia pagar com cartão num agente, não na casa
mãe…Vejam só que queridos! Os outros que fiquem com os custos financeiros das
operações com cartões de débito e crédito, agora arrumados na conta 62 por via
da aplicação das novas normas internacionais de contabilidade. Quem podia
negociar estas comissões não o faz…
Levantei as notinhas, regresso ao local e toca de as meter,
uma por uma, numa ranhura, ao mesmo tempo que o visor me vai mostrando quais as
notas que posso por e quanto falta pagar…Muito inteligente. Durante este
processo ainda fui dizendo que daqui a algum tempo nem precisavam de pessoas
naquele balcão. As máquinas tratavam de tudo. Não tive resposta porque deve ter
acertado nalgum órgão fundamental.
Valeu menos a confirmação da retoma da prestação do serviço
no prazo de 24 horas, depois de meter as notinhas. Confirmaram-me que depois de
ter colocado as notas na simpática máquina, e de ter sido emito o recibo, era
gerada automaticamente uma mensagem para a equipa que tão diligentemente me
tinha cortado a energia…Suponho que a mensagem dirá “Voltem, que estão
perdoados!”, ou qualquer coisa do género.