Conheço pouco os meus vizinhos. Não me refiro à blogosfera,
mas à realidade de uma cidade pequena. Não tenho nenhum bar por perto, nem as
ruas onde vou morando em part-time têm grande vida nocturna. Estarão a pensar
que tenho que a procurar longe, é verdade. E será melhor…
Há dias batem-me à porta pelas 4h30 da manhã. Até me tinha
deitado relativamente cedo, para os meus padrões e hábitos de fim-de-semana,
mesmo que fora dos dias habituais. Não havia música alta, nem cheirava a
queimado (já me aconteceu). Também não via fumo. Aliás, acho que não via nada,
aquela hora da manhã, até que abri a porta e dei de caras com um tipo de roupão
(à pressa também lá tinha conseguido desencantar um que consegui vestir no
percurso).
Disse-me que era o vizinho de baixo e não conseguia dormir. Um
alarme soou na minha cabeça, mas felizmente contive-me até às explicações.
Enquanto pensava na minha casinha junto ao mar, sem vizinhos por baixo, lá fui
ouvindo o que me dizia do barulho que, segundo ele, começou quando eu tinha
chegado a casa, cerca das duas da manhã.
Pensei no pior, vai-me dizer que é algum barulho em que o
ritmo aumenta, ao mesmo tempo que a intensidade e depois pára, recomeçando algum
tempo depois, mas não. Nada disso. Era uma porta que rangia e batia. Apesar de
levemente, batia e não parava! E ele não conseguia dormir. Foi esta a
explicação que me deu…
Felizmente no caminho para a porta da rua, ainda ensonado ouvi uma
porta a bater muito levemente e a ranger, ao abrir e fechar, com a brisa. A
janela tinha ficado aberta, como é costume, mas havia vento. Por isso fui
fechá-la, antes de abrir a porta…
Desculpe mas não estou a ouvir nada, deve ter sido no
apartamento debaixo do seu disse-lhe, enquanto fiquei com a certeza que ele
pensava que o ranger era de outra coisa…
Acho que não o vou reconhecer se algum dia o encontrar no
elevador e espero que ele também não.