O posicionamento e a segmentação são duas etapas fundamentais
da actividade no Marketing nas empresas. E os erros neste processo
pagam-se com o insucesso….
Mas adequar um determinado posicionamento a um, ou vários,
segmentos de mercado não é suficiente para garantir o êxito, nem sequer a
sobrevivência no médio prazo. Há dias, numa das minhas visitas blogosféricas
habituais, num inocente comentário a um post, citei aquela máxima dos produtos
e da publicidade: “não há nada pior para um mau produto do que uma boa campanha
de publicidade. Não é o que se passa com exemplos, mas dá-me a
oportunidade de escrever algumas linhas sobre o tema, tecendo algumas considerações
sobre branding e posicionamento.
Os Portugueses sempre foram originais e hoje em dia
continuam a sê-lo, encontrando soluções expeditas para situações complexas, sem
grande reflexão e com ainda menos análise. Saímos da situação complexa, já está
resolvido o problema, amanhã é outro dia… E todos os dias temos exemplos deste
“desenrascanso à portuguesa”… Até assuntos de grande responsabilidade são
resolvidos por esta metodologia “à Portuguesa”. Em parte já tinha abordado um
aspecto particular deste “modus faciendi” num outro post, bastante mais ácidoque aproveito para linkar…
Hoje, quando assistimos a statements do género “preços à
Continente”, para indicar que os preços são baixos e uma reputada equipa defutebol tem na sua gama de merchandising, preservativos que dizem “ Esta vai ser à Benfica” ficamos com uma dúvida. Contrariamente, ao que acontece com
noutros países, o A-Branding, Portuguese Way, tem um significado muito
abrangente. À grande e à Francesa é uma afirmação que não deixa lugar a dúvidas!
Pelo contrário, o “à”, usado à Portuguesa, parece ter uma abrangência grande,
um espaço onde cabe uma infinidade de possibilidades, um continuum entre as
batatas fritas às rodelas do Bife à Portuguesa e as mesmas batatas, cozidas inteiras,
do Cozido à Portuguesa (o dito), entre a gordura vegetal e animal, entre a
carne sem músculo e a gordura mole, entre o frito e o cozido…
Independentemente das relações afectivas com os pratos e as
marcas citadas e do poder e eficiência das expressões referidas, ficaremos com a
dúvida se estes “à” nos remetem para grande ou pequeno, para rápido ou demorado,
para preciso ou inexacto, para músculo ou gordura… E nesta questão dos preços e
dos preservativos, pode fazer toda a diferença.
À boa maneira portuguesa (Portuguese Way), este prosa, foi inspirada num bifinho da vazia, na frigideira, com fatia de presunto, tudo bem regado com um bom vinho do Dão da Quinta da Taboadela (não tenho comissão).