Desde o "10 Uma mulher de sonho", que deixei de sentir a sensualidade do Bolero de Ravel. A música é fantástica, o crescendo é avassalador, mas vem-me à memória o Dudley Moore a levantar-se para ir por o disco no início e lá se vai a imagem da Bo Derek, com as trancinhas, na praia, a rebolar na areia…. A utilização do repeat, teria facilitado a tarefa, e eu continuaria a ter essa peça como uma as mais fantásticas músicas para o mesmo fim que a Jenny Hanley… mas nessa altura não deveria haver CDs...
O filme é uma comédia divertida, sobre a crise da meia-idade. E como já falei sobre o assunto, dispenso-me de o repetir. Mantenho o que disse, enquanto me vou deliciando com umas saladas, alternadas com pratos mais condimentados, os meus preferidos. Tenho que fazer um pedido, neste momento, a quem me lê. Se chegaram até aqui peço-vos, por favor, um pequeno esforço adicional e tentem ler o post com o título o Peixe, A Carne e a Meia-idade, aqui linkado….
O Bolero, ritmo de dança, não faz parte do menu das clássicas nem das latinas, mas também se dança. Não tem a sensualidade de outros ritmos latino-americanos, como a Kizomba ou a Bachata, mas dança-se com agrado. É leve e romântico, talvez adequado a essa faixa onde ainda não me revejo, mas já devo estar.
Inscrevi-me numa MobDance, mas foi cancelada! Não há relação entre os factos mas entretanto recebi este vídeo de uma FlashMob, em Copenhaga, na Central Station, que aqui partilho. É a Sjællands Symfoniorkester, a Orquestra Filarmónica de Copenhaga, numa ideia fantástica e divertida. Será que algum dia vamos ver algo do género na Estação do Rossio, em Santa Apolónia ou em São Bento? Entretanto espero que a imagem do George Webber, personagem interpretado pelo Dudley Moore desapareça de vez, enquanto penso nas potencialidades da Bolero e recordo a quantidade de músicas fantásticas do “Les uns et les autres” do Lelouche…
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Equidade matemática: Um novo teorema
Confesso (podem tirar o cavalinho da chuva que não abri um novo tag para confissões), que me fascina o descaramento de alguns políticos. Fascina na mera perspectiva da análise social, tentar compreender como é que o povo suporta, sustenta, admira e até reverencia aqueles que sistematicamente o enganam, roubam, esbulham e esmagam.
Recordo-me de uma máxima que não sabia tão bem aplicada às massas populares: “As pessoas acreditam no que querem acreditar”. E assim é este um dos suportes onde assenta o discurso político de muitos. Outro alicerce também é, infelizmente, fácil de encontrar, mas vai ficar para próxima oportunidade. Próxima, mas não nova.
Recentemente veio à baila esta questão da equidade. E recordo um conhecido político português há uns anos, antes de ter emigrado e com muitos quilos a menos, que não conhecia em português a palavra equidade. Fairness, foi o que usou na altura, porque (segundo ele) não havia em português uma palavra para dizer o mesmo. Poucos se recordarão desses primeiros discursos do que na altura era cherne e agora é mero, eurocrata de peso. Refiro-me ao peixe, o mero, da família do cherne, da garoupa e do badejo, mas podem tirar a vírgula se assumirem a responsabilidade pela alteração do sentido da frase.
Havia contudo um erro, nessa questão do fairness. A palavra equidade existe em português, em Portugal é que não lhe conhecemos o significado. Era uma questão de mera semântica …
Depois deste pequeno devaneio linguístico (a língua pode ser muito traiçoeira), voltemos ao teorema da equidade matemática, que posso enunciar da forma seguinte:
1/14 = 2/14, dado que 2/14 =1/12
Considerando que 14=12 e 1=2, este Teorema pode também ser apresentado na forma evoluída, decorrente da forma canónica:
1/12=2/14, dado que 12=14 e 1=2
É com base neste teorema que se define a equidade aplicada às subvenções vitalícias dos detentores de cargos políticos e aos vencimentos da função pública, ou seja um catorze avos da subvenção vitalícia é igual a dois catorze avos do rendimento anual dos funcionários públicos. Da aplicação prática deste teorema decorrem os valores dos famosos subsídios que alguns já sabem que não vão ter, enquanto outros acham que na pior hipótese vão perder entre 1/12 e 1/14…
Poderíamos ainda definir uma função real de variável “p”, Real ou Imaginária F(p), mas já seria muita matéria para uma só sessão.
Recordo-me de uma máxima que não sabia tão bem aplicada às massas populares: “As pessoas acreditam no que querem acreditar”. E assim é este um dos suportes onde assenta o discurso político de muitos. Outro alicerce também é, infelizmente, fácil de encontrar, mas vai ficar para próxima oportunidade. Próxima, mas não nova.
Recentemente veio à baila esta questão da equidade. E recordo um conhecido político português há uns anos, antes de ter emigrado e com muitos quilos a menos, que não conhecia em português a palavra equidade. Fairness, foi o que usou na altura, porque (segundo ele) não havia em português uma palavra para dizer o mesmo. Poucos se recordarão desses primeiros discursos do que na altura era cherne e agora é mero, eurocrata de peso. Refiro-me ao peixe, o mero, da família do cherne, da garoupa e do badejo, mas podem tirar a vírgula se assumirem a responsabilidade pela alteração do sentido da frase.
Havia contudo um erro, nessa questão do fairness. A palavra equidade existe em português, em Portugal é que não lhe conhecemos o significado. Era uma questão de mera semântica …
Depois deste pequeno devaneio linguístico (a língua pode ser muito traiçoeira), voltemos ao teorema da equidade matemática, que posso enunciar da forma seguinte:
1/14 = 2/14, dado que 2/14 =1/12
Considerando que 14=12 e 1=2, este Teorema pode também ser apresentado na forma evoluída, decorrente da forma canónica:
1/12=2/14, dado que 12=14 e 1=2
É com base neste teorema que se define a equidade aplicada às subvenções vitalícias dos detentores de cargos políticos e aos vencimentos da função pública, ou seja um catorze avos da subvenção vitalícia é igual a dois catorze avos do rendimento anual dos funcionários públicos. Da aplicação prática deste teorema decorrem os valores dos famosos subsídios que alguns já sabem que não vão ter, enquanto outros acham que na pior hipótese vão perder entre 1/12 e 1/14…
Poderíamos ainda definir uma função real de variável “p”, Real ou Imaginária F(p), mas já seria muita matéria para uma só sessão.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Novo riquismo: Outros quinhentos
Já foi definido, pelo Tio do Algarve, o novo conceito de milionário. Para completar esta nova taxonomia da riqueza urge, por razões óbvias e decorrentes da nova classificação de milionário, definir o conceito de novo-rico.
Permitam-me os mais distraídos, um pequeno parêntese, sobre taxonomia. Taxonomia, é uma palavra que consta no Ticionário, com um significado novo: Taxonomia, palavra de origem inglesa é a classificação das vítimas dos impostos (tax, no original). Então, nesta nova taxonomia, se os pobres são os que ganham menos de quinhentos euros e os milionários são os que ganham mais de mil euros, os novos-ricos são os que ganham entre quinhentos e mil euros… Não são pobres, nem milionários. São ricos, mas como só muito recentemente chegaram a esse estatuto, são, obviamente, novos-ricos!
Estes novos-ricos também não vão ser poupados este ano, mas para o ano não escapam mesmo em nada. O novo-riquismo sempre foi motivo de chacota, quer dos muito e antigos ricos, quer dos pobres, novos ou antigos. Antes eram motivo de chacota, agora são chicoteados pelo governo…
Os que ganham menos de quinhentos são os pobres, e por isso estão excluídos destes novos impostos, concebidos para os ricos e novos-ricos.
Parece que também ficam excluídos os que ganham mais de quinhentos mil euros, em dois anos, se os receberem em duodécimos…Estes não são novo ricos nem milionários. São seres superiores, à margem das leis que regem o vil metal. São anjos, guardados por um arcanjo que se diz duplamente santo, ou seja ainda está para nascer quem seja mais santo que ele. Será daqui que vem a expressão santo de pau carunchoso?
Assim, esta é de facto a geração dos quinhentos euros, ordenado mensal auferido pelos velhos pobres e pelos recém-licenciados, os novos-ricos do conhecimento…
Os mais atentos reparam que há uma aparente lacuna nesta nova taxonomia: Os que ganham precisamente quinhentos euros, que tanto podem ser considerados pobres como novos-ricos! Esta situação é no entanto, propositada. Os que têm esse rendimento podem ser tudo o que os outros quiserem, em função da situação dos segundos e da necessidade dos primeiros…
São quinhentos euros, mas outros quinhentos… E, como sempre, os quinhentos quando chegam à conta bancária não são iguais para todos.
Nota sobre o uso do acordo ortográfico: Grafei (linda, esta palavra…) no início do texto “novo rico” sem hífen. À medida que fui escrevendo, pensei que se emprega o hífen, e passo a citar: “nos compostos em que entram, foneticamente distintos (e, portanto, com acentos gráficos, se os têm à parte), dois ou mais substantivos, ligados ou não por preposição ou outro elemento, um substantivo e um adjectivo, um adjectivo e um substantivo, dois adjectivos ou um adjectivo e um substantivo com valor adjectivo, uma forma verbal e um substantivo, duas formas verbais, ou ainda outras combinações de palavras, e em que o conjunto dos elementos, mantida a noção da composição, forma um sentido único ou uma aderência de sentidos”… Foi esta razão que me levou a usar o dito apêndice ortográfico.
A citação está devidamente identificada, e linkada (o k faz parte do nosso alfabeto), não se tratando por isso de plágio, ou tentativa de apropriação de propriedade intelectual de outrem… É de 1945? Nesse ano acabou a guerra mundial e eu nem era nascido (os pais - reparem que não uso o pronome possessivo - nem se conheciam, suponho que andariam na escola), mas deve ter sido um ano de muita alegria, em Paris e pelo mundo inteiro. Os factos citados não estão relacionados.
Permitam-me os mais distraídos, um pequeno parêntese, sobre taxonomia. Taxonomia, é uma palavra que consta no Ticionário, com um significado novo: Taxonomia, palavra de origem inglesa é a classificação das vítimas dos impostos (tax, no original). Então, nesta nova taxonomia, se os pobres são os que ganham menos de quinhentos euros e os milionários são os que ganham mais de mil euros, os novos-ricos são os que ganham entre quinhentos e mil euros… Não são pobres, nem milionários. São ricos, mas como só muito recentemente chegaram a esse estatuto, são, obviamente, novos-ricos!
Estes novos-ricos também não vão ser poupados este ano, mas para o ano não escapam mesmo em nada. O novo-riquismo sempre foi motivo de chacota, quer dos muito e antigos ricos, quer dos pobres, novos ou antigos. Antes eram motivo de chacota, agora são chicoteados pelo governo…
Os que ganham menos de quinhentos são os pobres, e por isso estão excluídos destes novos impostos, concebidos para os ricos e novos-ricos.
Parece que também ficam excluídos os que ganham mais de quinhentos mil euros, em dois anos, se os receberem em duodécimos…Estes não são novo ricos nem milionários. São seres superiores, à margem das leis que regem o vil metal. São anjos, guardados por um arcanjo que se diz duplamente santo, ou seja ainda está para nascer quem seja mais santo que ele. Será daqui que vem a expressão santo de pau carunchoso?
Assim, esta é de facto a geração dos quinhentos euros, ordenado mensal auferido pelos velhos pobres e pelos recém-licenciados, os novos-ricos do conhecimento…
Os mais atentos reparam que há uma aparente lacuna nesta nova taxonomia: Os que ganham precisamente quinhentos euros, que tanto podem ser considerados pobres como novos-ricos! Esta situação é no entanto, propositada. Os que têm esse rendimento podem ser tudo o que os outros quiserem, em função da situação dos segundos e da necessidade dos primeiros…
São quinhentos euros, mas outros quinhentos… E, como sempre, os quinhentos quando chegam à conta bancária não são iguais para todos.
Nota sobre o uso do acordo ortográfico: Grafei (linda, esta palavra…) no início do texto “novo rico” sem hífen. À medida que fui escrevendo, pensei que se emprega o hífen, e passo a citar: “nos compostos em que entram, foneticamente distintos (e, portanto, com acentos gráficos, se os têm à parte), dois ou mais substantivos, ligados ou não por preposição ou outro elemento, um substantivo e um adjectivo, um adjectivo e um substantivo, dois adjectivos ou um adjectivo e um substantivo com valor adjectivo, uma forma verbal e um substantivo, duas formas verbais, ou ainda outras combinações de palavras, e em que o conjunto dos elementos, mantida a noção da composição, forma um sentido único ou uma aderência de sentidos”… Foi esta razão que me levou a usar o dito apêndice ortográfico.
A citação está devidamente identificada, e linkada (o k faz parte do nosso alfabeto), não se tratando por isso de plágio, ou tentativa de apropriação de propriedade intelectual de outrem… É de 1945? Nesse ano acabou a guerra mundial e eu nem era nascido (os pais - reparem que não uso o pronome possessivo - nem se conheciam, suponho que andariam na escola), mas deve ter sido um ano de muita alegria, em Paris e pelo mundo inteiro. Os factos citados não estão relacionados.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Milionário
Recentemente a palavra milionário adquiriu um novo significado, no famoso Pacionário, bem conhecido cá na casa.
Milionário é o indivíduo que aufere mais de 1000 euros de remuneração mensal...
O Tio agora não pode continuar este post, mas prometo em breve voltar ao tema. Espero que seja antes do sorteio do próximo Portumilhões, previsto para a semana que vem, na maior parte dos quiosques portugueses. E vejam como utilizo o acordo ortográfico, sinal de recente modernidade.
Milionário é o indivíduo que aufere mais de 1000 euros de remuneração mensal...
O Tio agora não pode continuar este post, mas prometo em breve voltar ao tema. Espero que seja antes do sorteio do próximo Portumilhões, previsto para a semana que vem, na maior parte dos quiosques portugueses. E vejam como utilizo o acordo ortográfico, sinal de recente modernidade.
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