quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A palavra amiga

A verdade vem muitas vezes por um mero acaso, um pouco como as grande descobertas aconteceram por meros acidentes. Desde a banheira de Arquimedes à macieira de Newton, muita coisa se tem descoberto por casualidade. Até o tipo que, sem avisar, chega um dia mais cedo a casa pode fazer descobertas interessantes…

No meu caso e como já devem ter reparado, tenho uma tendência enorme para comer letras. Não me refiro outra coisa que não às constantes falhas ao digitar as letras das palavras. Umas vezes faltam, outras vezes estão fora de ordem. Foi o que me aconteceu hoje ao escrever a palavra amiga. A palavra “amiga” e não a “palavra amiga”.

Habitualmente escrevo bastante depressa e quando reli, encontrei magia, onde tinha escrito amiga. Terei trocado assim tantas letras? Terá sido o corrector ortográfico?

Não sei e também não importa. Importa é que na nossa vida haja magia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Excepção, exceção e excessão

Apesar do receio de me tornar aborrecido com estas postagens sobre o significado das palavras, à luz do dito Acordo Hortográfico e Urtografico, arrisco e decido continuar….Também me sinto um pouco compelido a tal, por razões que se prendem com as minhas relações afectivas com toda a pesada herança socretina e guterreica ou ponciana (do Pôncio Cavacus), em geral e muito em particular ao “Tratadão das Grafias, do Palavrão e das Sintaxias” (ler, por favor, com sotaque de português que passou uma semana em Fortaleza e já não se lembra como é que falava antes).

As três palavrinhas de hoje, são parónimas, não são homónimas nem homófonas e por isso não posso ser acusado de ser um perigoso fundamentalista, um sectário intolerante contra o prefixo homo. Tenho a certeza que as minhas leitoras e leitores já perceberam as minhas inclinações nesta matéria e espero que me aceitem como sou: Um hetero militante, um combatente em prol da diversidade. A língua é para ser usada de formas diferentes. Mas nada de modernices, como dizem os meus compadres do Alentejo, uniões de fato, sem fato, ou novidades ortográficas.

Depois deste devaneio com estas três meninas, a excepção, a exceção e a excessão, há que clarificar os conceitos, explicitar as diferenças… E deixemos o Menage para outra altura.

Excepção, é um substantivo do género feminino, significa um desvio da regra geral, uma restrição, um privilégio ou prerrogativa…

Exceção, é a forma brasileira da palavra excepção, não usada em Portugal, Angola Moçambique, S. Tomé e Príncipe, Timor, Cabo Verde e Macau (em Macau pode usar-se exception). “Essa gatinha tem uma bundinha que é uma exceção”, ou “O Lula não foi exceção no caso mensalão”, são exemplos, imaginários, de utilização dessa palavra, que também é um substantivo comum (ou incomum, depende da bundinha) e do género feminino.

“Excessão”, como o sufixo indica é um excesso muito grande. Um exemplo claro de utilização desta palavra pode ser observado na frase seguinte: “ As reformas dos políticos: tem muitos excessos, é um verdadeiro ’Excessão’! Outro exemplo de utilização comum deste vocábulo: Bebeu shots até cair para o lado, foi um “Excessão” de shots. “Excessão” é um substantivo do género masculino, cujo plural é: “Excessões”.

E se alguém chegou aqui por engano, sem ser uma excepção, leu o textículo todo, deve saber que esta é a casa do Grande Irmão Contra o Acordo Ortográfico, Plano Tecnológico, Especialmente o Migalhães, SCUTS, TGVs, Aeroportos e Outras Tolices Que Tais Que Agora Temos Todos Que Pagar Com Língua de Pau. Eu prefiro pagar com o pau e a língua, mas em separado e em suaves prestações.

PS: Refira-me ao lápis com que escrevo estas postas e às ditas.

Disclaimer (Nota de reserva não discriminatória): Não tenho nada contra os paulistas, cariocas baianos, gaúchos, de Curitiba, Ceará, Natal, Belém do Pará ou de Manaus, mas não me obriguem a escrever como eles, porque nunca conseguirei fazê-lo…. Saravá, meus irmãos aí desse lado do atlântico!!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Temporária

Esta palavra assume, desde ontem, novos significados que levaram à sua inclusão no Pacionário, o conhecido Dicionário da Paciência e do Paços, com ç, à antiga…Como sabem os meus leitores mais atentos este Pacionário é uma recolha de vocábulos empreendida pelo Tio do Algarve, publicada em adenda ao Ticionário, mas não faz parte dos neologismos da sua responsabilidade. Nesse compêndio o Tio apenas divulga as criações artísticas dos outros …

Temporária, no DILPAC, o Dicionário da Língua Portuguesa Antes do Acordo, significa coisa não duradoura, efémera, eventual, de curta duração. Um exemplo de utilização: “Esta medida de aumento do IVA para 21% é temporária”. E assim ficámos todos a saber que a aplicação dessa taxa de 21% duraria pouco tempo.

No Pacionário o significado é completamente diferente. Temporária significa uma coisa que aconteceu num determinado tempo, num momento concreto. Temporária, neste novo contexto, não tem qualquer ligação com a duração dos efeitos ou com o prolongamento no tempo da acção. O melhor exemplo que encontro para ilustrar este significado do vocábulo “temporária”, no novo Pacionário, é a frase: “O corte nos subsídios de férias e Natal dos funcionários públicos é uma medida temporária”.

É agora claro para quem me lê, que o que se pretende dizer é que esse corte ocorreu num determinado momento, num tempo concreto….

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Arquitetos e arquitetas

Depois da modesta, mas clara e concisa, explicação sobre tetos e tetas, eis que julgo haver necessidade de clarificar outros dois conceitos relacionados: O de arquiteto e de arquiteta, que de forma alguma se podem confundir como as parónimas, Arquitecto e Arquitecta. E quem disser que são homófonas, fica já excluído da guest list cá da casinha….

Sabendo que o prefixo “arqui” é um aumentativo, a explicação é simples e o significado fica ao alcance de todos…Uma arquiteta é uma teta muito grande, quiçá como tem acontecido na nossa república de Los Plátanos, para muitos filhos queridos. Arquiteto, como o nome indica, é um teto de grande amplitude, como tento mostrar na frase seguinte: “O teto salarial dos operadores de caixa das grandes superfícies é pequeno, contrariamente ao arquiteto salarial dos gestores de empresas públicas…”.

Poderá surgir a dúvida na utilização da palavra Arquitecto, que designa a profissão de alguém que exerce arquitectura (a organização do espaço e a definição das formas), ou dos seus derivados, e o neologismo arquiteto. Para que não restem quaisquer dúvidas depois da explicação anterior, aqui vai um exemplo para ilustrar a diferença de significado: “O arquiteto salarial das empresas públicas de transporte foi arquitectado por alguém que não teve em conta os interesses do comum dos cidadãos e do estado, mas apenas o bem-estar e o conforto material dos trabalhadores dessas empresas” Esta citação foi retirada de um trabalho académico do reputado (para alguém que chegue até aqui por engano, tenho que dizer que reputado não é aquele que anda com putas, mas o que tem reputação) investigador da Universidade do Allgarve, o Ti António de Olhão, da Armona e do Farol, na sua dissertação de Mestrado em Vela de Cruzeiro, com o sugestivo título: Lusitânia Perdida: vê-la a dormir ou à vela?”.

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