segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Actividades circum-escolares

É espantoso o que se pode aprender com a televisão a propósito do acordo urtográfico (vou passar a usar esta grafia, deixando cair o “h” mudo que ironizava o quanto gosto do dito cujo e passar a usar a vogal “u”, para enfatizar o meu gosto pelo norte de Portugal)!

Para além das notas diárias para os tele-especto-consumidores mais matutinos, do “Em bom Português”, também agora um programa que não vejo mas até gosto, o “Sociedade Civil” tem uma pestana (adoro esta expressão espanhola) sobre o dito cujo, a que deram o nome de “de Acordo com o acordo”. Propositadamente troquei as maiúsculas aos acordos…

Ora hoje, de raspão, lá pisquei o olho à pestana sobre o assunto da nova grafia e fiquei a saber que na palavra circum-navegação se mantém o hífen, como também nas palavras compostas cujo primeiro elemento acabe em “b” ou em “d”. Pelo que percebi, a justificação advém da dificuldade de leitura…

Tenho que dizer que não posso concordar de forma alguma com a manutenção do hífen, independentemente das razões que possam existir para tal, nem com a manutenção de palavras tão próximas do latim, como “circum”... Como é possível manter essa palavra balofa e fascizante, lembrando as actividades da Mocidade Portuguesa e as tardes desportivas de quarta-feira nos antigos liceus? Essa palavra “circum”, tresanda a campeonatos interescolas (Fica bem sem o hífen? Bem me parecia…), a deslocações a Espanha e a França a representar Portugal, em jogos de inspiração militar e militarista, como o Hóquei em Patins, o atletismo, o basketball (devia ser bolanocesto, para estar de acordo com o regime castrador da diversidade linguística), ou futebol (esta sim, não tão boa como pénabola, mas está melhor). Cheira ainda a jogos florais, a prémios de mérito em que o cheque ou a bolsa de estudo chegava mesmo aos alunos. Circum fede a récitas e teatros nas escolas, a professores respeitados e a alunos interessados noutra coisa que não em modelos de telemóvel, guest-list (fiquem lá com o hífen, ò alunos-que-não-podem-esforçar-a-memória-senão-apanham-um-esgotamento), penteados da Pink, fatos da Madonna, casamentos da Betinha da série que ainda há-de (sim também vai acabar aqui o hífen) ser um sucesso, ou namorados da Qualquer Coisa da Silva, que mostrou as mamas numa telenovela e já antes tinha mostrado as coxas noutra coisa qualquer…

Abaixo o circum! Abaixo o saudosismo! É ridícula a utilização desta palavra, quando temos outra muito mais actual, mais abrangente, mais fácil de escrever e dizer, e perfeitamente integrada no espírito do acordo: O circo!

A partir de hoje acabaram-se as actividades circum-escolares (de acordo com o acordo), ou circumescolares (em desacordo com o acordo). A partir de hoje, só temos actividades circo escolares, ou seja actividades de circo nas escolas.




Nota: Este textículo vem atrasado. Penso que há já alguns anos que o circo chegou à escola, resta saber é quando se vai embora…

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Amizade virtual, do on ao off, a 300 GHz

Arranjei este nome pomposo para descrever a minha última experiencia no livro das caras. Não a experiência pessoal do Tio, que é pequena (não sei se por falta de tempo de v-friends), mas a do gajo que escreve e assina estas postas.


Farto da zoosta, quinta da cidade, quinta dos peixes, guerras mafiosas and so on resolvi bloquear essas aplicações. Em particular uma v-friend que não estava a conseguir identificar e que frequentemente me brindava os meus amigos e a mim próprio com perguntas do tipo: Queres saber o que o António Bernardo pensa de…Ou: Achas que o António Bernardo era capaz de mentir, ou ainda: Achas que o António Bernardo era capaz de trair?

Nunca fui procurar a resposta e espero que nunca ninguém o tivesse feito, mas pensei que tendo alguns amigos em comum talvez pudesse conhecer a pessoa, até porque também uso esse livro das caras para fins profissionais.

Dei-me ao trabalho de perguntar a todos os amigos em comum quem era essa amiga virtual. Ninguém sabia. Um não se lembrava. Outro tinha aceitado porque era minha amiga e os outros tinham aceitado porque era minha amiga e do primeiro. Eu próprio tinha adicionado por ser amiga do primeiro e ter pensado que talvez conhecesse e fosse minha colega ou, hipótese mais remota mas não totalmente de rejeitar, talvez fosse minha cliente e amiga dessa primeira pessoa.

Então, cansado de bloquear aplicações, tomei a decisão final: Desamigar (neologismo detestável que serve para descrever o que fiz). E foi simples. Reflecti 5 segundos e depois carreguei no botão onde dizia “Unfriend”. E foi rápido e indolor. Essa pessoa desapareceu da minha vida v-real….

PS: Se conhecerem alguém que tenha sido desamigado, por favor digam, pois pode ser que tenha sido um engano e a pessoa até seja amiga de infância, colega de liceu, de faculdade, de trabalho ou até leitora ou seguidora do blog. Não acredito, mas mais vale prevenir, just in case.

A Ilha

A Ilha (The Island) é um filme de 2005, cuja acção decorre no século XXI, em 2019. A terra está contaminada, os sobreviventes vivem num local fechado, aparentemente perfeito, livre de contaminação e todas as semanas são sorteadas saídas para a Ilha, um local supostamente paradisíaco. Finalmente, talvez inspirado pelas mamas da Scarlett Johansson (Jordan 2 delta), ou por ter suspeitado que era apenas um peça de substituição, o personagem interpretado pelo Ewan Mc Gregor, decide fugir apesar do local onde viviam, apesar de parecer tão perfeito….Na realidade do filme todos eram clones de pessoas abastadas que pagaram para terem um clone que lhes permita viver mais e melhor…

A realidade deles é pior que a ficção que lhe contaram e que se transformou no imaginário colectivo de todos os clones.

No nosso filme a acção decorre no final do séc XX e início do XXI, a Ilha também é o local perfeito, mas só há um clone, que é do imperador Bokassa. Este clone não come fígados dos seus súbditos, mas come as papas na cabeça da população. Os figurantes não desejam ir para a Ilha, porque estão lá. Alguns (muito poucos), como Lincoln 6 Eco, acham que há qualquer erro na história que lhe estão a contar e querem sair de lá, sendo destruídos antes de o conseguirem fazer. Não vivem na ilusão de um sorteio semanal, mas sim com a certeza que todos os meses lhes tem saído um euromilhões.

Os habitantes desta Ilha têm um dilema. Não querem o clone, mas têm receio de o perder, pois aí poderia terminar o euromilhões mensal…E assim, graças a esta dualidade mantém-se o ciclo de ilusão que se arrasta há algumas décadas.

Se pudesse mudava o guião deste filme e colocava no enredo um Iron Man, “just to fight against evil”…


Nota: É ficção, apenas.

sábado, 17 de setembro de 2011

Irregularidade grave

Irregularidade grave, é uma nova frase idiomática do jargão político partidário que se aplica num conjunto vasto circunstâncias. Não consta da última edição do Ticionário (o dicionário do Tio), mas surge no Pacionário: o Dicionário da Paciência Politica, Passo a Passo, como sendo usado em contextos de nepotismo, abuso de autoridade, desmandos governativos, total descontrolo orçamental ou mesmo gestão danosa.

Em terra de bananas, de acordo com o Pacionário, também pode ser usado como eufemismo para corrupção e desvios de fundos.

Siga o Tio pelo e-milio