quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Amizade virtual, do on ao off, a 300 GHz

Arranjei este nome pomposo para descrever a minha última experiencia no livro das caras. Não a experiência pessoal do Tio, que é pequena (não sei se por falta de tempo de v-friends), mas a do gajo que escreve e assina estas postas.


Farto da zoosta, quinta da cidade, quinta dos peixes, guerras mafiosas and so on resolvi bloquear essas aplicações. Em particular uma v-friend que não estava a conseguir identificar e que frequentemente me brindava os meus amigos e a mim próprio com perguntas do tipo: Queres saber o que o António Bernardo pensa de…Ou: Achas que o António Bernardo era capaz de mentir, ou ainda: Achas que o António Bernardo era capaz de trair?

Nunca fui procurar a resposta e espero que nunca ninguém o tivesse feito, mas pensei que tendo alguns amigos em comum talvez pudesse conhecer a pessoa, até porque também uso esse livro das caras para fins profissionais.

Dei-me ao trabalho de perguntar a todos os amigos em comum quem era essa amiga virtual. Ninguém sabia. Um não se lembrava. Outro tinha aceitado porque era minha amiga e os outros tinham aceitado porque era minha amiga e do primeiro. Eu próprio tinha adicionado por ser amiga do primeiro e ter pensado que talvez conhecesse e fosse minha colega ou, hipótese mais remota mas não totalmente de rejeitar, talvez fosse minha cliente e amiga dessa primeira pessoa.

Então, cansado de bloquear aplicações, tomei a decisão final: Desamigar (neologismo detestável que serve para descrever o que fiz). E foi simples. Reflecti 5 segundos e depois carreguei no botão onde dizia “Unfriend”. E foi rápido e indolor. Essa pessoa desapareceu da minha vida v-real….

PS: Se conhecerem alguém que tenha sido desamigado, por favor digam, pois pode ser que tenha sido um engano e a pessoa até seja amiga de infância, colega de liceu, de faculdade, de trabalho ou até leitora ou seguidora do blog. Não acredito, mas mais vale prevenir, just in case.

A Ilha

A Ilha (The Island) é um filme de 2005, cuja acção decorre no século XXI, em 2019. A terra está contaminada, os sobreviventes vivem num local fechado, aparentemente perfeito, livre de contaminação e todas as semanas são sorteadas saídas para a Ilha, um local supostamente paradisíaco. Finalmente, talvez inspirado pelas mamas da Scarlett Johansson (Jordan 2 delta), ou por ter suspeitado que era apenas um peça de substituição, o personagem interpretado pelo Ewan Mc Gregor, decide fugir apesar do local onde viviam, apesar de parecer tão perfeito….Na realidade do filme todos eram clones de pessoas abastadas que pagaram para terem um clone que lhes permita viver mais e melhor…

A realidade deles é pior que a ficção que lhe contaram e que se transformou no imaginário colectivo de todos os clones.

No nosso filme a acção decorre no final do séc XX e início do XXI, a Ilha também é o local perfeito, mas só há um clone, que é do imperador Bokassa. Este clone não come fígados dos seus súbditos, mas come as papas na cabeça da população. Os figurantes não desejam ir para a Ilha, porque estão lá. Alguns (muito poucos), como Lincoln 6 Eco, acham que há qualquer erro na história que lhe estão a contar e querem sair de lá, sendo destruídos antes de o conseguirem fazer. Não vivem na ilusão de um sorteio semanal, mas sim com a certeza que todos os meses lhes tem saído um euromilhões.

Os habitantes desta Ilha têm um dilema. Não querem o clone, mas têm receio de o perder, pois aí poderia terminar o euromilhões mensal…E assim, graças a esta dualidade mantém-se o ciclo de ilusão que se arrasta há algumas décadas.

Se pudesse mudava o guião deste filme e colocava no enredo um Iron Man, “just to fight against evil”…


Nota: É ficção, apenas.

sábado, 17 de setembro de 2011

Irregularidade grave

Irregularidade grave, é uma nova frase idiomática do jargão político partidário que se aplica num conjunto vasto circunstâncias. Não consta da última edição do Ticionário (o dicionário do Tio), mas surge no Pacionário: o Dicionário da Paciência Politica, Passo a Passo, como sendo usado em contextos de nepotismo, abuso de autoridade, desmandos governativos, total descontrolo orçamental ou mesmo gestão danosa.

Em terra de bananas, de acordo com o Pacionário, também pode ser usado como eufemismo para corrupção e desvios de fundos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Banalizar e Bananalizar

Estas duas palavras, quase homógrafas e homófonas, estão muito relacionadas mas não são sinónimos. No entanto o uso repetido e excessivo da primeira conduz inevitavelmente à segunda…

Banalizar significa tornar banal, vulgarizar, de acordo com a generalidade dos dicionários, entendidos e peritos. Bananalizar, de acordo com o Ticionário é transformar em banana, ou seja, o que tem acontecido ao povo português nos últimos anos.

A banalização de situações extravagantes, de escândalos vários, de vergonhas gritantes, do nunca apurar das responsabilidades, leva a que o povo tenha deixado, não de pensar (isso acho que já foi há mais tempo), mas de agir ou mesmo de reagir. Bananalizaram-se as pessoas, enquanto se banalizavam os escândalos. E esta massa informe, apática e sem rumo e vontade própria ou alheia, vai agora ser frita ou flamejada com whisky ou rum e servida, com parcimónia, em qualquer sobremesa de restaurante da moda frequentado pela novel classe de dirigentes. Discretamente vão lamber a colher no fim, com um ar de culpa. Não pela bananalização, nem por lamber a colher, mas sim pela dieta quebrada…

Será daqui que vem o nome república das ditas?

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