Minha cara Angelena,
Toda a gente te ataca por causa daquela questão ateniense! Sinto-me no dever te escrever para dizer que estou solidário contigo e vou passar a defender-te, publicamente. Não sei se por esta costela judaico-cristã (que me dói, com frequência), se uma por outra costela qualquer, mas não importa. Também detesto os atenienses, e talvez seja essa a razão. Não interessa. Vou passar defender a tua honra e assumo.essa missão.
Dizem que és dura, desconhecendo o teu amor por Paris, esse guerreiro de origem plebeia vindo da Lusitânia, que te andou a arrastar a asa às escondidas e te conseguiu convencer a acreditar dele…E de tal forma que tu, que tinhas uma vida espartana, te tornaste perdulária, emprestando dinheiro a Paris, sem a esperança de o receberes… Como tu bem sabias, se a quantia for grande o problema deixa de ser de quem deve e passa a ser de quem empresta… Ficaste com o problema de Paris, por amor, e em troca apenas querias uma viagem no ICE, que os povos do sul da Europa insistem em chamar de Tau Gama Beta … Já não basta chamarem comboio, em vez de caminho-de-ferro, ainda insistem nesse nome franciú para o dito!! Imagino-te a cantar com essa voz doce: Oh Eisenbahn, Oh Eisenbahn wie grau sind Ihre Blätter und Ihre eisenbahnwagen… Oh Eisenbahn, Oh Eisenbahn, mein liebe ICE… A música claro que é a do "O Tannenbaum", porque o comboio eléctrico era uma prendinha de Natal, bem embrulhadinha…
Que mais posso dizer? Que te imagino numa Oktoberfest, a agarrar em simultâneo, mas delicadamente, com essas mãozinhas sapudas em 10 canecas de litro? Dez girafinhas para a mesa do canto, bitte? Deves ficar bem com o traje da minhota (em Braga também houve uma Oktoberfest), mas o aventalinho e a saia rodada da Baviera é que te ficam a matar!
E o pobre Menelau? Doido com os ciúmes, não querendo começar uma guerra, atira-se à primeira vassoura com saias que lhe passou à frente. Parece que já não era a primeira vez que fazia isso e no novo continente não perdoam. Muito menos à força! Logo nos States… Toca de lhe por umas pulseiras com correntes e de o aprisionarem. Pobre Menelau…Já que não lhe ligas nenhuma, vai ter que arranjar uma Penélope, que lhe faça uns tapetes de lã, até que a crise passe…
Como estão os teus manos? Aquele Castor é levado da breca, deixou-nos com a criança nos braços e foi ter contigo lá para a terra das couves pequenas (também conhecida por Bruxelas, por causa das bruxas), onde engordou e se tornou o rei da bicharada. Polux, não sabe o que fazer com os juros do seu pecúlio. Ora sobe ora desce, mas quando desce, desce menos do que já tinha subido. Não tarda nada vai ser substituído pela tua outra irmã, a Clitemnestra, ministra dos … Ups esta já seria outra história.
E parece que esta luta vai durar mais do que dez anos, de acordo com os astros, até porque lá para o Olimpo, anda tudo em guerra e ninguém se entende. Como dizemos cá na Lusitânia: casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Não penses em dizer-lhes para comerem Pretzel, porque não dá. O nó já demos nós, não sabemos é como o desatar. E também não lhes fales nos Souvlakis, porque estão com o espeto na garganta….
E por hoje termino, minha cara Angelena, vou para a Gália participar numa manif a propósito de um outro comboio que querem fazer….Outro Tau Gama Beta!
Beijinhos do Onkel von Algarve.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
O comboio e a luz ao fundo do túnel
Vejo um filme já gasto sobre as vantagens do TGV na ligação do Poceirão à Europa…Falam-me de mercadorias, de plataformas intermodais, do desenvolvimento que iria trazer para o Alentejo…Não referiram o desenvolvimento que a estrutura aeroportuária de Beja veio trazer à região e o conforto que os cerca de 7 passageiros que utilizam essa estrutura aeroportuária por semana, agora podem beneficiar. Repito estrutura aeroportuária, para enfatizar a diferença entre esse tipo de instalação e um aeroporto. Um aeroporto teria sido mais caro, segundo o desgoverno cessante. Não comento, mas espero que não pensem substituir o comboio pelo avião nas ligações entre Beja e o resto do país. Pessimista como ando, imagino que terá passado pela cabeça de alguém acabar com os comboios em Portugal, por os considerarem ultrapassados, já que não têm a bitola europeia.
Ainda não refeito com a notícia das explicações pedidas por Espanha pela suspensão (depois do vara deveríamos dizer suspenção?) do TGV, sou bombardeado com outra notícia: A suspensão das obras no túnel do Marão e a crise na restauração e no mercado de arrendamento em Amarante, decorrente dessa paragem. Sinto que podia escrever um tratado sobre as vantagens da fixação de populações, versus a flutuação dos residentes temporários, mas não vou cansar os meus leitores.
Penso, como toda a gente, que algumas destas obras faraónicas devem ser paradas. E já acreditava nisso antes de experimentar a CREP…Mas a paragem do túnel, deixa-me apreensivo. Se vamos parar o túnel, como é que poderemos algum dia ver a luz no fim do dito? Sem túnel, não há luz ao fundo!
Há contudo há uma solução para este problema, que passa pelo reafirmar da Língua Portuguesa, acabando de uma vez com os estrangeirismos démodé. Um verdadeiro três em um! E a solução é fácil, como não podia deixar de ser…
Em vez de se chamar TGV, estrangeirismo desnecessário e bacoco, o comboio passa a chamar-se CAVE (Comboio de Alta Velocidade)! Assim acabamos com o TGV e criamos um comboio verdadeiramente português, feito à nossa medida!
E o túnel, perguntarão alguns curiosos, mas a resposta é simples: CAVE!
E cavemos todos nós! Nos campos, na agricultura e nas cidades, nos jardins e onde quer que estejamos a resposta só pode ser uma: CAVEMOS! Se possível daqui para fora, porque o buraco já é tão grande que não se vê o fundo! E no fundo do buraco nunca haverá luz…
Ainda não refeito com a notícia das explicações pedidas por Espanha pela suspensão (depois do vara deveríamos dizer suspenção?) do TGV, sou bombardeado com outra notícia: A suspensão das obras no túnel do Marão e a crise na restauração e no mercado de arrendamento em Amarante, decorrente dessa paragem. Sinto que podia escrever um tratado sobre as vantagens da fixação de populações, versus a flutuação dos residentes temporários, mas não vou cansar os meus leitores.
Penso, como toda a gente, que algumas destas obras faraónicas devem ser paradas. E já acreditava nisso antes de experimentar a CREP…Mas a paragem do túnel, deixa-me apreensivo. Se vamos parar o túnel, como é que poderemos algum dia ver a luz no fim do dito? Sem túnel, não há luz ao fundo!
Há contudo há uma solução para este problema, que passa pelo reafirmar da Língua Portuguesa, acabando de uma vez com os estrangeirismos démodé. Um verdadeiro três em um! E a solução é fácil, como não podia deixar de ser…
Em vez de se chamar TGV, estrangeirismo desnecessário e bacoco, o comboio passa a chamar-se CAVE (Comboio de Alta Velocidade)! Assim acabamos com o TGV e criamos um comboio verdadeiramente português, feito à nossa medida!
E o túnel, perguntarão alguns curiosos, mas a resposta é simples: CAVE!
E cavemos todos nós! Nos campos, na agricultura e nas cidades, nos jardins e onde quer que estejamos a resposta só pode ser uma: CAVEMOS! Se possível daqui para fora, porque o buraco já é tão grande que não se vê o fundo! E no fundo do buraco nunca haverá luz…
segunda-feira, 27 de junho de 2011
sábado, 25 de junho de 2011
O elo perdido
Como explicar que dois países tão diferentes como Portugal e Grécia, sejam vistos da mesma forma e tantas vezes comparados pelos europeus? Se ainda confundissem a Grécia e a Finlândia, que têm bandeiras semelhantes, ainda se percebia. Agora nós e a Grécia? Depois do europeu de futebol de 2004 e do Benfica ter contratado o tipo que marcou o golo a Portugal? Nunca estivemos tão longe, mas teremos de ter algo em comum…
Mas o quê? Serão as branquetas dos sargaceiros da Apúlia confundidas com os trajes tradicionais gregos? Influência do filme dos anos 60, que popularizou a sirtaki? Dever-se-á ao peso da herança greco-romana na nossa cultura? Serão as Guerras do Alecrim e da Manjerona confundidas com alguma tragédia grega? Será por nos termos visto gregos para entrar na comunidade europeia e mais ainda para sairmos do euro? Por termos criado uma mnemónica com música sobre o teorema de Pitágoras? Por o nosso país estar em ruínas, tal como o monumento grego mais conhecido?
Enquanto discorria sobre o possível papel dos velhos filósofos gregos, neste processo, fez-se luz na caverna... Eles tiveram há dois mil anos um homem que rasgou os conceitos tradicionais da filosofia. Nós tivemos um homónimo que rasgou os conceitos do rigor da gestão e do bom senso. Só sei que nada sei, foi uma das máximas que nos ficou desse grego que deixou os seus pares à nora com novos conceitos. O nosso também disse que não sabia nada de muitos assuntos como o Freeport, Face Oculta, etc, e mais do que os seus pares, deixou o país à nora com novas dívidas.
O primeiro recusava-se a ter discípulos, mas utilizava o diálogo como forma de chegar ao conhecimento. O segundo tem seguidores fiéis e dedicados e utiliza o monólogo como forma de fazer valer a sua opinião. A ironia do primeiro procurava desfazer as certezas, os dogmas e os estereótipos, como forma de chegar à verdade e ao conhecimento. O segundo usa a ironia para rebater consensos, para criar ilusão, para evitar o diálogo e ludibriar. O primeiro não impunha as suas ideias, tentava que os outros chegassem ao conhecimento. O segundo usa os seus conhecimentos pessoais para fazer prevalecer as suas verdades…
O primeiro era um filósofo em Atenas, o segundo parece que vai aprender filosofia em Paris.
Mas o quê? Serão as branquetas dos sargaceiros da Apúlia confundidas com os trajes tradicionais gregos? Influência do filme dos anos 60, que popularizou a sirtaki? Dever-se-á ao peso da herança greco-romana na nossa cultura? Serão as Guerras do Alecrim e da Manjerona confundidas com alguma tragédia grega? Será por nos termos visto gregos para entrar na comunidade europeia e mais ainda para sairmos do euro? Por termos criado uma mnemónica com música sobre o teorema de Pitágoras? Por o nosso país estar em ruínas, tal como o monumento grego mais conhecido?
Enquanto discorria sobre o possível papel dos velhos filósofos gregos, neste processo, fez-se luz na caverna... Eles tiveram há dois mil anos um homem que rasgou os conceitos tradicionais da filosofia. Nós tivemos um homónimo que rasgou os conceitos do rigor da gestão e do bom senso. Só sei que nada sei, foi uma das máximas que nos ficou desse grego que deixou os seus pares à nora com novos conceitos. O nosso também disse que não sabia nada de muitos assuntos como o Freeport, Face Oculta, etc, e mais do que os seus pares, deixou o país à nora com novas dívidas.
O primeiro recusava-se a ter discípulos, mas utilizava o diálogo como forma de chegar ao conhecimento. O segundo tem seguidores fiéis e dedicados e utiliza o monólogo como forma de fazer valer a sua opinião. A ironia do primeiro procurava desfazer as certezas, os dogmas e os estereótipos, como forma de chegar à verdade e ao conhecimento. O segundo usa a ironia para rebater consensos, para criar ilusão, para evitar o diálogo e ludibriar. O primeiro não impunha as suas ideias, tentava que os outros chegassem ao conhecimento. O segundo usa os seus conhecimentos pessoais para fazer prevalecer as suas verdades…
O primeiro era um filósofo em Atenas, o segundo parece que vai aprender filosofia em Paris.
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