A minha sugestão não foi aceite. Modéstia à parte era um governo mais cool, mas enfim, há que dar um ar sóbrio à governação. E afinal o governo caiu mesmo, apesar das cambalhotas e outros números de circo do passado recente. Já não há vida para além do deficit, frase histórica, de um reformado rico, que marcou uma fase da governação e fechou um ciclo curto para se abrir um outro buraco, a experiência socretina. E agora temos que ressuscitar…
Lembro-me do pulinho de surpresa de um ministro do último governo antes dessa traumática experiência socretina (uff, como é difícil fazer graça depois de 16 horas de trabalho…). Esse pulinho com cara de surpresa e segredinhos para o lado foi repetido incansavelmente pelos telejornais. Mais até do que um anterior desmaio do Chefe Cara de Pau, índio que nunca se engana, num outro qualquer governo (acho que a minha TV ainda era a preto e branco, antes da fase cinzenta que se adivinha e da cor de rosa actual).
Se o Território surpreender a nova Ministra da Agricultura Mar e Território, sempre será mais agradável vermos a surpresa e imaginar que segredinhos dirá ao colega do lado…
Desejo que o novo governo seja mais ponderado e realista, sem gastar 23 milhões de euros em seminários e exposições de propaganda a ele próprio, mas espero que a eficiência do ex director geral dos impostos, e ex administrador de uma empresa privada de saúde, não se traduza em mais cheques saúde que todos pagamos e só alguns recebem… O sistema aparentemente perfeito para todos, menos para quem os tem pagar, ou seja, nós.
Como dizem todos os beneficiários do SMS que recebem SNS para as consultas: A esperança é a última a morrer. Na saúde, às vezes morre-se antes da esperança acabar… E por falar em saúde e médicos, espero que seja possível resolver o problema da saúde, sem pedir ajuda à AMIga…
SMS e SNS são acrónimos, não sinónimos…
sábado, 18 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Everything but the kitchen sink
Não sabia como tudo tinha começado. Deu voltas à cabeça e nada lhe ocorria como a verdadeira origem da situação actual, que nada fazia antever seis meses atrás. Lembrava-se vagamente de pequenas coisas, como a história da pasta de dentes. Era preciso fazer aquele estardalhaço todo por causa da pasta de dentes? A sua tinha acabado e resolveu usar a dela, mas deixou o tubo com as marcas de ter sido apertado no meio e não na extremidade… Depois foi o Nestum no frigorífico. Distraiu-se e trocou os cereais com o pacote de leite… Em vez de colocar o pacote de leite no frigorífico colocou-o no armário e os cereais ficaram no frigorífico. Será que merecia tanta gritaria?
Estes dois últimos nadas trouxeram ao de cima histórias já velhas, como a roupa suja no chão, a toalha por endireitar e claro a inevitável história da tampa da retrete para cima…Coisas que ele nunca tinha compreendido. Poderia até perceber que ela se atirasse ao ar por ele deixar a banheira cheia de cabelos, o que nunca aconteceu, como também nunca aconteceu deixar o saco que habitualmente levava para o ginásio com as coisas lá dentro durante o fim-de-semana…Pensava como essas pequenas coisas a aborreciam agora, enquanto no passado, no seu apartamento nada importava. Agora que se tinha mudado para casa dela, tudo tinha passado a ter uma importância desmesurada.
Pensava no agradável que tinham sido estes dois anos que tinham vivido juntos, apesar dos grandes pedaços de vida que tinham ainda em separado, fundamentais para o equilíbrio de ambos e como tudo tinha acabado tão depressa.
Ele era muito cuidadoso nos mais pequenos detalhes e nas datas, nunca se esquecia de nada. Mais do que as prendas, era super atento aquelas pequenas coisas que fazem toda a diferença…
E logo na única vez que se esqueceu do telemóvel no carro dela, tinha que chegar aquela chamada aparentemente insuspeita, seguida do sms indiscreto…Bolas é preciso ter galo pensou.
Entretanto lá chegou a casa sem saber bem como a ia enfrentar depois do telefonema lá para o escritório…E para piorar a situação não pode sair logo. Não podia deixar aqueles clientes à espera e muito menos cancelar a reunião e o almoço. E a tarde completamente cheia e sem lhe poder falar! Parecia que não tinha interesse em falar com ela, mas claro que tinha. E já eram 8h30 da noite, quarta-feira, de certeza que ia apanhar o camião da recolha do lixo a bloquear a rua… Só faltava mais esta! E quem teria sido o imbecil que deixou aqueles sacos enormes junto ao contentor? Palermas de vizinhos, também já estava farto deles, não tinham o menor respeito pelos outros!
Lá conseguiu estacionar enquanto os tipos da recolha de lixo levavam os tais sacos enormes que lhe tinham chamado a atenção. Entrou em casa, dirigiu-se à sala e achou qualquer coisa de estranho, não reparou nem o quê, foi ao quarto e nada. Pareceu-lhe tudo estranhamente arrumado, excepto uma embalagem de sacos de lixo, tamanho industrial em cima da mesa-de-cabeceira. A meticulosa arrumação levou-o a abrir a porta do roupeiro. Completamente vazio!
Abriu a gaveta do móvel onde tinha algumas das suas camisas. Nada. Sem saber no que pensar correu para a sala. Os seus preciosos CDs e Banda Desenhada tinham desaparecido. Até os do Milo Manara que tanto gostavam de ler em conjunto… Voltou ao quarto e viu que no remanescente da embalagem de sacos do lixo fazia de pisa papéis para uma mensagem, simples e escrita à pressa. Guess were is everything that reminds me of you… Really everything, but the kitchen sink, were you should drown!
Este post, mais do que uma resposta ao desafio da Eva, é uma homenagem ao seu Blog e ao que julgo ser a intenção da autora! ( What I sink it his, em Macarronic English…). E claro voltei ao titulo sugerido no primeiro post do blog. Tio é Tio não muda, mesmo.
Estes dois últimos nadas trouxeram ao de cima histórias já velhas, como a roupa suja no chão, a toalha por endireitar e claro a inevitável história da tampa da retrete para cima…Coisas que ele nunca tinha compreendido. Poderia até perceber que ela se atirasse ao ar por ele deixar a banheira cheia de cabelos, o que nunca aconteceu, como também nunca aconteceu deixar o saco que habitualmente levava para o ginásio com as coisas lá dentro durante o fim-de-semana…Pensava como essas pequenas coisas a aborreciam agora, enquanto no passado, no seu apartamento nada importava. Agora que se tinha mudado para casa dela, tudo tinha passado a ter uma importância desmesurada.
Pensava no agradável que tinham sido estes dois anos que tinham vivido juntos, apesar dos grandes pedaços de vida que tinham ainda em separado, fundamentais para o equilíbrio de ambos e como tudo tinha acabado tão depressa.
Ele era muito cuidadoso nos mais pequenos detalhes e nas datas, nunca se esquecia de nada. Mais do que as prendas, era super atento aquelas pequenas coisas que fazem toda a diferença…
E logo na única vez que se esqueceu do telemóvel no carro dela, tinha que chegar aquela chamada aparentemente insuspeita, seguida do sms indiscreto…Bolas é preciso ter galo pensou.
Entretanto lá chegou a casa sem saber bem como a ia enfrentar depois do telefonema lá para o escritório…E para piorar a situação não pode sair logo. Não podia deixar aqueles clientes à espera e muito menos cancelar a reunião e o almoço. E a tarde completamente cheia e sem lhe poder falar! Parecia que não tinha interesse em falar com ela, mas claro que tinha. E já eram 8h30 da noite, quarta-feira, de certeza que ia apanhar o camião da recolha do lixo a bloquear a rua… Só faltava mais esta! E quem teria sido o imbecil que deixou aqueles sacos enormes junto ao contentor? Palermas de vizinhos, também já estava farto deles, não tinham o menor respeito pelos outros!
Lá conseguiu estacionar enquanto os tipos da recolha de lixo levavam os tais sacos enormes que lhe tinham chamado a atenção. Entrou em casa, dirigiu-se à sala e achou qualquer coisa de estranho, não reparou nem o quê, foi ao quarto e nada. Pareceu-lhe tudo estranhamente arrumado, excepto uma embalagem de sacos de lixo, tamanho industrial em cima da mesa-de-cabeceira. A meticulosa arrumação levou-o a abrir a porta do roupeiro. Completamente vazio!
Abriu a gaveta do móvel onde tinha algumas das suas camisas. Nada. Sem saber no que pensar correu para a sala. Os seus preciosos CDs e Banda Desenhada tinham desaparecido. Até os do Milo Manara que tanto gostavam de ler em conjunto… Voltou ao quarto e viu que no remanescente da embalagem de sacos do lixo fazia de pisa papéis para uma mensagem, simples e escrita à pressa. Guess were is everything that reminds me of you… Really everything, but the kitchen sink, were you should drown!
Este post, mais do que uma resposta ao desafio da Eva, é uma homenagem ao seu Blog e ao que julgo ser a intenção da autora! ( What I sink it his, em Macarronic English…). E claro voltei ao titulo sugerido no primeiro post do blog. Tio é Tio não muda, mesmo.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Semiótica da Gastronomia Portuguesa. Significantes e sabores.
Parece lógico, nesta sequência alucinante de textos e textículos (não é original meu) sobre a gastronomia, arrastado pela miscelânea de ingredientes e sabores, que chegasse ao fundo da questão, à origem do signo, às relações entre as formas e os conteúdos.
Não deixa de ser significativo, e atiro outro signo com diferentes significados, que estas questões surjam, não por estar rodeado de tachos, mas sim por estar com as mãos na massa, a combinar doidamente ingredientes com o objectivo de conseguir o melhor resultado com ingredientes estragados…
O paralelismo entre os signos, conjuntos de significante e significado e a governação fundamentada na astrologia, quer seja no estado quer seja nas empresas (ou seja, cozinhando com gás de cidade ou a lenha) é mais um sinal do nosso destino, que não está nas estrelas…Nem temos uma estrela para nos orientar! Pelo contrário, fico apreensivo, com o buraco negro, conhecendo o seu poder de atracção e o resultado fatal da mesma…
Do inferno para o céu, voltemos à cozinha. Os ingredientes faltam: As massas, o arroz, o milho, os bagos, não abundam. Escasseiam, e até o caroço da fruta é difícil de se obter… Ficamos limitados nos acompanhamentos e nos temperos!
Faltam os tomates, os buchos são duros e os fígados maus. Sem estas matérias-primas, como rechear os perus, frangos, e até os coelhos? O azeite foi substituído por óleo vegetal, não é tão bom, mas vai fazendo girar as engrenagens…E que dizer da falta de gravetos para acender o lume? Cozinhamos a frio? Poupamos energia…
Os sapos foram todos comidos, só falta a rã gorda, que se mostra de vez em quando.
Resta-nos a cebola, que já nos pôs a chorar…Espero que não aparecem mais nabos, porque já não sei o que fazer com eles!
Não deixa de ser significativo, e atiro outro signo com diferentes significados, que estas questões surjam, não por estar rodeado de tachos, mas sim por estar com as mãos na massa, a combinar doidamente ingredientes com o objectivo de conseguir o melhor resultado com ingredientes estragados…
O paralelismo entre os signos, conjuntos de significante e significado e a governação fundamentada na astrologia, quer seja no estado quer seja nas empresas (ou seja, cozinhando com gás de cidade ou a lenha) é mais um sinal do nosso destino, que não está nas estrelas…Nem temos uma estrela para nos orientar! Pelo contrário, fico apreensivo, com o buraco negro, conhecendo o seu poder de atracção e o resultado fatal da mesma…
Do inferno para o céu, voltemos à cozinha. Os ingredientes faltam: As massas, o arroz, o milho, os bagos, não abundam. Escasseiam, e até o caroço da fruta é difícil de se obter… Ficamos limitados nos acompanhamentos e nos temperos!
Faltam os tomates, os buchos são duros e os fígados maus. Sem estas matérias-primas, como rechear os perus, frangos, e até os coelhos? O azeite foi substituído por óleo vegetal, não é tão bom, mas vai fazendo girar as engrenagens…E que dizer da falta de gravetos para acender o lume? Cozinhamos a frio? Poupamos energia…
Os sapos foram todos comidos, só falta a rã gorda, que se mostra de vez em quando.
Resta-nos a cebola, que já nos pôs a chorar…Espero que não aparecem mais nabos, porque já não sei o que fazer com eles!
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Facto ou fato?
Até agora sempre me tenho manifestado contra o acordo ortográfico. Até de forma activa, subscrevendo a causa no Facebook. E continuei quando percebi, como todos os outros subscritores, que não valiam nada as mais de 100.000 assinaturas digitais, porque a nossa sociedade digital e desmaterialização dos actos é de cartão canelado. Tem ar no interior e por fora, papel de embrulho. Iniciativas de cidadãos só em papel, que muitas vezes tem a função do habitualmente designado por higiénico…
Hoje encontrei outra vantagem no dito cujo, e que vem da ablação da letra “c” na palavra facto. Uso esta palavra – ablação – propositadamente, porque até hoje, me parecia uma violência que facto e fato se escrevessem da mesma maneira.
Hoje mudei de opinião. Na expressão “Facto Político” a palavra “Facto” deveria escrever-se sem “c”. Apenas nesta expressão. Os outros factos continuariam a ser naturalmente escritos com “c”.
A explicação para esta mudança de atitude é simples. Os políticos para majorar o tempo de antena, para se aguentarem na ribalta, para serem mais vezes citados nas redes sociais, na imprensa escrita enfim, para sobreviver como políticos, precisam de criar factos políticos. Os últimos governos foram pródigos em exemplos de factos políticos, o último deles – o famoso PEC 4 mas LEV 3, vai ficar na história da política portuguesa.
Pois bem, se por um lado precisam de factos políticos, por outro lado estão sempre a mudar de fato. O que me interessa agora é o sentido figurado, a mudança de papel para manter o estatuto. É o tipo que é antimilitarista, talvez até objector de consciência que vai para Ministro da Defesa, o outro que nunca trabalhou na vida (aplica-se a quase todos) que vai para Ministro do Trabalho, o que nunca entrou numa sala de aulas que vai para a Educação. Enfim, até seriam sustentáveis estas situações, mas o que dizer daquele que conhece o Algarve das férias na Balaia e é candidato pelo distrito de Faro? Ou do outro que ouviu falar do Arcebispo de Braga e se candidata por Braga? Ou do conhece a lenda do D. Fuas Roupinho e se candidata pela Nazaré? E quando nas eleições seguintes, o que se candidatou ao Parlamento Europeu aparece como candidato à Câmara de Faro? Ou de Braga? E a seguir aparece como cabeça de lista para a Assembleia da República por outro distrito qualquer? Não acredito que seja fruto da polivalência política. É do fato! Tira um, veste outro e subvertendo o dito popular, como tantas vezes os políticos fazem à vontade do povo: O fato faz o monge, neste caso o político! O facto faz o político, fato e facto são uma só realidade e uma só palavra. Por isso, no meu fato azul-escuro, vou passar a escrever fato político. E assim, ao usar o acordo, também mostro o que sinto pela classe, em geral.
Hoje encontrei outra vantagem no dito cujo, e que vem da ablação da letra “c” na palavra facto. Uso esta palavra – ablação – propositadamente, porque até hoje, me parecia uma violência que facto e fato se escrevessem da mesma maneira.
Hoje mudei de opinião. Na expressão “Facto Político” a palavra “Facto” deveria escrever-se sem “c”. Apenas nesta expressão. Os outros factos continuariam a ser naturalmente escritos com “c”.
A explicação para esta mudança de atitude é simples. Os políticos para majorar o tempo de antena, para se aguentarem na ribalta, para serem mais vezes citados nas redes sociais, na imprensa escrita enfim, para sobreviver como políticos, precisam de criar factos políticos. Os últimos governos foram pródigos em exemplos de factos políticos, o último deles – o famoso PEC 4 mas LEV 3, vai ficar na história da política portuguesa.
Pois bem, se por um lado precisam de factos políticos, por outro lado estão sempre a mudar de fato. O que me interessa agora é o sentido figurado, a mudança de papel para manter o estatuto. É o tipo que é antimilitarista, talvez até objector de consciência que vai para Ministro da Defesa, o outro que nunca trabalhou na vida (aplica-se a quase todos) que vai para Ministro do Trabalho, o que nunca entrou numa sala de aulas que vai para a Educação. Enfim, até seriam sustentáveis estas situações, mas o que dizer daquele que conhece o Algarve das férias na Balaia e é candidato pelo distrito de Faro? Ou do outro que ouviu falar do Arcebispo de Braga e se candidata por Braga? Ou do conhece a lenda do D. Fuas Roupinho e se candidata pela Nazaré? E quando nas eleições seguintes, o que se candidatou ao Parlamento Europeu aparece como candidato à Câmara de Faro? Ou de Braga? E a seguir aparece como cabeça de lista para a Assembleia da República por outro distrito qualquer? Não acredito que seja fruto da polivalência política. É do fato! Tira um, veste outro e subvertendo o dito popular, como tantas vezes os políticos fazem à vontade do povo: O fato faz o monge, neste caso o político! O facto faz o político, fato e facto são uma só realidade e uma só palavra. Por isso, no meu fato azul-escuro, vou passar a escrever fato político. E assim, ao usar o acordo, também mostro o que sinto pela classe, em geral.
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