Leonor pela verdura vai formosa e não segura… De acordo com o poema de Camões uma Leonor giraça ia para a fonte, numa zona de risco.
Ora com os sucessivos acordos ortográficos desde o séc XVI, o original talvez fosse Lianor, também cantada em fado pela Amália Rodrigues. Fado é nossa sina, o que se encaixa na perfeição do nosso jardim, cheio de ervas daninhas, mas à beira bar plantado. O b é de propósito. Continuando nesta viagem até às origens, também tenho a ideia que em vez de formosa, seria fermosa. Mais parecido com feromonas, sempre necessárias neste jogo de atracção, onda a forma é determinante para o sucesso. O conteúdo nem tanto, infelizmente.
O nosso fado leva-nos a querer a segurança onde devíamos arriscar e a correr riscos quando devíamos procurar a segurança. Talvez venha do século XVI este comportamento errático. A esperança do regresso do D. Sebastião vem de certeza.
Cá no nosso Alcácer deste lado do Mediterrâneo no partido da rosa agora murcha, começa a sucessão. Por ironia do destino e do nome do ex líder (à portuguesa, com acordo) andam os mais dialogantes, em filosofia mais socráticos, virados para o seguro. O seguro morreu de velho e para melhor está sempre bem…Quem muda Deus ajuda. Enfim um sem número de aforismos que podia citar. Como o povo tem pouca pontaria no voto, com jeito, ainda rouba alguns votos ao recém-eleito concorrente. Põe-se a jeito com o verde como fundo. Não quer, nem antes pelo contrário. Se tiver muitos apoios arrisca. Se pedirem muito ele vai para a frente. Acabo de saber que já avançou, via Facebook. Tio dixit. Lá está a seguir a metodologia do homem que nunca se engana, não gostava de coelho, foi à caça, veio de mãos a abanar, mas agora já gosta.
O candidato do regime e herdeiro cultural pelo costado da filosofia, limpa os óculos e já está perfilado na sucessão ao grande guru, ex-salvador da Pátria, líder (à Portuguesa, claro) que se sacrifica como único responsável pelo flop, até passar uns tempos e voltar de novo já com a imagem e fôlego recuperados. Uff… Este candidato socrático no sentido mais recente do termo, tem como grande argumento o que se passou em Felgueiras. Vai procurar uma semelhança com o verdadeiro pai (levanto-me e tiro o chapéu, neste momento) de todas as tendências do partido. Sem dúvida que se candidatar assistiremos a uma ida à Marinha Grande para o rapport. Mas entra bem no jogo, não falando disso. Ouvi-o ontem à noite, já com as costas quentes.
Nada de novo, mas não deixa de ser interessante o percurso dos novos leaders, perdão, dos chefes das maiores tribos políticas cá do jardim e a dança das cadeiras. Felizmente não ando nessas caldeiradas. Ontem a sopa ferveu e saiu da panela. Sujou o fogão todo. Talvez de propósito, para se fazer um outro rapport a outra situação muito mais dúbia. Veremos o que vai suceder, se alguém ainda vai entalar os dedos na porta que quis fechar a pontapé. E por falar em porta, já começaram as trocas de cromos para ver quem acaba a colecção. As oficiais, porque as outras há muito andavam em marcha.
E assim vai a nossa nação, formosa e não segura, enquanto o FMI já diz que a cantarinha vai à fonte, mas tem que ir mais depressa, que o caminho é difícil. Ou a cântara maior, para dar de beber a tanta gente …
quarta-feira, 8 de junho de 2011
O prémio EDP
Manda o new-gov, a bem da competitividade, do reforço do tecido empresarial, do estímulo ao empreendedorismo e à dinamização da E-conemia, instituir um novo prémio, para as empresas: O troféu EDP. O troféu EDP será atribuído anualmente por um júri, de personalidades distintas dos vários sectores da E-conemia, integrando forças vivas da sociedade e representantes do mundo Hacadémico.
O processo de atribuição dos 50 prémios anuais será regulamentado em portaria a publicar no prazo de um mês, contado a partir da data de publicação deste diploma, ficando o Instituto da Galhofa, do Riso Sarcástico e da Gargalhada nomeado gestor do processo.
Poderão candidatar-se ao troféu EDP, Empresa Devidamente Phodida, as empresas que percam, pelo menos 90% do seu Imobilizado Corpóreo, sendo que o total do activo não pode ter uma diminuição inferior a 85%. As viaturas ao serviço dos quadros da empresa não poderão ter mais do que 4 anos, contados a partir da data da matrícula.
Em cada mandato, o passivo terá que ter um aumento de 50%, sendo que o endividamento terá que apresentar um crescimento de, pelo menos, 50%. As empresas candidatas a este importante prémio poderão ter suprimentos, desde que em acta do Conselho de Administração não fique fixada uma taxa para os juros.
O prazo médio de pagamento a fornecedores deverá ser, no mínimo, de 8 meses.
Em caso algum poderão ser aceites candidaturas de empresas que cumpram o artigo 35 do Código das Sociedades Comerciais.
As vendas, no período em análise, terão que se manter ou diminuir, situação preferencial, e a ter havido investimentos terão que ser em áreas não fundamentais para a empresa. O aumento dos custos com Rendas e Alugueres será valorado, assim como os aumentos nas rubricas de Honorários e Trabalhos Especializados. Serão especialmente valorados investimentos em decoração, tais como mobiliário e estofos, cortinados, quadros e pinturas de paredes. Empresas que façam este tipo de investimento devem ter um envelope com todas as facturas, não discriminadas, e notas de débito da entidade que as pagou, correspondentes ao exacto valor das aquisições. Os trabalhos não podem ser acompanhados por ninguém profissional.
São critérios muito exigentes, mas a situação difícil que o país atravessa exige um esforço colectivo e, em especial, dos quadros das empresas. Este prémio destina-se a reconhecer esse esforço das empresas.
Será nomeada uma comissão para criar a imagem do troféu, Empresa Devidamente Phodida. As empresas vencedoras terão, obrigatoriamente, que inscrever a distinção “Empresa Devidamente Phodida”, com lettering próprio, em todos os documentos, sejam eles de uso interno ou não.
Publique-se, a bem da descapitalização.
Nota: Este texto segue o Acordo Ortográphico, nos termos da liberdade de graphia. Explicações adicionais sobre o acordo seguido pelo autor podem ser encontradas no artigo “Nem Phode nem sai de cima”, a publicar em data a anunciar, juntamente com as Chrónicas do Valle da Ironia, de Anthónio Bernardo Rhisos y Rhisos.
O processo de atribuição dos 50 prémios anuais será regulamentado em portaria a publicar no prazo de um mês, contado a partir da data de publicação deste diploma, ficando o Instituto da Galhofa, do Riso Sarcástico e da Gargalhada nomeado gestor do processo.
Poderão candidatar-se ao troféu EDP, Empresa Devidamente Phodida, as empresas que percam, pelo menos 90% do seu Imobilizado Corpóreo, sendo que o total do activo não pode ter uma diminuição inferior a 85%. As viaturas ao serviço dos quadros da empresa não poderão ter mais do que 4 anos, contados a partir da data da matrícula.
Em cada mandato, o passivo terá que ter um aumento de 50%, sendo que o endividamento terá que apresentar um crescimento de, pelo menos, 50%. As empresas candidatas a este importante prémio poderão ter suprimentos, desde que em acta do Conselho de Administração não fique fixada uma taxa para os juros.
O prazo médio de pagamento a fornecedores deverá ser, no mínimo, de 8 meses.
Em caso algum poderão ser aceites candidaturas de empresas que cumpram o artigo 35 do Código das Sociedades Comerciais.
As vendas, no período em análise, terão que se manter ou diminuir, situação preferencial, e a ter havido investimentos terão que ser em áreas não fundamentais para a empresa. O aumento dos custos com Rendas e Alugueres será valorado, assim como os aumentos nas rubricas de Honorários e Trabalhos Especializados. Serão especialmente valorados investimentos em decoração, tais como mobiliário e estofos, cortinados, quadros e pinturas de paredes. Empresas que façam este tipo de investimento devem ter um envelope com todas as facturas, não discriminadas, e notas de débito da entidade que as pagou, correspondentes ao exacto valor das aquisições. Os trabalhos não podem ser acompanhados por ninguém profissional.
São critérios muito exigentes, mas a situação difícil que o país atravessa exige um esforço colectivo e, em especial, dos quadros das empresas. Este prémio destina-se a reconhecer esse esforço das empresas.
Será nomeada uma comissão para criar a imagem do troféu, Empresa Devidamente Phodida. As empresas vencedoras terão, obrigatoriamente, que inscrever a distinção “Empresa Devidamente Phodida”, com lettering próprio, em todos os documentos, sejam eles de uso interno ou não.
Publique-se, a bem da descapitalização.
Nota: Este texto segue o Acordo Ortográphico, nos termos da liberdade de graphia. Explicações adicionais sobre o acordo seguido pelo autor podem ser encontradas no artigo “Nem Phode nem sai de cima”, a publicar em data a anunciar, juntamente com as Chrónicas do Valle da Ironia, de Anthónio Bernardo Rhisos y Rhisos.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Ovos Atirados: Receita simplex
Ontem o nosso futuro ex-PM (uff, só faltam 543 nomeações…), queixou em Barcelos da falta de democracia dos participantes num comício. Não me recordo se falou do respeito pelos outros, porque só de o ver, perco a atenção e desligo completamente. Contudo, ainda tive tempo de o ver perguntar em que Escola de Democracia teriam andado as pessoas que lhe atiraram os ovinhos. Não teria sido na do PS, garantiu.
Pois, com um alvo tão fácil de identificar, isolado no meio do palco verde (deveria ter sido vermelho, mas enfim), quem é que falharia? Alguém que na sua infância ou juventude tivesse atirado umas pedras a uns pássaros, ou umas setas a uns alvos improvisados com cadernos de escola, não seria de certeza… Quem seria? Alguém de bom senso, com esta crise que por aqui vai e de que ele é um dos pais, iria desperdiçar dois ovos daquela maneira? Não acredito.
Não apreciei o gesto, merecido ou combinado (a vitimização é frequentemente usada na política), mas a resposta é simples. Quem lhe atirou os ovos foi algum licenciado em Lançamento de Comestíveis e com Mestrado em Lançamento de Objectos Arredondados. Numa Universidade das Novas Oportunidades, claro.
E … ficámos com mais uma razão para gostar de Barcelos!
Pois, com um alvo tão fácil de identificar, isolado no meio do palco verde (deveria ter sido vermelho, mas enfim), quem é que falharia? Alguém que na sua infância ou juventude tivesse atirado umas pedras a uns pássaros, ou umas setas a uns alvos improvisados com cadernos de escola, não seria de certeza… Quem seria? Alguém de bom senso, com esta crise que por aqui vai e de que ele é um dos pais, iria desperdiçar dois ovos daquela maneira? Não acredito.
Não apreciei o gesto, merecido ou combinado (a vitimização é frequentemente usada na política), mas a resposta é simples. Quem lhe atirou os ovos foi algum licenciado em Lançamento de Comestíveis e com Mestrado em Lançamento de Objectos Arredondados. Numa Universidade das Novas Oportunidades, claro.
E … ficámos com mais uma razão para gostar de Barcelos!
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Movimento Unidos do Dinheiro Internacional SA
O movimento conhecido como mudis, anunciou que nos vai dar outra ratada, ou seja cortar mais uns pontos na escala de rating, a escala das histórias do João Ratão e da carochinha.
No mesmo dia, o “commis” de cozinha, armado em cozinheiro malandreco do país do faz de conta (não confundir com o Chef Antoine, oncle de l’ Algarve de la mer d’ici), diz que vai tentar arranjar uma panela melhor para fazer os seus cozinhados e os dos amigos. Dados os seus esforços e bons resultados nestes anos de cozinha de plástico requentada, vão ser distinguidos com o prémio TACHO DE OURO, que distingue os mais criativos na história da carochinha e do João Ratão. Faltava-lhe um condimento essencial, o catalisador do sabor, o amuse bouche que faria salientar o seu pratinho. Encontrou-o. Era o famoso Peque Quatro, o ingrediente mistério que iria salvar o cozinhado horrível e queimado que nos obriga a comer há anos e que quer continuar a obrigar. Uma espécie de trevo de quatro folhas mágico, que iria resolver todos os problemas da cozinha portuguesa. Faltou o trevo, queimou-se o cozinhado e o tacho entornou. Três em um…
Hoje vi-o na televisão a dizer que gostava da cozinha italiana e oriental (será da estação do Oriente?). Quando percebeu (faltava o Luís…), tentou remediar dizendo que também gostava da alentejana, que era muito criativa, com coisas simples faziam pratos deliciosos, que antes eram vistos como pobres. É verdade. E come-se em restaurantes caros, frequentados pela clique política, os mesmos que fazem a transformação ao contrário, retirando valor a tudo quanto tocam…Uma espécie com relações familiares às sanguessugas empresariais a que já me referi.
A única esperança de salvar esta cozinha, é cortarem-nos o gás, que eles estão agarrados aos tachos e com o lume no máximo! Antes que isso aconteça e tenhamos que comer a comida fria durante décadas, sempre podemos expulsar esta brigada, formada nas novas oportunidades e alicerçada no oportunismo…Venham outros, svp.
Food on my brain, definitivamente. (Aproveito a frase da Eva, esperando que leia o meu francês em slow motion, para não dar azo a outras interpretações…)
E passando ao restaurante: Não vem mais vinho para esta mesa, hoje!
No mesmo dia, o “commis” de cozinha, armado em cozinheiro malandreco do país do faz de conta (não confundir com o Chef Antoine, oncle de l’ Algarve de la mer d’ici), diz que vai tentar arranjar uma panela melhor para fazer os seus cozinhados e os dos amigos. Dados os seus esforços e bons resultados nestes anos de cozinha de plástico requentada, vão ser distinguidos com o prémio TACHO DE OURO, que distingue os mais criativos na história da carochinha e do João Ratão. Faltava-lhe um condimento essencial, o catalisador do sabor, o amuse bouche que faria salientar o seu pratinho. Encontrou-o. Era o famoso Peque Quatro, o ingrediente mistério que iria salvar o cozinhado horrível e queimado que nos obriga a comer há anos e que quer continuar a obrigar. Uma espécie de trevo de quatro folhas mágico, que iria resolver todos os problemas da cozinha portuguesa. Faltou o trevo, queimou-se o cozinhado e o tacho entornou. Três em um…
Hoje vi-o na televisão a dizer que gostava da cozinha italiana e oriental (será da estação do Oriente?). Quando percebeu (faltava o Luís…), tentou remediar dizendo que também gostava da alentejana, que era muito criativa, com coisas simples faziam pratos deliciosos, que antes eram vistos como pobres. É verdade. E come-se em restaurantes caros, frequentados pela clique política, os mesmos que fazem a transformação ao contrário, retirando valor a tudo quanto tocam…Uma espécie com relações familiares às sanguessugas empresariais a que já me referi.
A única esperança de salvar esta cozinha, é cortarem-nos o gás, que eles estão agarrados aos tachos e com o lume no máximo! Antes que isso aconteça e tenhamos que comer a comida fria durante décadas, sempre podemos expulsar esta brigada, formada nas novas oportunidades e alicerçada no oportunismo…Venham outros, svp.
Food on my brain, definitivamente. (Aproveito a frase da Eva, esperando que leia o meu francês em slow motion, para não dar azo a outras interpretações…)
E passando ao restaurante: Não vem mais vinho para esta mesa, hoje!
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