quinta-feira, 2 de junho de 2011

Movimento Unidos do Dinheiro Internacional SA

O movimento conhecido como mudis, anunciou que nos vai dar outra ratada, ou seja cortar mais uns pontos na escala de rating, a escala das histórias do João Ratão e da carochinha.

No mesmo dia, o “commis” de cozinha, armado em cozinheiro malandreco do país do faz de conta (não confundir com o Chef Antoine, oncle de l’ Algarve de la mer d’ici), diz que vai tentar arranjar uma panela melhor para fazer os seus cozinhados e os dos amigos. Dados os seus esforços e bons resultados nestes anos de cozinha de plástico requentada, vão ser distinguidos com o prémio TACHO DE OURO, que distingue os mais criativos na história da carochinha e do João Ratão. Faltava-lhe um condimento essencial, o catalisador do sabor, o amuse bouche que faria salientar o seu pratinho. Encontrou-o. Era o famoso Peque Quatro, o ingrediente mistério que iria salvar o cozinhado horrível e queimado que nos obriga a comer há anos e que quer continuar a obrigar. Uma espécie de trevo de quatro folhas mágico, que iria resolver todos os problemas da cozinha portuguesa. Faltou o trevo, queimou-se o cozinhado e o tacho entornou. Três em um…

Hoje vi-o na televisão a dizer que gostava da cozinha italiana e oriental (será da estação do Oriente?). Quando percebeu (faltava o Luís…), tentou remediar dizendo que também gostava da alentejana, que era muito criativa, com coisas simples faziam pratos deliciosos, que antes eram vistos como pobres. É verdade. E come-se em restaurantes caros, frequentados pela clique política, os mesmos que fazem a transformação ao contrário, retirando valor a tudo quanto tocam…Uma espécie com relações familiares às sanguessugas empresariais a que já me referi.

A única esperança de salvar esta cozinha, é cortarem-nos o gás, que eles estão agarrados aos tachos e com o lume no máximo! Antes que isso aconteça e tenhamos que comer a comida fria durante décadas, sempre podemos expulsar esta brigada, formada nas novas oportunidades e alicerçada no oportunismo…Venham outros, svp.

Food on my brain, definitivamente. (Aproveito a frase da Eva, esperando que leia o meu francês em slow motion, para não dar azo a outras interpretações…)

E passando ao restaurante: Não vem mais vinho para esta mesa, hoje!

domingo, 22 de maio de 2011

Cocido Madrileño

Fechado na cozinha duas semanas inteiras, com um dia de folga (nem o Domingo para ir ver a miúda e vestir o fatinho de ir ver a Deus), quase me cansava dos tachos. Perdão das panelas, dos woks, das sauteuses e do resto da palamenta.

Mas não! A difícil situação internacional obriga à necessidade de intensificar as relações bilaterais, a partilha de experiências e o desenvolvimento de novas parcerias institucionais. As circunstâncias, com uma conjuntura depressiva, mas onde o nosso esforço faz a diferença, obrigam a uma difícil missão internacional, na capital del país hermano, que necesita ayuda, perdón, que me equivoco, es en portugues que escribo.

Há algum tempo tinha recomendado a criação de um facto político, mas não me referia a um acampamento nas Portas do Sol! Pensando bem, com aquele movimento nocturno até dá jeito umas tendas, já que a barraca está armada.

Voltando ao puchero, deixo-vos uma receita, verdadeira, de cocido madrileño! Deve ser bem regado com um rioja tinto, para excluir qualquer possibilidade de trabalho sério na parte da tarde. À noite, depois desta experiência gastronómica e de uma siesta pequena, já se devem ter recuperado as forças e a vontade de sair, que sítios não faltam.
Dito desta maneira até parece que vou de férias, o que não é o caso…Já que ando tão concentrado na cozinha, prometo que conto tudo no regresso.


¡Hasta pronto!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Contributos para uma metalinguagem da gastronomia - I

Aperitivo

Confesso que hesitei antes de escrever este texto e continuo a hesitar à medida que o vou escrevendo. Hesito por três razões distintas: Não gostava que acreditassem que pretendo fazer um tratado científico sobre gastronomia, com tomos sobre a gastronomia algarvia, alentejana, beirã, trasmontana, estremenha e menos ainda sobre a “nouvelle cuisine”, ou outra qualquer variante, corrente culinária de qualquer lugar onde tenha vivido ou experienciado (experienciado é de propósito, para me armar), alguns pratos diferentes, ou exóticos. Também não gostava que algum dos meus leitores pensasse que, pela minha actividade profissional ou dado o meu gosto pela culinária - por alguns pratos em especial - me estivesse a armar em Chef, ou grande conhecedor dos meandros dessa nobre arte… A última razão que me leva a hesitar prende-se o receio de desiludir quem me lê, na expectativa de encontrar um texto profundo, complexo, fundamentado, cheio de referências, mas claro e clarificador dos termos em uso nestas artes, o que obviamente não vai acontecer.

Depois desta introdução ao estilo New Socras, dizendo o que não vai acontecer (mesmo assim não convém acreditar), vejo que o texto já tem quase 200 palavras e por isso termino com a promessa de desenvolver todos os esforços, para atingir este desiderato blogosférico de contribuir para um maior conhecimento da riqueza semântica e das potencialidades da gastronomia nacional e internacional, nos diversos “terroirs” onde me movimento.

A vossa participação no inquérito sobre o livro das caras encoraja-me a produzir ainda mais e melhor apurados textos. Vou para o fogão de “sauteuse” em punho… Não acreditavam que eu tinha um tacho ou uma vulgar frigideira, pois não?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Socrastinar

Socrastinar, consiste em adiar repetidamente a revelação de factos importantes, recorrendo à mentira imaginativa e constante para se auto-justificar. Na maior parte dos casos os indivíduos com esta patologia acreditam nas mentiras que vão repetindo incessantemente. A atitude de Socrastinar é muitas vezes referida em linguagem comum como “fuga para a frente”, mas não deve ser encarada de ânimo leve, nem descuidado o acompanhamento constante aos pacientes que apresentem esta sintomatologia. Com o decorrer do tempo os sintomas agravam-se e as mentiras são mais elaboradas e mais credíveis. Contrariamente à procrastinação, em vez de comportamentos depressivos, este tipo de patologia leva a momentos de euforia, que se repetem cada vez mais frequentemente.

Quer saber mais sobre este tema? Precsa de apoio para algum conhecido? Ligue para a hotline do Tio, ou pergunte por email (resposta garantida nas 48 horas seguintes). Para casos urgentes mencionar no assunto do email a palavra URGENTE. Resposta no território nacional em 6 horas.

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