domingo, 15 de maio de 2011

O peixe, a carne e a dieta

Dissertava há dias sobre o peixe e a carne, a propósito da idade, quando me apercebi que me faltavam dois aspectos fundamentais da culinária. Se a música é a arte dos sons e dos silêncios, então a culinária não incluirá também uns períodos de jejum ou, pelo menos, de dieta? Com certeza que sim. Para saborear uma iguaria, nada melhor que um período de abstinência, moderado. Como a comida que se ingere, também há que saber dosear o jejum…Se é muito longo, a comida cai mal no estômago, há tendência para comer muito depressa, sem sequer saborear e, pior ainda, caímos no erro fatal de comer por necessidade e não por prazer…

O outro aspecto relevante é o ritmo. Se a pausa entre refeições não for suficiente, corremos o risco de não ter estômago para o prato que pretendemos degustar, para além do risco de bolçar. Sim, bolçar e não bolsar, palavra que escolho por deferência às jovens mães e baby bloggers, um segmento da blogosfera, de acordo com a Miss Pólo, em expansão, mas também porque quem tem estas atitudes, de se sentar à mesa de barriga cheia, deve ser uma criança nestas lides da culinária. Ou pelo menos não é apreciador de pratos requintados e sofisticados, não sabe nada de gastronomia e menos ainda se pode intitular gourmet.

Esta abordagem à gastronomia vem na sequência do comentário sobre o peixe e a carne referido mas, sobretudo, da formação de SEO de há dias. Ao que parece, a culinária é um dos temas mais procurados nos motores de busca, depois do sexo. Quem procura sexo com um motor de busca, interrogo-me… Só com uma versão avançada do meu Cuskometer (patente devidamente registada pelo Tio do Algarve), mas ainda não está disponível para download.

Antes de falar na carne e no peixe, é necessário e importante clarificar os conceitos de gastronomia e culinária, mas não sendo especialista em linguística nem em semântica, a arte de combinar elementos, o conhecimento das técnicas e o espírito científico da experimentação levam-me para caminhos mais sofisticados e parece inevitável a abordagem a outro tema: A sedução…

Quanto à carne e ao peixe, vão ter que ficar para outra vez, porque textos longos não são convenientes para a internet e está na hora de degustar. Uma refeição requintada mas light, claro…

Para dissipar qualquer dúvida, tenho que dizer que este post foi cozinhado na passada terça feira, terminado pelas 13h00, embalado em vácuo e guardado no congelador do disco do meu Toshas, de onde foi retirado hoje. Colocado no micro-ondas, depois de borrifado com água fresca (não confundir com outros borrifos…), e servido às minhas leitoras e leitores para degustação.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O novo tratado de Methuen

Um exemplo que justifica, há três séculos, o ditado popular “Quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita”, e que me serve de pretexto para revelar, em primeira mão, algumas exigência do desgoverno de Portugal para aceitar a ajuda internacional. Trata-se da Revisão ao Tratado de Methuen, que completou 300 anos sem que tivesse sido actualizado!

Para poupar tempo aos meus estimados leitores, passo directamente às exigências feitas ao Reino Unido, remetendo para mais tarde a publicação, em exclusivo, da epístola socretina sobre o assunto e os acordos com a Comunidade e com o FMI.

O acordo original só tinha três artigos, o mais pequeno de sempre da diplomacia europeia, o que evidente foi pouco e muita coisa não foi devidamente garantida, o que por si justificava a urgente revisão.


New Methuen – ou o Tratado do Silva
1. A partir desta data o tratado passa a ser conhecido como Tratado do Silva, uma vez que também foi assinado por um português, com esse nome.
2. Em Londres, o monumento conhecido como de Marble Arch, passará a chamar-se Arco do Marquês do Alegrete, em homenagem ao signatário português. Em contrapartida a Rua do Poço do Borratém, em Lisboa passará a chamar-se Sex Well Road, em referência à Old Albion.
3. Para além da lã britânica, Portugal importará tudo o que puder, desde o whisky, aos beagles e poodles e ainda os hooligans (importação sazonal).
4. O golf passará a ser praticado em Portugal de forma intensa e para o popularizar passará a ter, assim que as condições económicas o permitirem, taxa reduzida de IVA.
5. O bridge, o cricket e o football passarão a ser desportos oficiais de portugal, como o golf, mas só o football será apoiado, através de perdões fiscais, estádios megalómanos e subsídios a fundo perdido pelo estado português.
6. Os jogadores do dito desporto passarão a ser exportados e considerados em Inglaterra, e em todos os países anglófonos, como senhores, e o maior deles todos será um treinador a quem darão o nome de “special one”. Os jogadores do dito desporto, se as vidas familiares assim o permitirem, ficam obrigados a ter uma vida devassa com as cidadãs britânicas, ou dos países onde estiverem, e a divulgar as suas aventuras no facebook, twitter e nos tradicionais tablóides e revistas pink.
7. Os portugueses e seus descendentes, enquanto houver memória deste tratado, ficam obrigados a falar inglês nas suas deslocações ao Reino Unido. Os súbditos de Sua Majestade, a Rainha de Inglaterra, falarão o Inglês sempre e em toda a parte, excepto se viverem em Portugal ou nas Regiões Autónomas há mais de dez anos, caso em que terão que saber dizer três palavras em português (Maria; Portugal e Hotel).
8. Os britânicos e todos que não o sendo lhes queiram seguir os hábitos, passarão a tomar chá, mas estão desobrigados de conhecer a história de D. Catarina de Bragança. Os cidadãos portugueses terão que conhecer em profundidade a história de todos os Stuart e em particular a de Carlos II de Inglaterra.
9. Portugal acolherá os cidadãos britânicos nas suas férias, numa região chamada Allgarve, construída especialmente para os receber.


Se em qualquer ocasião se verificar que os portugueses ou seus descendentes não cumprirem o agora acordado cessarão as obrigações agora assumidas pelas partes, mas mantêm-se os direitos.


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Joe Metheun da Silva of Sousa, on behalf of Anthony Bernard Laugh and and Laugh, Earl of Irony



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David da Silva Shrimp, on behalf of himself, Duke of Ellington, V.N. Famalicão, Valley of the Bird



terça-feira, 3 de maio de 2011

Hossana nas profundidades

Hossana, Osama, Osama bin Laden, Usama bin Laden, Usama bin Ladin, Obama Bin Laden. Obama…

Oh Bama, I’ ve been….been…

…so sad. And suddenly… Suddenly, in the middle age! It’s what I feel..

And please don’t call me Uncle Tony, never.


Imagens como as recentes, recordam-me sempre as origens desse grande país da liberdade, guardião dos valores do ocidente. E os interesses que movem os homens, a demagogia dos governantes e a hipocrisia que se mantêm ao longo dos tempos…Tudo em grande. Até a miséria.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Carta ao Ministro

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Boa Vida,


Excelência,
Os mais respeitosos cumprimentos.
Dirijo-me a V. Exa. na qualidade de Director Geral do Instituto da Galhofa, do Riso Sarcástico e da Gargalhada, a propósito do louvor que me foi concedido, publicado no Diário do Desgoverno de 26 de Abril, do calendário gregoriano, de 2011.

Tendo já remetido ao Senhor Presidente do Instituto uma carta de agradecimento, humildemente, sem pretender de forma alguma ultrapassar a hierarquia do estado da coisa, animado apenas pelo dever cívico e moral de reconhecer o gesto, atrevo-me a dirigir-me a directamente a Vossa Excelência.

Quando no passado dia 21, quinta-feira, quase ao final da manhã, saí com a viatura do Instituto que me está distribuída, para recolher a minha família em casa para gozo de um breve período de repouso, aproveitando a tolerância de ponto concedida a todos os funcionários públicos, estava longe de imaginar esta surpresa, certamente imerecida, pois apenas me limitei a interpretar o que me pareceu ser o espírito do diploma da tolerância de ponto da quinta-feira santa (continuo a escrever santa em minúsculas para que não se pense que sou dos que se ajoelham).

No dia imediatamente anterior, ao tomar conhecimento desse gesto nobre do nosso grande leader, limitei-me a pensar naqueles que se iriam deslocar para longe, para junto da família, ou das praias algarvias e outros destinos, como o caso do Senhor Presidente do Instituto que, sabendo das dificuldades que o povo sente, entendeu não ocupar um quarto de Hotel no Algarve, preferindo sacrificar-se com uma deslocação para um lugar remoto (desterrado seria a palavra mais correcta), deixando assim mais disponibilidade para os nossos compatriotas no nosso país. Ir para o Senegal, de armas e bagagens, ter de caçar, talvez para comer, é um gesto que enobrece e que todos as portuguesas e portugueses, deviam conhecer…

Enfim, foi com algum desprendimento, tenho que confessar, que decidi dar tolerância de ponto também na terça-feira de manhã a todos os funcionários. A responsabilidade foi exclusivamente minha, uma vez que o Senhor Presidente estava já incontactável, arriscando a vida contra os rinocerontes, na selva africana, pois que para dar mais espaço às portuguesas e portugueses na quinta-feira, entendeu sacrificar alguns dias de férias e partir mais cedo. Pensei sobretudo nas famílias que, com um pequeno gesto, poderiam ficar juntas mais um dia. Pensei também na segurança rodoviária, evitar acumulação de trânsito na segunda, evitar deslocações, à noite, quiçá depois de um dia cansativo em família, podendo fazê-las tranquilamente com a luz do dia. Pensei ainda nos Hotéis e no Turismo e na importância que a actividade turística tem para o país. Pensei também nas eleições que se avizinham e na importância da reeleição, do nosso grande leader e irmão. Pensei nos nossos camaradas deputados da capital, mas eleitos por círculos distantes e que não têm nada a ver com eles que, deste modo poderiam estar alguns dias e, quem sabe, participar nalguma comemoração do dia 25….

Nunca poderia imaginar é que esse pequeno gesto seria observado e, menos ainda, reconhecido por Vossa Excelência. Fi-lo com o sentimento de quem cumpre um dever para com o estado e os seus cidadãos. Bem-Haja, Vossa Excelência, por ter notado um gesto tão pequeno, de um humilde servidor….

Ao despedir-me, tomo a liberdade de recordar aquelas situações de junho, que falámos no congresso. E ficava a paridade assegurada, Porto e Lisboa, com apenas dois dias de tolerância, assegurávamos uma semana no Porto e outra em Lisboa…Lembre-se da asneira do carnaval, dos outros…


A bem de nós e do nosso grande leader,

Permita-me um abraço fraterno, de gratidão,

António Bernardo Risos Y Risos

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